sábado, 26 de outubro de 2013

Defensores da Ditadura Militar estão na contramão da História, Por Jasson de Oliveira Andrade



Seria cômico se não fosse trágico. Depois que um cronista e poeta, ao responder meus dois artigos em outro jornal, afirmou CATEGORICAMENTE em seu texto que “não é e nunca foi defensor de nenhuma Ditadura”, um advogado da Ditadura Militar, em “Carta” a esse intelectual, publicada no jornal “Tribuna do Guaçu”, elogia-o pelas suas convicções ditatoriais. É certo que na resposta a mim, ele me deixou dúvidas se era defensor da Ditadura ou da Democracia. Eu me defino: sou pela Democracia.

Em sua carta, o advogado da Ditadura, sem se definir também como tal, afirma que os militares que nos governaram naquela época – coitados! – morreram praticamente pobres. Ele citou vários. Vou ficar apenas em uma citação: Costa e Silva. Aliás, ele diz: “O falecido Presidente Arthur da Costa e Silva FALECEU ( destaque meu ) no exercício do cargo de Presidente [ falecido faleceu? ], e o patrimônio deixado aos seus sucessores constitui-se basicamente de seus rendimentos como militar e Presidente da República, além de um apartamento”. Não é isto que constatou o jornalista da Folha e escritor ( tem vários livros publicados ), Gilberto Dimenstein. No livro “As Armadilhas do Poder – Bastidores da Imprensa”, na página 117, revelou: “Alvo de uma bateria de mexericos sexuais, Yolanda Costa e Silva chegou a ser apontada EM ENVOLVIMENTO EM CONTRABANDO ( destaque meu ), apreço por rapazes jovens e presentes caros.” Adiante ele afirma que a esposa de Costa e Silva era “ACUSADA DE PARTICIPAR DE NEGÓCIOS ESCUSOS. E NÃO FOI ACUSADA POR ADVERSÁRIOS. MAS POR GENTE INFLUENTE DO PRÓPRIO GOVERNO COMO O PODEROSO GENERAL MUNIZ DE ARAGÃO QUE, EM RELATÓRIO AO PRESIDENTE, CONTOU FATOS SOBRE CONCORRÊNCIAS PÚBLICAS ENVOLVENDO SUA FAMÍLIA ( destaques meu )”. O poderoso General Muniz de Aragão é insuspeito!

Outro insuspeito é o Coronel Dickson M. Grael. Segundo o historiador Elio Gaspari, hoje colaborador da Folha, em seu livro “A Ditadura Escancarada”, o coronel Grael teve uma participação destacada no Golpe de 64 que derrubou Jango. O coronel, na Introdução do livro “Aventura, Corrupção (o Relatório Saraiva 1976) Terrorismo (o atentado do Riocentro 1981)”, escreveu: “1964 foi a esperança que virou decepção. (...) O que seria um movimento destinado a combater a subversão e a CORRUPÇÃO CONVERTEU-SE NO IMPÉRIO DE AMBAS, COM A AGRAVANTE DA SUPRESSÃO DAS LIBERDADES PÚBLICAS E PRIVADAS ( destaque meu )”. Adiante o Coronel faz essas ESTARRECEDORAS revelações: “Civis e militares que então contribuíram para o seu êxito são hoje OS MAIORES FRUSTADOS. O REGIME CRIADO PELA SITUAÇÃO QUE DEFLAGARAM [ ELE FOI UM DOS LÍDERES ] ACABOU SE TRANFORMANDO EM UMA OLIGARQUIA ARBITRÁRIA E PREPOTENTE QUE, HIPOCRITAMENTE, VEM ACOBERTANDO VIOLÊNCIAS, ENQUANTO UMA MALTA DE LADRÕES COMETE TODA SORTE DE FALCATRUAS, ENRIQUECENDO SEUS PATRIMÔNIOS E SUAS CONTAS BANCÁRIAS NO EXTERIOR, INSENSÍVEIS À MISÉRIA DO POVO POR ELES SAQUEADO E ESPOLIADO ( destaque meu )”. Por este depoimento insuspeito, pode-se dizer, sem medo de errar, que a afirmação de que inexistem motivos para acreditar que os militares daquela época tenham se enriquecido é um equívoco. O curioso é que o livro foi publicado pela Editora CATÓLICA, Vozes, em 1985!

O autor da Carta compara aquela época, em que os militares golpistas, SEGUNDO ELE, eram honestos ( vimos que não é verdade! ) ao contrário de hoje, em face de governantes civis, sendo que até mesmo um Deputado Federal cumprindo pena por corrupção. Ao contrário do que ele pensa, a vantagem da Democracia é justamente essa. Nela, sem a censura, a corrupção é divulgada e o corrupto é preso! Na Ditadura, a esposa do ditador Costa e Silva ( que o autor diz que morreu pobre! ) ficou impune, apesar da denúncia do poderoso Muniz Aragão. E a corrupção de militares daquela época, apontada pelo coronel golpista, Dickson Grael, também ficou impune. Não se enganem: A Democracia é infinitamente superior à Ditadura!

Já comentei que a Folha e as organizações Globo se arrependeram de ter apoiado o Golpe de 64. O dono da Folha, Otavio Frias, escreveu: “TODAS AS DITADURAS SÃO IGUALMENTE ABOMINÁVEIS ( destaque meu )”. Quem defende uma ditadura abominável, está na contramão da História! DITADURA NUNCA MAIS.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu.

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