sábado, 24 de agosto de 2013

Japoneses usam máquinas de fazer chuva para encher reservatórios de água


A seca desesperante obrigou os japoneses a recorrerem, na quinta-feira, a duas máquinas de chuva para encher os reservatórios de água que servem as 35 milhões de pessoas na região metropolitana de Tóquio.

Depois de meses de precipitações inferiores à medida habitual registada e com temperaturas muito altas, as reservas de água desceram cerca de 60% em relação ao nível geral para este período do ano, forçando as autoridades de Tóquio a pedirem aos cidadãos que economizem água.

Como o civismo não é suficiente, a companhia de águas decidiu na quinta-feira à tarde utilizar duas máquinas de fazer chuva, que não eram utilizadas há uma dúzia de anos.

Os engenhos enviam para o céu uma nuvem de iodeto de prata, através de uma espécie de grande chaminé, instalada numa zona fora da cidade de Tóquio, disse um funcionário à AFP.

Duas horas depois da utilização dos engenhos, cerca de 17,5 milímetros de chuva foram registados.

Depois de uma estação de chuvas muita curta em Tóquio, a capital sofre com as temperaturas altas desde 06 de julho, assim como outras cidades do sul, do centro e oeste do Japão, com temperaturas que passam os 30, 35 e até 40 graus à sombra.

O calor abrasador já matou cerca de 129 pessoas somente em Tóquio, segundo o canal público de televisão NHK, e envia para os hospitais várias centenas de pessoas afetadas pelas intensas temperaturas. 
( CM )

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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Equador: Chevron terá a resposta que merece



O chanceler equatoriano, Ricardo Patiño, afirmou esta segunda-feira (19) que os atentados de difamação realizados pela Chevron contra o Equador objetivam anular a sentença de US$19 bilhões, proferida pela alta corte do país, e se baseiam em "perigosas mentiras" para as quais "responderão a altura". Em referência ao caso, o presidente Rafael Correa afirmou que ensinará "a estes tipos que o Equador é um país pequeno porem com dignidade, e que sabem defender o país diante dos ataques promovidos em escala mundial".

Para Patiño, a Chevron "sem fundamento algum dedica esforços, tempo e milhões de dólares para desprestigiar o governo do Equador". A multinacional norte-americana do petróleo acusou o governo de influenciar o julgamento que a condenou, recorrendo ao Tribunal de Arbitragem de Haia, buscando a suspensão da sentença proferida no país, e exigiu ser indenizada em mais de US$ 400 milhões, o que o chanceler qualificou como um total desrespeito ao país.

"Vamos denunciar na América Latina o que a Chevron tem feito em nosso país para escapar de suas responsabilidades, com essa campanha criminosa que estão travando contra o Equador", afirmou Correa, que também denunciou os gastos milionários da empresa com um exercito de centenas de advogados para desacreditar o país. Patino anunciou que denunciará o "absurdo jurídico" perpetrado pela Chevron na Unasul, no próximo dia 30 de agosto.

A empresa também se esquiva de suas responsabilidades afirmando que os danos ambientais na região amazônica são de responsabilidade da estatal Petroecuador. A empresa Chevron atuou nas províncias amazônicas de Sucumbíos e Orellana entre os anos de 1964 e 1990, através da empresa Texaco. Os processos contra a Chevron já duram cerca de 20 anos, e a condenação da multinacional foi realizada em janeiro de 2011.

Durante o XIX Encontro do Foro de São Paulo, as deputadas Gabriela Rivadaneira e Maria Augusta Calle, qualificaram as ações da Chevron em seu país como o maior desastre petroleiro do mundo, uma poluição "consciente e intencional".

Por sua vez, o tribunal de arbitragem atendeu o interesse das transnacionais e do império, considerou ilegítima a sentença e ainda condenou o país a pagar multa de US$100 milhões.


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terça-feira, 20 de agosto de 2013

Que horror, Carlinhos de Tocqueville!: Soldados dos EUA são forçados ao consumo de drogas derivadas do ópio, acusa militar


Soldados dos EUA são forçados ao consumo de drogas derivadas do ópio

O consumo de drogas pesadas entre recrutas norte-americanos cresceu 82% na Força Aérea e 37% no Exército desde 1999, e há casos de soldados rasos que são forçados por seus próprios superiores ao consumo de substâncias de “drogas psiquiátricas” que viciam em até 180 dias. As acusações são feitas por um sargento dos EUA (Estados Unidos) que apresenta, ainda, documentos do Departamento de Defesa que atestam que pelo menos 20% dos soldados em serviço no Afeganistão estão viciados em drogas derivadas de ópio.

Além dos documentos que comprovam os índices de recrutas viciados, já que foram submetidos a testes pelo próprio Departamento de Defesa, o sargento Joe Biggs descreve em detalhes chocantes cenas testemunhadas por ele no Afeganistão. Segundo o sargento, as tropas são submetidas a aplicações de Percocet, um analgésico constituído de oxicodona, e outro narcótico derivado do ópio – droga feita a partir da papoula cujos campos naquele país, inclusive, são guardadas pelas tropas.

