sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Pete Seeger: a vitória das canções sobre o racismo, o ódio e as guerras imperiais



Uma lenda da música norte-americana, autor do hino da luta contra o apartheid nos EUA “We Shall Overcome”, da música de “Guantanamera” e de numerosas e belíssimas canções contra a guerra no Vietnã e pelos direitos sociais, companheiro de Woody Guthrie, colecionador da herança musical rural e um dos principais responsáveis pelo renascimento do folk e por várias gerações de compositores e cantores, Pete Seeger morreu aos 94, em Manhattan, na segunda-feira 27.

Um incansável lutador, jamais dobrou a espinha, nem mesmo quando o mccartismo, nos anos 1950, o perseguiu e o condenou a um ano de cadeia por se negar a dedurar comunistas, punição revogada por uma corte de apelação. Perseguição que levou à dissolução do grupo “Weavers”, que tinha mais de 4 milhões de compactos e álbuns vendidos na época, e o impediu por mais de uma década de aparecer na televisão. Seus consertos costumavam ser assediados pelos racistas da John Birch Society, o que ele lembraria depois com humor: “quanto mais eles protestavam, maiores as audiências; era propaganda grátis”.

Na década de 1940, então membro do PCUSA, percorreu os EUA com Guthrie cantando para os trabalhadores. Durante a II Guerra, com os “Almanac Singers” interpretou um repertório com canções patrióticas e anti-fascistas, logrando uma grande audiência. Foi um dos fundadores do Newport Folk Festival em 1959, e o renascimento do folk gestaria nomes como Joan Baez, Peter, Paul and Mary, The Byrds e tantos outros. Foi um dos precursores do movimento pela ecologia, ao comprar em 1969 o navio Clearwater, para lutar pela limpeza do rio Hudson, o que só ocorreu em 2009, quando a GE aceitou retirar o PCB ( polychlorinated biphenyls ) lançado ao rio. Nos anos 1980, fez turnês com o filho de Guthrie, Arlo.

Recebeu três prêmios Grammy (1993, 1997, 2009 e 2011). Foi homenageado pelo presidente Clinton com a Medalha Nacional de Arte e em 1999 recebeu em Cuba a Ordem de Felix Varela, a mais alta condecoração cultural da ilha. Sua esposa, Toshi, após 70 anos de casamento, morreu no ano passado. No show em sua homenagem por seus 90 anos no Madison Square Garden, o cantor Bruce Springsteen, que, como Bob Dylan, bebeu nas suas águas, o apresentou como “um arquivo vivo da música e consciência da América, um testamento do poder da canção e da cultura para cutucar a História”. 
A.P.


VEJA TAMBÉM:
Legendário folksinger PETE SEEGER no David Letterman!! Aiôu!!


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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Barbosa exige fidelidade da imprensa aos seus desmandos e quer veto à “voz dos condenados”



Não satisfeito com as cobranças que se avolumam sobre suas arbitrariedades durante o julgamento da AP 470, o ministro Joaquim Barbosa - de férias na Europa - decidiu ameaçar qualquer manifestação dos condenados contra as atitudes fascistóides e arrogantes que tem tomado. Ele criticou a imprensa brasileira por, segundo ele, "dar voz aos condenados". "Eu acho que a imprensa brasileira presta um grande desserviço ao país ao abrir suas páginas nobres a pessoas condenadas por corrupção", disse.

Cada vez mais pressionado por ter escondido provas que inocentavam os principais envolvidos nas acusações da AP 470, Barbosa reclamou que eles estão sendo transformados em "heróis". "Pessoas condenadas por corrupção devem ficar no ostracismo. Faz parte da pena", afirmou o presidente do Supremo. "No Brasil, estamos assistindo à glorificação de pessoas condenadas por corrupção à medida em que os jornais abrem suas páginas a essas pessoas como se fossem verdadeiros heróis", afirmou.

Os abusos cometidos por Barbosa na execução das penas da Ação Penal 470 foram tantos que motivaram até um manifesto de intelectuais e juristas contra suas arbitrariedades. E, agora com divulgação, pelo ministro Ricardo Lewandowski, do inquérito 2.747, que ficou conhecido por "gavetão", e que surgiu como desdobramento do inquérito principal, mantido sob segredo por Barbosa, a farsa contra líderes do PT está prestes a desabar.

Por isso Barbosa quer que o assunto e os réus fiquem calados, sem voz e caiam "no ostracismo".

No inquérito liberado agora fica evidente, por exemplo, por laudo oficial do Banco do Brasil, que Henrique Pizzollato não era gestor dos recursos do Fundo Visanet. Além disso, fica bem esclarecido também que o dono dos recursos do VisaNet não é o Banco do Brasil e sim a multinacional Visa. Esse dado põe por terra a principal acusação - de desvio de recursos públicos - feita contra os petistas. Esses dados foram escondidos por Barbosa dos advogados dos acusados. O acesso ao inquérito foi autorizado pelo ministro Lewandowski à defesa de Pizzollato e outros interessados e promete ser uma bomba contra a farsa golpista de Barbosa & Cia.


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segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Diretas-Já: 30 anos, Por Jasson de Oliveira Andrade



Em 2014, dois aniversários históricos: 50 anos do Golpe Militar, em 1º de abril, e 30 anos das Diretas-Já, em janeiro.

Antes de entrar no assunto deste artigo, 30 anos das Diretas-Já, vamos revelar os antecedentes desse movimento que reuniu milhares de pessoas em 1984.

Em 1974, o governo militar estava em baixa. Nas eleições de 15 de novembro desse ano, a oposição, MDB, saiu-se vencedora em 16 estados, derrotando a Arena. O jornalista e escritor Sebastião Nery escreveu o livro “As 16 derrotas que abalaram o Brasil”, publicado pela Editora Francisco Alves, em 1975. Na Introdução, o escritor constatou: “15 de novembro condenou a atualidade política e o modelo econômico”. Essa vitória colocou em situação difícil o governo militar: a oposição poderia ter maioria no Colégio Eleitoral e assim conquistar o Poder. Para evitar isto, o então presidente Ernesto Geisel (1974/1979) em 13 de abril de 1977, editou um pacote, que se tornou conhecido como “Pacote de Abril”, estabelecendo que um terço dos senadores seria indicado pelo presidente da Republica, os senadores “biônicos”, como ficaram conhecidos. O “Pacote de Abril” também estabelecia o mandato do presidente de 5 para 6 anos e restabelecia o voto indireto para governador (antes a Ditadura havia concedido eleição direta), reflexo das eleições de 1974.

Com essa medida, a ARENA, partido da Ditadura, conseguiu eleger indiretamente mais um militar o general João Batista Figueiredo (1979 a 1985). Visando impedir que seu sucessor fosse eleito indiretamente, o deputado Dante de Oliveira (PMDB) em 2/3/1983, apresentou a proposta visando a eleição direta para presidente da República em 1984. Para pressionar o Congresso, a oposição realizou vários comícios em favor da aprovação da proposta, que ficou conhecida como Diretas-Já. O primeiro comício deu-se em Coritiba em 12 de janeiro de 1984. O maior deles, em 25 janeiro, realizou na Praça da Sé, reunindo milhares de pessoas. O apresentador foi o radialista Osmar Santos e contou com a presença, entre outros, de Ulisses Guimarães, Tancredo Neves, Leonel Brizola, Miguel Arraes, Franco Montoro, Mário Covas, Orestes Quércia, Luis Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso e Eduardo Suplicy. Apesar dessas manifestações, a proposta de Dante de Oliveira foi derrotada, mesmo tendo recebido maior número de votos: 298 contra apenas 65. Perdeu por 22 votos!

A oposição resolveu concorrer na eleição indireta de 15 de janeiro de 1985, conseguindo vencê-la: Tancredo Neves (PMDB) 480 votos contra Paulo Maluf (PDS, ex-ARENA) 180 votos. A vitória dele se deveu ao seu vice, José Sarney, que foi, por alguns anos, presidente da ARENA, partido da Ditadura. Com a sua candidatura a vice, o ex-arenista Sarney dividiu a situação. Eleito presidente, Tancredo não tomou posse. Em 14/3/1985, ele adoeceu gravemente, vindo a falecer em 21/4/1985, aos 75 anos. Morte suspeita, mas não se provou nada. Ao que tudo indica, a morte de Tancredo foi natural. Com a eleição dele, acabou a Ditadura Militar, que a jornalista Maria Isabel Pereira definiu corretamente: “Uma noite que durou 21 anos”. Resultado também das “Diretas, Já” que neste ano e neste mês completou 30 anos!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu 
Janeiro de 2014









sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Nos EUA os 1% mais ricos embolsaram 95% do crescimento entre 2009 e 2012




Oxfam apura que nos EUA os 1% mais ricos embolsaram 95% do crescimento entre 2009 e 2012

A Oxfam afirmou que “nos EUA, o 1% mais rico acumulou 95% do crescimento total posterior à crise desde 2009 a 2012, enquanto os 90% mais pobres da população se empobreceram ainda mais”. Já a participação do 1% na renda nacional dos EUA subiu de 8% em 1980 para 20% em 2012, enquanto 400 magnatas acumulam mais riqueza que os 150 milhões de norte-americanos que estão entre a metade mais pobre da população.


