quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Sem Marx nem Keynes: alunos de Economia na Inglaterra protestam contra monopólio do ensino neoliberal nas escolas




Alunos de economia ingleses rebelam-se contra o monopólio do dogma neoliberal

Protestos estudantis na Inglaterra contra o ensino neoliberal nas escolas de economia vêm recebendo apoio de professores das mais destacadas universidades do país, como Cambridge e Leads. O jornal “Guardian” ressaltou a advertência feita em carta por acadêmicos de que “agora os estudantes de economia podem receber o diploma sem jamais haver visto as teorias de Keynes ou Marx, nem ter notícia da Grande Depressão”. Como os estudantes denunciam, os atuais currículos só preparam operativos para a especulação na City londrina e estão dominados por teorias de “livre mercado” que ignoram o que causou o crash de 2008 e só se preocupam com derivativos e a ganância desenfreada.

Conforme assinalou o jornal, “fartos de teorias de universos paralelos que pouco têm a dizer sobre o mundo em que estão interessados, estudantes da Universidade de Manchester criaram uma sociedade de estudo da economia pós-crash com 800 membros, exigindo um fim aos monolíticos cursos neoclássicos e a introdução de um currículo pluralista”. A campanha está se espalhando, já tendo atingido Essex, a London School o Economics e dezenas de outros campus, e vem repercutindo no exterior.

Em suma, os estudantes não aguentam mais a peroração neoliberal sobre “mercados perfeitos”, “estado mínimo”, “privatizações”, “competitividade”, “terceirização”, “desregulamentação”, “globalização”, “precificação de derivativos”, “volatilidade” e outras sandices que pavimentaram o caminho para o desastre de 2008. Nem a ocultação deliberada dos monopólios e do imperialismo. Como assinalou o premiado documentário “Inside Job”, acadêmicos dos EUA produziram centenas de artigos em apoio às operações especulativas de alto risco e ao consumo movido a débito. O mesmo sucedeu na Inglaterra, onde muitos economistas não passavam de propagandistas pagos da especulação dos bancos e fundos de hedge.

Segundo o porta-voz dos estudantes de Manchester, Joe Earle, a se manter a atual situação “o estudo de economia está em perigo de perder sua relevância”. Como ressaltou o professor Ha Joon Chang – um dos últimos economistas independentes sobreviventes na Cambridge de Keynes -, os neoliberais “têm quase uma mentalidade religiosa” em seus dogmas sobre o “mercado”.

Earle acrescentou que os estudantes na Inglaterra eram ensinados como se a economia neoliberal fosse “a única teoria” e que a maioria era levada a se manter afastada “da leitura e da redação de ensaios”, em prol de técnicas matemáticas voltadas à especulação. “Como conseqüência, os estudantes de economia nunca desenvolvem as faculdades necessárias para questionarem criticamente, avaliarem e compararem teorias econômicas”.

Apesar de gostarem de encher a boca para falar de “competitividade”, os economistas neoliberais não querem saber de competição alguma no terreno das ideias, com as universidades transformadas em desertos estéreis e com os não-neoliberais “sistematicamente expurgados”. “Qualquer outra profissão que tivesse se provado tão espetacularmente errada e causado tamanha devastação certamente estaria em desgraça”, conclui o “Guardian”, que não crê que os neoliberais “que dominam nossas universidades e aconselham governos e bancos possam estar repensando suas teoria e reconsiderando alternativas”. A.P.



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