domingo, 12 de janeiro de 2014

Advogada diz que situação das cadeias paulistas não é diferente do Maranhão



'Cadeias viraram barril de pólvora'
LUCIA NADER, 36,
DIRETORA DA CONECTAS

Advogada diz que situação das cadeias paulistas –que têm um em cada três presos brasileiros –não é diferente do Maranhão

RICARDO SENRA

Um em cada três presos brasileiros vive em cadeias do Estado de São Paulo, segundo o Ministério da Justiça. Mais da metade deles foi retirada das ruas sem julgamento.

Para a advogada Lucia Nader, 36, diretora da Conectas ( organização de proteção aos direitos humanos ), a justiça brasileira erra ao investir nas "prisões em massa" como solução para a violência. "Celas superlotadas não resolvem nada", afirma.

A tese de Lucia, que passou pelo Comitê Brasileiro de Direitos Humanos e Política Externa, ganha força com um vídeo divulgado pela Folha na semana passada. Gravado na penitenciária de Pedrinhas, em São Luís, o filme mostra em close as cabeças decapitadas de três homens.

Enquanto filmam pelo celular, seus assassinos gargalham e comemoram.

O vídeo gravado no Maranhão surpreende?
Em nada. Ele é chocante e não dá para banalizar essas imagens. Mas já tivemos contato com filmes similares. Nossas cadeias viraram um barril de pólvora cultivados pelo Estado.

A situação em SP é diferente?
Não. O Estado tem um terço dos presos do país e pratica o encarceramento em massa. Veja: o total de presos no país cresceu 380% nos últimos 20 anos. A população cresceu 30%.

Como reduzir a superlotação?
Não dá para sair prendendo, tem que haver investigação dos crimes. Só 8% dos homicídios são elucidados no Brasil.

Há médicos suficientes para atendimento em casos de violência?
Em SP há um clínico para cada 2.198 presos. Para se ter uma ideia, há 15 ginecologistas no país para atender a todas as presas (só quatro em SP).

Como resolver a rivalidade entre facções?
Se elas estão nos presídios é porque o Estado não cumpre o seu papel. Tem que bloquear sinal, ué. Tem que separar direito os grupos. O governo só promete.

A reincidência entre presos supera 50% no país. Como reduzi-la?
Com educação e trabalho nos presídios. O preso fica anos em puro ócio. E a sociedade tem que acordar: quem cumpriu pena não pode levar para sempre um crime que já pagou.

Como você responde a frase "bandido bom é bandido morto"?
Não há pena de morte, mas as prisões criam situações similares. É preciso entender que quem luta por direitos humanos não quer impunidade. Protegemos direitos constitucionais. É diferente.


LEITURA COMPLEMENTAR:

O dia em que saí da prisão - VEJA SÃO PAULO, 27 de Novembro de 2013


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