Riqueza dos 85 maiores magnatas equivale à de 3,5 bilhões de pessoas
Estudo da Oxfam assinala ainda que a deterioração das condições das famílias não seria possível sem as leis que privilegiam bancos e demais monopólios

Às vésperas do Fórum de Davos, a entidade inglesa de combate à fome e injustiça – Oxfam denunciou que a riqueza das 85 pessoas mais ricas do mundo equivale às posses de metade da população mundial e advertiu que é imperioso dar fim à desigualdade econômica extrema no planeta. “É chocante que no século 21 metade da população do mundo - 3,5 bilhões de pessoas - não tenha mais do que a minúscula elite cujos números podem caber confortavelmente em um ônibus de dois andares”, afirmou Winnie Byanyima, diretora-executiva da Oxfam. Ainda segundo o relatório, “nos EUA, o 1% mais rico acumulou 95% do crescimento total posterior à crise desde 2009 a 2012, enquanto os 90% mais pobres da população se empobreceram ainda mais”. E a participação dos 1% na renda nacional dos EUA subiu de 8% em 1980 para 20% em 2012, enquanto 400 magnatas acumulam mais riqueza que os 150 milhões de norte-americanos que estão entre a metade mais pobre da população.

Assim, a “austeridade” com cortes de salários e programas sociais para os 99%, e o bailout com superemissão de dólares para os bancos e monopólios, isto é, para os 1%, agravou a já exacerbada concentração de riqueza. De acordo com o documento “Working for Few” (“Trabalhando para Poucos”) da Oxfam, a riqueza açambarcada pelo 1% das pessoas mais ricas do mundo – US$ 110 trilhões – equivale a 65 vezes o total do que a metade mais pobre da humanidade, somada, tem. E a desigualdade não cessa de se intensificar: “no último ano, 210 pessoas se tornaram bilionárias, juntando-se ao seleto grupo de 1.426 indivíduos com um valor líquido combinado de US$ 5,4 trilhões”.

As raízes da intensificação da concentração de riqueza estão na ascensão do neoliberalismo desde Reagan e Thatcher, degringolada do bloco socialista e prevalência da especulação financeira desenfreada e dos cortes nos gastos públicos. De acordo com o estudo, “entre 1988 e 2008 o coeficiente de Gini – que mede a desigualdade de renda – aumentou em 58 países (dos que existem dados disponíveis) e sete em cada dez pessoas no mundo vivem em países onde a desigualdade cresceu”.

A Oxfam assinalou que essa deterioração das condições das famílias não seria possível sem leis em benefício dos bancos e monopólios, bem como a “desregulamentação dos mercados”. A entidade registrou pesquisa em seis países (EUA, Inglaterra, Brasil, África do Sul, Índia e Espanha), que mostrou que a maioria dos entrevistados considera que as leis são distorcidas em favor dos ricaços. Na Espanha, sob brutal arrocho da Troika, essa foi a resposta de oito em cada dez pessoas. Outra recente pesquisa da Oxfam com trabalhadores com salários baixos nos EUA revelou que 65% deles consideram que o Congresso aprova leis que beneficiam principalmente aos ricos.

O documento denunciou o “sequestro democrático que perpetua a desigualdade econômica”, referindo-se “à desregulamen-tação financeira, à iniquidade dos sistemas fiscais, às leis que facilitam a evasão fiscal, às políticas de austeridade econômica e à apropriação dos ingressos derivados do petróleo e mineração”. E ressaltou a famosa citação de Louis Brandeis, juiz da Suprema Corte, de que “podemos ter democracia, ou podemos ter a riqueza concentrada em poucas mãos, mas não podemos ter ambas”. Ou o presidente Franklin Roosevelt: “o governo mais livre do mundo, se existisse, deixaria de ser aceitável se suas leis tendessem a gerar uma rápida acumulação de propriedade em poucas mãos, fazendo com que a imensa maioria da população ficasse dependente e sem recursos”.

A concentração de riqueza pode ser, inclusive, maior do que a já apontada, pois como afirma o relatório “globalmente, os indivíduos e companhias mais ricos escondem trilhões de dólares dos impostos em uma rede de paraísos fiscais no mundo todo - estima-se que US$ 21 trilhões estão escondidos sem registros”. O documento também observa que na última década o número de bilionários na Índia passou de menos de 6 a 61, de modo que em um país onde vivem 1,2 bilhão de pessoas, só umas dezenas delas possuem em conjunto uma riqueza de aproximadamente US$ 250 bilhões – o que seria inexplicável sem a pilhagem das privatizações. “O mais surpreendente é que a porcentagem da riqueza nacional que essa minúscula elite possui aumentou vertiginosamente, passando de 1,8% em 2003 para 26% em 2008”.

“INIQUIDADE”

Após criticar o modelo neoliberal “em que o vencedor leva tudo”, a Oxfam destacou os avanços na América Latina, que de historicamente a mais desigual região do mundo, se tornou “a única que conseguiu reduzir a iniquidade na década passada”. Entre 2002 e 2011, a desigualdade de renda diminuiu “em 14 dos 17 países sobre os quais há dados comparáveis”. No período, cerca de 50 milhões de pessoas deixaram a pobreza extrema na região, sendo que nos últimos 20 anos o gasto social como percentagem do PIB teve um incremento de 66%. O relatório destacou o Brasil, cujo sucesso atribuiu ao programa Bolsa Família, ao aumento real do salário mínimo e dos gastos com saúde e educação. Para a Oxfam, o caso da América Latina mostra que “as enormes disparidades de renda, podem, na verdade, ser enfrentadas com intervenções políticas”.

A entidade salientou outra fonte de desigualdade: desde a década de 1970, em 29 de 30 países escolhidos, existe uma taxação de imposto menor para os setores mais ricos da sociedade. “Assim, os membros mais ricos da sociedade não só recebem uma porcentagem maior do bolo econômico, como também são menos tributados por ele”. Mas é nas decisões sobre o gasto publico que se concentra o favorecimento dos magnatas, bancos e monopólios. “O caso mais notório e infame é o resgate do setor financeiro após a crise de 2008”. Em vários países o setor financeiro seqüestrou economias inteiras, especialmente nos EUA: “um processo que Simon Johnson, ex-economista-chefe do FMI, classificou de ‘golpe de estado silencioso’”.

ANTONIO PIMENTA





Crimes do valerioduto do PSDB ( maiores e mais antigos do que o suposto mensalão ) começam prescrever



A Justiça de Minas Gerais acatou pedido da defesa e decretou a prescrição dos crimes de peculato e formação de quadrilha pelos quais Walfrido dos Mares Guia foi acusado no processo do valerioduto tucano. A juíza Neide da Silva Martins, da 9ª Vara Criminal de Belo Horizonte, entendeu que as acusações prescreveram em 2012, quando o réu completou 70 anos.

"Tendo transcorrido prazo superior a oito anos entre os fatos e o recebimento da denúncia, declaro extinta a punibilidade do réu Walfrido Silvino dos Mares Guia Neto, qualificado nos autos, pela ocorrência da prescrição da pretensão punitiva do Estado", declarou a juíza.

O valerioduto tucano é como ficou conhecido o esquema de desvio de dinheiro público, em 1998, para a campanha do deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB-MG), então candidato à reeleição ao governo do Estado.

Segundo a denúncia do Ministério Público, Azeredo se beneficiou de recursos procedentes de um esquema ilegal que envolveu a empresa de publicidade SMP&B, de propriedade do publicitário Marcos Valério. De acordo com as investigações, R$ 3,5 milhões foram desviados de empresas estatais mineiras para a campanha.

A denúncia contra Mares Guia, vice-governador na gestão tucana, foi recebida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2009, mas o processo foi desmembrado para que 14 envolvidos respondessem às acusações na Justiça mineira, que acolheu a denúncia em 2010. Pela lei, quando o réu completa 70 anos, o prazo para a prescrição dos crimes – de 16 anos entre a ocorrência do fato e a aceitação da denúncia – cai pela metade.

O atraso no andamento do processo, diferente do que ocorreu na Ação Penal 470 – que puniu líderes petistas, deve beneficiar também Cláudio Mourão, ex-tesoureiro da campanha tucana. Os crimes de peculato e formação de quadrilha, atribuídos a ele pelo Ministério Público, prescrevem em abril de 2014, quando o réu completará 70 anos. ( HORA DO POVO )

MEMÓRIA:

Ex-prefeito relata como o mafioso Cachoeira e Veja criaram a farsa do “mensalão” em 2005

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Tribunal de Justiça acata denúncias de corrupção contra ‘paladino da ética’ e Ex-Mosqueteiro da Veja, Demóstenes Torres

Demóstenes, em seu maior  momento de glória
A Corte Especial do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) recebeu, na quarta-feira (22), por unanimidade, denúncia apresentada pelo Ministério Público (MP) contra o ex-senador Demóstenes Torres. Ele é acusado de praticar oito crimes de corrupção passiva, além de advocacia administrativa. O bicheiro Carlinhos Cachoeira e Cláudio Abreu (ex-Delta) também foram denunciados, ambos por corrupção ativa.

O relator do processo, desembargador Leandro Crispim, votou também pela quebra do sigilo fiscal do ex-senador e pela perda do exercício do cargo de procurador de Justiça. A Corte, entretanto, entendeu que esses dois aspectos deveriam ser analisados posteriormente.

“Deve ser instaurada a ação penal para apurar a conduta dos denunciados, quando estes terão a oportunidade de produzir prova e de exercer o contraditório e a ampla defesa”, disse Crispim.

A defesa tentou, sem sucesso, derrubar as escutas da Operação Monte Carlo, que serviram de suporte para oferecimento da denúncia. Os diálogos colhidos das interceptações telefônicas expõem as relações entre Demóstenes e a quadrilha de Cachoeira, evidenciando que o então senador operava como braço político da organização criminosa.

