quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Na Band, demagogia não dá sossego nem na véspera de Ano Novo


Tentando tomar uma cervejinha na padaria. Na TV o Luis Bacci. TV sintonizada na Band é garantia de ressaca até em abstêmio.
Primeiro, a reporter lindinha - chlep! - mostrando o caos num hospital sei lá onde. 
Filas, calor, macas, falta de médico, " a saúde pública no Brasil"... Como de praxe, expondo os funcionários, NUNCA OS RESPONSÁVEIS.. Gente "morrendo" nos corredores. De repente, a gênia decide ligar para...a polícia. Em vez de ligar para o governador, o prefeito ou os secretários municipal ou estadual ( não lembro bem a quem o tal pronto-socorro está subordinado ). A demagogia de sempre. O policial diz que - óbvio, sua anta - aquilo ali não era caso de polícia. Mesmo admitindo que o médico de plantão tinha que se desdobrar, a mal-intencionada reporter - e a rede de TV que paga seu salário - faz a habitual reclamação vaga, abrangente e universal, mas no fim das contas quem pareceu o vilão da história são os funcionários do pronto-socorro.

Em seguida, a demagogia-mor. Lembrem que estamos falando da Band, a emissora que dá guarida ao maior justiceiro linchador televisivo do país, o Datena. 
A reportagem lembra do caso no Guarujá, da mulher acusada de praticar magia negra e matar crianças em rituais.
Ela foi linchada por cerca de 200 pessoas e cenas da festa ( sim, foi isso mesmo ) foram filmadas por participantes. Um dos casos mais estarrecedores que já tivemos nesse país, pela selvageria, pela injustiça, pela modernidade ( um site "vigilante" foi o disseminador da falsa notícia que acarretou no homicídio ), pelo sadismo prazeroso dos participantes do festim de chacais. Algo que o Brasil jamais deveria esquecer.
E a hipocrisia "consternada" ( "Queremos justiça" o MESMO MOTE USADO PELOS LINCHADORES ) foi lá bater às portas do viúvo, como se a prática do justiçamento televisivo indutor não tivesse nada a ver com aquilo.
Claro que o Datena não apontou um revólver na cabeça do sujeito que sentou uma viga na cabeça da vítima - que, àquela altura, mais parecia um inanimado e indefeso boneco de Judas - mas dispondo de tanto espaço e tempo para pregar seu catecismo do ódio, no qual "nada no Brasil funciona" ( ou seja, nesse "nada" inclui a polícia e a justiça e assim, portanto, subjazia a idéia de que a "feiticeira" sairia livre e que seria justificável ao pobre cidadão comum resolver a parada, inda mais se esse cidadão comum tivesse um "Dexter" latente dentro de si ), seria óbvio que essa conversa cedo ou tarde resultaria num caso desses.

Tenham um excelente 2015.

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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Fernandinho quer melhorar o Brasil



A história acima está rolando no Facebook. Se não for uma dessas personas fake, Fernandinho é igual a tantos outros, um desses cidadãos de bem que se sentem ameaçados o tempo todo - até no sono - por bandidos e pelo governo, por crackeiros e comunistas, por fiscais da CET e politicos corruptos.

Fernandinho é desses que gostam de fazer discurso em padaria, vomitar moralidade e "indignação" de fancaria em pontos de ônibus e bancas de jornal. Você não pode nem tomar seu cafezinho na paz que de longe dá pra escutar esses Fernandinhos berrando suas soluções para os "problemas do Brasil". Fernandinho é solução. Como alguém poderia pensar que ele é parte - ou causa - do problema?

Os chamados "bandidos" são mais confiáveis, pois são bandidos e deles só se pode esperar bandidagem, ou seja, coerência. Os hipócritas, por outro lado, só precisam da chance. Do mensalão. Da propina. Tanta reclamação às vezes é fruto de inveja por estar de fora dos esquemas. Se um desconhecido vier lhe oferecer discurso moralista nas orelhas não pense duas vezes: proteja a carteira e dê no pé, que ele pode ser um "Fernandinho" buscando uma vítima. Ou te convidando pra entrar no esquema esperto. 

A ocasião faz o ladrão mas este, para aflorar em toda sua plenitude, precisa existir uma predisposição digamos, atávica. A hipocrisia é o mal do Brasil, etc etc etc.

Como eu digo, às vezes "o inferno são nosotros".
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"Hellfie" ( Conto )


Uma jornada de mil quilômetros começa com o primeiro passo. Se não quiser e não tiver genuína vontade, nem atravessar a rua você faz.

E eis que Joselfio resolveu trilhar seus mil quilômetros, num rumo incerto, mas empenhado em representar bem o papel ao qual estava cosmicamente destinado: ser o protagonista desde pequeno conto. 

E botou-se na trilha. Primeiro passo. Segundo passo. Terceiro...

Os passos foram se multiplicando: centenas, milhares. Um trajeto que parecia não se acabar. Mas, verdadeiro dono e senhor de seu destino pessoal, Joselfio não sucumbiu. Teve ocasiões em que fraquejou um pouco, é bem verdade. Questionou a si mesmo se aquilo valia a pena. Mas não havia o que fazer. Era inexorável. A satisfação de ter completado um percurso de tamanha envergadura haveria de valer a pena.

(***)

E os dias foram se passando. E os meses.

(***)

Até que, do alto de um morro, Joselfio avistou no horizonte próximo algo que parecia um outdoor. Sem esforço, leu: "Bem-vindo, Joselfio. Você conseguiu!".

(***)

"UAU!!!", exultou ele. "Finalmente!"
Respirou fundo, agrupou forças, e entrou em disparada rumo ao destino derradeiro, ao final da jornada. Chega de sofrimento, de dor, de calos e bolhas nos pés.

(***)

Faltando cerca de 100 metros, ao tocar no bolso de trás para pegar seu celular, a fim de imortalizar o momento, Joselfio tremeu. Estremeceu. Gelou.
- Putaquepariu, esqueci o celular!!!, berrou.

(***)

Já diante do outdoor, ele olhou tudo aquilo, suspirou, olhou de novo.
Olhou pra trás, e viu as pegadas que iniciavam lááááá ao longe e terminavam perto dos calcanhares de Joselfio. 
Suspirou novamente:
- É o jeito...

Uma jornada de volta de mil quilômetros começa com o primeiro passo.

FIM

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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Dilma, próximo alvo de Washington?


DILMA ROUSSEFF, PRESIDENTA DO BRASIL, PAÍS MEMBRO DO BRICS, É O PRÓXIMO ALVO DE WASHINGTON

[*] F. William Engdahl, NEO – New Eastern Outlook

BRICS’ Brazil President Next Washington Target

Traduzido por Renato Guimarães e distribuído p/ Vila Vudu

O porquê do terceiro turno...

Para ganhar o segundo turno das eleições contra o candidato apoiado pelos Estados Unidos, Aécio Neves, em 26 outubro de 2014, a presidenta recém-reeleita do Brasil, Dilma Rousseff, sobreviveu a uma campanha maciça de desinformação do Departamento de Estado estadunidense. Não obstante, já está claro que Washington abriu uma nova ofensiva contra um dos líderes chave do BRICS, o grupo não alinhado de economias emergentes – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Com a campanha de guerra financeira total dos Estados Unidos para enfraquecer a Rússia de Putin e uma série de desestabilizações visando a China, inclusive, mais recentemente, a “Revolução dos Guarda-Chuvas” financiada pelos Estados Unidos em Hong Kong, livrar-se da presidente socialmente propensa do Brasil é uma prioridade máxima para deter o polo emergente que se opõe ao bloco da Nova (des) Ordem Mundial de Washington.

A razão por que Washington quer se livrar de Rousseff é clara. Como presidente, ela é uma das cinco cabeças do BRICS que assinaram a formação do Banco de Desenvolvimento do BRICS, com capital inicial autorizado de 100 bilhões de dólares e um fundo de reserva de outros 100 bilhões de dólares. Ela também apoia uma nova Moeda de Reserva Internacional para complementar e eventualmente substituir o dólar. No Brasil, ela é apoiada por milhões de brasileiros mais pobres, que foram tirados da pobreza por seus vários programas, especialmente o Bolsa Família, um programa de subsídio econômico para mães e famílias da baixa renda. O Bolsa Família tirou uma população estimada de 36 milhões de famílias da pobreza através das políticas econômicas de Rousseff e de seu partido, algo que incita verdadeiras apoplexias em Wall Street e em Washington.

Líderes dos países BRICS

Apoiado pelos Estados Unidos, seu rival na campanha, Aécio Neves, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), serve aos interesses dos magnatas e de seus aliados de Washington.

