segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Diretas-Já: 30 anos, Por Jasson de Oliveira Andrade



Em 2014, dois aniversários históricos: 50 anos do Golpe Militar, em 1º de abril, e 30 anos das Diretas-Já, em janeiro.

Antes de entrar no assunto deste artigo, 30 anos das Diretas-Já, vamos revelar os antecedentes desse movimento que reuniu milhares de pessoas em 1984.

Em 1974, o governo militar estava em baixa. Nas eleições de 15 de novembro desse ano, a oposição, MDB, saiu-se vencedora em 16 estados, derrotando a Arena. O jornalista e escritor Sebastião Nery escreveu o livro “As 16 derrotas que abalaram o Brasil”, publicado pela Editora Francisco Alves, em 1975. Na Introdução, o escritor constatou: “15 de novembro condenou a atualidade política e o modelo econômico”. Essa vitória colocou em situação difícil o governo militar: a oposição poderia ter maioria no Colégio Eleitoral e assim conquistar o Poder. Para evitar isto, o então presidente Ernesto Geisel (1974/1979) em 13 de abril de 1977, editou um pacote, que se tornou conhecido como “Pacote de Abril”, estabelecendo que um terço dos senadores seria indicado pelo presidente da Republica, os senadores “biônicos”, como ficaram conhecidos. O “Pacote de Abril” também estabelecia o mandato do presidente de 5 para 6 anos e restabelecia o voto indireto para governador (antes a Ditadura havia concedido eleição direta), reflexo das eleições de 1974.

Com essa medida, a ARENA, partido da Ditadura, conseguiu eleger indiretamente mais um militar o general João Batista Figueiredo (1979 a 1985). Visando impedir que seu sucessor fosse eleito indiretamente, o deputado Dante de Oliveira (PMDB) em 2/3/1983, apresentou a proposta visando a eleição direta para presidente da República em 1984. Para pressionar o Congresso, a oposição realizou vários comícios em favor da aprovação da proposta, que ficou conhecida como Diretas-Já. O primeiro comício deu-se em Coritiba em 12 de janeiro de 1984. O maior deles, em 25 janeiro, realizou na Praça da Sé, reunindo milhares de pessoas. O apresentador foi o radialista Osmar Santos e contou com a presença, entre outros, de Ulisses Guimarães, Tancredo Neves, Leonel Brizola, Miguel Arraes, Franco Montoro, Mário Covas, Orestes Quércia, Luis Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso e Eduardo Suplicy. Apesar dessas manifestações, a proposta de Dante de Oliveira foi derrotada, mesmo tendo recebido maior número de votos: 298 contra apenas 65. Perdeu por 22 votos!

A oposição resolveu concorrer na eleição indireta de 15 de janeiro de 1985, conseguindo vencê-la: Tancredo Neves (PMDB) 480 votos contra Paulo Maluf (PDS, ex-ARENA) 180 votos. A vitória dele se deveu ao seu vice, José Sarney, que foi, por alguns anos, presidente da ARENA, partido da Ditadura. Com a sua candidatura a vice, o ex-arenista Sarney dividiu a situação. Eleito presidente, Tancredo não tomou posse. Em 14/3/1985, ele adoeceu gravemente, vindo a falecer em 21/4/1985, aos 75 anos. Morte suspeita, mas não se provou nada. Ao que tudo indica, a morte de Tancredo foi natural. Com a eleição dele, acabou a Ditadura Militar, que a jornalista Maria Isabel Pereira definiu corretamente: “Uma noite que durou 21 anos”. Resultado também das “Diretas, Já” que neste ano e neste mês completou 30 anos!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu 
Janeiro de 2014









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