Segundo o relator do processo, os diálogos indicam que, em 9 de julho de 2011, Demóstenes Torres defendeu interesses de Carlinhos Cachoeira e de Cláudio Abreu junto ao prefeito de Anápolis, a quem foi oferecida quantia em dinheiro para que determinasse o pagamento de um crédito de R$ 20 milhões da Construtora Queiroz Galvão, que a Delta tencionava comprar.

De acordo com a denúncia do MP, entre junho de 2009 e fevereiro de 2012, o ex-senador, em razão da função que ocupava, recebeu vantagens indevidas da quadrilha como viagens em aeronaves particulares, quantias em dinheiro (R$ 5,1 milhões em uma oportunidade, R$ 20 mil e R$ 3 mil em outras), garrafas de bebidas de alto custo (R$ 14 mil) e eletrodomésticos de luxo.

Antes de ser desmascarado, Demóstenes Torres figurava com assíduo frequentador das páginas da mídia subserviente, sendo festejado por “Veja” e outros veículos como “paladino da ética” e “mosqueteiros da ética”. ( HORA DO POVO )

LEITURA COMPLEMENTAR:

GRANDES MOMENTOS DE DEMÓSTENES TORRES






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First World News: crise na Inglaterra leva pessoas a escolher entre comer ou se aquecer ( eat or heat ). Noutros termos, entre a desnutrição e o congelamento


Cabazes «frios» para carenciados sem dinheiro para o gás

Já não basta dar alimentos. Os bancos alimentares estão a criar cabazes sem produtos que careçam de ser aquecidos ou que só precisam de água quente

Já não basta ter bens para cabazes alimentares. Têm de ser bens que não precisam de ser aquecidos. Os bancos alimentares começam lidar com outro problema: quem não tem nem dinheiro para a comida nem para o gás ou eletricidade. 

O «The Guardian» relata a realidade com que se debatem algumas associações no Reino Unido, mas, pode ser um espelho do que se passa em todos os países em crise. 

Para fazer face ao problema, as instituições de solidariedade social criaram os cabazes frios, com bens que não carecem de ser aquecidos, como leite, bolachas, algumas conservas. 

Há ainda outro modelo de cabazes com produtos que só necessitam de água a ferver, como é o caso da sopa instantânea. 

Há quem visto a companhia cortar-lhe o abastecimento por falta de pagamento ou não possa gastar muito gás porque precisa de se aquecer num país cujas temperaturas de inverno rondam agora, por exemplo, os sete graus, metade dos graus registados em Lisboa esta quinta-feira. 

Um estudo encomendado por uma associação de promoção da habitação no Reino Unido, publicado no mês passado, dá conta disso mesmo: o dilema «come ou aquece-te (eat or heat) ganhou maior expressão este ano, com as pessoas a reduzirem os gastos com alimentação para mínimos para conseguir suportar a conta da energia. 

Uma das instituições contactadas pelo «The Guardian» já inclui nos cabazes um kit com loiça descartável para as famílias que perderam a casa e vivem em abrigos temporários. 

Não é fácil assegurar as necessidades de carne nestes casos, mas garante-se que, pelo menos, possam ir para a cama sem fome. De qualquer maneira, para os bancos alimentares é triste ver sair alguém que não pode fazer sequer um chá quente. ( TVI24 )


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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Antes as bancas de jornais eram perseguidas por Serra e Kassab (*), agora: Empresas miram bancas de jornal de São Paulo para a Copa




Dois meses após a sanção da lei que permite às bancas da cidade de São Paulo vender outros produtos além de jornais e revistas, empresas estão negociando com o sindicato dos jornaleiros o uso de mais de 3.500 pontos como locais de venda de olho na Copa do Mundo.

Coca-Cola, Grupo Petrópolis (dono do energético TNT) e Sorvetes Jundiá confirmaram, por meio de suas assessorias, que estão conversando com a entidade. Elas não deram detalhes das negociações, afirmando que ainda não estão concluídas.

A Kibon, da Univeler, que também estaria em negociação, segundo o sindicato, não comentou o assunto.

A Kingston, marca de cartões de memória e pendrives, é a que está mais próxima de fechar negócio. O gerente de canais da empresa no Brasil, Paulo Vizaco, diz esperar um aumento de 10% nas vendas após a parceria.

"A capilaridade das bancas vai nos proporcionar uma aproximação com os consumidores em trânsito", disse.

De acordo com o presidente do sindicato, José Mantovani, a circulação de pessoas durante o evento está atraindo as empresas. São Paulo sediará o jogo de abertura do Mundial, entre Brasil e Croácia, em 12 de junho.

Segundo Mantovani, fabricantes de bolas e camisas de time também procuraram os representantes do setor.

Nas reuniões, estão sendo discutidas questões como preços, campanhas temáticas e distribuição.

À medida que os negócios forem fechados, a entidade avisará os jornaleiros dos preços oferecidos pelas empresas -­que devem ser mais baixos do que os dos concorrentes -­e entregará às companhias o cadastro das bancas.

A partir daí, os representantes das marcas entrarão em contato com cada jornaleiro, que decidirá se deseja participar do negócio.

DISTRIBUIDORA

Inicialmente, explica Mantovani, as empresas devem usar seus sistemas de distribuição. Esse modelo "de porta em porta", no entanto, não deve durar muito. Com o apoio de três investidores, o sindicato começou a organizar uma distribuidora própria.

A estrutura, segundo o presidente, custará entre R$ 1 milhão e R$ 2 milhões e deve estar pronta em fevereiro.

Independentemente das negociações, Mantovani já observava uma melhora no ânimo dos jornaleiros após a lei. "Antes, o cara estava deprimido, não fazia ações no ponto dele. Agora tem possibilidades."

Nos últimos três anos, cerca de 1.500 bancas fecharam na cidade, boa parte por problemas financeiros."Neste ano não fecha nenhuma", diz.


( * ) PARA SABER MAIS, LEIA NOSSOS POSTS SOBRE "JORNALEIROS"

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EUA: Ritual de exorcismo leva à morte de duas crianças





Duas crianças, de um e dois anos, foram mortas pela mãe e por uma amiga desta, em Maryland, nos EUA, durante atos de exorcismo. As duas mulheres acreditavam que os bebés estavam "possuídos" pelo diabo. Ainda foram encontradas mais duas crianças, de cinco e oito anos, irmãs das vítimas, mas que apenas apresentavam alguns ferimentos.

Os vizinhos das duas mulheres já tinham alertado as autoridades depois de terem visto uma das crianças a andar sozinha na rua. A polícia deslocou-se ao local, mas acabou por não encontrar qualquer vestígio de crime. ( CM )

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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Arábia Saudita: Uma retrógrada ditadura rentista e terrorismo global, por James Petras



A Arábia Saudita tem todos os vícios e nenhuma das virtudes de um estado rico em petróleo como a Venezuela. O país é governado por uma ditadura familiar que não tolera qualquer oposição e pune severamente os defensores dos direitos humanos e os dissidentes políticos. Centenas de milhares de milhões de receitas do petróleo são controlados pelo despotismo real e alimentam investimentos especulativos no mundo inteiro.

A elite dirigente confia na compra de armas ocidentais e nas bases militares dos EUA para sua protecção. A riqueza de nações produtivas é sugada para enriquecer o consumo notório da família saudita governante. A elite dirigente financia a versão mais fanática, retrógrada e misógina do Islão, o "waaabismo", uma seita do Islão sunita. 

Confrontada com a dissidência interna de súbditos reprimidos e de minorias religiosas, a ditadura saudita vê ameaças e perigos por todos os lados: no exterior, governos xiitas seculares nacionalistas; internamente, sunitas moderados, nacionalistas democratas e feministas; no seio das cliques realistas, tradicionalistas e modernizadores. Como resposta, virou-se para o financiamento, treino e armamento de uma rede internacional de terroristas islâmicos que têm como objectivo atacar, invadir e destruir regimes que se opõem ao regime clerical-ditatorial saudita. 

O cérebro da rede terrorista saudita é Bandar bin Sultan, que há muito tem ligações profundas a altos funcionários políticos, militares e de informações dos EUA. Bandar foi treinado e catequizado na Base da Força Aérea Maxwell e na Universidade Johns Hopkins e foi embaixador saudita nos EUA durante duas décadas (1983-2005). Entre 2005 e 2011 foi secretário do Conselho de Segurança Nacional e em 2012 foi nomeado director-geral da agência de informações saudita. Desde muito cedo Bandar mergulhou profundamente nas operações terroristas clandestinas que funcionavam em ligação com a CIA. Entre as inúmeras "operações sujas" com a CIA durante os anos 80, Bandar canalizou 32 milhões de dólares para os Contra da Nicarágua envolvidos numa campanha terrorista para derrubar o governo revolucionário sandinista na Nicarágua. Durante o seu mandato enquanto embaixador envolveu-se activamente na protecção da realeza saudita com ligações ao ataque terrorista às três Torres e ao Pentágono em 11/Set/2001. A suspeita de que Bandar e os seus aliados na família real tinham conhecimento prévio do ataque por terroristas sauditas (11 em 19) é sugerida pela súbita fuga da realeza saudita na sequência do acto terrorista. Documentos das informações americanas relativas à relação saudita-Bandar estão a ser analisados pelo Congresso. 

Com a abundância de experiência e treino em dirigir operações terroristas clandestinas, proveniente das duas décadas de colaboração com os serviços secretos americanos, Bandar estava em posição de organizar a sua rede terrorista global em defesa da despótica monarquia saudita, isolada, retrógrada e vulnerável. 

