quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Povo chavista empurra escória golpista de volta para o esgoto



À multidão reunida em Caracas, no sábado, o presidente Nicolas Maduro denunciou os golpistas por usarem como “carne de canhão” um grupo de jovens “que doutrinaram no ódio”, após confronto na quarta-feira com três mortos e 60 feridos, invasão da Procuradoria-Geral e carros policiais incendiados. “Eu quero dizer aos loucos fascistas que o Maduro não vai renunciar, nem um milímetro, ao poder que o povo da Venezuela lhe deu”. Na segunda, a Venezuela expulsou três “diplomatas” dos EUA que montaram os “grupos de choque”.


Multidão em Caracas respalda Maduro e repele o golpismo

Venezuela expulsa três agentes dos EUA flagrados montando os grupos de choque que causaram três mortos e 60 feridos, invadiram a Procuradoria Geral e incendiaram automóveis

Dezenas de milhares de manifestantes tomaram as ruas de Caracas no sábado (15), em defesa do governo legítimo venezuelano e da revolução chavista e contra a tentativa de reeditar o golpe de 2002, como denunciou o presidente Nicolas Maduro. A multidão também exigiu “paz”. Na quarta-feira (12), pistoleiros, de forma semelhante a 2002, mataram três pessoas – dois deles “oposicionistas” e um líder comunitário - e feriram mais de 60, em meio aos confrontos decorrentes da convocação, pelo golpista de 2002, e fundador do partido de extrema-direita Vontade Popular, Leopoldo López, da “saída” de Maduro. Os grupos de choque de López haviam incendiado carros e invadido a Procuradoria-Geral do país, e vandalizado o Parque Carabobo. Dias antes, no estado de Táchira, quase queimaram a casa do governador, com a família dele dentro.

Na segunda-feira (17), o chanceler venezuelano Elias Jaua anunciou a expulsão de três “diplomatas” dos EUA, por organizarem grupos de choque nas universidades privadas, e revelou que nos últimos três anos, conforme e-mails apreendidos, o governo dos EUA pagou mais de US$ 100 milhões para financiar seus colaboracionistas, através de organizações de fachada. A Venezuela expressou seu agradecimento à Unasul, ao Mercosul, à Celac, à Alba e aos países amigos pela solidariedade manifestada e pelo repúdio à violação da ordem constitucional. Os agentes Breann Marie McCusker, Jeffrey Elsen e Kristofer Lee Clark receberam ordem de partir em 48 horas. A CIA usou “grupos de jovens” – como o OTPOR, na Iugoslávia, e assemelhados na Geórgia e Ucrânia – para fazer “(contra) revoluções coloridas” pró-EUA.

Em dezembro, a oposição havia perdido a quarta eleição consecutiva em um ano, com o partido do grande Chávez detendo a presidência, o governo de 20 dos 23 estados, 250 de 335 prefeituras e 98 de 165 deputados. Em sua declaração, Jaua afirmou: “Alertamos e ativamos todos os mecanismos internacionais frente às ameaças, condicionamento e interferência direta do governo do presidente Obama na atual situação de violência e desestabilização que pretende criar uma crise política na Venezuela”. O golpe – fracassado – de 2002 não existiria sem a CIA e a embaixada americana.

A convocação para a “saída de Maduro”, em plena comemoração, no país inteiro, dos 200 anos do Dia da Juventude – uma data histórica da luta de independência – por multidões de chavistas, foi uma provocação planejada. Áudio divulgado na tevê venezuelana revelou telefonema do ex-chefe da Casa Militar do governo do carniceiro Andrés Pérez, o vice-almirante da reserva Ivan Carratú, para o ex-embaixador na Colômbia, Fernando Gerbasi, em que textualmente é afirmado, 24 horas antes dos fatos: “amanhã será um cenário muito similar ao de 11 de abril [de 2002]”. Já o principal arauto impresso dos golpistas de 2002, “El Nacional” – conhecido entre os chavistas como “Nazional” – na véspera da marcha (dia 11) abriu em manchete: “Nos manteremos na rua até o final do governo”.

