sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Xiii, Carlinhos de Tocqueville: Taxa real de desemprego nos EUA atinge os 23,2%



Manobras estatísticas escondem mais de 18% da totalidade dos trabalhadores desempregados

O verdadeiro índice de desemprego norte-americano está em 23,2%, de acordo com levantamento do economista John Williams, publicado em seu site Shadow Government Statistics.

Seu trabalho põe em cheque os números oficiais divulgados pelo governo norte-americano.

Primeiramente o número divulgado oficialmente é o obtido pela tabela U3 – do BLS, Bureau of Labour Statistics - e esta taxa seria de 7%. Esta tabela exclui do número dos desempregados aqueles que estão há mais de quatro semanas sem procurar emprego e os que estão ocupados em serviços temporários e em horários parciais (ou seja, os que fazem bicos estariam, na tabela U3, empregados).

Aproxima-se um pouco mais da realidade a tabela U6 do mesmo BLS, que trata como desempregados os que estão a mais de 4 semanas sem buscar emprego e os que fazem bico e este número já é quase o dobro do divulgado pelo governo e a mídia corporativa que reproduz as suas manipulações: chega a 13,2%.

Mas essa tabela deixa de fora os que desistiram de buscar serviço há mais de um ano (os chamados desempregados de longo prazo, fenômeno que se amplia muito nos períodos de estagnação prolongada como aquele em que os EUA vegeta desde 2008). Ao incluir este setor é que o estadista John Williams chega aos 23,2% reais.

Segundo a mesma análise, a taxa de trabalhadores desempregados a longo termo aumentou (o que corresponde à grave recessão que o país vive). Devido a isso, a participação dos trabalhadores na força de trabalho (os trabalhadores em atividade) que era de 66% em dezembro de 2007, foi para 63% em novembro de 2013.

Além de fazer referência a estes elementos de análise, o economista Paul Craig Roberts, que foi subsecretário do Tesouro na gestão de Ronald Reagan, em seu artigo "Mais Estatísticas Oficiais de Emprego Enganosas" destaca outros elementos para questionar a propalada ‘retomada’ da economia dos EUA.

Ele mostra que mesmo a ligeira redução oficial no desemprego: de 7,3% para 7,0% é matemáticamente impossível.

Para fazer essa diminuição no desemprego os estatísticas do governo dizem que a economia dos EUA criou 203.000 empregos em novembro.

Mas, destaca Roberts, "se são necessários 130.000 novos empregos a cada mês apenas para manter a mesma taxa de desemprego diante do crescimento populacional e a consequente chegada de novos trabalhadores ao mercado, cerca de 70 mil dos mesmos empregos é que reduziriam a taxa de desemprego".

Com este número de empregos oferecidos não seria possível uma queda de 7,3% para 7% na taxa de desemprego oficial.

A falha reside – como aponta o economista – no fato de que "a taxa de desemprego é calculada com base na pesquisa a domicílio e não através das folhas de empregados das empresas". Ou seja, "não há relação estatística entre o número de empregos ofertados pelas empresas e a mudança na taxa de desemprego". Quer dizer, mesmo que o número de vagas aumente pouco, o número de desempregados pode diminuir em proporção maior.

As distorções ocorrem das formas mais diversas. Por exemplo: uma pessoa que tem dois empregos parciais (dois bicos) é computada pela análise das folhas como duas pessoas empregadas, enquanto que na pesquisa domiciliar é uma pessoa com dois empregos.

Outro exemplo são os trabalhadores em férias coletivas. Na pesquisa por amostragem domiciliar, estes são considerados desempregados e com base na folha, estão empregados.

Além destas distorções que subestimam os desempregados e superestimam as vagas, há outras formas de esconder não só o desemprego, mas as pesquisas fazem as taxas melhorarem quando houve uma piora. Por exemplo: a taxa de desemprego pode declinar por que houve um aumento no número de trabalhadores desencorajados a buscar emprego (estes continuariam desempregados mas não estatisticamente).

O que revela ainda mais o atoleiro em que se encontra a economia norte-americana é a colocação dos tais 203 mil novos empregos. De acordo com o próprio birô do trabalho do governo dos EUA (BLS), os empregos novos são, quase na totalidade, os de baixos salários, temporários e que não geram produtos comerciáveis (quer dizer são na área mais elementar dos serviços).

Dos 17 mil novos empregos na construção civil, menos de 5 mil são na construção propriamente dita, os outros 12 mil são trabalhadores parciais em reparos e manutenção.

Na indústria o crescimento é ridículo. Para uma população norte-americana de 300 milhões e uma força de trabalho que está em torno de 155 milhões, tivemos um ganho de 600 empregos na indústria de produtos de madeira. 300 empregos na de máquinas; 600 empregos na indústria de equipamentos elétricos e 500 na indústria de computadores e eletrônica em conjunto. Para citar alguns ganhos.

Cerca de 150 mil empregos agregados foram para os baixos salários, na maioria de empregados domésticos e afins. Acompanhantes em casa, 11.800 empregos; garçons, cerca de 18 mil.

Na verdade, de acordo com o BLS, há 1.277.000 menos empregos em folha em novembro de 2012, do que havia em dezembro de 2007.

"Esta é a supereconomia norte-americana", destaca Roberts.

Simplesmente não há retomada da economia com 23,2% de desemprego. Mas, como diz o economista, os preços das ações e dos títulos seguem subindo. E por que? "A resposta é simples: o Fed está imprimindo US$ 1 trilhão a cada ano e este dinheiro recém-criado vai para os mercados de ações e títulos, transportando-os a níveis altos, a bolhas". De novo?

A outra estimativa apresentada é de que a economia está se expandindo à razão de 3,6% ao ano (os 0,9% do terceiro trimestre anualizados). "Retomada da economia requer um crescimento da renda média das famílias ou pelo menos um aumento da dívida dos consumidores, e não há sinal de nenhum dos casos".

A renda média das famílias caiu 8,6% de 2007 a 2012 e a renda real per capita nos EUA caiu 7,5% no mesmo período.

"Não vi nenhuma explicação do establishment de como pode ocorrer uma retomada sem crescimento real do poder de compra", questiona Roberts.

Como pode haver crescimento, ainda que pequeno, nestas condições? O economista John Williams aponta para outras manipulações estatísticas possíveis, entre elas distorções na inflação e no valor do PIB nominal. ( HORA DO POVO )


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