sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Pete Seeger: a vitória das canções sobre o racismo, o ódio e as guerras imperiais



Uma lenda da música norte-americana, autor do hino da luta contra o apartheid nos EUA “We Shall Overcome”, da música de “Guantanamera” e de numerosas e belíssimas canções contra a guerra no Vietnã e pelos direitos sociais, companheiro de Woody Guthrie, colecionador da herança musical rural e um dos principais responsáveis pelo renascimento do folk e por várias gerações de compositores e cantores, Pete Seeger morreu aos 94, em Manhattan, na segunda-feira 27.

Um incansável lutador, jamais dobrou a espinha, nem mesmo quando o mccartismo, nos anos 1950, o perseguiu e o condenou a um ano de cadeia por se negar a dedurar comunistas, punição revogada por uma corte de apelação. Perseguição que levou à dissolução do grupo “Weavers”, que tinha mais de 4 milhões de compactos e álbuns vendidos na época, e o impediu por mais de uma década de aparecer na televisão. Seus consertos costumavam ser assediados pelos racistas da John Birch Society, o que ele lembraria depois com humor: “quanto mais eles protestavam, maiores as audiências; era propaganda grátis”.

Na década de 1940, então membro do PCUSA, percorreu os EUA com Guthrie cantando para os trabalhadores. Durante a II Guerra, com os “Almanac Singers” interpretou um repertório com canções patrióticas e anti-fascistas, logrando uma grande audiência. Foi um dos fundadores do Newport Folk Festival em 1959, e o renascimento do folk gestaria nomes como Joan Baez, Peter, Paul and Mary, The Byrds e tantos outros. Foi um dos precursores do movimento pela ecologia, ao comprar em 1969 o navio Clearwater, para lutar pela limpeza do rio Hudson, o que só ocorreu em 2009, quando a GE aceitou retirar o PCB ( polychlorinated biphenyls ) lançado ao rio. Nos anos 1980, fez turnês com o filho de Guthrie, Arlo.

Recebeu três prêmios Grammy (1993, 1997, 2009 e 2011). Foi homenageado pelo presidente Clinton com a Medalha Nacional de Arte e em 1999 recebeu em Cuba a Ordem de Felix Varela, a mais alta condecoração cultural da ilha. Sua esposa, Toshi, após 70 anos de casamento, morreu no ano passado. No show em sua homenagem por seus 90 anos no Madison Square Garden, o cantor Bruce Springsteen, que, como Bob Dylan, bebeu nas suas águas, o apresentou como “um arquivo vivo da música e consciência da América, um testamento do poder da canção e da cultura para cutucar a História”. 
A.P.


VEJA TAMBÉM:
Legendário folksinger PETE SEEGER no David Letterman!! Aiôu!!


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