Alguns dos militares são forçados ao uso da droga, com exceção dos oficiais de alto posto. “As tropas estão sendo forçadas a tomar medicamentos como Prozac e Seroquel para ansiedade e depressão. As tropas não podem se recusar a tomar os medicamentos sem enfrentar consequências”, conta. O sargento acrescenta que há casos de patrulhas inteiras que descumprem ordens de “localizar e destruir”.


“A resistência de alguns soldados às ordens, no entanto, também é muito alta. Algumas patrulhas militares se recusam a realizar missões de 'localizar e destruir' e, em vez disso, retornam às suas bases alegando que cumpriram as ordens”, relatou o veterano. O abuso de drogas, segundo os relatos, estão diretamente relacionados a operações que resultam em assassinatos indiscriminados e aleatórios de civis no Afeganistão.

Um exemplo citado por Biggs é um incidente do ano passado, quando uma patrulha matou 17 civis afegãos, incluindo nove crianças. Além disso, o uso de drogas entre os militares também é um fator por trás do aumento dramático no número de soldados que cometem suicídios em campo - um terço deles é atribuído a efeitos colaterais da medicação com drogas pesadas.

O militar afirma ainda que o consumo das drogas não termina quando os militares deixam as tropas. Como voltam viciados nos medicamentos, os veteranos são obrigados a visitar psicólogos que, por fim, diagnosticam os militares com transtornos mentais com vistas a manter um fornecimento estável de drogas e alimentando a dependência. Segundo Biggs, com a medida, os soldados são proibidos de usar armas, e passam a ser vistos como cidadãos de “segunda classe”. Em geral, os soldados nessas condições são diagnosticados como tendo “transtorno de estresse pós-traumático”.

De acordo com o sargento, uma das razões principais para que o Pentágono esteja investindo na aplicação de drogas em suas próprias tropas, inclusive contra a vontade dos recrutas, segue as diretrizes do chamado “Plano Marshal”. Trata-se, segundo ele, de uma agenda de longo prazo de tornar os soldados permanentemente drogados com o objetivo de produzir um “comportamento modificado” e para “melhorar as características de desempenho”.

E vai além: drogar as tropas americanas faz parte de um plano de “engenharia social” do governo. Segundo ele, o plano dá conta de criar setores na sociedade cuja dependência ao Estado é assegurada por meio do vício em drogas.

Com informações do Infowars


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domingo, 18 de agosto de 2013

Documentos da CIA confirmam existência da lendária Área 51


Ufologistas especulavam que local era usado como pista de aterrissagem para naves extraterrestres. Entretanto, papéis indicam que terreno era usado apenas para testes militares sigilosos.


Em documentos divulgados na última semana, a Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA) fez referência à misteriosa base aérea americana situada no deserto de Nevada, a cerca de 180 quilômetros a noroeste de Las Vegas.

Localizado no leito seco do antigo Lago Groom, no estado de Nevada, o terreno foi escolhido pela CIA com uma série de testes em abril de 1955 e designado nos mapas como Área 51. O relatório da CIA, de 400 páginas, publicado online recentemente em resposta a um pedido de registro público por parte de uma universidade americana, confirma que a Área 51 era usada para testar, entre outras aeronaves militares, o avião de reconhecimento de alta altitude U-2.

O avião U-2, desenvolvido no mais alto sigilo na década de 50, era destinado a missões de espionagem, em grande altitude, na antiga União Soviética. A aeronave podia voar acima de 18.200 metros. Em comparação, os aviões comerciais da época voavam entre 3 mil e 6 mil metros de altitude.

As revelações ocorrem após décadas de grande segredo sobre o local, que foi motivo de um sem-número de teorias de conspiração sobre discos voadores e experimentos com naves alienígenas.

"Objetos flamejantes"

Os voos de teste do avião de alta atitude U-2 na área provocaram inúmeros relatos sobre o aparecimento de OVNIs no final da década de 50 e durante quase toda a década de 1960. Para proteger o ultra-secreto U-2, as autoridades explicaram que se tratava de um fenômeno natural.

"O teste de alta altitude do U-2 logo levou a um efeito colateral inesperado – um enorme aumento nos relatos sobre objetos voadores não identificados", afirma o relatório, acrescentando que os aviões de vigilância pareciam "objetos flamejantes" em grande altitude no céu.

O segredo em torno dos testes só serviu para aumentar os rumores de um encobrimento oficial de atividade extraterrestre, e a Área 51 proporcionou material suficiente para diversos filmes de ficção científica e teorias de conspiração.

Entre outros, a Área 51 ficou ligada ao chamado "incidente de Roswell", em que um balão meteorológico caiu no Novo México, em 1947, provocando rumores sobre uma nave alienígena caindo no deserto.

