sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Estudo mostra que pessoas ao celular são irritantes


Cientistas descobriram mais uma evidência de que ouvir conversas de celular é muito mais irritante (e distrai muito mais) do que um diálogo entre duas pessoas ao seu lado.
Num estudo publicado na revista "PLoS One", estudantes universitários tinham de completar anagramas enquanto um pesquisador falava ao celular, ou enquanto dois pesquisadores conversavam na mesma sala. O grupo com a conversa ao celular ficou muito mais irritado e distraído – e muito mais inclinado a se lembrar do conteúdo da conversa — do que o outro; as tarefas eram as mesmas.

O estudo é o mais recente num crescente corpo de pesquisa sobre por que os celulares são tão cotados na lista de fatores irritantes modernos. Cada vez mais evidências sugerem que os hábitos estimulados pela tecnologia móvel — neste caso, falar alto em público com alguém que não está ali – são feitos sob medida para atropelar as funções cognitivas de transeuntes.

Uma razão, segundo Veronica V. Galvan, professora assistente de psicologia na Universidade de San Diego e principal autora do estudo, é o desejo do cérebro de preencher as lacunas.

— Ao escutar só uma pessoa falando, você fica constantemente tentando colocar aquela parte da conversa em contexto. Isso naturalmente tira sua atenção de qualquer coisa que estiver tentando fazer.

É também uma questão de controle, continuou Galvan. Quando as pessoas estão presas junto a apenas um lado da conversa — hoje conhecido como "meiálogo" —, sua raiva cresce como em outras situações onde elas não estão livres para ir embora, como na espera por um trem.

— Se você está esperando numa fila e alguém atrás de você está falando no celular, você meio que está preso ali e pode ter uma reação de estresse psicológico.

Não que você tenha de estar estressado para achar os celulares perturbadores. Estudantes num estudo de 2010 na Universidade Cornell tiveram dificuldades para concluir tarefas simples, como acompanhar um ponto numa tela com o cursor, enquanto ouviam uma fita com apenas um lado de uma conversa, embora soubessem que a conversa era o foco do estudo.

Os 149 estudantes do estudo de Galvan não sabiam que as conversas laterais faziam parte da pesquisa; 15 estudantes que descobriram não foram incluídos nos resultados. E embora sua capacidade de solucionar os anagramas não tenha sido visivelmente afetada, os estudantes ouvindo os meiálogos se saíram melhor quando avaliaram a si mesmos numa "escala de distração".
Eles também disseram se lembrar de mais detalhes da conversa, que tinha o mesmo roteiro nos dois casos (um professor de teatro foi convocado para facilitar a enganação).
O cérebro simplesmente não consegue ignorar um fluxo desconexo de novas informações, declarou Lauren Emberson, acadêmica de pós-doutorado na Universidade de Rochester, em Nova York, que conduziu o estudo da Cornell quando trabalhava lá.
— Nossos cérebros são configurados para focar em coisas novas ou inesperadas. Quando você está ouvindo metade de uma conversa, cada nova afirmação é uma surpresa, então você é constantemente forçado a prever o que acontecerá em seguida.
Como é quase impossível se desligar de uma conversa próxima ao celular, as pessoas sujeitas a elas muitas vezes acreditam — incorretamente — que o conversador está falando excepcionalmente alto, segundo descobertas de um estudo de 2004 feito pela Universidade de York, na Inglaterra. 
Sessenta e quatro pessoas foram expostas à mesma conversa em diferentes níveis de volume, metade delas como chamadas em celulares e a outra metade como conversas cara a cara. Na média, os participantes acharam que as pessoas ao celular estavam falando mais alto, mesmo quanto isso não era real.
— Quando você olha fixamente para uma luz, ela parece mais brilhante. E quando você não consegue fugir de um barulho, ele parece mais alto.
Essa noção de ser submetido a algo inevitável e desagradável transformou as conversas públicas ao celular num ponto de foco.
"Ao escutar a conversa de algum estranho no celular, seu cérebro precisa trabalhar muito mais no que você está fazendo, e isso interfere com sua capacidade de focar em outras coisas", afirmou Amy Alkon, colunista sindicalizada que escreveu um livro sobre boas maneiras chamado "I See Rude People".

— Isso dá o que chamo de 'coceira neural'.
Fonte: UOL



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