quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Charles Dickens teria material de sobra prum livro: 20% dos ingleses vivem abaixo da linha de pobreza



A Inglaterra tem cerca de 13 milhões vivendo abaixo da linha de pobreza, assinalou o jornalista Marcelo Justo, site Carta Maior.


Em entrevista, o diretor da Fundação Trussell Trust, Chris Mould, disse que com um plano de “austeridade” que socava as garantias sociais, salários estagnados, explosão do emprego temporário e de meio-turno, no lugar do fixo, muitos têm que recorrer a bancos de alimentos das ONGs na Inglaterra. A Fundação tem mais de 400 bancos de alimentos no país.

“Há muita gente que come uma vez ao dia ou tem de escolher entre comer e acionar a calefação no inverno”, disse Mould.

Segundo o Trussel Trust, um de cada 5 britânicos se encontram hoje em situação de pobreza relativa ou absoluta. “É possível cair muito rápido nesta situação. Uma demissão, uma conta muito alta de eletricidade, uma redução dos benefícios sociais, um drama familiar e essas pessoas ficam sem nada”, explica.

“Esta pobreza se estende além do desemprego. A atual taxa de desocupação de 7,7% (2,5 milhões) encobre um panorama social complexo. Quase 1.500.000 têm trabalhos de meio turno com salários baixíssimos que geraram o movimento ‘living wage’ (salário digno), apontou Justo. “O percentual de subempregados (que desejariam trabalhar mais) aumentou de 6,2% em 2008 para 9,9% hoje”.

A esta pobreza de receita se somam outras formas, como a chamada “pobreza energética” que, na América Latina, principalmente pela diferença climática, é difícil de compreender. O problema afeta cerca de 3,4 milhões de pessoas (cerca de 6% da população) que têm que gastar mais de 10% de suas receitas para “manter um nível adequado de calefação” durante os cinco meses ou mais de duração do inverno. Muitos deixam a calefação desligada porque não podem pagar as contas, esclareceu Marcelo Justo.

Os Bancos de Alimentos procuram trabalhar perto da comunidade e funcionam com as contribuições voluntárias da população e, em menor medida, de supermercados ou fazendeiros. “Cerca de 95% dos alimentos que temos vem das pessoas a quem pedimos que adquiram dois itens adicionais em um supermercado que sirvam para uma nutrição balanceada”, informa. A Trussell calcula que necessitará mais “300 bancos de alimentos”. “Intervimos nos momentos de emergência e se necessário ampliamos a assistência. Mas o que é preciso é uma política social para o emprego, a habitação, salários dignos e estímulos ao crescimento”, apontou.



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