sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Mulheres sauditas não podem conduzir para "proteger a sociedade do mal"



Um responsável religioso da Arábia Saudita afirmou que a proibição de conduzir para as mulheres destinava-se a "proteger a sociedade do mal", noticiou a imprensa saudita.

O xeque Abdel Aziz al-Cheikh pediu, durante uma conferência realizada na quarta-feira em Medina - cidade santa do oeste da Arábia Saudita - que "não se fizesse desta questão (autorizar as sauditas a conduzir) uma das principais preocupações da sociedade".

O "mufti", um académico a quem é reconhecida a capacidade de interpretar a lei islâmica (sharia), defendeu que "esta questão devia ser vista como uma necessidade para proteger a sociedade do mal", o que seria impossível caso as sauditas fossem autorizadas a conduzir.

Esta posição de um dos principais responsáveis religiosos sauditas reflete a hostilidade dos meios religiosos ao direito das sauditas de conduzir.

Militantes sauditas disseram, na quarta-feira, ter recebido garantias do ministro do Interior, príncipe Mohammed ben Nayet, que a questão do direito das mulheres a conduzir estava a ser estudada.

Aziza al-Youssef, que participou na campanha, a 26 de outubro, pelo direito das mulheres a conduzir, declarou à agência noticiosa francesa AFP ter estado na terça-feira com o ministro, juntamente com outra militante, Hala al-Dosari.

"O ministro disse que a questão do direito das mulheres a conduzir estava sobre a mesa e disse para esperarmos um resultado positivo", acrescentou, sobre o encontro que decorreu por videoconferência.

"A questão será resolvida pelas instâncias legislativas e nós somos uma instância executiva, disse-nos o príncipe Nayef", indicou Aziza al-Youssef.

As duas militantes afirmaram esperar "um decreto real que conceda o direito de conduzir", já que o rei Abdallah é o principal legislador e o Conselho da Choura tem uma função meramente consultiva.

Em outubro, três mulheres membros do Conselho da Choura depuseram uma recomendação para o fim da proibição de conduzir, sem êxito.

Militantes sauditas marcaram para 26 de outubro um movimento de desobediência, apelando às sauditas para conduzirem nesse dia. O apelo foi retirado, na sequência de várias advertências das autoridades, para evitar a possibilidade de confrontos.

Pelo menos 16 mulheres foram detidas ao volante a 26 de outubro e tiveram que pagar multas. Cada mulher e o respetivo tutor (pai, irmão, marido ou qualquer outro homem da família) foram obrigados a assinar um documento em que se comprometeram a respeitar as regras em vigor no reino.

A Arábia Saudita é regida por uma rigorosa aplicação da lei islâmica, e as mulheres precisam de autorização de um responsável masculino para viajar, trabalhar e casar.


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