O principal assessor econômico de Neves, que se tornaria Ministro da Fazenda no caso de uma presidência de Neves, era Armínio Fraga Neto, amigo íntimo e ex-sócio de Soros e seu fundo hedge Quantum. O principal conselheiro de Neves, e provavelmente seu Ministro das Relações Exteriores, tivesse ele ganhado as eleições, era Rubens Antônio Barbosa, ex-embaixador em Washington e hoje Diretor da ASG em São Paulo.

A ASG é o grupo de consultores de Madeleine Albright, ex-Secretária de Estado norte-americana durante o bombardeio da Iugoslávia em 1999. Albright, dirigente do principal grupo de reflexão dos Estados Unidos, o Conselho sobre Relações Exteriores, também é presidente da primeira ONG da “Revolução Colorida” financiada pelo governo dos Estados Unidos, o Instituto Democrático Nacional (NDI). Não é de surpreender que Barbosa tenha conclamado, numa campanha recente, o fortalecimento das relações Brasil-Estados Unidos e a degradação dos fortes laços Brasil-China, desenvolvidos por Rousseff na esteira das revelações sobre a espionagem norte-americana da Agência Nacional de Segurança (NSA) contra Rousseff e o seu governo.

Surgimento de escândalo de corrupção

Durante a áspera campanha eleitoral entre Rousseff e Neves, a oposição de Neves começou a espalhar rumores de que Rousseff, que até então jamais fora ligada à corrupção tão comum na política brasileira, estaria implicada num escândalo envolvendo a gigante estatal do petróleo, a Petrobras. Em setembro, um ex-diretor da Petrobras alegou que membros do governo Rousseff tinham recebido comissões em contratos assinados com a gigante do petróleo, comissões estas que depois teriam sido empregadas para comprar apoio congressional. Rousseff foi membro do conselho de diretores da companhia até 2010.

Agora, em 2 de novembro de 2014, apenas alguns dias depois da vitória arduamente conquistada por Rousseff, a maior firma de auditoria financeira dos Estados Unidos, a Price Waterhouse Coopers se recusou a assinar os demonstrativos financeiros do terceiro trimestre da Petrobras. A PWC exigiu uma investigação mais ampla do escândalo envolvendo a companhia petrolífera dirigida pelo Estado.

Dilma Rousseff

A Price Waterhouse Coopers é uma das firmas de auditoria, consultoria tributária e societária e de negócios mais eivadas de escândalos dos Estados Unidos. Ela foi implicada em 14 anos de encobrimento de uma fraude no grupo de seguros AIG, o qual estava no coração da crise financeira norte-americana de 2008. E a Câmara dos Lordes britânica criticou a PWC por não chamar atenção para os riscos do modelo de negócios adotado pelo banco Northern Rock, causador de um desastre de grandes proporções na crise imobiliária de 2008 na Grã-Bretanha, cliente que teve que ser resgatado pelo governo do Reino Unido. Intensificam-se os ataques contra Rousseff, disto podemos ter certeza.

A estratégia global de Rousseff

Não foi apenas a aliança de Rousseff com os países do BRICS que fez dela um alvo principal da política de desestabilização de Washington. Sob seu mandato, o Brasil está agindo com rapidez para baldar a vulnerabilidade à vigilância eletrônica norte-americana da NSA .

Dias após a sua reeleição, a companhia estatal Telebras anunciou planos para a construção de um cabo submarino de telecomunicações por fibra ótica com Portugal através do Atlântico. O planejado cabo da Telebras se estenderá por 5.600 quilômetros, da cidade brasileira de Fortaleza até Portugal. Ele representa uma ruptura maior no âmbito das comunicações transatlânticas sob domínio da tecnologia norte-americana. Notadamente, o presidente da Telebras, Francisco Ziober Filho, disse numa entrevista que o projeto do cabo será desenvolvido e construído sem a participação de nenhuma companhia estadunidense.

As revelações de Snowden sobre a NSA em 2013 elucidaram, entre outras coisas, os vínculos íntimos existentes entre empresas estratégicas chave de tecnologia da informática, como a Cisco Systems, a Microsoft e outras, e a comunidade norte-americana de inteligência. Ele declarou que:

A questão da integridade e vulnerabilidade de dados é sempre uma preocupação para todas as companhias de telecomunicações.

O Brasil reagiu aos vazamentos da NSA periciando todos os equipamentos de fabricação estrangeira em seu uso, a fim de obstar vulnerabilidades de segurança e acelerar a evolução do país rumo à autossuficiência tecnológica, segundo o dirigente da Telebras.

Até agora, virtualmente todo tráfego transatlântico de TI encaminhado via costa leste dos Estados Unidos para a Europa e a África representou uma vantagem importante para espionagem de Washington.

Espionagem!

O Expresso está 100 por cento sob nosso controle.

Se verdadeiro ou ainda incerto, o fato é que sob Rousseff e de seu partido o Brasil está trabalhando para fazer o que ela considera ser o melhor para interesse nacional do Brasil.

A geopolítica do petróleo também é chave

O Brasil também está se livrando do domínio anglo-americano sobre sua exploração de petróleo e de gás. No final de 2007, a Petrobras descobriu o que considerou ser uma nova e enorme bacia de petróleo de alta qualidade na plataforma continental no mar territorial brasileiro da Bacia de Santos. Desde então, a Petrobras perfurou 11 poços de petróleo nesta bacia, todos bem-sucedidos. Somente em Tupi e em Iara, a Petrobras estima que haja entre de 8 a 12 bilhões de barris de óleo recuperável, o que pode quase dobrar as reservas brasileiras atuais de petróleo. No total, a plataforma continental do Brasil pode conter mais de 100 bilhões de barris de petróleo, transformando o país numa potência de petróleo e gás de primeira grandeza, algo que a Exxon e a Chevron, as gigantes do petróleo norte-americano, se esforçaram arduamente para controlar.

Em 2009, segundo cabogramas diplomáticos norte-americanos vazados e publicados pelo Wikileaks, a Exxon e a Chevron foram assinaladas pelo consulado estadunidense no Rio de Janeiro por estarem tentando, em vão, alterar a lei proposta pelo mentor e predecessor de Rousseff em seu Partido dos Trabalhadores, o presidente Luís Inácio Lula da Silva, ou Lula, como ele é chamado.

Esta lei de 2009 tornava a estatal Petrobras operadora-chefe de todos os blocos no mar territorial. Washington e as gigantes estadunidenses do petróleo ficaram furiosos ao perderem controles-chave sobre a descoberta da potencialmente maior jazida individual de petróleo em décadas.

Dilma Rousseff e Joe Biden

Para tornar as coisas piores aos olhos de Washington, Lula não apenas afastou a Exxon Mobil e a Chevron de suas posições de controle em favor da estatal Petrobras, como também abriu a exploração do petróleo brasileiro aos chineses. Em dezembro de 2010, num dos seus últimos atos como presidente, ele supervisionou a assinatura de um acordo entre a companhia energética hispano-brasileira Repsol e a estatal chinesa Sinopec. A Sinopec formou uma joint venture, a Repsol Sinopec Brasil, investindo mais de 7,1 bilhões de dólares na Repsol Brasil. Já em 2005, Lula havia aprovado a formação da Sinopec International Petroleum Service of Brazil Ltd, como parte de uma nova aliança estratégica entre a China e o Brasil, precursora da atual organização do BRICS.

Washington não gostou

Em 2012, uma perfuração conjunta, Repsol Sinopec Brazil, Norway’s Stateoil e Petrobras, fez uma descoberta de importância maior em Pão de Açúcar, a terceira no bloco BM-C-33, o qual inclui Seat e Gávea, esta última uma das 10 maiores descobertas do mundo em 2011. As maiores do petróleo estadunidense e britânico absolutamente sequer estavam presentes.

Com o aprofundamento das relações entre o governo Rousseff e a China, bem como com a Rússia e com outros parceiros do BRICS, em maio de 2013, o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, veio ao Brasil com sua agenda focada no desenvolvimento de gás e petróleo. Ele se encontrou com a presidenta Dilma Rousseff, que havia sucedido ao seu mentor Lula em 2011. Biden também se encontrou com as principais companhias energéticas no Brasil, inclusive a Petrobrás.

Embora pouca coisa tenha sido dita publicamente, Rousseff se recusou a reverter a lei do petróleo de 2009 de maneira a adequá-la aos interesses de Biden e de Washington. Dias depois da visita de Biden, surgiram as revelações de Snowden sobre a NSA, de que os Estados Unidos também estavam espionando Rousseff e os funcionários de alto escalão da Petrobras. Ela ficou furiosa e, naquele mês de setembro, denunciou a administração Obama diante da Assembleia Geral da ONU por violação da lei internacional. Em protesto, ela cancelou uma visita programada a Washington. Depois disso, as relações Estados Unidos-Brasil sofreram um grave resfriamento.