A rede terrorista de Bandar 

Bandar bin Sultan transformou a Arábia Saudita de um regime virado para dentro, com base tribal, totalmente dependente do poder militar dos EUA para a sua sobrevivência, num importante centro regional duma vasta rede terrorista, apoiante financeiro activo de ditaduras militares de direita (Egipto), de regimes clientelistas (Iémen) e de regimes que intervêm militarmente na região do Golfo (Bahrain). Bandar financiou e armou uma vasta série de operações terroristas clandestinas, utilizando afiliados islâmicos da Al Qaeda, a seita waabita controlada pelos sauditas, assim como muitos outros grupos armados sunitas. Bandar é um operador terrorista "pragmático": reprime os adversários da Al Qaeda na Arábia Saudita e financia os terroristas da Al Qaeda no Iraque, na Síria, no Afeganistão e noutros locais. Embora Bandar tenha sido um trunfo a longo prazo dos serviços secretos dos EUA, mais recentemente assumiu um 'percurso independente' em que os interesses regionais do estado déspota divergem dos interesses dos EUA. Na mesma linha, embora a Arábia Saudita tenha uma inimizade antiga com Israel, Bandar desenvolveu um "entendimento secreto" e uma relação de trabalho com o regime de Netanyahu, em torno da sua inimizade comum para com o Irão e, mais especificamente, em oposição ao acordo provisório entre os regimes Obama-Rohani. 

Bandar interveio, directamente ou através de amigos, para reformular alinhamentos políticos, desestabilizando adversários e reforçando e expandindo o alcance político da ditadura saudita desde o norte de África até ao sul da Ásia, desde o Cáucaso russo até ao Corno de África, por vezes em concertação com o imperialismo ocidental, outras vezes projectando as aspirações hegemónicas sauditas. 

Norte de África: Tunísia, Marrocos, Líbia e Egipto 

Bandar injectou milhares de milhões de dólares para reforçar os regimes pró-islâmicos de direita na Tunísia e em Marrocos, assegurando que os movimentos de massas pró-democracia seriam reprimidos, marginalizados e desmobilizados. Os extremistas islâmicos que receberam apoio financeiro saudita são encorajados a apoiar os islamitas "moderados" no governo, assassinando líderes seculares e líderes sindicalistas socialistas da oposição. As políticas de Bandar coincidem amplamente com as dos EUA e da França na Tunísia e em Marrocos, mas não na Líbia e no Egipto. 

O apoio financeiro saudita a terroristas islamitas e a afiliados da Al Qaeda contra o presidente líbio Kadhafi, estiveram em linha com a guerra aérea da NATO. Mas surgiram divergências no pós-guerra: a NATO apoiava um regime cliente feito de neoliberais e de expatriados contra os sauditas que apoiavam a Al Qaeda e grupos terroristas islamitas e pistoleiros e salteadores sortidos. Os extremistas islâmicos na Líbia financiados por Bandar foram financiados para alargar as suas operações militares à Síria, onde o regime saudita estava a organizar uma ampla operação militar para derrubar o regime de Assad. O conflito ruinoso entre a NATO e os grupos sauditas armados na Líbia transbordou e levou ao assassínio islamita do embaixador dos EUA e de operacionais da CIA em Bengasi. Depois de derrubar Khadafi, Bandar abandonou praticamente o interesse no subsequente banho de sangue e caos provocado pelos seus homens armados. Estes, por sua vez, auto-financiaram-se – roubando bancos, surripiando petróleo e esvaziando tesourarias locais – relativamente "independentes" do controlo de Bandar. 

No Egipto, Bandar desenvolveu, em coordenação com Israel (mas por diferentes razões), uma estratégia para sabotar o regime da Irmandade Muçulmana, relativamente independente, democraticamente eleito, de Mohammed Morsi. Bandar e a ditadura saudita apoiaram financeiramente o golpe militar e a ditadura do general Sisi. A estratégia dos EUA de um acordo de partilha do poder entre a Irmandade Muçulmana e o regime militar, aliando a legitimidade eleitoral popular e as forças militares pró-Israel e pró-NATO, foi sabotada. Com um pacote de assistência de 15 mil milhões de dólares e promessas de mais no futuro, Bandar proporcionou às forças militares egípcias sobrevivência e imunidade económica a quaisquer represálias financeiras internacionais. Não houve quaisquer consequências. Os militares esmagaram a Irmandade, prenderam e ameaçaram executar os seus líderes eleitos. Ilegalizaram sectores da oposição da esquerda liberal que tinham sido usados como carne para canhão para justificar a sua tomada do poder. Apoiando o golpe militar, Bandar eliminou um regime islâmico rival, democraticamente eleito, que contrastava com o despotismo saudita. Assegurou um regime ditatorial semelhante ao seu num país árabe fulcral, apesar de os dirigentes militares serem mais seculares, pró-ocidentais, pró-Israel e menos anti Assad que o regime da Irmandade. O êxito de Bandar em olear as rodas para o golpe egípcio assegurou um aliado político mas enfrenta um futuro incerto. 

O renascimento de um novo movimento de massas anti ditatorial também atingirá a ligação saudita. Além disso, Bandar rompeu e enfraqueceu a unidade dos estados do Golfo: o Qatar financiou o regime Morsi e ficou sem 5 mil milhões de dólares que tinha disponibilizado ao regime anterior. 

A rede terrorista de Bandar é sobretudo evidente no financiamento, armamento, treino e transporte de dezenas de milhares de "voluntários" terroristas islâmicos dos EUA, da Europa, do Médio Oriente, do Cáucaso, do Norte de África e doutros locais, uma operação numa escala de longo prazo. Os terroristas da Al Qaeda na Arábia Saudita tornaram-se "mártires do Islão" na Síria. Dezenas de grupos islâmicos armados na Síria competiram por causa de armas e fundos sauditas. Bases de treino com instrutores americanos e europeus e financiamento saudita instalaram-se na Jordânia, no Paquistão e na Turquia. Bandar financiou o importante grupo armado terrorista islâmico 'rebelde', o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, para operações fronteiriças. 

Com o Hezbollah a apoiar Assad, Bandar canalizou dinheiro e armas para as Brigadas Abdullah Azzam no Líbano para bombardear o sul de Beirute, a embaixada iraniana e Trípoli. Bandar canalizou 3 mil milhões de dólares para os militares libaneses na intenção de fomentar uma nova guerra civil entre eles e o Hezbollah. Em coordenação com a França e os EUA, mas com muito maior financiamento e maior latitude para recrutar terroristas islâmicos, Bandar assumiu o papel de liderança e tornou-se o director de princípios duma ofensiva militar e diplomática em três frentes contra a Síria, o Hezbollah e o Irão. Para Bandar, a conquista islâmica na Síria levaria a uma invasão síria islâmica em apoio da Al Qaeda no Líbano para derrotar o Hezbollah na esperança de isolar o Irão. Teerão tornar-se-ia assim o alvo duma ofensiva saudita-Israel-EUA. A estratégia de Bandar é mais fantasia do que realidade. 

Bandar diverge de Washington: a ofensiva no Iraque e no Irão 

A Arábia Saudita tem sido extremamente útil mas, por vezes, escapa ao controlo de cliente de Washington. É o que acontece especialmente desde que Bandar se assumiu como chefe dos serviços secretos: um activo de longa data da CIA, por vezes também assumiu a liberdade de exigir "favores" em troca dos seus serviços, especialmente quando esses "favores" reforçavam a sua subida no seio da estrutura do poder saudita. Assim, por exemplo, a sua capacidade de garantir os AWAC [1] , apesar da oposição da AIPAC [2] , fizeram-lhe ganhar alguns pontos de mérito. Tal como aconteceu com a capacidade de Bandar para assegurar a saída de várias centenas de 'realezas' sauditas com ligação aos ataques de 11/Set, apesar do bloqueio nacional de segurança a alto nível na sequência desses ataques. 

Embora tenha havido transgressões episódicas no passado, Bandar avançou para divergências mais graves em relação à política dos EUA. Seguiu em frente, construindo a sua rede terrorista, no intuito de maximizar a hegemonia saudita – mesmo quando entrava em conflito com os amigos, clientes e operacionais clandestinos americanos. 

Enquanto os EUA estão empenhados em apoiar o regime de direita de Malicki no Iraque, Bandar está a fornecer apoio político, militar e financeiro ao "Estado Islâmico do Iraque e da Síria" terrorista sunita. Enquanto os EUA negociavam o "acordo provisório" com o Irão, Bandar exprimiu a sua oposição e "comprou" apoio. Os sauditas assinaram um acordo de armas de mil milhões de dólares durante a visita do presidente francês Hollande, em troca de maiores sanções contra o Irão. Bandar também expressou o seu apoio à utilização por Israel da configuração do poder sionista para influenciar o Congresso, a fim de sabotar as negociações dos EUA com o Irão. 

Bandar afastou-se da sua submissão inicial aos treinadores dos serviços secretos americanos. As suas estreitas ligações com presidentes e políticos influentes dos EUA e da UE, passados e presentes, encorajaram-no a meter-se em "aventuras do Grande Poder". Encontrou-se com o presidente russo Putin para o convencer a abandonar o seu apoio à Síria, propondo-lhe uma cenoura ou um chicote: uma venda de armas de muitos milhares de milhões de dólares se acedesse, ou a ameaça de enviar terroristas chechenos para sabotar os Jogos Olímpicos em Sochi. Virou Erdogan de aliado incondicional da NATO que apoiava os opositores armados 'moderados' a Bashar Assad, para abraçar o 'Estado Islâmico do Iraque e da Síria' apoiado pelos sauditas, um estado filiado na Al Qaeda terrorista. Bandar "ignorou" os esforços "oportunistas" de Erdogan para assinar acordos de petróleo com o Irão e o Iraque, os seus continuados acordos militares com a NATO e o seu anterior apoio ao defunto regime de Morsi no Egipto, a fim de assegurar o apoio de Erdogan para a passagem fácil de grande número de terroristas treinados na Arábia Saudita para a Síria e provavelmente para o Líbano. 

