quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Haddad: Investigação foi resposta ao descalabro que encontramos


Kassab esperneia por Haddad investigar o que ele engavetou 
Para ex-prefeito de SP, casos de corrupção em sua gestão são intocáveis 

O ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), acusou o atual prefeito, Fernando Haddad, de agir com “desonestidade” ao criticar a falta de investigação na gestão Kassab do esquema de pagamento de propinas por mega-construtoras a auditores da Prefeitura. O assalto é avaliado em cerca de R$ 500 milhões. Segundo Kassab, a investigação do caso não aconteceu porque sua gestão acabou e não porque ele mando arquivar o processo como ocorreu.

Para prefeito, não se pode desconsiderar a relação dos auditores com a gestão anterior. 

“A fraude no IPTU pode ser pior que a do ISS”, completou

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou que a instalação da Controladoria Geral do Município (CGM), que iniciou as investigações sobre o esquema de pagamento de propinas de mega-construtoras a auditores da Prefeitura para abatimento do ISS, foi uma resposta “do Executivo a uma situação de descalabro”. O esquema desviou uma quantia estimada em R$ 500 milhões.

Segundo Haddad, “quando você monta uma controladoria, ou ela é um órgão de controle ou não é. Não tem meio-termo. Porque, se 10% do que ouvi em 2012 sobre a prefeitura fosse verdade, já era o caso de montar uma controladoria”.

Ao ser questionado sobre as críticas à sua gestão, o ex-prefeito Gilberto Kassab, num tom raivoso, acusou Haddad de agir com “desonestidade” ao criticar a falta de investigação na gestão Kassab do esquema. Segundo ele, a investigação do caso não prosseguiu porque sua gestão acabou e não porque ele mandou arquivar o processo como ocorreu.

Kassab alega que as acusações de que ele teria conhecimento sobre o esquema são “tentativas sórdidas de manchar minha imagem” e que se retiraria da vida pública, caso fosse provado algum envolvimento.

O possível conhecimento de Kassab sobre o esquema de propinas foi revelado em telefonema gravado com autorização judicial onde Ronilson Bezerra Rodrigues, subsecretário da Receita Municipal na gestão de Gilberto Kassab (PSD), preso desde o último dia 30, afirmou que o ex-prefeito consentia com o esquema de propina.

O diálogo ocorreu no dia 18 de setembro entre Rodrigues e a auditora fiscal Paula Sayuri Nagamati, ex-chefe de gabinete do secretário de Finanças na gestão Kassab, Mauro Ricardo, nele Rodrigues afirma que Kassab e Mauro Ricardo, também secretário do ex-prefeito “tinham ciência de tudo”.

Em 28 de dezembro do ano passado, ao apagar das luzes da gestão Kassab, seu secretário de Finanças, Mauro Ricardo, que chefiou os fiscais acusados de causar prejuízo de até R$ 500 milhões à Prefeitura, mandou arquivar uma denúncia sobre o esquema.

O subsecretário da Receita Municipal de Kassab reclama com a auditora de uma publicação no Diário Oficial da capital paulista em que era intimado a prestar esclarecimentos à Controladoria Geral.

“É um absurdo, Paula. Tinha de chamar o secretário e o prefeito também, você não acha? Chama o secretário e o prefeito com quem eu trabalhei. Eles tinham ciência de tudo”, afirma Rodrigues.

Ronilson também foi flagrado em escutas discutindo sobre dinheiro e as consequências da investigação com os fiscais Luís Alexandre Magalhães, inicialmente preso, mas liberado depois de firmar acordo de delação premiada e Carlos Augusto Di Lallo Amaral.

Na gravação Luís Alexandre diz que “não tava nessa sozinho. Eu tenho todos – todos – os números de certificado. Eu não vou ser bode expiatório”; Ronilson em seguida afirma, “isso aí pra mim é uma ameaça”; Luís Alexandre rebate. “Não, é um aviso. Eu não vou sozinho nessa porra”. Ronilson diz que “não vai. Porque eu vou estar contigo”. Luís Alexandre enfatiza que “eu, o Lallo e o Barcellos não vamos pagar o pato nessa porra toda”; Nesse momento, Di Lallo entra na conversa e afirma que “não vai, não vai”; Ronilson então questiona Luís Alexandre. “Você não vai precisar me entregar. Sabe por quê?”, que responde, “eu levo a secretaria inteira. Vai todo mundo comigo. Eu te dei muito dinheiro. Te dei muito dinheiro”; Ronilson então diz “você sabe por que que você me deu dinheiro? Você sabe por quê? Porque eu te deixei lá” e por fim Luís Alexandre diz “Isso. Então tá todo mundo junto”.

Foi no apartamento do fiscal Luís Alexandre Magalhães que os investigadores descobriram o que chamam de “a prova mais importante, até agora”, contra os homens de confiança de Kassab em sua gestão. O Ministério Público confirmou que as vozes pertencem ao trio.

Segundo os promotores, a reunião aconteceu depois de março deste ano, assim que o grupo descobriu que a CGM investigava todos eles por suspeita de enriquecimento ilícito.

A conversa foi gravada pelo próprio Alexandre. Segundo ele, como forma de proteção. O fiscal acreditava que os companheiros de trabalho poderiam tentar colocar o crime inteiramente em sua conta quando as investigações avançassem.

INVESTIGAÇÕES

O conhecimento ou não de Kassab sobre o esquema de propinas ainda não foi discutido publicamente pela CGM ou pelo Ministério Público estadual. Mas, o fato é que foram cerca de R$ 500 milhões desviados (que também não tiveram seu paradeiro revelado) e outros nomes ainda serão revelados. Segundo o MP-SP, são ao menos 40 pessoas ainda estão sob investigação.

Durante a entrevista com Haddad, a seguinte pergunta é feita: “Num telefonema gravado, o chefe da máfia do ISS diz que o prefeito sabia de tudo. O sr. sabe quem é esse prefeito?”

“Olha... Não é possível desconsiderar que [Ronilson] ocupou um cargo da maior importância durante muito tempo na gestão anterior”, responde o prefeito.

Segundo Haddad, “existem evidências fortes de que esses fiscais também atuavam no cadastro do IPTU. A fraude no IPTU pode ser pior que a do ISS”. ( HORA DO POVO )


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