Dilma e Lula

Antes da visita de Biden em maio de 2013, Dilma Rousseff tinha uma taxa de popularidade de 70 por cento. Menos de duas semanas depois da visita de Biden ao Brasil, protestos em escala nacional convocados por um grupo bem organizado chamado Movimento Passe Livre, relativos a um aumento nominal de 10 por cento nas passagens de ônibus, levaram o país virtualmente a uma paralisação e se tornaram muito violentos. Os protestos ostentavam a marca de uma típica “Revolução Colorida”, ou desestabilização via Twitter, que parece seguir Biden por onde quer que ele se apresente. Em semanas, a popularidade de Rousseff caiu para 30 por cento.

http://www.patrialatina.com.br/editorias.php?idprog=d41d8cd98f00b204e9800998ecf8427e&cod=14736


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As negociações secretas de Washington com Havana e Teerã, Por Thierry Meyssan


O anúncio do restabelecimento de relações diplomáticas de Washington com Havana pré-figura o das relações com Teerão. Os Estados Unidos não abandonaram as suas ambições imperialistas, e estes dois Estados não renunciaram aos seus ideais revolucionários. No entanto, pragmático, Washington reconhece que Cuba e o Irão não serão vencidos pelo isolamento diplomático e pela guerra económica. Prepara-se, sim, para um outro tipo confronto. 


O anúncio, simultâneo, por Barack Obama e Raul Castro do restabelecimento de relações diplomáticas entre os Estados Unidos e Cuba foi uma grande surpresa na Europa. Como de costume, Washington estava negociando em segredo com o seu inimigo, enquanto obriga a União Europeia a manter sanções que se apressará a levantar, primeiro, em seu proveito.

Desde há dois anos, o presidente Obama tenta apaziguar os conflitos que opõem o seu Império aos Estados que lhe resistem : Cuba na América Latina, o Irão (Irã-br) no «Médio-Oriente alargado». Com efeito, é forçoso constatar que as sanções unilaterais —verdadeiros actos de guerra económica— decretadas por Washington, e estendidas por ele aos seus aliados, não funcionam. Cuba, tal como a República islâmica do Irão, sofreram consideravelmente, mas não deixaram de resistir.

Meio século de luta

Durante a Guerra Fria, Cuba mobilizou-se contra a política de apartheid que a África do Sul pretendia estender aos seus vizinhos. O regime branco de Pretória era então apoiado pelos E.U. e Israel. O exército cubano implantou-se em Angola e na (fronteira -ndT) Namíbia, até à conclusão de um acordo de paz em 1988. Fidel Castro conseguiu, assim, ser capaz de fazer fracassar uma ideologia que dividia a humanidade em duas: os senhores e os escravos. Foi, no entanto, preciso esperar ainda três anos para que o regime do apartheid sul-africano fosse desmantelado e que Nelson Mandela se tornasse presidente do povo sul-Africano reunificado.

Identicamente, a República islâmica do Irão mobilizou-se contra a política de apartheid que Israel pretende estender aos seus vizinhos. O regime sionista de Telavive é suportado, desde a sua proclamação ilegal em 1948, pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido. Ele reivindica toda a terra do Nilo ao Eufrates. O Irão apoia a Síria, o Hezbolla e as organizações da resistência palestina. Sob a presidência de Mahmoud Ahmadinejad, os Estados Unidos e Israel experimentaram numerosas derrotas, nomeadamente no Líbano, na Palestina, na Síria e no Iémene.

Os laços entre a África do Sul e Israel têm sido abundantemente documentados. Os dois estados têm a mesma origem: a África austral foi organizada pelo diamantário Cecil Rhodes —o teórico do «imperialismo germânico» [1]— enquanto Israel foi alçado por um discípulo de Rhodes, Theodor Herzl, que seguiu, em todos os aspectos, o modelo Rodesiano. Em 2002, a rainha Elizabeth (Isabel II-ndT) censurou a publicação da correspondência entre Rhodes e Herzl, da qual apenas se conhece, pois, a carta reproduzida por este último numa das suas obras.

Os laços entre a Revolução cubana e a Revolução islâmica são ténues. É certo que, Ali Shariati, o pensador que preparou a revolução iraniana, era o tradutor de Che Guevara em persa (farsi-ndT). Mas nunca os dois Estados nutriram laços políticos significativos. Eu fiquei surpreso ao constatar a sua ignorância mútua, ao conversar com os respectivos dirigentes. É verdade que existem diferenças culturais que tornam os contactos difíceis : a sociedade cubana é ultra-permissiva sexualmente, enquanto a sociedade iraniana (já bem antes da Revolução islâmica) é pelo contrário ultra- protectora neste domínio.

Dois Estados revolucionários

É evidente que os interesses dos Estados Unidos, por um lado, e de Cuba e do Irão por outro são, e continuarão a ser, inconciliáveis. Não pode haver compromisso entre o imperialismo e o nacionalismo. No entanto, essa situação não impede a conclusão de acordos de cessar-fogo regionais. A retomada das relações diplomáticas não significa, aliás, o levantamento completo dos «bloqueios económicos», o que Washington chama de «sanções», como se se tratasse sempre de punições decididas pelo Conselho de Segurança.

Actualmente, Cuba é considerada pela esquerda europeia como uma ditadura, mas a ilha é, pelo contrário, reconhecida pela esquerda latino-americana como um exemplo de Resistência. Fidel Castro goza de uma aura de libertador e exerce uma atração em todo o continente.

Identicamente, a República islâmica do Irão é considerada como um regime medieval pela esquerda europeia, embora seja o aliado indispensável de todos os movimentos de resistência no « Grande Médio-Oriente». No entanto, enquanto Mahmoud Ahmadinejad gozava de uma enorme popularidade, o líder supremo Ali Khamenei é menos conhecido no exterior.

Em ambos os casos, estes Estados foram vítimas da sua imagem. Assim Cuba é qualificada de «comunista», mas Fidel Castro não o era até à sua vitória. Era o seu irmão Raul que militava no Partido Comunista. Da mesma forma Che Guevara opunha-se ao modelo económico soviético, e, escreveu-o antes de se demitir das suas funções de Ministro da Indústria, e depois partir para lutar ao lado de Laurent-Désirée Kabila no Congo.

O Irão tendo-se proclamado República islâmica, é geralmente visto como sendo uma teocracia de religião muçulmana. Mas, Ali Shariati assegurava que o Islão é um processo revolucionário e que todos os revolucionários, no mundo inteiro, são muçulmanos, desde que eles lutem pela Justiça. Além disso, o Irão xiita interveio igualmente em África e apoiou ... o cristão Laurent Kabila Desiree assim que ele chegou ao poder.

Nestes dois casos, a História registará que se tratavam de Estados revolucionários. Mas as revoluções, quando têm lugar, e assim que conseguem chegar à emancipação dos homens, só são aprovadas quando terminam e não ameaçam mais qualquer privilégio.

A estratégia de Washington

Para os Estados Unidos tratava-se, ao mesmo tempo, quer de uma urgência, quer de uma ocasião de suspender os seus conflitos com as Resistências cubana e iraniana. O reinvestimento dos EUA na América Latina e o deslocamento de tropas norte- americanas do «Médio-Oriente alargado» para o Extremo Oriente estavam bloqueados. Além disso, uma solução deveria surgir antes da Cimeira das Américas. Com efeito, sob o impulso de Rafael Correa o Panamá, que acolhe a Cimeira, convidou Cuba pela primeira vez. Barack Obama iria, portanto, ter de se encontrar com o seu inimigo, Raul Castro. Sem mencionar o facto, extremamente preocupante para os militares norte-americanos, da reabertura de uma base de espionagem electrónica russa em Lurdes (no sul de Havana) [2]. Da mesma maneira, os Estados Unidos não podem esperar criar três estados independentes no Iraque sem o assentimento iraniano.

Nota final: o cessar-fogo com Washington é particularmente perigoso. Os Estados Unidos não vão parar de tentar desestabilizar estes Estados revolucionários mas, agora, eles vão fazê-lo com um acesso pelo interior. Nem Cuba nem o Irão poderão, nessa altura, vigiar os numerosos norte-americanos que virão até eles, em negócio ou turismo. A CIA não deixará, nos dois anos vindouros, de tentar ( montar-ndT ) revoluções coloridas.

Neste sentido, a retomada das relações diplomáticas entre Washington e Havana prefigura o mesmo entre Washington e Teerão.

Tradução 

[1] Cecil Rhodes falava de «imperialismo germânico» para designar o Império inglês. Os soberanos do Reino Unido são com efeito germânicos.

