terça-feira, 19 de novembro de 2013

Auditor envolvido no esquema de propinas do ISS diz que faz parte do grupo de Kassab desde 2004



O auditor fiscal Ronilson Bezerra Rodrigues, preso desde o dia 30 de outubro, acusado de ser um dos principais articuladores do esquema de pagamento de propina por mega-construtoras e incorporadoras a auditores da Prefeitura, durante a gestão de Gilberto Kassab (PSD), para sonegar o Imposto Sobre Serviços (ISS), afirmou em uma conversa com dois acusados do esquema que passou a ser integrante do grupo político de Kassab nas eleições municipais de 2004.

Naquela eleição Kassab era o vice na chapa de José Serra (PSDB), que foi eleito e deixou o cargo, em 2006, para disputar o governo paulista e então Kassab assume a Prefeitura.

Na conversa Rodrigues diz para os fiscais Luis Alexandre Cardoso Magalhães ( que também fora preso, mas esta em liberdade, pois fez acordo de delação premiada) e Carlos Augusto di Lallo Leite do Amaral ( ainda preso ) que ele e o auditor Arnaldo Augusto Pereira, também investigado por enriquecimento ilícito, através do coordenador de campanha de Kassab a vereador na década de 1990 foram apresentados ao comitê da campanha de Serra na Vila Mariana, zona sul da capital.

“Ele apresenta nós (sic) para o comitê da Vila Mariana e o Kassab põe nós dois ( Rodrigues e Pereira ) junto com um cara que fazia a campanha do Serra em 2004: o Felipe Soutello. Fizemos uma reunião e falamos das ações”, disse Rodrigues. “Quando o Serra assume, só o Arnaldo ganhou cargo”, afirmou.

Ronilson disse que foi para Santo André com Pereira, que em 2009 foi nomeado secretário de Planejamento da gestão Aidan Ravin (PTB) na cidade, e que com um pedido de Walter Aluisio Morais Rodrigues, secretário municipal de Finanças da gestão Kassab, voltou a capital.

“Eu não ia para Santo André ( mas foi por fidelidade a Pereira ). Em quatro meses o Walter me liga para retornar como subsecretário. Eu nunca traí ninguém. Isso não é da minha índole”, afirmou Rodrigues na conversa gravada por Luis Alexandre.

NINHO

Walter Aluisio e Silvio Dias, secretário adjunto da Secretaria Municipal de Finanças, também frequentava o escritório alugado pela quadrilha no centro da cidade, chamado pala investigação de “ninho”, segundo o depoimento de uma testemunha protegida pelo Ministério Público Estadual (MPE), dado em seis de novembro. Ela também afirmou que havia troca de favores entre Rodrigues, Walter e Silvio.

Segundo a testemunha, Ronilson lhe disse que pediu a Silvio Dias para pesquisar os dados do Cadastro Contribuinte Mobiliário do então ministro da Fazenda, Antonio Palocci. A evolução patrimonial da empresa de Palocci veio a público e o ministro caiu.
A testemunha também afirma que Marco Aurélio Garcia (apelidado de Lello), irmão de Rodrigo Garcia (DEM) que foi secretário de gestão da prefeitura entre 2008 e 2010, pegou pelo menos R$ 1 milhão emprestado de Rodrigues. Foi Marco Aurélio que emprestou o escritório usado de QG da quadrilha. Rodrigues não pagava aluguel, apenas o condomínio e a limpeza.

Garcia recebia dinheiro de Rodrigues. “Ronilson arrecadava o dinheiro de Fábio ( Camargo Remesso, fiscal já exonerado ) e entregava para Lello, que certa vez recebeu um cheque emitido pela mulher de Barcellos. Ronilson e Lello eram amigos”, afirma a testemunha ao MPE. “Ronilson ficou muito contente com a cessão das salas, e foi pela primeira vez naquele escritório com o empregado do Lello e pediu para Jairo ( funcionário de Rodrigues ) buscar as chaves com Lello”, diz o depoimento. ( HP )


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