As pessoas que acreditavam na existência real de OVNIs afirmavam que restos do disco voador foram levados para o local para experimentos com o objetivo de replicar a nave espacial extraterrestre.

Autoria: Marcio Damasceno

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sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Hambúrgueres do McDonald’s não são aptos para o consumo humano, diz Jamie Oliver



A carne que a rede de fast food McDonald’s inclui em seus hambúrgueres não é apta para o consumo humano, pois é “lavada” com substâncias tóxicas, assim demonstrou um chef ativista britânico.

Jamie Oliver, em seu programa de televisão na BBC, demonstrou como o McDonald’s ‘lava’ as peças de carnes que não são aptas para o consumo com um agente antimicrobiano, o hidróxido de amônio, para poder usá-las como matéria-prima na preparação dos hambúrgueres.

“Estamos falando de carnes que teriam sido vendidas como alimento para cachorros e que após este processo são servidas para seres humanos. Além da qualidade da carne, o hidróxido de amônio é prejudicial à saúde”, disse Oliver.

Depois de revelada esta ‘lavagem da carne’, a rede McDonald’s decidiu modificar sua receita, embora porta-vozes da companhia tenham negado que tenha sido em resposta à iniciativa do chef.

“Que ser humano, em seu juízo normal, colocaria um pedaço de carne encharcada em hidróxido de amônio na boca de uma criança?”, questionou Oliver.

Contudo, se você já comprou um hambúrguer do McDonald’s e esta informação o desorientou, não se preocupe, pode guardá-lo para comer depois, inclusive anos mais tarde, caso queira. Em abril passado, veio à luz a história de um cidadão estadunidense que conservou um sanduíche em perfeito estado: sem fungos, mofo e nem odor, durante 14 anos.

Tradução: Cepat



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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Venceslau e o esquema ( ficção )



Venceslau era engenheiro ou coisa do tipo. Ele trabalhava há cerca de 40 anos na mesma empresa, uma gigante da construção. Ou da engenharia, não sei ao certo.
Zeloso e responsável, xodó dos superiores, Venceslau construiu para si a reputação de sujeito honesto e justo. Mas aí não estamos mais falando de carreira profissional.
Nas conversas que travava, tanto na vida profissional como na pessoal, Venceslau se mostrava alguém muito preocupado com as desventuras pelas quais o país passava - e passa até hoje. Praguejava contra os corruptos, amaldiçoava a roubalheira, se enervava com os desmandos que, todos sabem, imperam nesta nação tropical, Venceslau passava a imagem de alguém intolerante com a podridão, com essa molecagem que tem por aí.

Tudo quanto era corrente, email, abaixo-assinado, petição e o escambau, que tivessem por objetivo declarado combater a roubalheira horrososa que campeia nas instituições - sobretudo na política - Venceslau assinava e repassava. Ele se considerava um cidadão bastante consciente, "ao contrário" - dizia ele - "dessa gente que, na hora de votar, troca a decência e a dignidade por essas bolsas esmolas e mensalões".
O discurso de Venceslau impressionava muita gente:
- Se você se candidatasse, meu voto já era seu!
- Ora, o que é isso...?
- Sério. Você diz as verdades. O país precisa de mais gente igual você!
- Puxa, nem sei o que dizer...
- O pessoal até já te chama de "Elliot Ness" hahaha...
- Ora, puxa... - responde, enrubescendo, Venceslau.

Certo dia, Venceslau foi à banca de jornais - seu palanque predileto, onde ele, com o discurso já decorado, fingia estar lendo capas de jornais para, assim, abordar os desavisados que também se postavam para ler as manchetes - e deu de cara com mais um escândalo:
"ROUBALHEIRA NOS TRENS. GOVERNO FICA NUMA SINUCA DE BICO", dizia a manchete.

"Aí, tá vendo só? Esses políticos que ficam recebendo propinas e..."

Seu pensamento foi interrompido na linha seguinte. Ao contrário do que se tornara a praxe, todos os jornais estavam mostrando o nome dos corruptores. Destacou-se a informação de que certa empresa de engenharia - ou construção, ainda não decidi - foi o agente corruptor da trama toda.
Isso deu um nó na cabeça de Venceslau. Na calçada, as pessoas comentavam a notícia. Todos mencionavam a participação ativa da companhia no esquema todo.
Eu não preciso dizer - pois o distinto público já sacou - que a companhia que corrompeu os políticos nesse caso é, exatamente, a empresa onde trabalha, há mais de 40 anos, o nosso querido Venceslau.