[2] “Russia to reopen spy base in Cuba as relations with US continue to sour”, Alec Luhn, The Guardian, July 16, 2014.

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Crise do petróleo é MUNDIAL e não "da Petrobrás", como a imprensa brasileira quer convencer o público ( e geralmente consegue... )



Em sua eterna luta para jogar mais sombras onde já não existe luz, a imprensa brasileira está ignorando o fato mais importante do ano na economia mundial: a dramática queda do preço do petróleo.

É um fato que terá impactos brutais no mundo globalizado, mas a mídia nacional prefere centrar seus holofotes na Petrobras, como se se tratasse de um caso único de depressão num ambiente de extrema alegria.

Desde junho, quando atingiu o pico de 115 dólares o barril, o preço do petróleo caiu pela metade. Nesta semana, o barril está sendo vendido na casa dos 60 dólares.

Vários fatores se somaram para que isso acontecesse, mas você pode resumir a explicação na tradicional lei da demanda e da oferta.

A produção de petróleo, hoje, supera amplamente o consumo.

Isso está ligado à crise econômica mundial. Com sua economia se desacelerando, a China consome hoje muito menos petróleo do que fazia. O mesmo ocorre com outra potência, a Alemanha.

Os Estados Unidos, tradicionalmente os maiores importadores, está quase auto-suficiente, graças ao “shale oil” — saudado como uma revolução no campo energético.

Trata-se, essencialmente, da extração de gás e petróleo do xisto, um tipo de rocha.

Reduzida a demanda, era esperado que a OPEP, a organização que congrega os maiores exportadores, baixasse sua produção, para defender o preço.

Mas não.

Para surpresa generalizada, a OPEP, numa reunião em novembro, decidiu manter a produção nos mesmos níveis.

Foi quando o universo do petróleo entrou em convulsão.

Mas por que os produtores tomaram essa decisão?

Especialistas acham que o objetivo maior é matar o “shale oil” americano. A extração é muito mais cara. Caso o barril fique barato, a indústria do “shale oil” tende a se inviabilizar, e esta seria uma excelente notícia para os países da OPEP.

Mas efeitos muito mais imediatos da baixa da cotação estão já sendo sentidos em países como a Rússia, o Irã e a Venezuela. Todos eles dependem visceralmente das exportações de petróleo.

Para o orçamento russo se manter equilibrado, o barril deve estar na faixa dos 100 dólares.

Economistas já preveem uma queda de 5% do PIB russo em 2015. O sofrimento russo deu margem a que fosse ventilada a teoria de que por trás de tudo estariam os Estados Unidos, empenhados em criar problemas para Putin.

Faz sentido? Faz. Ou pode fazer. Mas o custo, para os americanos, é elevado. Sua florescente indústria de “shale oil” pode simplesmente se desintegrar.

E o Brasil, no meio disso tudo?

O quadro ainda não é totalmente claro. Há alguns benefícios: apesar de produzir como nunca, o Brasil ainda é um grande consumidor de petróleo.

Isso significa que as despesas de importação se reduzirão substancialmente. É, também, um alívio financeiro para a Petrobras, que subsidia os consumidores brasileiros.

A Petrobras vende a gasolina no Brasil por um preço inferior àquele pelo qual ela compra. O subsídio se destina, primeiro e acima de tudo, a controlar a inflação.

A ameaça mais séria, para o Brasil, vem do pré-sal. Como o “shale oil” americano, a extração do pré-sal é mais cara que a convencional.

Alguns estudos sugerem que com o barril a 40 dólares o pré-sal se inviabilizaria. Mas antes disso a vítima seria a indústria americana de óleo alternativo.

É razoável supor que o barril não descerá muito além dos 60 dólares.

A OPEP disse que ia esperar uns meses para ver o que ocorria. Um preço muito baixo, por um tempo longo, poderia ser fatal para a OPEP.

Assim, é presumível que, em algum momento nos primeiros meses de 2015, a produção seja reduzida para que o preço se recomponha.

Enquanto isso, as companhias petrolíferas são ferozmente castigadas. Nos últimos seis meses, as ações da Goodrich Petroleum caíram 86%. As da Oasis Petroleum, 75%.

A Petrobras é um caso entre muitos, e não um caso único, ao contrário do que a imprensa brasileira noticia.

Nada na economia mundial, em 2014, foi tão importante quanto o colapso dos preços do petróleo – mas a mídia brasileira, no afã de bater na Petrobras e consequentemente no governo, parece que não percebeu.

PAULO NOGUEIRA

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Lava Jato constata que Venina participou dos golpes de Paulo Roberto, Duque e Barusco




Jornal GGN - Delegados e procuradores da Lava Jato vazaram para o Estadão documentos que comprovam o envolvimento de Venina Velosa da Fonseca com os principais envolvidos nos golpes contra a Petrobras.

Os documentos vazados comprovam que a Petrobras abriu sindicância para apurar irregularidades em contratos da Abreu e Lima. “(Venina) Responsável, em conjunto com o Sr. Pedro José Barusco Filho, então Gerente Executivo da Engenharia, pelo encaminhamento dos DIP’s (Documento Interno do Sistema Petrobrás) de instauração de processos licitatórios e solicitação de autorização para contratação dos serviços de construção e montagem da Rnest, entre abril de 2007 a outubro de 2009, sem que os projetos básicos estivessem suficientemente detalhados”, informa comissão de sindicância da Petrobrás.

A comissão identificou as seguintes irregularidades:

- Falta de encaminhamento à Diretoria Executiva da mudança na estratégia de contratação da empresa Alusa Engenharia. Nos documentos assinados por Venina Velosa da Fonseca e Pedro Barusco, e encaminhados à Diretoria Executiva por Renato Duque e Paulo Roberto Costa não houve comunicação de mudança nos contratos

- Negociação de proposta, após encerrado o processo licitatório e a respectiva aprovação da contratação pela Diretoria Executiva, da empresa Alusa Engenharia e desconsideração de desconto de R$ 25 milhões aceito pela empreiteira

- Falta de inclusão de empresa em novo processo licitatório, envolvendo os consórcios formados pelas empresas Odebrecht/OAS; CNCC (Camargo Corrêa/CNEC); e Queiroz Galvão/IESA

- Falta de emissão de parecer jurídico em quatro processos licitatórios, envolvendo as empresas Orteng; Invensys; Engevix; e Consórcio Enfil/Veolia

O link com o relatório pode ser consultado aqui

E MAIS:

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

The Idiot - Iggy Pop (1977) (full album)




DARK

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Paulistanos são mais egoístas, invejosos e orgulhosos, aponta pesquisa Datafolha


Pesquisa Datafolha realizada no início deste mês e divulgada nesta segunda-feira (22) apontou que a imagem que os brasileiros têm daqueles nascidos na cidade de São Paulo piorou nos últimos dez anos. Os paulistanos são, na visão dos outros compatriotas, mais orgulhosos, egoístas e invejosos. A ideia de que os brasileiros nascidos na capital paulista trabalham mais também caiu.

Pesquisadores perguntaram a 2.896 pessoas, consultadas entre 2 e 3 de dezembro em todo o país, se elas concordavam ou discordavam, total ou parcialmente, de seis afirmações elaboradas pelo instituto. E uma das conclusões foi que "os paulistanos se julgam melhores que os demais brasileiros" para 39% dos entrevistados. Quando a mesma pesquisa foi feita pela primeira vez, há 11 anos, os que concordavam totalmente com essa afirmação eram 30%.

Para 20% dos brasileiros de fora de São Paulo, os paulistanos têm inveja do restante do país. Na pesquisa anterior, eram 16%. Na contramão, a ideia que os outros brasileiros invejariam os paulistanos sofreu uma queda de três pontos. Na pesquisa de 2003, 13% dos entrevistados concordavam totalmente que "os brasileiros têm inveja dos paulistanos".

Outra afirmação elaborada pelo Datafolha e abordada entre os entrevistados foi a de que São Paulo é "a locomotiva do Brasil", slogan não oficial, usado muitas vezes por políticos em campanha no Estado. Em 2003, 48% estavam totalmente de acordo com a frase; neste ano são 43%.

Além disso, 46% dos entrevistados concordaram totalmente com a afirmação de que "os paulistanos de importam mais com seus problemas do que com os problemas dos outros", o que representa uma elevação de 4 pontos em comparação a 2003.

A última frase colocada à prova pelo Datafolha, a de que "os paulistanos trabalham mais do que os demais brasileiros" também teve um desempenho negativo. Se antes 25% estavam totalmente de acordo, agora são 20%.

O Datafolha apurou que o desempenho dos paulistanos e da capital paulista é sempre pior entre os entrevistados dos nove Estados do Nordeste. No total, 67% dos nordestinos acreditam que os paulistanos se consideram melhores que o restante dos brasileiros (51% concordam totalmente com essa afirmação, 17% concordam parcialmente).

