segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Por que Andrea Matarazzo é tão blindado pela Folha?, Por Brasil 24/7



Cresce poder do vereador do PSDB sobre jornal da família Frias; nesta segunda-feira 20, Folha de S. Paulo dá em manchete lista de subornos pagos pela Alstom, em 1998, para "a Secretaria de Energia"; secretário de Energia na ocasião era Andrea Matarazzo, mas nome dele não aparece na capa do jornal; foto também não; identificação só vai surgir na 40ª linha e no pé de um box na página A4; no sábado, em página nobre, ele assinou artigo sobre rolezinhos, mas na vida real Matarazzo é o principal suspeito de ter embolsado propina de R$ 1,56 milhão; blindagem tem a ver com o fato de ele ser amigo pessoal de José Serra e ter sido tesoureiro da campanha à reeleição de Fernando Henrique Cardoso?; resposta com o Macaco Simão; afinal, blindagem burra soa como piada à inteligência do leitor

247 – O jornal Folha de S. Paulo despreza nesta segunda-feira 20 a inteligência de seus leitores. Em manchete de primeira página, o jornal anuncia: Documento da Alstom Revela Lista de Subornos.

O furo dos jornalistas Mario Cesar Carvalho e Flávio Ferreira, porém, sofreu um golpe de edição. Com todos os eleitores à espera da revelação imediata dos nomes presentes na lista anunciada, como seria de se esperar, o jornal procura escondê-los até o limite do possível. Principal acusado, Andrea Matarazzo tem seu nome citado apenas entre as 40ª e 41ª linhas da reportagem publicada na página A4. Nenhuma citação a ele é feita na primeira página. Não houve foto dele nem na capa do jornal nem internamente. O nome do secretário de Energia à época dos fatos aparece apenas mais uma vez, grifado, na última linha de uma nota explicativa para a reprodução de um documento.

No caso, Matarazzo é o principal suspeito de ter recebido nada menos que R$ 1,56 milhão em propina. Apreendida na sede da Alstom na França, a lista indica que "integrantes da Secretaria de Energia e três diretorias da EPTE foram subornados" em 1988, para que a multinacional francesa conseguisse um aditivo contratual de US$ 45,7 milhões. Para isso, a Asltom registrou na lista apreendida que 3% do total do valor do contrato foram enregues para a "SE" – Secretaria de Energia. Mas, para a Folha, o chefe da "SE" na época não merece ser destacado em suas páginas. Na prática, Andrea Matarazzo recebe, assim, um tratamento bastante amigável por parte do jornal.

ARTICULISTA DE DESTAQUE - Melhor ainda. Mesmo debaixo do grosso escândalo, Matarazzo é tratado pelo jornal, no dia a dia, como se nada tivesse a ver com o que está acontecendo.

No sábado 18, o mesmo Matarazzo que mal aparece como principal suspeito de ter sido corrompido pela Alstom assina artigo na página 3 do jornal, na seção Tendências/Debates, versando sobre os rolezinhos. 

"O seu, o meu, o nosso 'rolezinho'", perpetrou Matarazzo em resposta à pergunta do jornal sobre o tema. Só escreve ali quem é convidado ou se oferece ao jornal dos Frias. Podem ter ocorrido, no caso dele, as duas situações simultaneamente. Em tempo: no pé do texto, onde o articulista apresenta seu currículo, Matarazzo omite ter sido secretário de Energia da gestão Mario Covas.

Por que será?

Matarazzo, graças também à blindagem da mídia, elegeu-se em 2010 como o vereador mais votado de São Paulo. Dentro do PSDB, ele sempre fez parte da cúpula decisiva em São Paulo. Secretário de Energia no governo de Mario Covas, foi o piloto da privatização da Cesp, considerada uma estatal modelo no setor de energia. Sabe-se agora que, além de comandar o negócio, Matarazzo comandou uma "SE" que aparece na lista da Alstom de propinas.

Amigo pessoal do ex-governador José Serra, um antitabagista que não se importa de ter fumaça de cigarro soprada em sua face por Matarazzo, o ex-secretário foi nada menos que o principal tesoureiro da campanha à reeleição de Fernando Henrique Cardoso. Há suspeitas de que o dinheiro do propinoduto da Alstom em São Paulo possa ter servido a esse projeto político de sucesso.

A Folha, é certo, faz questão de não contextualizar o personagem Andrea Matarazzo no universo dos tucanos em São Paulo. Essa é outra grande piada de mau gosto com seus leitores. Piadista por excelência, o colunista José Simão, da própria Folha, talvez possa explicar mais essa brincadeira com a cara dos leitores do jornal. 


MEMÓRIA:

Mesmo constrangidos somos obrigados a informar
Memorando da Alstom documenta partilha do suborno a PSDB de SP - HORA DO POVO, 30.07.2008

Esquemas no Partido, TCE e Secretaria Estadual de Energia levavam por fora 7,5% do valor do contrato

Em comunicado enviado por Andre Botto, diretor da Cegelec – subsidiária da Alstom - na França, para um superior de nome M. Chamussy, em 23 de setembro de 1997, afirma que o suborno pago pela empresa para obter um contrato de R$ 110 milhões da Eletropaulo seria dividido entre “as finanças do partido no poder [PSDB]”, “o tribunal de contas [TCE]” e “a Secretaria de Energia [de São Paulo]”. “Se trata da remuneração para o governo local. Ela está sendo negociada via um ex-secretário do governador (RM)”, relata. 

