quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Imputar chacina com gás sarin a Assad foi ardil de Obama para justificar agressão contra a Síria



"No discurso sobre a Síria, em 10 de setembro, Obama colocou a culpa no ataque com gás sarin no subúrbio de Ghouta Leste sobre o governo de Assad", afirma o jornalista Seymour Hersh ( escreve na revista The New Yorker e que ficou famoso por revelar ao mundo o massacre de My Lai, pelos norte-americanos, no Vietnã ).

Hersh acrescenta que "ele também deixou claro que iria bancar seus alertas anteriores de que retaliaria se o governo sírio ‘cruzasse a linha vermelha’ [ que seria o uso de armas químicas ]".

Estas afirmações, e as que seguem, fazem parte da matéria de Hersh, publicada no site London Reviem of Books, sob o título de O sarin de quem? (Who’s sarin?)

Nas palavras de Obama no dia 10: "O governo de Assad matou através de exposição a gás mais de mil pessoas. Determinei depois de cuidadosa deliberação que é no interesse da segurança dos Estados Unidos responder ao uso de armas químicas pelo governo de Assad através de um ataque militar dirigido".

O ataque nunca aconteceu, mas aquele 10 de setembro foi o momento mais tenso por que passou a região atacada pelos mercenários sob treinamento da CIA e financiamento da dinastia saudita. A firme resposta do governo sírio e apoio decidido da Rússia evitaram esse terrível desfecho que pelos seus pretextos seria em muito similar aos ataques ao Vietnã (incidente do Golfo de Tonquim) e Iraque (história das armas de destruição em massa, jamais localizadas depois da invasão).

"Obama iria atacar sem saber ao certo quem fizera o ataque na manhã do 21 de agosto", afirma Hersh.

Seu porta-voz, McDonough, é citado pelo New York Times ao dizer: "Ninguém com quem tenho falado duvida das evidências de inteligência ligando Assad e seu regime aos ataques com sarin".

Mas Hersh dá detalhes de como toda a farsa não tinha o menor vestígio de veracidade. Cita "um funcionário da inteligência" que em e-mail a um colega "chamou as garantias asseguradas por Obama sobre as responsabilidades de Assad de ‘um ardil’". Na verdade, diz o funcionário, "o ataque não resultou do governo sírio".

Ele baseia-se em sua investigação para dizer que "o governo de Obama alterou as informações para permitir a ele e seus assessores dizer que dados colhidas dias após o ataque parecessem haver sido detectados no momento em que aconteciam".

Segundo Hersh os serviços secretos produzem um sumário confidencial todos os dias, o Morning Report. Nos de 20 a 22 de agosto não há nenhuma menção ao ataque ou manejo de gás sarin. "Foi somente a partir do dia 23 de agosto que o sarin tornou-se uma questão dominante". Isso, afirma o jornalista, "ainda que horas depois do ataque no Youtube e no Facebook as fotografias e vídeos sobre o assunto se multiplicassem". Quer dizer que, no dia 21, o governo sabia menos sobre o caso do que o público.

O Washington Post relata monitoramento, via satélite, de todos os movimentos do arsenal químico sírio através do denominado National Reconnaissance Office. "Mais importante ainda, os sensores têm a capacidade de informar quando ogivas estão sendo carregadas com gás sarin", diz o jornalista.

Mais adiante em seu discurso Obama fala que: "A inteligência americana sabia que a Síria estava preparando munições químicas três dias antes do ataque". Também o vice, John Kerry diz que os preparativos "ocorriam desde o 18 de agosto".

Setores do chamado Exército Livre Sírio (que não haviam entendido a manobra de imediato) reagiram. Um dos que chefiam os mercenários, Razan Zaitouneh, declara "é inacreditável que eles não alertaram as pessoas para tentar parar o regime antes do crime". Mas Hersh, citando sua fonte no serviço secreto destaca que não "pode haver tal alerta três dias antes por que todos envolvidos estariam mortos. Não se pode levar três dias preparando-se para atirar o gás", pois ele corrói os foguetes. É um sistema que tem que ser preparado e lançado imediatamente.

A outra face da mentira são os números de mortos reportados. O Daily Mail disse: "O informe da inteligência diz que os funcionários dos EUA sabiam três dias antes do ataque com gás que matou 1.400 pessoas, incluindo mais de 400 crianças". "Um grupo sírio de direitos humanos", segue Hersh, "informou de 502 mortes; os Médicos Sem Fronteiras colocou o número em 355 e um informe francês listou 281 fatalidades.

Já o Wall Street Journal disse que o informe no qual Obama se baseou "numa extrapolação da CIA que juntou mais de 100 vídeos do Youtube em um sistema de computador e buscou as imagens dos mortos" – ou seja – pura adivinhação.

Além disso, relato da ONU - também com base em vídeos do Youtube – fala em foguetes de calibre 330 mm. O NYT com base no informe disse que "a existência de foguetes provava na essência que o governo da Síria era o responsável pelo ataque uma vez ‘por que armas em questão nunca foram informadas de estar em posse da insurgência’". Mas, o professor Theodore Postol, de tecnologia e segurança nacional do MIT, revisou o informe da ONU, junto com alguns colegas, e concluiu que "o foguete era um munição improvisada que muito provavelmente seria fabricada no local" e, mais, que "os foguetes nas fotos não coincidem com as especificações dos foguetes reconhecidamente em mãos do exército sírio".

O NYT disse ainda que o "ângulo de descida do foguete mostra diretamente que foram disparados de uma base militar síria situada a nove quilômetros de distância". Postol, que serviu como assessor do chefe de operações navais do Pentágono simplesmente afirma que "as acepções do NYT não foram baseadas em observações reais". Ele e seu colega Richard M. Lloyd enviaram e-mail descrevendo o estudo mas que o NYT não o informou a seus leitores.

Por fim, o governo desconsiderou informações de sua própria espionagem sobre os grupos terroristas (especialmente o Jabhat Al Nusra) e seu potencial de acesso ao gás sarin.

A embaixadora dos EUA na ONU, em pose similar à de Collin Powell quando preparavam para atacar o Iraque, disse depois do dia 21 de agosto que: "É muito importante notar que apenas o regime Assad possui sarin e não temos evidência de que a oposição o possui".

Ele conclui que "ironicamente, agora que o governo sírio se dispõe a desmontar seu arsenal , o Al Nusra poderiam findar como a única facção com acesso ao gás. Ainda há muito que negociar". ( HORA DO POVO )


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