Para 48% dos nordestinos, os paulistanos têm inveja dos compatriotas, e 76% concordam que aqueles nascidos em São Paulo "se importam mais com seus problemas".

A margem de erro da pesquisa Datafolha é de dois pontos. ( JB )

DICA DESTE BLOG: Vá em nosso campo de Busca e procure "paulistano", "paulistanos", "JAZ São Paulo" ou "A cabeça do paulistano" e divirta-se!!!

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Moby - 'The Perfect Life (with Wayne Coyne)' - Official video





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domingo, 21 de dezembro de 2014

Dos que ouviram falar no caso, 69% acham que "Petrolão" começou antes do PT e mais de 70% dizem que "todos os partidos" estão envolvidos, mostra pesquisa Vox Populi


A Petrobras e a opinião pública

Nenhum partido está isento de culpa no escândalo da estatal, aponta pesquisa nacional do Vox Populi

Para quem acompanhou o carnaval da “grande mídia” em torno das pesquisas em 2014, soa estranho o silêncio atual a respeito da crise na Petrobras. Seus veículos trombeteiam o assunto há três meses, mas não dedicaram a ele uma única e escassa pesquisa.

Exagero. Houve uma, realizada pelo Datafolha no início de dezembro. Ficou famosa pela extravagante manchete gerada a partir da leitura das informações pela Folha de S.Paulo, dona do instituto: “Brasileiro responsabiliza Dilma por caso Petrobras”. Nenhum outro levantamento foi encomendado. Como se aquele resolvesse a questão e o resultado bastasse. Como se não fosse tão questionável que até a ombudsman do jornal criticaria a despropositada matemática usada pelos editores ao noticiá-la.

Tamanha parcimônia contrasta com o exuberante investimento em pesquisas que a mídia corporativa fez neste ano. Embora tenha sido quase todo bancado pela TV Globo, que financiou as empresas menores, foi uma tal superoferta de pesquisas que, na reta final da eleição presidencial, o cidadão mal conseguia respirar antes de um novo levantamento ser divulgado.

A abundância tinha a ver, é claro, com a torcida para Dilma Rousseff cair nas intenções de voto. Tantas pesquisas refletiam o desejo dos donos de jornal (e seus funcionários) de crescimento de uma das candidaturas a ponto de suplantar a petista. Como sabemos, gastaram dinheiro em vão.

Algo semelhante acontece com as oposições partidárias. Atravessamos o ano a ouvir os líderes oposicionistas citando resultados de pesquisa a torto e a direito: o “desejo de mudança”, a “rejeição ao PT”, a “reprovação do governo”. Seu discurso atual a respeito da crise na Petrobras prescinde, no entanto, de quaisquer referências à opinião pública.

É pena. Todos ganharíamos se ouvíssemos mais e mais frequentemente os cidadãos. Saberíamos o que pensam e compreenderíamos melhor suas manifestações, especialmente as mais importantes, como os resultados eleitorais. Evitaríamos equívocos de interpretação e erros de tomada de posição.

Entre os dias 5 e 8 de dezembro, o Vox Populi fez uma ampla pesquisa nacional, com 2,5 mil entrevistas, distribuídas em 178 municípios. Tratou de vários assuntos e incluiu perguntas sobre a Petrobras.

Ao contrário da tese de alguns próceres tucanos e dos muitos mal informados na sociedade, para os quais a vasta maioria da população ignora o que se passa no Brasil, apenas 13% dos entrevistados não tinham ouvido falar das denúncias de irregularidades na empresa. Em outras palavras, 86% da população as conhecia, sem variações significativas segundo os níveis de escolaridade: 85% entre aqueles com ensino fundamental, 87% no ensino médio e 89% no nível superior.

Entre quem tinha ouvido falar no assunto, 69% acreditavam que “as irregularidades na Petrobras vêm de antes do PT (chegar ao governo federal)”. Dos restantes, 23% disseram achar que “começaram com o PT” e 8% “não sabiam”. Sobre quais partidos estariam “envolvidos nas irregularidades”, 7% dos entrevistados responderam “só o PT” e 18% cravaram “o PT e os partidos da base aliada, como PMDB, PP etc.” Os dois terços restantes disseram que “todos os partidos, incluindo o PSDB, o PSB e o DEM”.

Como se vê, a percepção da grande maioria da opinião pública conflita com o noticiário da mídia hegemônica, que não se cansa de apresentar o PT como o grande vilão no caso. E não poupa as lideranças tucanas, na contramão da imagem de paladinos da moralidade que imaginam possuir.

Aliás, quando a pesquisa pediu a opinião sobre qual dos três últimos presidentes da República “mais combateu a corrupção”, as respostas foram Lula 31%, Dilma 29% e Fernando Henrique Cardoso 11% (os restantes 29% disseram “não saber” ou não responderam). Feitas as contas, 60% escolheram um governante do PT, enquanto FHC nem sequer atinge um quarto do eleitorado que votou no PSDB em outubro.

Por que a mídia prefere não fazer pesquisas sobre o tema? Por que os líderes da oposição se permitem falar ignorando a imagem real que possuem? Hipótese: no fundo, eles não dão o menor valor para o que pensa o cidadão comum.


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Petrobrás: imagem inabalada


Apesar dos escândalos noticiados pela imprensa, fruto de investigações da Polícia Federal com a Operação Lava Jato, permanece inabalada, ao que tudo indica, pelo menos entre os concurseiros, a imagem da Petrobrás como a empresa dos sonhos para se trabalhar no país. A prova disso é que o último concurso da estatal, cuja prova foi aplicada no último dia 14, reuniu mais de 300 mil candidatos em todo o país.

Com isso, é de se esperar que o novo concurso aberto pela BR Distribuidora, sua subsidiária, vá atrair também um quantitativo bem grande de inscritos. Certamente, o elevado número de vagas (mesmo a maior parte sendo em cadastro), as remunerações oferecidas e o amplo pacote de benefícios aos funcionários são atrativos que justificam, sem dúvida alguma, o interesse da população em participar dos concursos da estatal.

No entanto, percebe-se também que existe, entre aqueles que sonham em ingressar na estatal, a busca pelo status de trabalhar na maior empresa do Brasil, que é reconhecida mundialmente. Não à toa, a grande maioria dos funcionários concursados tem imenso orgulho de fazer parte do sistema Petrobrás, por contribuírem para o desenvolvimento do país, mesmo com os escândalos estampados nas páginas de jornais.

A propósito, é necessário separar a instituição, que já existe há mais de 60 anos, prestando serviços relevantes ao país, dos seus dirigentes, que são passageiros. A Petrobrás é muito maior do que seus presidentes, diretores e qualquer partido político que esteja no poder. E todos que são alvo de denúncias de currupção precisam ser investigados e punidos, caso, de fato, elas sejam comprovadas.

A empresa é, em sua essência, uma legítima representante do que há de melhor no país. E os funcionários da Petrobrás devem se valer do slogan da empresa, “o desafio é a nossa energia”, e do trabalho como combustíveis para que os escândalos proporcionados por seus dirigentes não passem de meros arranhões na história desta sexagenária instituição.


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Cientistas dizem que a alma pode deixar o corpo e ver o que acontece ao seu redor




As almas de pessoas que experimentaram morte clínica abandonam o seu corpo e podem observar o que está acontecendo ao seu redor, no mundo real, diz um grupo de pesquisadores holandeses.

Um grupo de médicos realizou um estudo onde recolheu mais de 70 casos de pessoas que relataram a experiência vivida enquanto eles estavam clinicamente mortos, e estão seguros de que a consciência pode viver fora de nosso cérebro, mas esse mundo não pode ser visto através dos sentidos, de acordo com o site “Epoch Times".

O estudo cita o exemplo de um paciente que estava clinicamente morto por 20 minutos depois de uma delicada cirurgia de coração, e inesperadamente voltou à vida. Sua ressurreição por si só já era incrível, mas os mais surpreendentes foram às cenas que o paciente viu enquanto estava morto.

“O paciente descreveu uma luz brilhante no fim do túnel e a maneira de como saiu de seu corpo. Mas, além disso, viu os médicos que conversavam e indicou o lugar e de maneira exata como eles estavam. Alem disso descreveu com exatidão as notas medicas que a enfermeira escrevia no computador“, explicaram os autores do estudo.

Os médicos concluíram que o paciente realmente deveria ter saído de seu corpo, porque de outra forma não poderia descrever as cenas reais da sala de operações e outras coisas. Coincidência ou profecia, não pode haver outra explicação realista concluiu.