Registros da Alstom revelam tabela de suborno a tucanos

De acordo com planilha do PSDB, era do atual secretário de Subprefeiturasde São Paulo, Andrea Matarazzo, a missão de recolher o dinheiro em 98

“As finanças do partido no poder [PSDB]”, “o tribunal de contas [TCE]” e “a Secretaria de Energia [de São Paulo]”. Segundo a correspondência de executivos da Alstom apreendida por autoridades da Suíça, estes órgãos não eram apenas os locais em que alguns tucanos batiam o ponto, mas também o endereço final do suborno pago pela multinacional francesa para obter alguns contratos do Estado.

Os detalhes da operação foram descritos num comunicado enviado por Andre Botto, diretor da Cegelec – subsidiária da Alstom - na França, para um cidadão de nome M. Chamussy. Escrito em 23 de setembro de 1997, o documento se refere a um contrato de R$ 110 milhões a ser firmado com a Eletropaulo. Nele, Botto informa que o suborno foi acertado num “patamar de 7,5 (%)”. “Se trata da remuneração para o governo local. Ela está sendo negociada via um ex-secretário do governador (RM)”. De acordo com as investigações, “RM” é Robson Marinho, atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. Depois de coordenar a campanha eleitoral de Covas em 1994, ele foi chefe da Casa Civil do governo do Estado de 1995 a abril de 1997.

Cabia a “RM”, neste caso, segundo a correspondência, distribuir a quantia entre o partido, o Tribunal de Contas do Estado e também à Secretaria de Estado de Energia.

O mesmo sistema de comunicação foi utilizado pelos executivos para tratar de outro contrato da Alstom com o governo tucano, desta vez com a Empresa Paulista de Transmissão de Energia Elétrica (EPTE). Trata-se de um aditivo no contrato de cerca de R$ 100 milhões para o fornecimento de equipamentos às subestações Aclimação e Miguel Reale, no Cambuci. Como o primeiro comunicado, este também foi apreendido pelas autoridades suíças.

Embora não discrimine os órgãos, o recente memorando apresenta um novo percentual a ser cobrado, configurando uma espécie de tabela que diferenciava o preço do suborno para contratos e para aditivos.

No contrato da EPTE, os órgãos são substituídos pelas iniciais dos nomes dos envolvidos. O primeiro é um elemento denominado “Neves”. Ao lado deste nome, consta o percentual de “8,5%”, juntamente com a palavra “fait”, “feito” em português. Em seguida, surge a sigla Splendor (1% “fait”) e depois “C.M.”, com 7%, mas sem a rubrica de “feito”. A Splendor foi identificada pelas autoridades francesas como a empresa que intermediou o pagamento da propina. Seu serviço, 1% do valor do contrato.

Segundo suspeitam os promotores brasileiros que investigam o caso, “C.M.” seria Claudio Luiz Petrechen Mendes, um intermediário entre a empresa e o governo do Estado, que chegou a ter seu percentual questionado pelo executivo da Alstom. “Eu não posso dar “ok” para uma pessoa que eu não conheço e da qual eu jamais ouvi falar”, revela outro trecho do bilhete, possivelmente uma resposta escrita por Chamussy.

O total de suborno no aditamento ficaria em 16,5%. “CM” e “Splendor” foram facilmente identificados. “Neves” continua sendo o enigma. Para decifrá-lo, segundo os investigadores brasileiros, é preciso apurar até onde foi a participação do vereador Tião Farias (PSDB), que além de ter sido um dos assessores mais próximos de Mário Covas, foi secretário-adjunto de Robson Marinho na Casa Civil.

Não por acaso as correspondências dos executivos da Alstom são consideradas, tanto pelas autoridades suíças e francesas como pelas brasileiras, peças fundamentais para decifrar o modus operandi do esquema Alstom/PSDB. Além de revelado-res, os memorandos podem ajudar a identificar os mecanismos utilizados em outros casos. Afinal, não foram só dois contratos, mas dezenas.

Segundo a bancada do PT na Assembléia, a empresa firmou 139 contratos com o governo estadual, no período de 1989 a 2007, num total de R$ 7,6 bilhões. De 1993 a 2003, período em que as polícias da França e Suíça investigam, foram firmados 96 contratos que somam R$ 5,2 bilhões. Os contratos são com as empresas Metrô, CESP, Força e Luz, CPTM, CTEEP, Dersa, Eletropaulo, Emae, Prodesp e Sabesp. A maioria foi firmada na gestão do ex- governador Geraldo Alckmin. No entanto, o atual governador José Serra, não só manteve contratos com a Alstom, vigentes há 20 anos, como fez aditivos no valor de R$ 2 bilhões. 

E os valores pagos em suborno variavam de acordo com a modalidade. Partia de 7,5%, podendo chegar a 30%, segundo revelou um ex-funcionário do setor de finanças da Alstom no Brasil em entrevista ao jornal “Estado de São Paulo”.

A forma como estes recursos, desviados dos cofres públicos, alimentavam “as finanças” do PSDB, ou as contas bancárias de pessoas ligadas ao esquema, é a segunda etapa da investigação. Uma pista surgiu na semana passada: a lista do caixa 2 da campanha de Fernando Henrique em 1998. Elaborada por Luiz Carlos Bresser Pereira, então tesoureiro de FHC, a lista diz que caberia ao atual secretário de Subprefeituras de São Paulo, Andrea Matarazzo (PSDB), então secretário de Energia do Estado, a responsabilidade de colher a contribuição de duas empresas do grupo francês Alstom, a Cegelec e a ABB, para o caixa 2.

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