segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Fumacinha ( conto )



Diógenes estava num grande supermercado. Num hipermercado, na verdade, onde você encontra, geralmente nalguma área externa, uma série de lojas e outros serviços, como praça de alimetação, tabacaria, chaveiro e coisas do tipo. Com toda essa miríade de serviços à disposição dos freguêses, era de se admirar que tanto o mercado em si quanto as diversas lojas estavam tranquilas, sem muito movimento de pessoas. Talvez fosse o horário. Enfim.
De repente, deu em Diógenes uma baita vontade de ir ao banheiro. E lá foi ele. 
Todos conhecem esse tipo de banheiro. Umas cabines com vasos sanitários, uns mictórios de parede, além das típicas pias de banheiro público, sabonete líquido, papel toalha meia-boca. Prá quem é tá bom.

Feito o xixizinho, Diógenes estava lavando as mãos quando notou, ao olhar no espelho, uma fumacinha saindo pelo alto de uma das cabines, atrás de si. Logo sentiu o cheiro de cigarro. Apesar do aviso de "NÃO FUME" afixado na parede. Diógenes foi até a cabine e bateu, dizendo:

- Ô, amigo, é proibido fumar aqui dentro!

Como sempre, a resposta do meliante foi um primor de humildade:

- Os incomodados que se mudem. Cada um, cada um.

- Ô amigo, eu não tô brincando não! Isso tá incomodando, esse cheiro aí!, respondeu Diógenes.

- Cada um com seus problemas, xará!, respondeu o vagabundo.

"Putaquepariu, que folgado!", pensou Diógenes. "Vai parar não, cara?", intimou nosso herói.

E teve que escutar a costumeira "Deus deu a vida para cada um cuidar da sua..."

Aquela foi a gota d'água. Já ia meter o pé na porta e tirar o cagão dali no safanão, quando olhou para debaixo da pia, onde estavam alguns frascos de materiais de limpeza. Dentre eles, alguns litrões de cloro.

- Mmmm..., fez Diógenes. "Que beleza!"

- É o último aviso, maluco!

- Vai tomá no cú! Agora eu tô sendo "Rastreado por fofoqueiro"!

Seja lá o que ele quis dizer com isso...

Pronto. Já foi a chance. Disfarçadamente, Diógenes foi até a cabine do imbecil. Cuja porta, sabe-se lá o motivo, tinha tranca também do lado de fora. Provavelmente uma mãozinha do Autor deste texto. Sem fazer ruído, trancou o cidadão ali dentro. Um círculo de fumaça de cigarro saiu da cabine, subiu ao teto e desapareceu numa fresta qualquer.

Ainda sem fazer barulho, passos leves, Diógenes pegou vários frascos de cloro e começou a despejá-los pelo ambiente. Pouco depois, o ar tornou-se insuportável, ardido, abrasivo. Venenoso.
Diógenes tomou o rumo da porta da saída e, antes de dar no pé, trancou-a com o cadeado e levou a chave consigo.

Como o Autor do texto acredita em segundas chances, o fumante folgado foi resgatado e passa bem, apesar do sufoco pelo qual passou, durante intermináveis minutos. Foi necessário o uso de machado pelos bombeiros do hipermercado, que arrebentaram as duas portas para chegar até o camarada. Sua garganta estava em chamas, assim como seus olhos e narinas. 

Como, para sorte de Diógenes, as equipes de segurança tinham esquecido de botar para funcionar os equipamentos de gravação do circuito interno das dependências do hipermercado, ninguém viu quem foi o autor da tentativa de intoxicação do sujeito.

Ao arrebentar a porta da privada o bombeiro viu uma bituca de cigarro no chão. E perguntou pro folgado:

- Você estava fumando no banheiro? Não respeita o aviso de "NÃO FUME"? 



 FIM



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