quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Petrobras, breve histórico de sua luta, Por Jasson de Oliveira Andrade




Neste artigo, pretendo escrever um breve histórico da luta pela Petrobras. Quem desejar conhecer em profundidade o assunto, eu recomendo a leitura do livro “A Batalha do Petróleo Brasileiro”, de Mário Victor, publicado pela Civilização Brasileira, em 1970. O autor aborda o problema do petróleo desde a Monarquia (1800) até a assinatura da Lei da Petrobras ( 03/10/1953, por Getúlio Vargas ).
É impossível, em poucas linhas, enumerar as pessoas que se destacaram na luta do petróleo. Além de Vargas, tivemos Euzébio Rocha, autor do substitutivo nº 1.595/52 que inspirou a lei da Petrobras. Dois escritores se destacaram: Monteiro Lobato, autor do livro “O Escandalo do Petróleo e Ferro”, que lhe causou a prisão, e Gondin da Fonseca, autor do livro “Que Sabe Você sobre Petróleo?”. Luís Nassif escreveu na Folha, em 28/2/1999, assim sobre o livro de Lobato: “Seu texto tinha uma eficiência panfletária inigualável, talvez superada apenas por Gondin da Fonseca, um dos jornalistas da campanha do “Petróleo é nosso”, o mais brilhante texto jornalístico que já conheci”. É verdade. Nós tínhamos o livro de Gondin como a Bíblia do Nacionalismo brasileiro. Ele escreveu: “Convencerei, você, leitor amigo, de que deve apoiar a campanha nacionalista de “O petróleo é nosso” e não a campanha entreguista de “O petróleo é deles”.
Em São João da Boa Vista, a luta pelo “petróleo é nosso”, da qual participei, foi intensa. Manuel Assumpção Ribeiro, no artigo “Movimento Nacionalista”, publicado na Gazeta de São João, em 30/6/ 1983, resumiu essa participação, antes de 64. Ele revelou que havia inúmeros comícios de bairro, onde nunca faltava uma torre simbólica. Pequena, é lógico. No entanto, outra torre, esta de 10 metros, foi instalada na Praça Joaquim José, praça central da cidade,  com a presença de uma caravana de São Paulo, contando ainda com o apoio do então prefeito João Ferreira Varzim ( PSP ). Assumpção recorda ainda o “memorável” comício de 19/8/1954 [ Em 24/8, Getúlio suicidou-se ], que contou com a presença dos generais Leônidas Cardoso ( pai de Fernando Henrique Cardoso ), Stol Nogueira, Felíssimo Cardoso ( tio do ex-presidente ), Miguel Nicolau ( ex-deputado estadual pelo PTB e ex-prefeito de São João ), Dagoberto Salles (ex-deputado federal e autor do livro “Energia Atômica – Um Inquérito que Abalou o Brasil”, que eu possuo, autografado pelo autor), e Campos Vergal ( ex-deputado federal e líder Espírita ). Outro fato revelado. Tivemos em São João um Seminário Nacionalista, realizado na Escola de Comércio “Prof. Hugo Sarmento”, com a duração de três dias.  Esse Seminário contou com a presença do escritor Barbosa Lima Sobrinho ( morreu em 16/7/2000, aos 103 anos ), Gabriel Passos ( deputado federal da UDN ) e Coutinho Cavalcante.
Quando Getúlio suicidou-se, em 24/8/1954, deixou uma Carta-Testamento. Em um trecho, Vargas revelou o obstáculo que a criação da Petrobras encontrou: “Quis criar a liberdade nacional na pontencialização da Petrobras, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma”. Apesar dessa agitação, a sua histórica criação sobreviveu e é hoje uma realidade!
Essas são as lembranças sobre a luta pela Petrobras, nestes 60 anos de sua criação.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu.

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