Bandar reforçou laços com os talibãs armados no Afeganistão e no Paquistão, armando e financiando a sua resistência armada contra os EUA, assim como propondo aos EUA um local para uma 'retirada negociada'. 

Bandar provavelmente está a apoiar e a armar terroristas muçulmanos uigures na China ocidental e terroristas islâmicos chechenos e caucasianos na Rússia, enquanto os sauditas alargam os seus acordos petrolíferos com a China e cooperam com a Gazprom da Rússia. 

A única região em que os sauditas têm exercido uma intervenção militar directa é no mini-estado do Golfo, Bahrain, onde as tropas sauditas esmagaram o movimento pró-democracia que contestava o déspota local. 

Bandar: Terrorismo global em duvidosos fundamentos internos 

Bandar envolveu-se numa transformação extraordinária da política externa saudita e reforçou a sua influência global. Só que para pior. Tal como Israel, quando um governante reaccionário chega ao poder e derruba a ordem democrática, entram em cena os sauditas com sacas de dólares para estimular o regime. Sempre que aparece uma rede terrorista islâmica para subverter um regime nacionalista, secular ou xiita, pode contar com fundos e armas sauditas. Aquilo que alguns escribas ocidentais descrevem eufemisticamente como um "ténue esforço para liberalizar e modernizar" o retrógrado regime saudita, é na verdade uma renovação militar da sua actividade terrorista no exterior. Bandar usa técnicas modernas de terrorismo para impor o modelo de governo reaccionário saudita aos regimes vizinhos e distantes com populações muçulmanas. 

O problema é que as operações externas "aventureiras" de grande escala de Bandar entram em conflito com o estilo de governo "introspectivo" de algumas pessoas da família real reinante. Querem que os deixem em paz para acrescentar centenas de milhares de milhões às rendas do petróleo cobradas, para investir em propriedades de alta qualidade em todo o mundo, e para apadrinhar discretamente raparigas acompanhantes de gama alta em Washington, Londres e Beirute – enquanto se apresentam como piedosos guardiões de Medina, de Meca e dos lugares santos. Até aqui Bandar não tem sido contestado, porque tem tido o cuidado de prestar homenagem ao monarca dirigente e ao seu círculo interno. Comprou e levou primeiros-ministros, presidentes e outras figuras notáveis ocidentais e orientais para Riade para assinar acordos e apresentar cumprimentos para deleite do déspota reinante. Mas o seu comportamento solícito para com as operações da Al Qaeda no estrangeiro, o seu encorajamento aos extremistas sauditas para irem para o estrangeiro e se envolverem em guerras terroristas, perturba os círculos monárquicos. Têm receio que terroristas sauditas treinados, armados e bem informados – conhecidos por "guerreiros sagrados" – possam regressar da Síria, da Rússia e do Iraque para bombardear os palácios do rei. Além disso, os regimes estrangeiros visados pela rede terrorista de Bandar podem exercer retaliação: a Rússia ou o Irão, os sírios, os egípcios, os paquistaneses, os iraquianos podem patrocinar os seus instrumentos de retaliação. Apesar das centenas de milhares de milhões gastos na compra de armas, o regime saudita é muito vulnerável a todos os níveis. Para além das legiões tribais, a elite multimilionária tem pouco apoio popular e ainda menos legitimidade. Depende do trabalho migrante externo, de "especialistas" estrangeiros e das forças militares dos EUA. A elite saudita também é desprezada pelos mais religiosos do clero waabi por permitir "infiéis" em terreno sagrado. Enquanto Bandar alarga o poder saudita no exterior, as bases internas do governo estão a estreitar. Enquanto ele desafia os políticos americanos na Síria, no Irão e no Afeganistão, o regime depende da Força Aérea e da Sétima Armada americanas para o proteger duma série crescente de regimes adversários. 

Bandar, com o seu ego inchado, pode julgar que é um "Saladino" a construir um novo império islâmico mas, na realidade, só com o levantar de um dedo, o monarca seu patrono pode provocar a sua rápida demissão. Uns bombardeamentos civis demasiado provocadores dos seus beneficiários terroristas islâmicos podem levar a uma crise internacional que tornem a Arábia Saudita num alvo do opróbrio mundial. 

Na realidade, Bandar bin Sultan é o protegido e o sucessor de Bin Laden: aprofundou e sistematizou o terrorismo global. A rede terrorista de Bandar tem assassinado muito mais vítimas inocentes do que Bin Laden. Claro que isso era de esperar; afinal, ele tem milhares de milhões de dólares do tesouro saudita, o treino da CIA e o aperto de mão de Netanyahu!

[1] AWAC: Airborne Warning and Control 
[2] AIPAC: American Israeli Political Activity Committee 

Ver também: 



O original encontra-se em petras.lahaine.org/?p=1969 . Tradução de Margarida Ferreira. 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

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“Dilma está entregando o petróleo e a Petrobrás” , diz diretor do Sindicato dos Petroleiros do RJ



“Dilma está entregando o petróleo e a Petrobrás” 

EMANUEL CANCELLA* 

Ao apagar das luzes de 2013 Dilma autorizou a venda de 35% do bloco Parque das Conchas, na Bacia de Campos, por US$ 1,6 bilhão. Esse campo produz 50 mil barris de petróleo por dia. Para se ter uma ideia essa produção é mais do que o consumo diário de países como Uruguai, Paraguai e Bolívia. Quem vai abocanhar 75% desse negócio é a Shell, dos ingleses e holandeses.

A negociata não surpreende. Na retrospectiva de 2013, a Revista Época já destacava a cumplicidade de olhares entre a presidente da Petrobrás, Maria das Graças Foster, e o representante da Shell, durante o leilão de Libra.

Dilma já superou de longe FHC. O ex-presidente tentou de todas as formas, mas não conseguiu privatizar a Petrobrás. Esbarrou na maior greve da história dos petroleiros, em maio de 1995, que paralisou o país por 32 dias. FHC teve que recorrer a artifícios para facilitar o desmonte da empresa. Dividiu a Petrobrás em Unidades de Negócios, com a intenção de vender a companhia aos pedaços. O máximo a que chegou foi repassar à iniciativa privada 30% da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), em Porto Alegre, fatia depois recomprada, no governo Lula.

Ao assumir como herdeira de Lula, em 2010, Dilma adotou o discurso que poderia distingui-la de Serra e garantir os votos para a conquista da presidência. Afirmou que “leiloar o pré-sal era um crime e que o pré-sal representava o nosso passaporte para o futuro”. No entanto, seu governo está destruindo a Petrobrás e entregando a petrolíferas estrangeiras o nosso petróleo, indo muito além do que seu antecessor e suposto adversário político jamais sonhou.

Na gestão iniciada por Maria das Graças Foster à frente da Petrobrás, amiga pessoal de Dilma, foi criado o Plano de Desinvestimento, sob o argumento de que eram necessários recursos abundantes para investir no pré-sal. Anunciou-se, a princípio, que seriam vendidos ativos na área internacional. Mas o fato é que o governo Dilma está vendendo as melhores áreas do pré-sal! A começar pelo Campo de Libra.

O ‘Desinvestimento’ de Dilma&Foster é sem licitação. Os valores são decididos na surdina, a portas fechadas, entre banqueiros, megaempresários, testas de ferro e representantes das multinacionais do petróleo. Assim como a escolha dos compradores.

Dilma & Foster agem como se estivessem transacionando bens próprios e não o patrimônio nacional. Muitas vezes tomamos conhecimento da venda de ativos da Petrobrás em discretas colunas nos jornais. Foi o caso do Parque das Conchas, o filé mignon da Bacia de Campos.

O Brasil chegou à condição de grande produtor de petróleo, graças à luta do povo e ao empenho dos trabalhadores da Petrobrás, desde a campanha “O Petróleo é Nosso”, em 1940-50. O ouro negro poderia estar sendo utilizado para resolver os graves problemas sociais da nação brasileira. No entanto, o governo que prometia o novo é apenas uma continuidade medíocre da velha política.

*Emanuel Cancela é diretor do Sindicato dos Petroleiros do RJ e coordenador da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP). O artigo foi publicado originalmente com o título: “Dilma está fazendo o que FHC não conseguiu: entregando nosso petróleo”.


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Secretaria comandada por Andrea Matarazzo recebeu propinas da Alstom, confirma PF




Segundo a investigação da PF, propina foi paga para que múlti recebesse em 1998, um aditivo a um contrato de 1983, o que também é ilegal

Um documento apreendido na sede da multinacional Alstom, na França, mostra que a companhia pagou propina para integrantes da Secretaria de Energia e três diretorias da Empresa Paulista de Transmissão de Energia (EPTE) para aprovar um aditivo a um contrato com a então estatal paulista em 1998 durante gestão do tucano Mário Covas no governo de São Paulo. O aditivo para o contrato tinha o valor de US$ 45,7 milhões (R$ 52 milhões, em valores da época) e, segundo o inquérito da Polícia Federal, 3% deste valor foram pagos em propina à secretaria dirigida por Andrea Matarazzo.

Segundo o documento da Alstom, a Secretaria de Energia recebeu R$ 1,56 milhão (3%) do valor do contrato. Já as diretorias financeira, administrativa e técnica da EPTE receberam respectivamente 1,5% (R$ 780 mil), 1% (R$ 520 mil) e 0,13% (R$ 67,6 mil), respectivamente. O valor pago em propina no documento chega a R$ 6,4 milhões, ou 12,3% do contrato.

