terça-feira, 10 de setembro de 2013

A "Lei do mais forte" na pré-história 2 ( conto )


A história a seguir é basicamente a mesma coisa que esta. Tempo para que você a consulte antes de prosseguir com a leitura deste.

( *** )

Opa! Leu lá? Então, sem mais delongas nem demoras.

Hugor vinha se arrastando, mal conseguindo carregar junto sua clava, há milhas, por aquela terra desolada, onde o Autor cismou de colocá-lo. Vinha se arrastando sob aquele Sol abrasivo, sedento e tendo que se proteger de criaturas vorazes. Não havia comida e nem água. Nem uma mísera sombra sequer. Se existisse Deus naquela época, Grunto tentaria pedir-lhe alguma ajuda.
Fez, a sua maneira, uma prece. Ou uma imprecação:
- Grumorrr horaarrrhghgh!

Bem, não havia Deus, mas havia um Autor magnânimo.

Do nada, Hugor topou com uma espécie de oásis. Estava salvo, pelo menos por enquanto. Hugor exultou:
- Grumorrrorhgggrh!! Groanmandhhgh ghhrrllrh!

Hugor reagrupou forças e acelerou na direção do oásis.
Chegando lá, viu uma espécie de mina d'água e correu em sua direção. Aproximou-se e jogou-se ao chão, quase deslizando, e estendendo os braços na direção da água. 
Mas...
Quase trombou com algo. O que seria?
- Opa!
- Opa! Opa!
( A partir daqui, as falas serão traduzidas para facilitar o entendimento )

Hugor, e outro homem das cavernas - ou pré-histórico, sei lá eu - chegaram à fonte de água ao mesmo tempo. Os dois, sedentos e em pandarecos. Os dois nas mesmas condições horríveis. Nasceria ali uma empatia imediata entre os homens em situação tão desesperadora.

Ambos se assustaram um com a presença do outro, mas não era hora disso. Os dois ajoelharam-se e passaram a beber da água gelada e pura. Silenciosamente. Mas um olho na frigideira outro no gato, como se diz.
Beberam, arrotaram, e despejaram seu peso no solo. Descansaram sob a sombra. O cansaço os tornava inofensivos, essa é que é a verdade.

Horas depois, já noite, despertaram. Grumm ( o nome do outro sujeito ) abriu os olhos, para ver que Hugor estava de pé diante dele, estudando-o. Hugor apresentava uma fiosionomia melhor, mais descansada. Grumm também já se sentia bem melhor. Sem se levantar, Grumm olhou para Hugor e disse, simpaticamente:
- Bem, meu velho, acho que nos salvamos de boa, heim?
Hugor nem piscou. Na verdade, estava encarando Grumm. Este prosseguiu:
- Eu sou Grumm, e venho viajando desde lá das terras do Norte, das terras do grande vulcão. E você?
- Sou Hugor, resmungou Hugor, monossilábico. E me dirijo pras terras do Norte.
- Sabe, Hugor... Nas minhas viagens não achei lugar melhor que este aqui. Não tem nada lá no Norte, por isso minha gente saiu de lá, cada um numa direção. Espero que não tenham passado o mesmo que eu.
Terminou de dizer isso, e em sua mente se formou a imagem de Bromunus, seu irmão, que tomou um rumo desconhecido ao abandonar a aldeia. Estaria bem ou em apuros?

- Hm, sei. - respondeu Hugor cuja  fisionomia não estava  nada amistosa - Então não tem nada lá?
- Nadica. Não perca seu tempo. Aliás, nossos sábios previram que toda a região desaparecerá em brave, devido a uma erupção devastadora do grande vulcão. Por isso minha gente deixou o local. 
- Hmmm, isso é mau, pensou Hugor.
- Bom, Hugor, eu não sei quanto a você, mas decidi que vou ficar por aqui. Notei que a terra pode ser cultivada. Já existem árvores como frutas, como aquela ali. E esse excelente estoque de água. 
- Roar, quanto a mim..., respondeu Hugor, cujos olhos passaram a brilhar um brilho estranho, eu vou ficar aqui também...
- Puxa, mas isso é muito bom!, exultou Grumm. Juntos, levantaremos a moradia, cultivaremos o solo, caçaremos e nos protegeremos mutuamente das ameaças dessa maldita terra pré-histórica!
Lembram que escrevi acima que "nasceria ali uma empatia imediata entre os homens em situação tão desesperadora"? Então: EU MENTI!

- Sim, huahuahua! Faremos isso...
- Então...
- Na verdade, "amigo", VOCÊ FARÁ!
- Er, como assim? E você fará o quê?
- HEHEHE! Eu mandarei e você obedecerá!
- Oras, mas como?
- Simples, "amigo". Eu sou maior, mais forte, e tenho esta clava aqui. Enquanto você é mirrado, fracote e tem só esse pedacinho de pau que só serve para eu palitar meus dentes.
- Não! Você não pode! Temos que nos ajudar! Você não pode me escravizar!
- Não tem nada me proibindo de fazer isso hahaha!
- Estou avisando! Você não vai querer fazer isso!
- HUA HUA HUA! Está "me avisando", seu inseto insolente? Pois bem! Você não me serve pra nada!

E deu com sua clava na cabeça de Grumm.

KRAK! - foi o som da cabeça de Grumm sendo fraturada. A morte foi instantânea.

Hugor zombou de Grumm:

- HUA HUA HUA! Fracote! Meu irmão, Grunto, ficaria orgulhoso de mim! EU SOU MAIS EU!

De repente, de trás de Hugor, um urro ensurdecedor:

- ROARGHHHHHHHRHHHH!

A alegria de Hugor e seus delírios de potência foram efêmeros. Diante dele se encontrava uma das bestas-feras daquele período [pré-] histórico: o Longdongciraptor. A força desse bicho era maior que a de Hugor. No entanto, dois homens dariam conta do monstro. Hugor sabia disso. Olhou para o cadáver de Grumm e engoliu em seco.
O Longdongciraptor não matava suas vítimas. Acasalava com elas. O resto fica por conta da imaginação de vocês.



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