terça-feira, 29 de outubro de 2013

A Petrobrás tinha o maior interesse em operar Libra sozinha, afirmou Estrella



O engenheiro Guilherme Estrella, ex-diretor de Exploração e Produção da Petrobrás, afirmou que, no que diz respeito ao "aspecto estratégico" para o Brasil, a estatal, "que mapeou a estrutura de Libra e perfurou o poço descobridor, como empresa controlada pelo Estado brasileiro, deveria ter sido contratada diretamente (para explorar o campo), como permite o marco do Pré-Sal".

"Trata-se de gigantesco volume de petróleo, agora compartilhado com sócios que representam interesses estrangeiros – de potências estrangeiras –, sobre cujo alinhamento com o posicionamento geopolítico de um país emergente da importância do Brasil não temos a menor garantia", acrescentou.

Estrella destacou que esta possibilidade, ou seja, a contratação direta de Petrobrás para a operação integral do reservatório, foi incluída no marco regulatório do pré-sal exatamente com objetivo de resguardar interesses do país diante da eventual descoberta de reservas "cujas dimensões tivessem valor estratégico para o Brasil, e este é inquestionavelmente o caso de Libra".

O engenheiro criticou a realização do leilão do Campo de Libra, assinalando que a decisão do governo deveria ter sido precedida de um amplo debate com a sociedade. Guilherme Estrella defendeu que a decisão de leiloar Libra deveria ter sido discutida também com a base de apoio do governo no Congresso Nacional.

"A própria presidente da companhia afirmou que a Petrobrás tinha o maior interesse em operar Libra sozinha", frisou, em entrevista à "Folha de S. Paulo". O engenheiro destacou ainda que, como é reconhecido por todo o setor petrolífero mundial, a estatal brasileira "é a empresa que detém as melhores condições para ser a operadora de Libra e do restante das acumulações que ainda serão descobertas" no pré-sal.

"Não acho que a soberania brasileira tenha sido afetada", ponderou Estrella. Ele advertiu, entretanto, para a possibilidade do país enfrentar dificuldades no futuro, caso haja qualquer divergência ou conflito de interesses geopolíticos brasileiros e dos países representados no consórcio de Libra. "O caráter estratégico das reservas petrolíferas é inquestionável, como todos sabem", observou.

Ele lembrou que, nas últimas décadas, nações hegemônicas que dependem de óleo bruto não têm se furtado a recorrer à pressão política e militar para garantir fontes de abastecimento. "O Sudão do Sul foi ‘fundado’ por causa disto. As monarquias medievais, absolutistas e repressoras da Península Arábica são mantidas pelo mesmo motivo: assegurar reservas de petróleo e gás natural", disse.

"Energia, especialmente petróleo e gás natural, é fator crítico da soberania e do desenvolvimento econômico, social, científico e tecnológico de qualquer país", frisou. ( HORA DO POVO )



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