segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Folha e Estadão: Sempre tem um “mas”, Por Jasson de Oliveira Andrade




Os governistas acusam a imprensa, principalmente os grandes jornais, de ser oposicionista. Com destaque para a Folha e o Estadão. O primeiro se diz independente, sem posição política. Já o Estadão, nas eleições de 2010, apoiou, em Editorial, José Serra (PSDB). Um fato mostra que os dois jornais, na verdade, são oposicionistas. É que, ao publicar um fato econômico que favorece o governo, ambos usam um “mas”.

Tenho lido essa manifestação em várias notícias. Vou citar apenas a última. A jornalista Idiana Tomazelli, no Estadão de 31 de janeiro, noticiou: “O desemprego atingiu em 2013 o menor nível da série histórica do IBGE, iniciada em 2002, com uma taxa média de desocupação de 5,4%”. Para se ter uma idéia desse recorde, o jornalista Gianni Carta comenta como se encontra o desemprego na França, país do primeiro mundo: “Para combater o desemprego, a beirar 11%, o chefe do Estado [ presidente Francois Hollande ] fala em um novo “pacto de responsabilidade” com as empresas”. No Brasil, o desemprego é bem menor do que aquele da poderosa França. Mesmo assim o Estadão colocou esse título na reportagem da jornalista Tomazelli, com letras enormes: “Índice de desemprego é o menor desde 2002, mas (sic) renda cresce (sic) menos”. A Folha não ficou atrás: no mesmo dia este jornal colocou essa manchete em primeira página: “Desemprego cai ao menor nível, mas (sic) renda sobe (sic) menos”. Para minimizar essa boa notícia, os dois jornais publicaram praticamente a mesma manchete ( coincidência? Penso que não ), com o “mas”!

Sou um analista político. Entendo pouco, quase nada, de economia. No entanto, quase escrevi “mas”, entendo que se a renda cresceu a notícia é boa e não merecia o destaque negativo: renda cresce (sic) menos (Estadão) ou renda sobe (sic) menos (Folha). Ora, negativo seria se a renda não subisse. Entretanto, quase escrevi “mas”, ela subiu! Não houve, como tentaram dizer com o famoso “mas’, má notícia. Parece que a Folha procurou minimizar o “sobe” e colocou essa manchete na página Econômica (Mercado): “Desemprego cai ao menor nível, mas (sic) reajuste do salário desacelera (sic)”. Se o salário “desacelera”, é porque ele “sobe” menos, “mas” SOBE. Ou meu raciocínio é errado? Enfim, depois do “mas” do Estadão e da Folha, pode-se repetir a famosa frase do saudoso Dr. Edgard Sartori: Tá ruim, mas tá bom!

Em vista das deformações desses jornalões, Luís Nassif constata: “No meio de um mar de falsos (sic) problemas levantados pela mídia, reside aí o problema central da economia brasileira.” O mar de falsos problemas se resume nos “mas” do Estadão e da Folha!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu 
Janeiro de 2014


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