domingo, 23 de fevereiro de 2014

Mensalão Tucano: PSDB abandona Azeredo, Por Jasson de Oliveira Andrade



O mensalão tucano, que a mídia, por motivos óbvios, denomina como “mineiro”, antecedeu o mensalão petista. Os fatos se referem à reeleição do então governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo, em 1998. Segundo revela o Estadão, “a Procuradoria Geral da República denunciou em novembro de 2007 um esquema de desvio de recursos públicos (sic) na campanha à reeleição de Azeredo [hoje deputado federal] e disse que os fatos foram o “embrião” do mensalão federal. A denúncia motivou a abertura de três ações penais”. Agora, quase sete anos depois, o fato poderá ir a julgamento, quando os réus do mensalão petistas já foram julgados e condenados. Os dois casos são conhecidos também por “valérioduto”, visto que o ator principal é o Marcos Valério.

Em 8/2/2014, o Estadão noticiou: “O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu em parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal que o deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB-MG) seja condenado a uma pena de 22 anos de prisão por participação no chamado mensalão mineiro [na verdade, mensalão tucano]. Nas alegações finais entregues nesta semana ao Supremo, o chefe do Ministério Público Federal afirmou que Azeredo, ex-presidente nacional do PSDB [atualmente o presidente nacional é o senador Aécio Neves], cometeu os crimes de peculato e lavagem de dinheiro”.

O surpreendente é que o PSDB abandonou o deputado Azeredo à sua própria sorte. João Domingos, em reportagem no Estadão (12/2), sob o título “Cúpula do PSDB faz pressão por silêncio (sic) de Azeredo”, revelou: “A cúpula do PSDB pressiona o ex-governador de Minas Gerais, ex-senador, ex-presidente do partido e atual deputado federal Eduardo Azeredo (MG), para que ele fique recluso e evite falar (sic) sobre o mensalão mineiro [tucano], que deve ser julgado neste ano pelo Supremo Tribunal Federal. (...) Os tucanos avaliam que ficar insistindo no assunto serve apenas para manter o mensalão mineiro [tucano] nas manchetes dos jornais e nas redes sociais’. Já a Folha de 14/2/2014, na reportagem “Tucanos dizem que Azeredo pode pedir licença ou renunciar”, faz essa surpreendente revelação: “Integrantes do PSDB dizem que o deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB-MG) pode pedir licença da Câmara para evitar novos desgastes à sua imagem, ao partido (sic) e sobretudo à campanha presidencial do tucano Aécio Neves (sic)”. Adiante o jornal noticia: “Para eles [tucanos], afastamento [licença ou renúncia] reduziria exposição do caso na mídia e evitaria novos desgastes”. 

Outro fato que está preocupando a cúpula do PSDB: a ausência do governador Geraldo Alckmin na visita de Aécio a várias cidades paulistas. O Estadão de 9 de fevereiro, na reportagem dos jornalistas Pedro Venceslau e Ricardo Chapola (“Alckmin deixa Aécio sozinho em São Paulo”), revela que essa ausência é estratégica. Os jornalistas constaram: “Tucanos paulistas lembram que Aécio deu um apoio tímido a Alckmin quando ele disputou a Presidência, em 2006, e ainda estimulou a dobradinha que ficou conhecida como “Lulécio”, quando os eleitores votavam no petista para presidente e em Aécio para governador”. Outra constatação mostra qual é a estratégia de Alckmin: “Tucanos ligados ao governador paulista afirmam que a distância de Alckmin da “caminhada” de Aécio é estratégica para valorizar (sic) o que, dizem, será uma entrada triunfal (sic) do governador na campanha presidencial. A data seria o dia 22 de março, quando Aécio fará o lançamento oficioso de sua candidatura”. A conferir.

O mensalão tucano e a ausência de Alckmin nas visitas de Aécio são dois problemas para o tucanato. Será que o PSDB conseguirá contorná-los. Teremos mesmo a licença ou a renúncia do deputado Azeredo? A ver!

EM TEMPO: O deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG), réu no mensalão tucano, renunciou, em 19/2, ao mandato na Câmara. Com este ato, ele atende à pressão do PSDB e poderá ficar sem condenação (a Procuradoria pediu a pena de 22 anos). Com a renúncia, a ação penal no Supremo provavelmente descerá para a primeira instância. Com isso, os crimes poderão prescrever. A não ser que o Supremo decida que o processo continue no STF, contrariando decisões anteriores. Vamos aguardar o desdobramento da renúncia. Ainda poderemos ter surpresas ou não...

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu 
Fevereiro de 2014

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