Isso deixou Venceslau bastante chocado. Em todos esses anos ele jamais tinha se dado conta de que a existência dos corruptos exige a existência de corruptores. E os corruptores, dessa vez, são os patrões de Venceslau. Venceslau se sentiu sujo. Tanto dinheiro rolando nessas obras, a sonegação, os favorecimentos, o jogo de cartas marcadas, o desvio de verbas públicas...
Que podridão! Bem debaixo do nariz de Venceslau, o incorruptível. Ele não tinha notado que a empresa à qual dedicou todo seu esforço e vigor vivia regiamente às custas de dinheiro público desviado. Montanhas e montanhas de grana suja.. E agora, como continuar trabalhando nesse lugar, diante do novo quadro? Uma questão espinhosa, que Venceslau trataria de resolver imediatamente. Não dava para compactuar com aquilo!

No dia seguinte, um resoluto Venceslau bateu à porta do chefe do setor:
- Entra, Venceslau! A hora não é boa, mas você eu atendo!
- Bom, seu Campos, eu vou falar sem rodeios!
- Desembucha!
- Eu fiquei sabendo desse caso .Aliás, tá todo mundo sabendo! A imprensa tá batendo na gente pesado!
- É, eu sei!
- Eu trabalho aqui desde o tempo do seu Mário. Já passamos poucas e boas. O que ele deve estar pensando disso tudo?

Seu Campos olha pro quadro de Seu Mário, o fundador e dono da companhia, falecido há uns 25 anos, do coração. Seus filhos passaram a comandar a companhia após o passamento do velho, adotando as novas filosofias administrativo-gerenciais, as mais modernas que surgiram no mundo empresarial. O chefe desvia o olhar do quadro, com vergonha de encarar os olhos de Seu Mário. E responde a Venceslau:
- Nem sei o que dizer. Essa situação é muito constrangedora.
- E eu, prossegue Venceslau, que estou há tantos anos na empresa, sempre agindo com responsabilidade, cumprindo minhas obrigações, numa relação de lealdade com a firma. Aí descubro que a empresa - que nós! - é sustentada por caminhões e caminhões de dinheiro público desviado, de recursos roubados, na base do troca-troca e do conchavo!

O chefe ouve quietinho. Respira fundo e suspira. Olha de volta para o bom e velho Venceslau. Um funcionário-padrão, orgulho da casa. Um coração de ouro. O colaborador que toda empresa gostaria de ter em seus quadros. E responde:
- Entendo completamente seu ponto de vista, Venceslau! Todos conhecem sua reputação. Por isso, mais do que com qualquer outro funcionário, e empresa tem uma dívida com você, uma dívida de gratidão. Por isso, se você quiser ser demitido, pegar todas as suas indenizações integralmente, e quiser ajuda para conseguir uma recolocação no mercado, ou agilizar sua aposentadoria, a hora é agora... Pode fazer sua proposta que a empresa vai bancar. Você quer a demissão?
- Que demissão nada, Seu Campos! Agora que a firma tá bem de grana e os cofres enchendo como nunca, eu quero é conversar sobre um aumento substancial! Eu lá vou abanonar um time que tá ganhando?


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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Estudo mostra que maioria das pessoas escuta sempre as mesmas músicas



A opção de ouvir toda e qualquer música nova está a um toque na tela. E você vai sempre escolher aquelas mesmas velhas canções.

Quem crava qual será a sua seleção são os autores de um estudo feito na Universidade de Washington sobre o poder da familiaridade na escolha musical.

A pesquisa foi feita com mais de 900 universitários, autodeclarados apreciadores de novos sons. Pelo menos foi isso o que disseram em questionários prévios. Curiosamente, o lado B dos participantes apareceu quando foram confrontados com escolhas reais entre pares de músicas. A maioria optou por aquelas que tinha ouvido mais vezes.

Ouvir sempre a mesma música não é falta de opção ou imaginação. Segundo o coordenador do laboratório de neuromarketing da Fundação Getulio Vargas de São Paulo, Carlos Augustos Costa, é coisa da sua cabeça.

"O cérebro não gosta de nada complicado. Se você ouve um som novo, tem de parar para entender, mas se a música tem padrões familiares, é sopa no mel: você decide imediatamente ouvi-la."

Familiar é um padrão musical que a pessoa sabe reconhecer ou um estilo associado a memórias positivas.

"A música que você já conhece tem um valor emocional enorme. Cada vez que você a ouve, a associa a uma sensação de prazer e, quanto mais ouve, mais reforça essa associação", diz a neurocientista e colunista da Folha Suzana Herculano-Houzel.

O compositor Arrigo Barnabé, que desde a década de 1980 faz experimentações em música, diz ter a esperança que as novas plataformas ajudem a mudar o disco.

"Hoje, com a internet e o YouTube, vejo as pessoas mais interessados em ouvir novidades. Mas há a tendência de a pessoa buscar o conforto, o que já conhece bem."

A causa do fenômeno é mais material do que neuroemocional, na opinião do pesquisador e crítico musical José Ramos Tinhorão.

"A produção de música popular obedece as regras do capitalismo, com uma grande quantidade de produtos iguais sendo jogada no mercado. Isso começa a cansar e as pessoas sentem saudades das músicas antigas", afirma.