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Pior da História: prefeito tucano que desviava dinheiro do pré-sal limpava o equivalente a 30% dos cofres do município governado por ele!


Rica promessa


Janio de Freitas

Se respeitadas as proporções, "a maior corrupção da história" nem acabou de ser apurada na Lava Jato, mas seu título já passou da gigante Petrobras para o minúsculo município fluminense de Itaguaí. Seu prefeito de apenas 32 anos, Luciano Mota, montou um bando que desviou POR MÊS, pelo apurado até agora, entre R$ 10 milhões e R$ 30 milhões da prefeitura, cuja arrecadação mensal média é de R$ 90 milhões. [ GRIFO DESTE BLOG ] Os desvios incidiram sobretudo nos repasses do governo federal, por participação no pré-sal  [ IDEM ] e para o SUS.

Vou falar baixinho, para o senador Aécio Neves não ouvir: Luciano Mota foi até agora um dos jovens políticos promissores, com outros integrantes da quadrilha, do PSDB.


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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Lava Jato e #TREMSALÃO: obras públicas em São Paulo turbinaram caixa tucano. E nome de José Serra aparece em planilha.


Planilha de construtora investigada na operação Lava Jato indica repasses ao PSDB e ao senador eleito José Serra

15/12/2014

Planilhas apreendidas pela Polícia Federal demonstram que a construtora Queiroz Galvão, empresa investigada pela Operação Lava Jato, vinculava doações ao PSDB e a candidatos tucanos a contratos de obras públicas. Segundo reportagem do jornal “Folha de S. Paulo”, publicada neste domingo (15), a empreiteira doou R$ 3,7 milhões ao diretório nacional do partido.

O documento em poder da PF indica um cálculo de doações que contém o recebimento de pagamentos pela construtora por obras como o Veículo Leve sobre Trilhos da Baixada Santista, o Contorno de São Sebastião e o Consórcio Monotrilho Leste. A planilha ainda faz referência ao senador eleito pelo PSDB, José Serra (SP).

O diretório estadual do PSDB, em nota, tentou desqualificar os documentos apreendidos que citam seus correligionários.

Para os tucanos, a descoberta da PF é “uma ginástica de blogs sujos pagos pelo governo federal para tirar o foco das investigações que desnudam a gestão petista na Petrobras”, apesar da matéria ser publicada pelo diário paulista.

A estratégia de tergiversar quando as acusações são contra seus parceiros foi repetida por Geraldo Alckmin.

Trensalão - O governador de São Paulo voltou a repetir a ladainha em que coloca o governo estadual como vítima de um “suposto cartel” no Trensalão, escândalo nas licitações nas companhias de trens e metrôs paulistas. Ele ignora o envolvimento de agentes públicos indicados pelo partido. “São Paulo não tem nada, nada comprovado, há uma suspeita de cartel onde o governo é vítima”, disse.

Por conta do escândalo do Trensalão, a Polícia Federal indiciou 33 pessoas e a Justiça Federal determinou, na última sexta, o bloqueio de R$ 614,3 milhões de empresas envolvidas no esquema que operou entre 1998 e 2008, nas gestões tucanas de Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin.

Entre os indiciados está o atual presidente da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), Mário Manuel Bandeira, mantido no cargo e defendido por Alckmin.

“O doutor Mário Manuel Bandeira entrou no Metrô em 1973. Ele tem 41 anos de serviço público como metroviário. Tenho uma impressão positiva”, afirmou o governador, durante uma inauguração em Diadema (SP), no último dia 6.

Outro inquérito em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF) investiga os deputados Rodrigo Garcia (DEM) e José Aníbal (PSDB) por possíveis irregularidades na contratação de obras do metrô paulista.


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domingo, 14 de dezembro de 2014

Collor acusa @VEJA de se "unir a grupelhos do crime"



Senador Fernando Collor (PTB-AL) volta a negar qualquer envolvimento com o esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato; em nota, ele bate duro em Veja por tentar vinculá-lo ao caso; ex-presidente diz que a revista "persiste na difamação pessoal como único mote de sua linha política"; para Collor, principal publicação da editora Abril ainda está "inconformada" com a perda judicial de R$ 1,4 milhão para ele; "mais recente matéria deste pasquim semanal tenta novamente vincular-me à Operação Lava-Jato da PF. Omite, contudo, despacho do próprio juiz Sérgio Moro que há meses fez questão de afirmar, categórica e oficialmente, que meu nome não é objeto daquela investigação", informa

247 - O senador Fernando Collor (PTB-AL) rebateu duramente, através de nota, reportagem da revista Veja, por tentar vinculá-lo à Operação Lava-Jato. Em nota, Collor afirma que o juiz Sérgio Moro, através de despacho, afirmou que ele não é objeto da investigação.

"A reportagem da revista trata-se de mais uma vã tentativa da devedora Veja de me juntar ao produto miasmático de sua própria acepção jornalística. Para tanto, insiste em se utilizar do velho ensinamento de Goebbels, o propagandista nazista – e inspirador-mor da revista – que afirmava que "de tanto repetir uma mentira, ela acaba se transformando em verdade"", afirma o senador em nota.

Nota abaixo na íntegra:

Collor repudia a Veja e rechaça vínculo com esquema criminoso

A revista Veja persiste na difamação pessoal como único mote de sua linha política. Ainda inconformada com a perda judicial que me tornou credor de uma indenização de mais de 1 milhão e 400 mil reais – dos quais, diga-se, ainda me deve cerca de 300 mil –, a mais recente matéria deste pasquim semanal (edição 2404, nº 51) tenta novamente vincular-me à Operação Lava-Jato da Polícia Federal. Omite, contudo, despacho do próprio juiz Sérgio Moro que há meses fez questão de afirmar, categórica e oficialmente, que meu nome não é objeto daquela investigação.
Desta feita, o gibi menciona suposto recebimento de 50 mil reais em dinheiro das mãos de um tal de Rafael Ângulo Lopez. Como já me referi em relação a Alberto Yousseff e a Paulo Roberto Costa, afirmo que também não conheço esse cidadão e jamais mantive com ele qualquer tipo de contato ou relação.

Trata-se de mais uma vã tentativa da devedora Veja de me juntar ao produto miasmático de sua própria acepção jornalística. Para tanto, insiste em se utilizar do velho ensinamento de Goebbels, o propagandista nazista – e inspirador-mor da revista – que afirmava que "de tanto repetir uma mentira, ela acaba se transformando em verdade."

Não bastasse a repetição do manjado, dissimulado e impudente modus operandi da matéria, repete-se a denúncia desabonadora. Repete-se o nefando rabiscador travestido de jornalista. Repete-se até mesmo o valor do repasse, o que só vem a reforçar a suspeição já levantada de uma armação maldosamente preconcebida. No intróito, a reportagem insinua Maceió, mas no conteúdo cita São Paulo. Evoca um esquema de propina, mas não interliga os supostos fatos, sequer temporalmente. Assume a superficialidade da estória pela omissão comprobatória, mas adota detalhes com temperos jornalísticos na mera tentativa de passar alguma credibilidade. Tudo perda de tempo.

Repudio a versão da matéria, absolutamente vazia e desprovida de qualquer veracidade de minha ligação com o esquema criminoso que se abateu na Petrobras. De nada adianta à Veja se unir profissionalmente a uns e outros grupelhos do crime. Antes mesmo de quitar suas dívidas pendentes, sua editora terá de engolir, em domicílio, novas tundas de ações judiciais delivery por calúnia e difamação.
Brasília, 14 de dezembro de 2014.

Fernando Collor

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O PSDB virou um partido golpista?




Se a direção histórica e nacional do PSDB se move contra a democracia, que a democracia brasileira se ponha em movimento contra o PSDB.

Se for correto o juízo que se expõe e se documenta neste artigo, estamos diante do maior desafio posto à democracia brasileira desde que se completou a transição da ditadura militar através da aprovação da Constituição de 1988. A passagem do PSDB de um partido que busca a maioria nas urnas para um partido golpista mexe com o centro do sistema partidário brasileiro, pelas forças que representa, organiza e mobiliza. É diverso do impeachment de Collor, que foi desde sempre um outsider do sistema partidário que estruturava a democracia brasileira.

É exatamente pela gravidade deste juízo, que o autor deste artigo adiou por vezes a sua escrita. Mas já não é mais possível evitá-lo, contorná-lo ou mesmo adiá-lo. Pelo contrário, é preciso que este juízo se torne consciência prática para as forças políticas da democracia brasileira que são capazes, temos a certeza, de evitar o golpe.

