sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Mais um aumento da Selic: crime contra o crescimento, Por Altamiro Borges



Pela sétima vez consecutiva, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) elevou nesta quarta-feira (15) a taxa básica de juros, a Selic, de 10% para 10,5% ao ano. Um verdadeiro crime, que beneficia uma minoria de rentistas em detrimento da geração de emprego e renda no país. Até abril de 2013, a taxa de juros sofreu acentuada redução – chegou a 7,25%, o nível mais baixo desde que o Copom foi criado, em 1996 –, o que sinalizou uma mudança de postura da área econômica do governo Dilma no enfrentamento da ditadura financeira. De lá para cá, porém, a brutal pressão dos banqueiros e da mídia rentista fez com que o Banco Central cedesse covardemente na sua política monetária.

O sétimo aumento da Selic terá impacto direto nas contas públicas, com a elevação da dívida da União, e no crescimento da economia. Juros mais altos afetam a produção e consumo internos, com efeitos negativos na geração de emprego e renda. No ano passado, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) já foi pífio. Com a manutenção da política monetária restritiva, a tendência é que a economia também não decole em 2014. Para os que fazem fortuna com a especulação financeira – o 1% de ricaços do país –, a alta dos juros é motivo de festança. Já para a maioria dos brasileiros, que vive do seu trabalho, a decisão de hoje do BC só deve gerar preocupações com o futuro de seus empregos e de sua renda.

Para piorar, ao final da primeira reunião deste ano, o Copom ainda divulgou um comunicado em que afirma que a decisão de elevar a Selic em 0,50 ponto percentual foi tomada por unanimidade e que o comitê dará "prosseguimento ao processo de ajuste da taxa básica de juros". Para os tais analistas do mercado – nome fictício dos porta-vozes dos rentistas –, o comunicado oficial indica que novas altas poderão ocorrer em 2014. Com isto, o Brasil se mantém na liderança incontestável – e vergonhosa – da taxa de juros mais alta do planeta e ainda segue na contramão do restante dos chamados países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Estudo divulgado em meados do ano passado revelou que entre os 13 países que alteraram a sua política monetária em 2013, apenas o Brasil e o Egito elevaram os seus juros. "Outras 11 nações, como Índia, México, Colômbia e Austrália, reduziram os juros para estimular suas economias. O mesmo ocorreu na zona do euro, que reduziu sua taxa de 0,75% para 0,5%", registrou na ocasião o jornalista Álvaro Fagundes, da Folha. Apesar disso, o Banco Central volta a ceder à ditadura do capital financeiro. Os estragos podem ser grandes, inclusive do ponto de vista eleitoral.

Jornalista, escritor, autor de "A ditadura da mídia". Dirigente nacional do PCdoB. Texto publicado no seu blog com o título "Copom cede novamente e juros sobem".


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