As músicas megarrepetidas nas rádios teriam então, segundo ele, efeito contrário. Mas não funciona assim.

"De tanto ouvirem, as pessoas acabam se familiarizando e não sabem mais se gostam ou não. Mas criam fidelidade", diz Rifka Smith, diretora da Radiodelicatassen, empresa de planejamento de produtos radiofônicos.

A repetição funciona até um limite. Grande parte do prazer da música é a oportunidade que ela dá ao cérebro de antecipar como será a próxima frase musical, segundo Herculano-Houzel.

Na música conhecida, a pessoa antecipa o prazer e é recompensada ouvindo o que já esperava. Vai querer repetir a experiência. "Mas, quando o cérebro já tem a certeza absoluta do que virá, perde a graça", diz a neurocientista.

É a brecha para seu cérebro ouvir algo de novo.

Mas o poder das velhas músicas continua, afirma o professor de marketing Morgan Ward, autor do estudo americano. "Quando as pessoas estão prontas para uma mudança, não querem uma revolução. A maioria dos novos estilos musicais é só uma atualização do que veio antes", disse Ward à Folha.

Colaborou LUCAS NOBILE, de São Paulo

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COMO FOI FEITA A PESQUISA

Os pesquisadores da Washington University fizeram três rodadas de testes. A idade média dos participantes era de 23 anos

1) 386 pessoas classificaram o grau de familiaridade com 24 músicas; depois receberam uma lista com 12 pares das classificadas e tiveram 15 minutos para escolher a preferida em cada dupla

2) 244 pessoas escolheram para ouvir 16 músicas em uma lista de 32; depois, classificaram o grau de familiaridade com cada música

3) 276 pessoas receberam uma atividade cognitiva leve (memorizar quatro palavras) ou mais pesada (20 palavras) para realizar e tiveram que escolher qual estação de rádio queriam ouvir: se a de músicas novas ou a das 'dez mais'



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domingo, 11 de agosto de 2013

O DVD ( ficção )



Dez da manhã. Domingo. Tocam a campainha. Carlos atende. Está sozinho em casa.
Olha pra fora da porta de casa e não tem ninguém. Percebe, na caixa do correio, um pacote. Um envelope pardo recehado. No envelope está escrito "ME ABRA" com pincel atômico preto.
Ele abre o envelope e de seu interior retira um DVD, onde se lê numa etiqueta "ASSISTA".

Sentado no sofá, Carlos aguarda o DVD rodar para assisti-lo. Qual seria o conteúdo? Um filme? 
Começa o filme. Alguém - não identificável - filma uma casa. O ponto de vista é de quem está filmando. Carlos reconhece a casa. É a SUA CASA!

A câmera começa a andar, em direção à casa. Pára diante do portão da rua por uns instantes. Uma mão segura uma chave e a enfia na fechadura. Portão destrancado facilmente, a câmera adentra a propriedade e se dirige à porta de entrada da residência.

O morador começa a se assustar: "Quando teriam gravado isto? E nenhum vizinho viu nada, ninguém me contou nada, que estranho!"

Um barulho de maçaneta quase faz o homem pular do sofá. O coração dipara. 
"Mas que raios...?", murmura, rangendo os dentes.
Parecem estar invadindo a casa. 
- Mas, pensa Carlos, talvez a Laura já tenha voltado do mercado.
Laura é sua esposa.

A porta da residência dá num corredor curto, e este na sala, que é onde nosso personagem está assistindo o perturbador DVD. Ele volta a olhar a tela da TV. A tempo de perceber que a câmera passa pelo corredor e se detém diante de uns quadros na parede. A câmera faz o papel dos olhos de alguém, observando tudo em volta. Depois da rápida parada diante dos quadros, retoma sua caminhada. E Carlos, a esta altura bastante desconfortável, assiste a tudo o que o invasor fez e viu. O invasor segue na direção da sala. Carlos prende a respiração. Sua casa havia sido invadida por um maluco voyeur de residências alheias. "Falta segurança pro cidadão neste país!", resmunga, inconformado.

"Que será que esse vagabundo fará quando chegar à sala?", pergunta-se Carlos, tentando imaginar o fim da estória, já que não havia notado nenhuma mudança ou alteração recente na casa. A Laura tem mania de ficar mudando as coisas de lugar sem avisar, mas não parecia ser o caso.

Os olhos - a câmera - desse alguém prossegue e chega no ponto onde o corredor termina e começa a sala. O morador não tira os olhos da tela. 
A câmera invade a sala e encontra Carlos olhando a TV. Carlos vê que agora ELE está na TV. Atônito, vê a si mesmo na tela. Ou melhor, vê apenas a sua nuca, transmitida por um cameraman misterioso. Mas tudo fica escuro e termina o DVD. 