Em abril de 1998, quando o contrato para o aditivo foi assinado, o secretário de Energia era Andrea Matarazzo, que permaneceu no cargo durante seis meses e diz não ter envolvimento com o esquema.

Os contratos da Alstom com o governo do Estado de São Paulo entre 1995 – 2003 gestões dos tucanos Mario Covas (1995 – 2001) e Geraldo Alckmin (2001 – 2006) foram investigados pela Polícia Federal. Esse trabalho foi baseado nas informações obtidas a principio pelo Ministério Público da Suíça. O documento divulgado por reportagem publicada na Folha de São Paulo da última segunda-feira (20), faz parte do inquérito que desde agosto de 2013 está concluído e espera por um parecer do Ministério Público Federal.

De acordo com o inquérito da PF, a sigla “SE” era utilizada para mencionar a Secretaria de Energia em comunicações internas da Alstom. As diretorias são indicadas pelas siglas DF, DT e DA. Jean-Pierre Courtadon, que foi vice-presidente da Alstom-Cegelec e é investigado no Brasil por ter repassado propina, confirma que DA, DT e DF eram as siglas para diretorias administrativas, técnica e financeira respectivamente.

No documento citado a sigla “F” recebeu R$ 1,04 milhão, 2% do valor do contrato. A suspeita é que a sigla seja referente a um dos executivos que assinaram o contrato com a multinacional, Henrique Fingerman que foi diretor financeiro da EPTE até maio de 1998 e assumiu a presidência da empresa em seguida. O então executivo da estatal foi indiciado pela PF por corrupção, assim como Matarazzo.

O nome de Matarazzo aparece ainda em troca de mensagens entre executivos da Alstom, de 1997, em que discutiam o pagamento de propinas para o PSDB, a Secretaria de Energia e o Tribunal de Contas. A mensagem que incrimina Matarazzo se refere a um contrato de R$ 72 milhões para fornecimento de equipamentos para a EPTE.

Robson Marinho, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado e chefe da Casa Civil do governo Mário Covas (PSDB) entre 1995 e 1997 recebeu, segundo o inquérito da PF, o maior quantia em propina, R$ 2,07 milhões. Em 2012, as autoridades da Suíça bloquearam uma conta bancária atribuída a ele, depois de reunir indícios de que a conta recebeu pagamento de propina da Alstom.

O documento aponta que a empresa “MCA”, usada por Romeu Pinto Jr para intermediar a propina, recebeu 7,5% do valor do contrato diretamente da matriz da múlti. Contas secretas que a Alstom tinha na Suíça remeteram mais US$ 516 mil para a MCA.

A Alstom do Brasil também participou do processo. A empresa Acqua Lux, que pertence a Sabino Indelicato, recebeu R$ 1,82 milhão (3,5% do contrato). A PF suspeita que Indelicato seja laranja de Robson Marinho.

A investigação brasileira sobre o esquema de pagamento de propina da multinacional francesa para os tucanos começou em 2008 e teve como objeto a assinatura do aditivo em 1998. O contrato havia sido assinado em 1983 para construção de três subestações de energia. A suspeita passou a existir porque a lei limita a cinco anos a duração de contratos.

O documento usado agora pela PF fora utilizado nos processos francês e suíço contra a Alstom. O da Suíça culminou em uma multa de US$ 42,7 milhões em 2011 para a múlti. O da França foi arquivado porque até 2000 era permitido pagar comissões para obter negócios no exterior.

Carlos Eduardo Epaminondas França, Sidney Simonaggio e Vicente Okazaki, ocupavam as diretorias administrativa, técnica e financeira da EPTE respectivamente, entre 1998 e 1999, mas como as negociações da propina se estenderam por vários anos não se sabe se o documento indica a propina para esses diretores.


E MAIS:

Propina da Alstom em SP foi paga em parcelas, aponta documento

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Desonerações do IPI desviaram R$ 23,5 bi dos serviços básicos



Nada menos que 72,33% das desonerações de IPI foram concedidas no governo Dilma

“Foi dinheiro que deixou de ser investido na melhoria da infraestrutura e em serviços básicos: só a saúde perdeu R$ 4 bilhões”, afirma Paulo Ziulkoski, presidente da CNM

A Confederação Nacional dos Municípios (CNM) divulgou estudo, demonstrando que a falta de compensação, por parte da União, das desonerações do Imposto de Produtos Industrializados (IPI) para automóveis e linha branca, causou, desde 2009 até agora, com a inclusão do que está previsto para 2014, perdas que chegam a R$ 23,5 bilhões.

Nada menos que 72,33% das desonerações de IPI foram concedidas em 2011, 2012 e 2013 – ou seja, já no governo Dilma (cf. Receita Federal, DGT 2009 a 2014). Se considerarmos o valor total das desonerações nesse mesmo período, de acordo com o Ministério da Fazenda, 90,01% do valor total corresponde ao governo Dilma e apenas 9,99% ao governo Lula (cf. MF, “Economia Brasileira em Perspectiva”, 16ª e 18ª edições).

Ao contrário do que declarou o ministro Mantega – e, aliás, é óbvio – essas isenções de impostos para as multinacionais, gigantescas após 2010, não tiveram papel algum em estimular o crescimento. O que elas fizeram foi aumentar a margem de lucro das filiais de monopólios externos – e, portanto, engordar as remessas de lucros para as matrizes, atoladas na sua crise nos países centrais.

“Foi dinheiro que deixou de ser investido na melhoria da infraestrutura e em serviços básicos: só a saúde perdeu R$ 4 bilhões”, considerou Paulo Ziulkoski, presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM). O Fundo de Participação dos Estados, que recebe 21,5% do IPI, perdeu R$ 12,4 bilhões. O Fundo de Participação dos Municípios, que fica com 23,5% da arrecadação, tem uma perda estimada em R$ 11,1 bilhões. Diferente do que ocorre agora, em 2010 as desonerações do governo Lula foram compensadas pelo crescimento econômico, que aumentou a arrecadação, pois, nesse ano, a produção industrial cresceu 10,5% e o PIB atingiu 7,5%.

FREIO

O quadro é completamente diferente a partir de 2011, com o crescimento freado pela política econômica, com 2,7% (2011), 1% (2012) e, talvez, uns 2%, se tanto, em 2013 (resultado que somente será divulgado no início de março). A manutenção das – e ampliação – das isenções pelo atual governo, sem aumento correspondente na produção e nem queda nos preços para os consumidores, só beneficia as multinacionais às custas de municípios, Estados e até do próprio governo federal.

Essas empresas aumentam sua margem de lucro com essas isenções, não investem e seguem praticando preços de monopólio. Não há aumento na taxa de investimento com essas desonerações. O resultado é que a produção industrial foi vitimada por um breque desde o início de 2011. Segundo o IBGE, a indústria vem demitindo há oito trimestres seguidos. A manutenção da desoneração do IPI, sem as compensações devidas a estados e municípios, sem resultados no aumento da produção e do emprego e sem redundar em queda de preços, só tem prejudicado as finanças dos Estados e municípios.

De acordo com a Confederação Nacional de Municípios (CNM), junto com as demais renúncias já previstas, a manutenção das isenções em 2014 vai causar impacto de R$ 2,65 bilhões no Fundo de Participação dos Municípios (FPM) no ano. Pelos decretos 8.168/2013 e 8.169/2013 publicados no dia 23 de dezembro, as desonerações do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis permanecerão em parte durante o ano de 2014.

A vigência dos decretos anteriores iria terminar no final do ano passado, e assim voltaria a vigorar a alíquota cheia, caso não ocorressem novos decretos. Como não foi o que ocorreu, a renúncia total prevista para 2014 deve passar dos R$ 11,29 bilhões. Os decretos implicam em uma desoneração extra de R$ 3,32 bilhões, já que R$ 7,97 bilhões estavam previstos em razão das demais renúncias estabelecidas para 2014, conforme cálculos da CNM. Em 2013 o total renunciado foi de R$ 13 bilhões, sendo R$ 6,7 bilhões relativos ao setor de automóveis.

A insistência em manter as desonerações sem resultados efetivos para o país foi criticada também pelo governador de Pernambuco e pré-candidato a presidente pelo PSB, Eduardo Campos, que já vinha chamando a atenção para o fato de estados e municípios estarem recebendo cada vez menos recursos, ao passo que suas obrigações vêm aumentando significativamente. Na opinião de Eduardo, “o que difere a primeira desoneração da segunda é que, na primeira, houve uma desoneração e uma retomada do crescimento. Nós crescemos a 7,5%, em 2010. O que você perdeu de um lado você ganhou do outro. Dessa vez, quando houve a desoneração, não houve crescimento”, destacou o governador.

Paulo Ziulkoski também concorda com as críticas e exige que haja as compensações para as cidades afetadas. Recentemente ele liderou uma grande manifestação de prefeitos em Brasília exigindo mais recursos da União para os municípios. “Isso é um retrato da crise profunda que se abate sobre as prefeituras do Brasil”, disse ele. Segundo o líder dos prefeitos, “esgotou-se o período em que a União empurrava [gastos] goela abaixo das prefeituras”. “Este é o primeiro momento, no ano que vem (2014) faremos outras grandes mobilizações populares para mostrar esta realidade que o Brasil vive lá na ponta, onde o cidadão vive e demanda serviços públicos e as prefeituras não têm como pagar”, acrescentou Ziulkoski durante o ato em Brasília.

Os prefeitos estão cobrando a aprovação da PEC 39/2013, que aumenta de 23,5% para 25,5% a participação do FPM na distribuição total da arrecadação do governo federal com o Imposto de Renda (IR) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

A aprovação desta PEC é a principal reivindicação dos prefeitos atualmente, mas tem sido barrada pela ação do governo federal e vem se arrastando no Senado.