É preciso, em primeiro lugar, qualificar o juízo. Embora tenham partilhado atos e manifestações públicas com setores (inclusive do próprio PSDB mas não representativas das posições do partido) que defendem abertamente um golpe militar, as principais lideranças do PSDB já reiteraram seguidas vezes, em tom inequívoco e enfático, que não defendem tal solução. Mas que tenha sido necessário que tenham vindo a público desmentir tal hipótese é um sintoma que denuncia o caminho alternativo proposto para o golpe.

Este caminho seria o de criar um clima público de afirmação político-midiática da ilegitimidade do segundo governo Dilma, possibilitando uma manobra judicial de contestação da sua legalidade através de setores da Polícia Federal e do Judiciário que são claramente instrumentalizados pela direção nacional do PSDB.

Em segundo lugar, seria necessário afirmar que esta diretiva golpista que parece claramente dominante na direção nacional do PSDB, expressa por sua maior liderança histórica (FHC) e apoiada por suas mais expressivas lideranças nacionais, Aécio e Serra, não parece ainda coesionar a maior liderança pública eleita pelo PSDB em 2014, o governador reeleito de São Paulo, Alckmin. Mas nada impede que ela mesma, no momento oportuno, caminhe na mesma direção.

Em terceiro lugar, este juízo identifica uma vontade estratégica em ação do PSDB que não formou ainda as condições de sua viabilização. Entre esta vontade estratégica e seu objetivo de desestabilização de um governo democrático há ainda muitos e profundos obstáculos – de legitimidade pública, de cooptação instrumental, de superação de hesitações em relação a um pedido de impeachment – a serem cumpridos. Mas, em um plano estratégico como o que vem sendo claramente construído, a superação destes obstáculos pode procurar se acelerar e se concentrar em uma conjuntura artificialmente criada. 

A retórica do golpe

Se Aécio é quem teatraliza a cena do golpe, é preciso entender que a peça vem sendo escrita por Fernando Henrique Cardoso. Até o seu juízo mais agressivo – o de caracterizar o PT como uma organização criminosa – não é propriamente seu, mas de FHC. Este vem caracterizando desde 2005 o governo nacional do PT como “neo-patrimonialista”, isto é, que faz apropriação ilegal e ilegítima de recursos do Estado brasileiro. Ou na linguagem criminalística que se tornou jurisprudência no mal chamado “ mensalão”, os dirigentes do PT chefiariam uma “organização criminosa”. E se Aécio e Serra falam hoje a mesma linguagem política, é porque eles estão sob uma liderança comum.

No princípio de 2005, o cientista político mais longevo e perceptivo dos rumos da democracia brasileira, Wanderley Guilherme dos Santos, anotou em sua análise de conjuntura que FHC mudara de tom, estava então falando a “linguagem dos jagunços”, que era necessário “sangrar até a morte” o governo Lula. Logo depois, viria a crise do mal chamado “mensalão”. Agora, em plena conjuntura do mal chamado “petrolão”, seria necessário registrar a irrupção da nova retórica golpista.

Esta retórica golpista passa por três movimentos coerentes. O primeiro deles é o de afirmar a ilegitimidade do segundo governo Dilma , a sua “quase ilegitimidade”, a sua “discutível legitimidade”. Dilma teria sido eleita por uma reduzida margem de votos, o seu voto vem dos “setores menos dinâmicos do país e que mais dependem do governo”, “metade do país” não votou nela, como escreve FHC em O Estado de S. Paulo, de 7 de dezembro. Esta mesma retórica, aliás, de um país dividido aparece sintomaticamente na fala do juiz Moro em seu anúncio dos primeiros resultados da Operação Lava Jato, no dia 14 de novembro: 

"As chamadas provenientes de duas das principais autoridades do país, localizadas em campos políticos opostos, confirmam a necessidade de resposta institucional imediata para interromper o ciclo delitivo descoberto pelas investigações criminais tornando inevitável o remédio amargo, isto é, a prisão preventiva”.

Ora, dr. Moro: seria correto dizer, ao invés, que existe uma presidente do país, a maior autoridade, a presidente em exercício e reeleita, e um senador, líder da minoria no Senado e que foi derrotado nas eleições!

O segundo movimento é o de acenar com um cenário provável de ingovernabilidade política, no qual se justificaria o recurso à judicialização, isto é, à resolução da ingovernabilidade por uma decisão técnica do Judiciário. Esta alternativa é três vezes referida no discurso pronunciado por FHC no dia 26 de novembro na Academia Brasileira de Letras: Dilma pode “enfrentar um tremendo problema político” e até a “judicialização de decisões importantes porque não tem condições efetivas de hegemonia no Congresso”; “se a situação social e econômica se agravar, é possível que a saída seja a judicialização das decisões”; “dada a situação política e o constrangimento para mudar esta situação, não é de estranhar-se que no Brasil a solução para o imbróglio político não venha a partir do sistema político mas do sistema judicial”. O artigo já citado em O Estado de S. Paulo, do dia 7 de dezembro, conclui-se no mesmo tom: “Tomara não sejam os juízes os únicos a purgar nossos males, como ocorreu na Itália, até porque no exemplo citado o resultado posterior, a eleição de um demagogo como Berlusconi, não foi promissor.”

O terceiro movimento desta retórica golpista é o de prescrever uma linha agressiva, frontal, no limite sempre da produção da deslegitimação e da ingovernabilidade para a atuação das oposições. No artigo de O Estado de S. Paulo, FHC chama a oposição às falas; ”O “petrolão” será uma ventania ou um tufão a derrubar as muralhas do governo e da “base aliada”? E a oposição, ela se oporá ou embarcará no tecnicismo e na boa vontade à espera que o “mercado” sobretudo o financeiro, se acalme e tudo volte à moda antiga!” Entenda-se: “ a moda antiga” é a existência de um governo democrático e uma oposição que trabalha para ser vitoriosa em outro turno eleitoral. Aécio entendeu o recado; diz que não está disposto a recuar um milímetro do seu novo personagem selvagem de oposição. E é Serra quem diz, no ato pelo impeachment de Dilma realizado em São Paulo no dia 6 de dezembro: “Nossa luta será longa, não é coisa de uma semana, de um mês, mas irá adiante...” Isto é, não se trata mais de anos, de disputar em 2018?

Então, vale tudo: quatro dias após as eleições, o PSDB pediu, através do seu Coordenador Jurídico Nacional, Carlos Sampaio, uma “auditoria especial” do resultado das eleições presidenciais; depois, encaminhou ao STF um pedido de suspensão da tramitação do PLN 36, que alterava legalmente o superávit primário, ao mesmo tempo em que Aécio pronunciava-se publicamente pela impugnação da presidente Dilma por crime de responsabilidade; enquanto isso, o PSDB promovia atos de violência no Congresso Nacional para impedir a votação da emenda na qual sabia ser minoritário. No dia 29 de novembro, o PSDB requereu a rejeição das contas da campanha de Dilma, o que poderia levar à cassação da presidente eleita por abuso de poder econômico. O Ministério Público Eleitoral recomendou, no entanto, a rejeição do requerimento do PSDB.

A estratégia do golpe

“A melhor maneira de acabar com a corrupção no Brasil é tirar o PT do governo”: a fórmula propagandística simples expressou a principal intervenção de Aécio no último debate televisivo do segundo turno das eleições, na Rede Globo. Ela servia tanto para vencer as eleições ( como esperava a direção nacional do PSDB) como pode servir hoje para derrubar um governo democraticamente eleito.

Hoje, não pode haver uma alma tão ingênua no Brasil que possa acreditar ser mera coincidência a deflagração da operação de combate à corrupção na Petrobrás com o calendário eleitoral de 2014, em seus momentos mais decisivos. São tantas as correlações entre esta operação da Polícia Federal e a inteligência estratégica do PSDB que a negação desta hipótese, com o que já se conhece, soaria absurda.

A começar pela estranha leniência ou aprazamento ou adiamento ou prescrição de prazo de imputabilidade para um sem número de escândalos de corrupção, com denúncias fartamente documentadas, que atingiriam lideranças do PSDB? Mas, suponhamos por um momento, que foi mera e extraordinária coincidência que o calendário técnico das investigações de corrupção na Petrobrás pela PF do Paraná tenha coincidido exatamente com as eleições de 2014.

Como interpretar, então, a calúnia estampada por Veja às vésperas do segundo turno, acusando através de um suposto depoimento de Youssef Dilma e Lula de saberem da corrupção que se praticava na Petrobrás? A antecipação da saída da revista para quinta-feira, com prazo maior para incidir nas tendências de voto, sincronizou-se com o ato público convocado na rede para quarta-feira à noite por FHC e Aécio para “livrar o Brasil da sujeira da corrupção”. Já foi documentado que quem espalhou o boato da morte de Youssef foi o líder do PSDB na Assembléia Legislativa do Paraná, assim como o PSDB fez ampla panfletagem da revista até o dia das eleições, mesmo após a sua condenação pelo TSE.