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quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Tecnologias sensacionais de nosso tempo: roupa de porco-espinho contra zumbis

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Você já deve ter visto um zumbi. Já deve até mesmo ter "tombado" com algum por aí. Na verdade, o zumbi é que deve ter trombado com você, na rua.
O quê? Não acredita na existência de zumbis nem de vampiros e lobisomens? Sinto informar-lhe, mas zumbis existem, sim senhor.
Bem, uma coisa que você tem que ter em mente é: o zumbi não se parece em nada com a imagem que a cultura hollywoodiana nos vendeu. Os verdadeiros zumbis não estão mortos; nem tampouco são podres e vestem andrajos. E muito menos atacam as pessoas para comer-lhes seus cérebros. Nada a ver também com feiticeiros vodu haitianos.
Não. O verdadeiro zumbi está vivinho da silva e se veste tão bem quanto eu e você. Melhor que eu, eu tenho certeza, já que vaidade não é meu forte.

IDENTIFICANDO O ZUMBI
Estas pequenas indicações servirão pro leigo que queira reconhecer um zumbi em meio às multidões. Na verdade, é a maior moleza. Preste atenção à sua volta. Observe. 
Vou dar uma mãozinha, para facilitar. Observe uma moça de vestido azul passando ao lado daquela banca de jornal, logo ali perto do hidrante, à sua esquerda. Viu? Notou algo que se destaca, além da formosura física da moça? Vai acompanhando ela, com o olhar.
Então. Notou que ela não parou um segundo de digitar qualquer coisa no celular dela? Percebeu que ela esbarrou em umas duas ou três pessoas, sem levantar o olhar para ver por onde ia, qual caminho tomava? Sem pedir desculpas às pessoas em quem ela esbarrou?
Percebeu?
Então, amigo, meus parabéns: VOCÊ IDENTIFICOU SEU PRIMEIRO ZUMBI! ( Clap! Clap! )

Sacou? E agora responda: quantas vezes você já viu cenas parecidas com esta? Seja sincero!
Eu sei: muitas vezes. Concordo.
Acho que é um fenômeno moderno propiciado por essas tecnologias e coisa e tal. O celular ou - sei lá, não conheço muito dessas engenhocas - smartphones parecem ter transformado muitas pessoas em seres isolados no interior de suas próprias mentes, ou algo do tipo. Evidentemente, não custa lembrar, o objeto em si não tem nada de mais.
Sair na rua deve ser uma tormenta para elas, imagino. Esse mundo tão imperfeito, tão chato. Um dia eu li uma crônica dum sujeito no jornal. Ele passava num barzinho de balada; um amigo, acompanhado de umas garotas, reconheceu o sujeito e chamou-o para unir-se ao grupo. Não lembro em detalhes, mas o cronista narrou seu "encontro": as garotas não conversavam, nem entre elas. Ficavam o tempo todo tirando fotos com o celular, teclando e postando coisas. Nosso amigo, não demorou muito, logo deu no pé. Não sei se a história era ficcional ou não. Mas...
Pessoalmente, um caso que presenciei e memorizei, e que se tornou exemplar para mim, foi duma garota que andava pela avenida digitando qualquer coisa, não percebeu que a calçada tinha terminado, e tomou o maior capote no meio da rua ( hahaha! ). Se levantou, pegou os objetos que se espalharam pelo chão - celular inclusive - estufou o peito, ajeitou o cabelo com as mãos e retomou seu rumo. SEM PARAR DE MEXER NA PORRA DO CELULAR!
Ah, tem outro! Hoje eu vi uma mulher que vinha falando ao celular e, obviamente sem perceber o que ocorria na vida real, entrou no sentido errado da escada rolante. Essa foi boa hahaha!

Eu poderia ficar tomando o meu e o seu tempo gastando linhas e linhas sobre o assunto, mas não vou fazer isso. Já demos o pontapé inicial. Você mesmo reconheceu o problema, sem muito esforço. Com certeza lembra de casos diários de gente com quem "trombou" e que estavam alheias a tudo. Estavam lá mas, ao mesmo tempo, não estavam. O santo destas pessoas, tal como o que protege os bêbados, deve ser muito forte, pois não se escuta falar com frequência de casos de pessoas que cairam em bueiros, ou que foram parar debaixo de motoniveladoras por causa da desatenção provocada pelo alheamento alimentado por celulares e smartphones.

