terça-feira, 6 de agosto de 2013

"Chevron-Texaco despejou bilhões de litros de poluentes no Equador", denuncia deputada



A presidente da Assembleia Nacional do Ecuador, Gabriela Rivadaneira e a deputada ( lá é denominada de ‘asambleísta’ ), Maria Augusta Calle denunciaram aquilo que qualificam como o maior desastre petroleiro do mundo, durante a abertura e nos debates do XIX Encontro do Foro e nos debates subsequentes.

A Chevron operou em uma área de Floresta Amazônica de 1964 a 1992 destruindo um dos territórios de maior biodiversidade do planeta, terras indígenas, provocando inúmeros casos de câncer, bebês com malformações genéticas, além de deslocamento populacional.

Segundo a deputada Maria Augusta, a Chevron poluiu de forma "consciente e intencional".

"Não havia tratamento de efluentes antes de despejar milhões de litros de petróleo ao rio Naipo. Não havia nem tubulação para levar os detritos ao rio. Eles passavam pelo solo da floresta, contaminando e destruindo tudo", denuncia Maria Augusta.

Foram bilhões de litros de tóxicos e de petróleo cru. A denúncia é de que a poluição é 30 vezes maior que a provocada pelo conhecido e lamentável desastre do petroleiro Exxon Valdez na costa do Alasca.

Uma demanda dos camponeses que durou dez anos nas Cortes dos Estados Unidos acabou tendo por decisão que fosse levada aos tribunais do próprio Equador.

Os mais de 30 mil diretamente atingidos incluindo indígenas das tribos Siona, Secoya, Cofán, Huaorani e Kichwa conseguiram uma vitória. Foi determinado que a "limpeza" alegada pela Chevron Texaco era fraudulenta e que a contaminação prosseguia e, ao final a petroleira transnacional foi multada em 18,2 bilhões de dólares.

A Chevron deu início a uma campanha de perseguição, espionagem contra os advogados e maledicências contra os deputados que a denunciavam, em especial a deputada Maria Augusta, defensora da biodiversidade e dos moradores da região amazônica do Equador.

Ao invés de pagar a indenização, a empresa recorreu ao Tribunal de Arbitragem de Haia para contestar a decisão da justiça equatoriana. A "arbitragem" vassala dos interesses das transnacionais e do Império considerou ilegítima e sentença e ainda "condenou" o Equador a pagar multa de cerca de 100 milhões de dólares.

Vale o alerta do caso do Equador para o Brasil onde a mesma empresa causou danos no Campo de Frade e está entre as que revelaram interesse em participar do leilão do Pré-Sal. O advogado e diretor jurídico da Chevron, Hewitt Pate, ao ganhar em Haia já declarou: "A decisão do tribunal confirma que as ações de execução que estão perseguindo contra a Chevron na Argentina, Brasil e Canadá atentam contra o direito internacional".

Gabriela Rivadaneira foi intensamente aplaudida ao convocar a solidariedade dos líderes partidários e dos governos progressistas e afirmar: "Vamos vencer esta batalha e afirmar que já não somos quintal do Império".



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