À multidão vestida de vermelho, concentrada na Avenida Bolívar, Maduro denunciou os golpistas por usarem como “carne de canhão” a um grupo de jovens que “doutrinaram no ódio, na intolerância e na loucura política”. “Eles disseram que iam às ruas e não iam sair das ruas até que o Maduro renunciasse”, assinalou o presidente venezuelano, acrescentando: “eu quero dizer aos loucos fascistas que o Maduro não vai renunciar, nem um só milímetro, ao poder que o povo da Venezuela lhe deu. Vou continuar no poder porque o povo está no poder”. “Vocês querem as ruas? Pois lhes daremos as ruas. Querem o povo na rua? Então chegou a hora da rua outra vez. Trata-se de derrotar uma corrente fascista que quer acabar com a pátria”.

Conclamando pela paz e contra o fascismo, o presidente Maduro apelou a todos “para lutar nas ruas através das suas idéias, seus valores, sem violência, em um debate no que diz respeito aos direitos das pessoas”. De acordo com a BBC, “os chamados para protestos mais violentos por parte do setor radical da oposição não vêm tendo muita adesão”. O candidato oposicionista a presidente, Henrique Capriles, que em outubro passado havia convocado “a ira” contra sua derrota nas urnas, provocando a morte de 10 chavistas e dezenas de feridos, desta vez achou melhor ficar de fora dos confrontos. “Para que serviu o ‘saia já’ [ a exigência de López ]? Alguém que talvez não tenha aprendido nada durante estes anos, vai nos meter a todos no ‘saia já’”, disse Capriles. “Com isso não estou de acordo e claramente me desvinculo”, afirmou. De acordo com o “El País”, os acontecimentos atuais podem até mesmo levar a um racha da aliança oposicionista MUD, após a derrota de Capriles e questionamento de sua “liderança”.

WIKILEAKS

Documento do Departamento de Estado, vazado pelo “WikiLeaks”, traça um perfil de López, agora tão útil ( na época, o problema era unir, numa única candidatura, todos os fantoches pró-EUA ): “figura divisora da oposição, arrogante, vingativo e sedento de poder”. Ele foi prefeito de Chacao e em 2008 foi condenado por corrupção. Agora, a justiça decretou sua prisão por incentivar a desordem e pelos homicídios. Em seu discurso de sábado, o presidente Maduro afirmou: “Lopéz ordenou que todos esses jovens violentos, treinados por ele, destruíssem metade de Caracas, e então resolveu se esconder. Entregue-se, seu covarde”.

Um dos maiores produtores de petróleo do planeta – petróleo nacionalizado -, e detentor das maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta, a Venezuela segue na mira de Washington, do Pentágono e das Sete Irmãs. O pano de fundo para a atual aventura golpista é a guerra econômica no velho estilo de Nixon de “fazer a economia gritar” – o que também foi feito nas vésperas do golpe de 2002.

Assim, o país tem sido submetido a violenta especulação com sua moeda, escassez forçada de alimentos e bens, assim como difamação da estatal do petróleo PDVSA. Embora haja muitos problemas para resolver – como a criação de uma indústria nacional vigorosa e a inflação alta -, a revolução chavista já conquistou grandes vitórias, como o ter tornado o país menos desigual da América Latina e a queda da pobreza para 21% e da extrema pobreza, de 40% para 7,3%. A mortalidade infantil baixou de 25 por mil para 10 por mil. O analfabetismo foi eliminado, a educação é pública e gratuita, assim como a saúde. O superávit nas exportações ultrapassa US 34 bilhões, as reservas são de US$ 22 bilhões, o superávit (não déficit) é de 2,9% do PIB e praticamente não há dívida externa.

ANTONIO PIMENTA




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