PROTEJA-SE, CIDADÃO!
Bem, já estabelecemos que somos pessoas que não trancam suas mentes dentro de aparelhos e não gostamos de ficar alheios ao que acontece ao nosso redor. Mas não temos obrigação de ficar desviando dos outros que vêm em nossa direção sem olhar, entretidos pelas porras dos aparelhos eletrônicos hipnóticos. Não, nada disso. A única obrigação que temos é para com nossa integridade física! 
Evidentemente não podemos prestar atenção em tudo que nos cerca e, portanto, uma hora ou outra podemos ser surpreendidos por um esbarrão, provocado por um zumbi, sem termos tempo de desviar. Se não tomarmos cuidado, nós seremos vítimas destas criaturas e poderemos nos machucar sériamente!
O que mostra a importância de estarmos bem protegidos. Para isso, nada melhor do que a sensacional e modernésima ROUPA DE PORCO-ESPINHO CONTRA ZUMBIS! ( foto acima )
À primeira vista, a peça até parece uma jaqueta jeans charmosa. Não se iluda! Ela possue espinhos retráteis de aço e conta com um sensor de zumbis que detecta a ação destas criaturas decrépitas. O sensor calcula o espaço-vital de quem a veste e o sinal digital de celulares em volta. Quando um zumbi, munido de um aparelhinho de Satã, ultrapassa os limites do espaço-vital, o sensor automaticamente arma os espinhos de aço pontiagudos. Os testes mostram que SEMPRE o zumbi leva a pior. O equipamento funciona muitíssimo bem e não há o perigo de desregulagem. Portanto, o usuário não precisa ficar se preocupando com a possibilidade dos espinhos de armarem indevidamente, machucando inocentes não-zumbis. Nada disso. O equipamento é tão excepcional que, mesmo um zumbi poderá sair ileso de uma trombada casual. Pois os sensores levam em conta os fatores combinados "zumbi" e "celular" juntos. Um zumbi que caminha pela rua sem estar falando ou digitando em celular, e tromba em alguém sem querer, por desatenção ( acontece com todo mundo, oras ) não corre o risco de ser indevidamente identificado como "ameaça" pelo sensor. Nada disso. O sistema é perfeito, repito. É como a senha do banco que só funciona com o código-chave. Um sem o outro são inúteis.

Infelizmente, a fabulosa ROUPA DE PORCO-ESPINHO CONTRA ZUMBIS ainda se encontra em fase final de testes, e a chegada ao mercado ainda não está prevista. Aguardamos ansiosamente.


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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Dilma afirma ter "muito respeito" pelo "ET de Varginha"





O "morador" mais famoso da cidade de Varginha, no sul de Minas Gerais, ganhou um elogio presidencial nesta quarta-feira (7).


Em entrevista a rádios da cidade mineira, que visita hoje, a presidente Dilma Rousseff afirmou ter "muito respeito" pelo "ET de Varginha", que teria sido apreendido em 1996 por militares na cidade, em episódio nunca esclarecido.

"Queria te dizer que tenho muito respeito pelo ET de Varginha. E eu sei que aqui quem não viu conhece alguém que viu, ou tem alguém na família que viu, mas de qualquer jeito eu começo dizendo que esse respeito pelo ET de Varginha está garantido", disse a presidente, em resposta a pergunta sobre produção de café que citava a fama da cidade motivada pelo caso da suposta aparição extraterrestre.

O suposto "ET de Varginha" foi visto por três garotas da cidade em janeiro de 1996. As meninas atravessavam um terreno baldio quando uma delas notou algo estranho. Outra garota gritou e todas fugiram após a suposta criatura se mexer.

Ufólogos que investigavam o caso afirmaram ter gravações de depoimentos de militares que dizem terem capturado dois ETs.

Os seres teriam sido capturados e levados para Campinas, para autopsia. À época, o Exército e o Corpo de Bombeiros negaram ter conhecimento de qualquer apreensão do tipo.

Estátuas e monumentos foram erguidos em Varginha em referência ao caso. O principal é uma caixa d'água em formato de nave espacial. ( VARGINHA ONLINE )

(*) Não se estressem: ela respondeu brincando a uma pergunta que também foi feita em tom de brincadeira. Mas se ela tivesse falado a sério eu teria gostado do mesmo jeito.


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terça-feira, 6 de agosto de 2013

Jovem esquecido em prisão norteamericana sobreviveu a beber urina




Um estudante esquecido durante cinco dias, sem comida ou água, numa prisão nos Estados Unidos recebeu 4,1 milhões de dólares (3,1 milhões de euros) do governo norte-americano.

Daniel Chong, de 25 anos, sobreviveu bebendo a própria urina, depois dos agentes da agência norte-americana de combate ao narcotráfico (DEA) terem ignorado a sua presença na cadeia de San Diego (Califórnia).

O estudante universitário tinha fumado marijuana em abril de 2012, em casa de um amigo, quando foi detido com outras oito pessoas numa operação da DEA, adiantou o "Los Angeles Times".

Chong ficou esquecido na cela e rapidamente perdeu peso, chegando ao ponto de conseguir soltar-se das algemas, informou o jornal californiano.

Incapaz de escapar da cela, Chong teve que beber a própria urina para evitar a desidratação e começou a ter alucinações, temendo que iria morrer antes de a ajuda chegar.

Quando foi finalmente descoberto, Chong estava coberto com as próprias fezes e severamente desidratado.