SÉRGIO CRUZ
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Charles Dickens teria material de sobra prum livro: 20% dos ingleses vivem abaixo da linha de pobreza



A Inglaterra tem cerca de 13 milhões vivendo abaixo da linha de pobreza, assinalou o jornalista Marcelo Justo, site Carta Maior.


Em entrevista, o diretor da Fundação Trussell Trust, Chris Mould, disse que com um plano de “austeridade” que socava as garantias sociais, salários estagnados, explosão do emprego temporário e de meio-turno, no lugar do fixo, muitos têm que recorrer a bancos de alimentos das ONGs na Inglaterra. A Fundação tem mais de 400 bancos de alimentos no país.

“Há muita gente que come uma vez ao dia ou tem de escolher entre comer e acionar a calefação no inverno”, disse Mould.

Segundo o Trussel Trust, um de cada 5 britânicos se encontram hoje em situação de pobreza relativa ou absoluta. “É possível cair muito rápido nesta situação. Uma demissão, uma conta muito alta de eletricidade, uma redução dos benefícios sociais, um drama familiar e essas pessoas ficam sem nada”, explica.

“Esta pobreza se estende além do desemprego. A atual taxa de desocupação de 7,7% (2,5 milhões) encobre um panorama social complexo. Quase 1.500.000 têm trabalhos de meio turno com salários baixíssimos que geraram o movimento ‘living wage’ (salário digno), apontou Justo. “O percentual de subempregados (que desejariam trabalhar mais) aumentou de 6,2% em 2008 para 9,9% hoje”.

A esta pobreza de receita se somam outras formas, como a chamada “pobreza energética” que, na América Latina, principalmente pela diferença climática, é difícil de compreender. O problema afeta cerca de 3,4 milhões de pessoas (cerca de 6% da população) que têm que gastar mais de 10% de suas receitas para “manter um nível adequado de calefação” durante os cinco meses ou mais de duração do inverno. Muitos deixam a calefação desligada porque não podem pagar as contas, esclareceu Marcelo Justo.

Os Bancos de Alimentos procuram trabalhar perto da comunidade e funcionam com as contribuições voluntárias da população e, em menor medida, de supermercados ou fazendeiros. “Cerca de 95% dos alimentos que temos vem das pessoas a quem pedimos que adquiram dois itens adicionais em um supermercado que sirvam para uma nutrição balanceada”, informa. A Trussell calcula que necessitará mais “300 bancos de alimentos”. “Intervimos nos momentos de emergência e se necessário ampliamos a assistência. Mas o que é preciso é uma política social para o emprego, a habitação, salários dignos e estímulos ao crescimento”, apontou.



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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Paulo Estânio perde o celular




Paulo Estânio voltava para casa, do escritório, depois de um longo dia. Aquela rotina.
Como fazia rotineiramente, sem nunca ter tido qualquer tipo de problema, Paulo Estânio vinha dirigindo seu SUV por uma avenida de São Paulo - que tanto pode ser no Itaim-Bibi como no Sapopemba - e falando no celular ao mesmo tempo. Tudo isso enquanto arrumava uma forma de equilibrar um cigarro aceso entre os dedos e o volante
Pois bem. Vinha rodando pela cidade nosso bravo Paulo Estânio, guiando e falando abobrinhas pelo celular com alguém quando, subitamente, escuta uma pancada no vidro do carro:
PAM! PAM! PAM!

Evidentemente, Paulo Estânio se assusta e quase perde a direção do carro, além de bruscamente ter que interromper a conversa que mantinha ao celular.

Ao lado do motorista, emparelhada com Paulo Estânio, havia uma moto com dois sujeitos cuja face não se via, já que ambos estavam de capacete.
O da garupa bate na porta de Paulo Estânio e dá a ordem:
- VAI, VAGABUNDO! PERDEU! DÁ O CELULAR!
Assustado, Paulo Estânio não consegue entender ainda a situação, O passageiro da moto se irrita:
- VAI FILHADAPUTA, DÁ LOGO ESSA PORRA!
E aponta o cano bem na cara de Paulo Estânio.
ANDA, VAGABUNDO, NÃO VOU FALAR DE NOVO!!!, insiste o garupa.

Com os dois veículos em movimento, Paulo Estânio acorda do torpor e entrega seu celular ao garupa da moto, E pensa:
"Puta que pariu! Faz um mês que comprei esse celular! Que merda, nem terminei de pagar!"

O garupa toma o aparelho de Paulo Estânio. E, sem pensar duas vezes, taca com toda força o celular no asfalto, despedaçando-o. Diante de um Paulo Estânio completamente estupefato. E dá um toque no piloto da moto:
- VAI! PINOTE!

Ainda sem conseguir acreditar no que vira, Paulo Estânio estaciona o carro, volta ao ponto onde jaziam os pedaços de seu ex-celular, e começa a se lamuriar:
- Putaquepariu! Nem terminei de pagar essa porra e esses assaltantes vêm me tomar na mão grande! Que país é esse, que ninguém quer seguir lei e o cidadão de bem vive acuado pela criminalidade!!? Acorda, Brasil! Até quando?

Próximo dali, os ocupantes da moto, Léo ( o piloto ) e Silvinho ( o garupa ) vão repassando a ação recém-cometida contra Paulo Estânio:
- Você viu a cara do babaca?
- Se fudeu! Ele foi o sexto otário, só hoje!
- Quando é que as pessoas vão aprender a não falar ao celular enquanto dirigem?
- Podecrer! Acorda, Brasil!

Mais tarde, nas redes sociais, Paulo Estânio posta um texto sobre a "criminalidade crescente no Brasil" que "acua o cidadão de bem", conta o que lhe ocorrou naquela tarde, deixando de dizer, claro, que ele dirigia e falava ao celular ao mesmo tempo.
Recebe muitos "Curti" e diversos elogios.


FIM


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#TREMSALÃO: Documento apreendido na sede da Alstom mostra que propina dada a tucanos - como, por exemplo Andrea Matarazzo, - teria sido paga em parcelas!!! Ele nega.


SUBORNO À PASTA DE MATARAZZO FOI PARCELADO

Documento apreendido na sede da Alstom na França detalha pagamento de propina à secretaria de Energia e a três diretorias da EPTE ( Empresa Paulista de Transmissão de Energia ), em 1998, para "melhorar o clima" com o cliente e obter um contrato de US$ 45,7 milhões; na época da negociação, Andrea Matarazzo era o secretário, mas ele joga responsabilidade a "governos anteriores"; governador Geraldo Alckmin (PSDB) não quis comentar envolvimento do vereador, que sempre fez parte da cúpula tucana no Estado; Alckmin, no entanto, defendeu investigações

247 – Agentes públicos do governo de Mario Covas (PSDB) receberam suborno da Alstom em parcelas. Segundo um documento apreendido na sede da empresa na França, integrantes da Secretaria de Energia e três diretorias da EPTE (Empresa Paulista de Transmissão de Energia) receberam propina para que a companhia obtivesse um contrato de US$ 45,7 milhões (R$ 52 milhões, em valores da época).

Na época em que o contrato foi negociado, a pasta era comandada pelo atual vereador Andrea Matarazzo. A Secretaria de Energia recebeu 3% do contrato (R$ 1,56 milhão). Já as diretorias financeira, administrativa e técnica da EPTE aparecem como destinatárias de 1,5% (R$ 780 mil), 1% (R$ 520 mil) e 0,13% (R$ 67,6 mil), respectivamente.

Segundo novos dados revelados pela Folha de S. Paulo, as datas de repasse do suborno acompanharam o fluxo de liberação dos valores do contrato por parte da estatal paulista. O pagamento de propina à diretoria financeira da EPTE tinha sido dividido em quatro parcelas, de dezembro de 1998 a setembro de 1999.

O documento deixa claro que a direção da Alstom pretendia fazer um outro desembolso em outubro de 1999 para "melhorar o clima" com o cliente.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), não quis comentar o envolvimento de Matarazzo, que sempre fez parte da cúpula tucana no Estado. Ele apenas disse que aguarda investigações.

O vereador, por sua vez, alega que o contrato com a Alstom foi assinado por governos anteriores. Ele disse que nos sete meses em que foi secretário de Energia, de janeiro a agosto de 1998, "nunca viu ou assinou aditivo de contrato e não tem a menor ideia do que se trata".


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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Por que Andrea Matarazzo é tão blindado pela Folha?, Por Brasil 24/7



Cresce poder do vereador do PSDB sobre jornal da família Frias; nesta segunda-feira 20, Folha de S. Paulo dá em manchete lista de subornos pagos pela Alstom, em 1998, para "a Secretaria de Energia"; secretário de Energia na ocasião era Andrea Matarazzo, mas nome dele não aparece na capa do jornal; foto também não; identificação só vai surgir na 40ª linha e no pé de um box na página A4; no sábado, em página nobre, ele assinou artigo sobre rolezinhos, mas na vida real Matarazzo é o principal suspeito de ter embolsado propina de R$ 1,56 milhão; blindagem tem a ver com o fato de ele ser amigo pessoal de José Serra e ter sido tesoureiro da campanha à reeleição de Fernando Henrique Cardoso?; resposta com o Macaco Simão; afinal, blindagem burra soa como piada à inteligência do leitor

247 – O jornal Folha de S. Paulo despreza nesta segunda-feira 20 a inteligência de seus leitores. Em manchete de primeira página, o jornal anuncia: Documento da Alstom Revela Lista de Subornos.

