quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Olha essa, Carlinhos de Tocqueville: EUA: funcionários do grupo Walmart completam salário vendendo sangue


Anthony Goytia, que recebe de salário no Walmart o equivalente à metade da linha de pobreza nos EUA, revelou que teve de “vender sangue” e apelar para o sopão para subsistir.


1500 protestos nos EUA contra os salários de fome do Walmart

Quase dois terços dos 1,4 milhão de empregados do Walmart recebem salário que os deixa praticamente abaixo da linha de pobreza nos EUA, U$ 22.000 anuais e tendo de apelar para o sopão

Os trabalhadores do Walmart nos EUA realizaram, em paralelo à principal data de liquidações do país, a “Black Friday” no dia seguinte ao feriado de Ação de Graças, cerca de 1500 protestos, em 46 estados, para denunciar os salários de fome, reivindicar a readmissão dos demitidos pela participação nos atos do ano passado e repudiar a proibição de sindicalização. Nas manifestações, 111 pessoas foram presas – até mesmo um que estava vestido de Papai Noel.

Quase dois terços dos 1,4 milhão de empregados do Walmart recebem salário que os deixa praticamente abaixo da linha de pobreza nos EUA, U$ 22.000 anuais, e muitos precisam apelar para os cupões de ajuda alimentar fornecidos pelo governo, uma espécie de sopão, e há até quem venda sangue para conseguir chegar ao fim do mês. Como o caso de Anthony Goytia, registrado pelo “Huffington Post”, funcionário em tempo parcial de uma das 4.601 lojas da Walmart, que vai receber no total este ano US$ 12.000. Ele disse que já foi tão longe quanto “vender sangue e se prestar a experimentos hospitalares” para subsistir. “Eu ganho tão pouco que sou forçado a pegar empréstimo com agiotas para pagar o aluguel”, confessou, acrescentando que “ninguém que trabalha no maior empregador privado do mundo deveria depender de cupões-alimentação”.

Apesar da corrida às lojas, houve uma queda de 13,2% (para US$ 9,74 bilhões) nas vendas da “Black Friday” em comparação com mesma data do ano passado, que também já havia tido queda de 1,8%, conforme dados da “Shopper Trak”.

Nos últimos meses, o Walmart, que paga tão pouco quanto US$ 8,81 a hora, se viu no centro dos debates nos EUA pelo aumento do salário mínimo, que hoje está emperrado em US$ 7,25. Outro “associado” – é assim que a corporação chama aos trabalhadores a quem paga salários irrisórios – ouvido pelo “Huffington”, este um graduado com diploma universitário que só conseguiu emprego em supermercado, Hindman, relatou que depois que o Walmart cortou suas horas, sobra tão pouco após pagar a pensão à ex-esposa que frequentemente ele leva para casa – está morando com a mãe – “cerca de US$ 75 por um período de duas semanas”.

Outro empregado, Jamaad Reed, de Cincinatti, Ohio, lamentou-se: “Se eu recebesse US$ 25.000 por ano, não precisaria depender dos cupões-alimentação”. Rafael Moreno, que trabalha numa loja da rede em Miami há quatro anos, assinalou que “eu descanso nos dias que eles querem, eu não tenho horário fixo” e revelou que ganha US$ 13.000 anuais para trabalhar 40 horas por semana. Margaret Hooten, empregada em um supermercado do grupo na Califórnia, declarou “estar cansada de fazer o trabalho de quatro pessoas”. Há ainda casos de racismo explícito, como o que atingiu Misty Tanner, um negro, demitido depois de repelir comentário de um gerente, quando usou uma corda para puxar uma mercadoria, de que “se fosse eu, punha-te esta corda no pescoço”.

Há décadas o Walmart aplica uma política de veto à presença de sindicatos, o que só recentemente foi superado através da associação de trabalhadores OUR Walmart (Organização Unidos por Respeito na Walmart), cuja constituição foi possível graças ao apoio do movimento sindical, embora para subsistir em clima de tamanha perseguição não possa sequer se admitir como uma entidade sindical. Antes, o Walmart não hesitou em fechar lojas em punição a grevistas ou manifestantes, o que não conseguiu mais fazer. A OUR Walmart logrou realizar greves, manifestações e panfletagens, superando o clima de medo imposto pela rede. Tem recebido apoio também de parlamentares, religiosos e de artistas, como o ator Ashton Kutcher, que recentemente divulgou mensagem: “Walmart, sua margem de lucro é tão importante que você não pode pagar aos seus empregados o suficiente para que fiquem acima da linha de pobreza?”. O lucro do Walmart no ano passado foi de US$ 17 bilhões.

FAMÍLIA WALTON

A Campanha pela Mudança no Walmart também tem comparado os salários de miséria com a ostentação dos herdeiros Walton, os donos da rede de supermercados. Segundo a campanha, um trabalhador do Walmart precisaria de 7 milhões de anos, sem gastar nada, para amealhar tanta riqueza quanto a família Walton. 170.000 anos para juntar tanto dinheiro quanto os Walton recebem anualmente de dividendos. 1 ano para ter tanto dinheiro quanto a família Walton recebe de dividendos do Walmart a cada três minutos. Os herdeiros Walton detêm tanta riqueza quanto os 42% da população dos EUA combinada.

Além dos EUA, o Walmart opera em mais 14 países, e é conhecida por agir ainda pior que na matriz. Em Bangladesh, quando um desabamento matou 1200 trabalhadores em confecções que faziam roupas para a Walmart e outras corporações varejistas européias e norte-americanas, com salários de US$ 38 por mês, esta se recusou a participar do acordo global para melhorar minimamente as condições de trabalho e segurança. Também é conhecida por escândalos de suborno no México e na Índia. No Brasil, recentemente foi acionada pela Justiça do Trabalho e multada, por perseguição e coisas como obrigar os funcionários a cantar o “hino” da empresa e até a só ir ao banheiro com autorização. 



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