sábado, 8 de fevereiro de 2014

"O iraniano é o povo mais hospitaleiro que já vi, e não o fanático que a mídia mostra", diz brasileiro que cruzou o mundo de motocicleta


Abaixo vai um trecho - ou seja, a restante da matéria só se você comprar a revista - que destaquei da reportagem /entrevista publicada na Edição 121 da Revista Pró Moto, com o brasileiro Raphael Karan, que lançou um livro em que relata as experiências vividas em sua aventura. No ano passado reproduzi no finado blog ENCALHE ( RIP ) os relatos do viajante Marcelo Leite, que também rodou de moto pelo mundo, quando relatou a experiência de visitar Cuba, e acho que esta matéria também vale sua visita, caro leitor desste blog.
Espero que gostem do texto a seguir, pois tive que digitar tudo, já que não encontrei o texto na Internet para copiar. rsrs

REVISTA PRÓ MOTO: E quando retornou do Alasca?
RAPHAEL KARAN: Foram alguns meses até para que eu connseguisse renovar os contratos de patrocínio ou mesmo novos. Consegui uma Aprilia Pegaso 650, nós a embarcamos em um avião da DHL até Frankfurt e da Alemanha comecei a percorrer a Europa toda. Rodei pela Alemanha, Polônia, Lituânia, Estônia, Finlândia, Russia, Ucrânia, atravessei o Mar Negro entrei na Turquia e de lá, tentei entrar na Síria, mas não consegui. Voltei para a Turquia e fui ao Irã, onde encontrei o povo mais hospitaleiro que já vi. Depois passei por Paquistão e Índia...

Iranianos hospitaleiros?
Cheguei no Irã com uma visão de que os caras seriam fanáticos, cultuando o ódio, a guerra, mas isso é uma mentira que nos é passada pelos grandes meios de comunicação de massa.
O Irã é um país que há décadas vem tentando se libertar do jugo ocidental. Ninguém ressalta por aqui, mas o ( Mohammed ) Mossadegh ( ex-primeiro ministro ) foi derrubado por um golpe orquestrado pelos serviços secretos britânico e norte-americano, depois de ter nacionalizado a indústria do petróleo daquele país e [para] reempossar o xá Reza Pahlevi. Este foi um carrasco que só fez mal para aquele país e quando ocorreu a Revolução Islâmica em 1979, o Reza Pahlevi foi morar nos Estados Unidos e diz a lenda que seu avião quase não teve forças para decolar, tamanha a quantidade de ouro que ele saiu levando do país. Desde o primeiro dia que cheguei pedindo para acampar em algum quintal, o pai falou para um moleque de minha necessidade e ele saiu correndo na frente da moto até uma vilazinha e lá me trataram como se eu fosse um príncipe. Queriam colocar minhas coisas dentro da casa, mas como eu ressaltei que queria acampar no quintal, colocaram tapetes para eu armar a barraca. Era uma família extremamente pobre, mas mesmo assim, prepararam uma comida muito boa. Passados alguns dias, fui pedir informação sobre como fazia para ir para Teerã e um cara pegou no meu braço e praticamente me "obrigou" a ir para a casa dele, dizendo que a mulher dele iria lavar minha roupa e fazer comida para mim. Eu não entendia isso, pois é algo muito fora de nosso contexto de hospitalidade e achava até que estavam querendo me roubar. Como diz no capítulo do livro, "a hospitalidade corre nas veias desse povo". E você sabe por que isso acontece? É por que está no Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos. Lá o texto diz que você deve amparar o viajante, principalmente se ele estiver com sede e com fome. Isso se deu porque todo muçulmano, desde que tenha condições, deve ir pelo menos uma vez na vida a Meca. Antigamente as pessoas faziam isso a pé, de carroça, em lombo de burros e não tinham como carregar seus mantimentos por uma viagem tão longa.

E nos demais países do Oriente Médio, como foi sua experiência?
Igualmente interessante. Eu não entendia esse grau de hospitalidade que eles possuem. Pessoas que não tinham dinheiro queriam me pagar comida, inclusive num restaurante: eu conto isso em detalhes no livro.

( ... )


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