O furo dos jornalistas Mario Cesar Carvalho e Flávio Ferreira, porém, sofreu um golpe de edição. Com todos os eleitores à espera da revelação imediata dos nomes presentes na lista anunciada, como seria de se esperar, o jornal procura escondê-los até o limite do possível. Principal acusado, Andrea Matarazzo tem seu nome citado apenas entre as 40ª e 41ª linhas da reportagem publicada na página A4. Nenhuma citação a ele é feita na primeira página. Não houve foto dele nem na capa do jornal nem internamente. O nome do secretário de Energia à época dos fatos aparece apenas mais uma vez, grifado, na última linha de uma nota explicativa para a reprodução de um documento.

No caso, Matarazzo é o principal suspeito de ter recebido nada menos que R$ 1,56 milhão em propina. Apreendida na sede da Alstom na França, a lista indica que "integrantes da Secretaria de Energia e três diretorias da EPTE foram subornados" em 1988, para que a multinacional francesa conseguisse um aditivo contratual de US$ 45,7 milhões. Para isso, a Asltom registrou na lista apreendida que 3% do total do valor do contrato foram enregues para a "SE" – Secretaria de Energia. Mas, para a Folha, o chefe da "SE" na época não merece ser destacado em suas páginas. Na prática, Andrea Matarazzo recebe, assim, um tratamento bastante amigável por parte do jornal.

ARTICULISTA DE DESTAQUE - Melhor ainda. Mesmo debaixo do grosso escândalo, Matarazzo é tratado pelo jornal, no dia a dia, como se nada tivesse a ver com o que está acontecendo.

No sábado 18, o mesmo Matarazzo que mal aparece como principal suspeito de ter sido corrompido pela Alstom assina artigo na página 3 do jornal, na seção Tendências/Debates, versando sobre os rolezinhos. 

"O seu, o meu, o nosso 'rolezinho'", perpetrou Matarazzo em resposta à pergunta do jornal sobre o tema. Só escreve ali quem é convidado ou se oferece ao jornal dos Frias. Podem ter ocorrido, no caso dele, as duas situações simultaneamente. Em tempo: no pé do texto, onde o articulista apresenta seu currículo, Matarazzo omite ter sido secretário de Energia da gestão Mario Covas.

Por que será?

Matarazzo, graças também à blindagem da mídia, elegeu-se em 2010 como o vereador mais votado de São Paulo. Dentro do PSDB, ele sempre fez parte da cúpula decisiva em São Paulo. Secretário de Energia no governo de Mario Covas, foi o piloto da privatização da Cesp, considerada uma estatal modelo no setor de energia. Sabe-se agora que, além de comandar o negócio, Matarazzo comandou uma "SE" que aparece na lista da Alstom de propinas.

Amigo pessoal do ex-governador José Serra, um antitabagista que não se importa de ter fumaça de cigarro soprada em sua face por Matarazzo, o ex-secretário foi nada menos que o principal tesoureiro da campanha à reeleição de Fernando Henrique Cardoso. Há suspeitas de que o dinheiro do propinoduto da Alstom em São Paulo possa ter servido a esse projeto político de sucesso.

A Folha, é certo, faz questão de não contextualizar o personagem Andrea Matarazzo no universo dos tucanos em São Paulo. Essa é outra grande piada de mau gosto com seus leitores. Piadista por excelência, o colunista José Simão, da própria Folha, talvez possa explicar mais essa brincadeira com a cara dos leitores do jornal. 


MEMÓRIA:

Mesmo constrangidos somos obrigados a informar
Memorando da Alstom documenta partilha do suborno a PSDB de SP - HORA DO POVO, 30.07.2008

Esquemas no Partido, TCE e Secretaria Estadual de Energia levavam por fora 7,5% do valor do contrato

Em comunicado enviado por Andre Botto, diretor da Cegelec – subsidiária da Alstom - na França, para um superior de nome M. Chamussy, em 23 de setembro de 1997, afirma que o suborno pago pela empresa para obter um contrato de R$ 110 milhões da Eletropaulo seria dividido entre “as finanças do partido no poder [PSDB]”, “o tribunal de contas [TCE]” e “a Secretaria de Energia [de São Paulo]”. “Se trata da remuneração para o governo local. Ela está sendo negociada via um ex-secretário do governador (RM)”, relata. 

Registros da Alstom revelam tabela de suborno a tucanos

De acordo com planilha do PSDB, era do atual secretário de Subprefeiturasde São Paulo, Andrea Matarazzo, a missão de recolher o dinheiro em 98

“As finanças do partido no poder [PSDB]”, “o tribunal de contas [TCE]” e “a Secretaria de Energia [de São Paulo]”. Segundo a correspondência de executivos da Alstom apreendida por autoridades da Suíça, estes órgãos não eram apenas os locais em que alguns tucanos batiam o ponto, mas também o endereço final do suborno pago pela multinacional francesa para obter alguns contratos do Estado.

Os detalhes da operação foram descritos num comunicado enviado por Andre Botto, diretor da Cegelec – subsidiária da Alstom - na França, para um cidadão de nome M. Chamussy. Escrito em 23 de setembro de 1997, o documento se refere a um contrato de R$ 110 milhões a ser firmado com a Eletropaulo. Nele, Botto informa que o suborno foi acertado num “patamar de 7,5 (%)”. “Se trata da remuneração para o governo local. Ela está sendo negociada via um ex-secretário do governador (RM)”. De acordo com as investigações, “RM” é Robson Marinho, atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. Depois de coordenar a campanha eleitoral de Covas em 1994, ele foi chefe da Casa Civil do governo do Estado de 1995 a abril de 1997.

Cabia a “RM”, neste caso, segundo a correspondência, distribuir a quantia entre o partido, o Tribunal de Contas do Estado e também à Secretaria de Estado de Energia.

O mesmo sistema de comunicação foi utilizado pelos executivos para tratar de outro contrato da Alstom com o governo tucano, desta vez com a Empresa Paulista de Transmissão de Energia Elétrica (EPTE). Trata-se de um aditivo no contrato de cerca de R$ 100 milhões para o fornecimento de equipamentos às subestações Aclimação e Miguel Reale, no Cambuci. Como o primeiro comunicado, este também foi apreendido pelas autoridades suíças.

Embora não discrimine os órgãos, o recente memorando apresenta um novo percentual a ser cobrado, configurando uma espécie de tabela que diferenciava o preço do suborno para contratos e para aditivos.

No contrato da EPTE, os órgãos são substituídos pelas iniciais dos nomes dos envolvidos. O primeiro é um elemento denominado “Neves”. Ao lado deste nome, consta o percentual de “8,5%”, juntamente com a palavra “fait”, “feito” em português. Em seguida, surge a sigla Splendor (1% “fait”) e depois “C.M.”, com 7%, mas sem a rubrica de “feito”. A Splendor foi identificada pelas autoridades francesas como a empresa que intermediou o pagamento da propina. Seu serviço, 1% do valor do contrato.

Segundo suspeitam os promotores brasileiros que investigam o caso, “C.M.” seria Claudio Luiz Petrechen Mendes, um intermediário entre a empresa e o governo do Estado, que chegou a ter seu percentual questionado pelo executivo da Alstom. “Eu não posso dar “ok” para uma pessoa que eu não conheço e da qual eu jamais ouvi falar”, revela outro trecho do bilhete, possivelmente uma resposta escrita por Chamussy.

O total de suborno no aditamento ficaria em 16,5%. “CM” e “Splendor” foram facilmente identificados. “Neves” continua sendo o enigma. Para decifrá-lo, segundo os investigadores brasileiros, é preciso apurar até onde foi a participação do vereador Tião Farias (PSDB), que além de ter sido um dos assessores mais próximos de Mário Covas, foi secretário-adjunto de Robson Marinho na Casa Civil.

Não por acaso as correspondências dos executivos da Alstom são consideradas, tanto pelas autoridades suíças e francesas como pelas brasileiras, peças fundamentais para decifrar o modus operandi do esquema Alstom/PSDB. Além de revelado-res, os memorandos podem ajudar a identificar os mecanismos utilizados em outros casos. Afinal, não foram só dois contratos, mas dezenas.

Segundo a bancada do PT na Assembléia, a empresa firmou 139 contratos com o governo estadual, no período de 1989 a 2007, num total de R$ 7,6 bilhões. De 1993 a 2003, período em que as polícias da França e Suíça investigam, foram firmados 96 contratos que somam R$ 5,2 bilhões. Os contratos são com as empresas Metrô, CESP, Força e Luz, CPTM, CTEEP, Dersa, Eletropaulo, Emae, Prodesp e Sabesp. A maioria foi firmada na gestão do ex- governador Geraldo Alckmin. No entanto, o atual governador José Serra, não só manteve contratos com a Alstom, vigentes há 20 anos, como fez aditivos no valor de R$ 2 bilhões. 

E os valores pagos em suborno variavam de acordo com a modalidade. Partia de 7,5%, podendo chegar a 30%, segundo revelou um ex-funcionário do setor de finanças da Alstom no Brasil em entrevista ao jornal “Estado de São Paulo”.

A forma como estes recursos, desviados dos cofres públicos, alimentavam “as finanças” do PSDB, ou as contas bancárias de pessoas ligadas ao esquema, é a segunda etapa da investigação. Uma pista surgiu na semana passada: a lista do caixa 2 da campanha de Fernando Henrique em 1998. Elaborada por Luiz Carlos Bresser Pereira, então tesoureiro de FHC, a lista diz que caberia ao atual secretário de Subprefeituras de São Paulo, Andrea Matarazzo (PSDB), então secretário de Energia do Estado, a responsabilidade de colher a contribuição de duas empresas do grupo francês Alstom, a Cegelec e a ABB, para o caixa 2.

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