Logo em seguida tomou-se conhecimento que o coordenador das ações da Polícia Federal na Operação Lava Jato, assim como vários dos agentes de direção envolvidos, não só são apoiadores do PSDB, como estampavam na internet termos ofensivos ao ex-presidente Lula e à presidente Dilma, como apoiavam entusiasmadamente Aécio para presidente. Agora, se sabe também que a mulher do juiz Moro é assessora do vice-governador do Paraná, do PSDB. E que o advogado de Youssef ocupou também cargo importante no governo do PSDB no estado!

O que foi um crime eleitoral gravíssimo - o vazamento de informações de depoimentos de autos de delação sob segredo de justiça – passou a ser o cotidiano do processo de investigação. Mas sempre ou quase sempre, seletivamente, atingindo lideranças do PT, como o senador Humberto Costa, a ex-ministra Gleisi Hoffmann e agora o tesoureiro do PT, João Vaccari. E sempre para os mesmos jornais ou revistas que fazem oposição sistemática e difamatória ao governo Dilma.

E, para concluir, por um procedimento extraordinário do presidente do TSE, Tóffoli, o mais tucano dos membros do STF, Gilmar Mendes, é sorteado, por duas vezes, para ser o relator das contas de campanha da presidente Dilma. Na semana que antecede o seu “imparcial” juízo sobre a legalidade destas contas, a mídia tucana converge para a notícia, artificialmente formulada de que a propina de um empresário à Petrobrás teria se dirigido à campanha de Dilma, através de uma “doação legal de recursos” à tesouraria do PT.

As correlações entre o PSDB e este processo de investigação são tantas e tão fartas e tão documentadas que não é possível evitar o juízo: a “judicialização” da crise de legitimidade do recém eleito governo Dilma, como prescreve FHC, está em curso por uma escandalosa instrumentalização partidária dos órgãos que deveriam mais zelar pelos critérios republicanos de Estado.

A estratégia do PSDB certamente aguarda o juízo de Gilmar Mendes sobre as contas da campanha de Dilma ou a divulgação dos nomes dos políticos denunciados como envolvidos na corrupção da Petrobrás para entrar em um tempo de convergência e catalização.

Um PSDB golpista?

A transformação do PSDB de um partido de oposição neoliberal radical em um partido golpista significa uma mudança de qualidade mais do que um mero aprofundamento de uma dinâmica e só pode ser entendida em uma perspectiva histórica.

De novo, coube a Wanderley Guilherme dos Santos já nos anos noventa flagrar uma tendência programática contra-majoritária do PSDB em suas propostas de “reforma política”. A derrubada da obrigatoriedade do voto nas eleições, a adoção do distrital ao invés do sistema representativo, a recusa ao veto ao financiamento empresarial das campanhas eleitorais, a adoção de cláusulas de barreira altas em nome da governabilidade, a defesa da judicialização da política apontavam para um padrão de democracia tipificada pelo padrão norte-americano. Neste, o princípio da vontade das maiorias é sucessivamente “quebrado”: votam menos de 50 % para presidente, menos de 40 % para o Congresso Nacional, menos de 30 % para governos estaduais. A eleição dos representantes é distrital, o financiamento empresarial cada vez maior e incontrolado, o pluralismo restrito, a judicialização cada vez maior.

Sem ter força parlamentar para imprimir a direção de uma reforma política nos anos FHC, o PSDB viu-se na oposição nacional desde 2002. Ao que tudo indica, desde a conjuntura de 2005 passou a operar instrumentalmente com o aparelho judicial e policial do Estado para interferir de forma decisiva na dinâmica da disputa nacional majoritária do voto, sempre com a cobertura política-midiática das principais empresas de comunicação do país.

Ao que tudo indica, esta opção culminou na estratégia do segundo turno de 2014 que foi, de fato, preparada claramente desde 2011. Tratava-se, diante da falta de popularidade de um programa claramente neoliberal, de relegitimar a presença do PSDB através do uso concentrado do anti-petismo, formulando o que Aécio chamou já em 2011 de “mutirão das oposições”: um pluralismo alargado de candidatura de oposições no primeiro turno deveria convergir para a candidatura de Aécio em um segundo turno. Esta estratégia, como já se demonstrou, baseava-se numa radicalização e internacionalização do programa neoliberal do PSDB e na criação, através de um esforço midiático ampliado, do anti-petismo em todas as esferas da vida social, disseminando preconceitos e intolerâncias.

Diante da quarta derrota eleitoral nacional em 2014 e com a dramática diminuição do horizonte das possibilidades de vitória em 2018 – com as possibilidades abertas ao governo Dilma e uma possível candidatura Lula - , o PSDB, então, parece aprofundar qualitativamente agora a sua identidade liberal-conservadora. Já atua em frente com setores que devem ser publicamente nomeados como proto-fascistas ou de ultra-direita, repetindo aqui um fenômeno hoje político-cultural cosmopolita muito frequente no liberalismo conservador norte-americano e europeu.

Para esta identidade política liberal-conservadora, a judicialização instrumental da democracia é um recurso legítimo. Em junho de 2012, em entrevista em Washington, FHC julgou legítimo o impeachment do presidente Lugo do Paraguai, ao contrário do juízo das principais lideranças do Mercosul. O golpe sequer “arranhou a Constituição do país”, segundo ele. O fato do impeachment ter se realizado em 30 horas, com apenas 4 horas para a preparação da defesa do mandato do presidente eleito, deveria para FHC ser julgado pela Justiça do Paraguai ( favorável ao golpe).

A democracia contra o PSDB

Se este juízo está correto – o de que a direção histórica e nacional do PSDB está mudando a sua identidade e estratégia, passando de uma “guerra de posição” a uma “guerra de movimento” - , deveriam ser evitados dois erros simétricos.

O primeiro deles seria a estratégia do “esfriamento”, isto é, supor que apenas um trabalho de mediação e interlocução institucional seja suficiente para retornar à normalidade governo/ oposição. Há uma vontade de desestabilização estratégica em curso que está forçando os seus espaços de legitimação para além da institucionalidade democrática e constitucional e que não será paralisada ou isolada por procedimentos ou acordos. 

O segundo erro seria o de adotar uma estratégia de confrontação apenas confinada a uma polaridade governo/oposição, “pobres” versus “ricos, ou de corte classista, ou que tenda a reproduzir meramente as polaridades ideológicas esquerda/direita. Estas dimensões precisam ser conduzidas a uma dimensão agora hegemônica. O governo eleito representa as forças da maioria democrática e se pretende tornar-se hegemônico, ser capaz de definir a agenda, produzir governabilidade política e econômica, aprofundar o sentido republicano e democrática da experiência de transformação do país.

Se a direção histórica e nacional do PSDB se move contra a democracia, que a democracia brasileira – com a sua consciência acumulada, suas lideranças e suas bases políticas e sociais - se ponha em movimento contra o PSDB. Que este partido seja isolado e tenha sua legitimidade derrotada ao ponto de perder totalmente a sua capacidade de desestabilização da democracia brasileira.

Isto pode ser construído com dois movimentos simultâneos: um, que retire base de legitimação econômica e política institucional para o movimento de desestabilização do PSDB através da interlocução e pactação e outro que ponha em movimento público a base política e social majoritária que reelegeu a presidente Dilma. O que os une é a defesa republicana da democracia brasileira e do programa eleito em 2014. Se o governo Dilma é o principal protagonista do primeiro movimento – que se confunde com a instalação de novas bases de sua governabilidade -, o PT eos movimentos sociais devem ser os principais protagonistas do segundo movimento, que retoma as ruas, as redes e a comunicação pública para a agenda das mudanças vitoriosas em 2014.

Não deixa de ser impressionante que a pesquisa Datafolha, publicada neste 7 de dezembro, traga Dilma com 42 % de aprovação ótimo/bom, 46 % de opinião de que o seu governo é o que mais combate à corrupção ( contra apenas 4 % de FHC) e que, apesar de um mês de um bombardeio diário de notícias negativas e distorcidas, apenas 43 % julguem que a presidenta tenha muita responsabilidade sobre a corrupção na Petrobrás. E que 50 % tenham uma expectativa de que ela tenha um desempenho “ótimo/bom” antes da posse. Apenas 21 % têm uma expectativa “péssimo/ruim”.

As cerimônias públicas de posse de Dilma Roussef em seu segundo mandato deveriam ser já vistas como a expressão possível e articulada destes dois movimentos combinados, na institucionalidade, na comunicação pública e na sociedade democrática brasileira. É preciso e é claramente possível construir desde já a saída do cenário da desestabilização potencial e iniciar um novo e promissor ciclo de esperanças políticas na transformação do Brasil. 


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