segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Enquanto isso, uma doce velhinha procura algo para presentear sua neta e... ( ficção )


Uma doce e bondosa velhinha vasculha uma aprazível lojinha de presentes, em busca de algo aprazível para presentear sua doce e bondosa netinha. Um mimo de criança. Ou "kid", como se diz hoje em dia no Brasil. Ao fundo, uma doce e aprazível melodia alegrinha.

Nossa doce e bondosa velhinha dá de cara com um lindo e aprazível boneco "FILHO DO BEBÊ DIABO". Um encanto de brinquedo. "É esse mesmo!", pensa a simpática e idosa consumidora. Pega o brinquedo e se dirige ao caixa.

Chegando no caixa, inicia uma conversa:

- Minha netinha adora bonecas e...

A velha fica quase 10 minutos falando da vida à pobre moça do caixa. Fala de tudo. Desde o lumbago e o bico-de-papagaio até a quantidade de filhos que casaram, passando pelas mudanças no bairro desde que ela foi morar ali ( "Só tinha terra e grilo!" ). Depois de longos e torturantes minutos, finalmente nossa doce e bondosa velhinha consumidora volta ao assunto "boneco":

- Ah, sim...! Então, minha netinha adora bonecos e com certeza vai amar este aqui!

Amarela de fraqueza, provocada pelo papo-vampírico da doce e bondosa velhinha, a caixa olha pro boneco diante de si. 

De repente, o bichão começa a se mexer e dá uma baita e satânica encarada na pobre e esforçada comerciária sub-remunerada. E faz 'GRRRAAARRRR!"

A pobre e amarelada funcionária recobra a cor pelo susto. Tremendo, ela olha pra velhinha, que procura na carteira o dinheiro para pagar pelo doce e inocente brinquedo. E diz:

- Posso te falar uma coisa?

A doce velhinha responde:

- Claro que sim, minha querida!

Antes que pudesse avisar a idosa do Mal que a espreitava, a pobre e sub-remunerada funcionária sente um cutucão na canela.

Era o patrão, que acompanhava o desenrolar da negociação. Antes que a moça estragasse tudo, o lojista ( para não fugir à regra ) morto-de-fome e mercenário resolveu intervir. Em vez de avisar a cliente do perigo, preferiu efetivar logo a venda e auferir algum lucrinho. Pra intervir quando a velhota estava alugando os ouvidos da funcionária com aquela conversa cacete, necas!

Acuada, a moça do caixa engole em seco e diz:

- Que tal se a senhora pagar no cartão de crédito QUIZA?

- Boa idéia, minha filha. Boa idéia.

( *** )

Uma semana depois, manchete no jornal popular sanguinolento:
"FAMÍLIA INTEIRA TRUCIDADA NA ZONA SUL. EXORCISTA DIZ QUE BONECO SATÂNICO É O CULPADO"

Folheando o jornal, o patrão morto-de-fome mostra a notícia pra funcionária esforçada e sub-remunerada e diz:

- Da próxima vez, melhor pedir pro freguês pagar no débito. Esse a gente não recebe mais e vamo ficá no prejú.


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