Perto de uma insuficiência renal e a respirar com dificuldade, Daniel Chong foi levado para o hospital e precisou de cinco dias para recuperar, segundo o jornal norte-americano.

"Foi um acidente realmente muito, muito mau, terrível", disse o jovem em conferência de imprensa, na terça-feira.

A compensação foi supostamente aprovada pelo departamento de justiça, que recusou comentar o acordo ao jornal.

O advogado de Chong disse que o estudante teve que submeter-se a psicoterapia intensiva e sofre de "stress" pós-traumático, desde a experiência, afirmando que esta situação "nunca deveria acontecer a qualquer ser humano à face da terra". ( JN )




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"Chevron-Texaco despejou bilhões de litros de poluentes no Equador", denuncia deputada



A presidente da Assembleia Nacional do Ecuador, Gabriela Rivadaneira e a deputada ( lá é denominada de ‘asambleísta’ ), Maria Augusta Calle denunciaram aquilo que qualificam como o maior desastre petroleiro do mundo, durante a abertura e nos debates do XIX Encontro do Foro e nos debates subsequentes.

A Chevron operou em uma área de Floresta Amazônica de 1964 a 1992 destruindo um dos territórios de maior biodiversidade do planeta, terras indígenas, provocando inúmeros casos de câncer, bebês com malformações genéticas, além de deslocamento populacional.

Segundo a deputada Maria Augusta, a Chevron poluiu de forma "consciente e intencional".

"Não havia tratamento de efluentes antes de despejar milhões de litros de petróleo ao rio Naipo. Não havia nem tubulação para levar os detritos ao rio. Eles passavam pelo solo da floresta, contaminando e destruindo tudo", denuncia Maria Augusta.

Foram bilhões de litros de tóxicos e de petróleo cru. A denúncia é de que a poluição é 30 vezes maior que a provocada pelo conhecido e lamentável desastre do petroleiro Exxon Valdez na costa do Alasca.

Uma demanda dos camponeses que durou dez anos nas Cortes dos Estados Unidos acabou tendo por decisão que fosse levada aos tribunais do próprio Equador.

Os mais de 30 mil diretamente atingidos incluindo indígenas das tribos Siona, Secoya, Cofán, Huaorani e Kichwa conseguiram uma vitória. Foi determinado que a "limpeza" alegada pela Chevron Texaco era fraudulenta e que a contaminação prosseguia e, ao final a petroleira transnacional foi multada em 18,2 bilhões de dólares.

A Chevron deu início a uma campanha de perseguição, espionagem contra os advogados e maledicências contra os deputados que a denunciavam, em especial a deputada Maria Augusta, defensora da biodiversidade e dos moradores da região amazônica do Equador.

Ao invés de pagar a indenização, a empresa recorreu ao Tribunal de Arbitragem de Haia para contestar a decisão da justiça equatoriana. A "arbitragem" vassala dos interesses das transnacionais e do Império considerou ilegítima e sentença e ainda "condenou" o Equador a pagar multa de cerca de 100 milhões de dólares.

Vale o alerta do caso do Equador para o Brasil onde a mesma empresa causou danos no Campo de Frade e está entre as que revelaram interesse em participar do leilão do Pré-Sal. O advogado e diretor jurídico da Chevron, Hewitt Pate, ao ganhar em Haia já declarou: "A decisão do tribunal confirma que as ações de execução que estão perseguindo contra a Chevron na Argentina, Brasil e Canadá atentam contra o direito internacional".

Gabriela Rivadaneira foi intensamente aplaudida ao convocar a solidariedade dos líderes partidários e dos governos progressistas e afirmar: "Vamos vencer esta batalha e afirmar que já não somos quintal do Império".



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domingo, 4 de agosto de 2013

A "Lei do mais forte" na pré-história ( conto )



Essa história rolou nalgum lugar e época que vou fingir que é a pré-história. Poderão participar - ou não - dinossauros, o que será uma heresia, do ponto de vista correto dos especialistas. O vulgo popular se acostumou a achar que a pré-história foi aquilo que viamos nas tiras do Brucutu ou no desenho dos Flintstones.

Grunto vinha se arrastando, mal conseguindo carregar junto sua clava, há milhas, por aquela terra desolada, onde o Autor cismou de colocá-lo. Vinha se arrastando sob aquele Sol abrasivo, sedento e tendo que se proteger de criaturas vorazes. Não havia comida e nem água. Nem uma mísera sombra sequer. Se existisse Deus naquela época, Grunto tentaria pedir-lhe alguma ajuda.
Fez, a sua maneira, uma prece. Ou uma imprecação:
- Grumorrr horaarrrhghgh!

Bem, não havia Deus, mas havia um Autor magnânimo.

Do nada, Grunto topou com uma espécie de oásis. Estava salvo, pelo menos por enquanto. Grunto exultou:
- Grumorrrorhgggrh!! Groanmandhhgh ghhrrllrh!
Grunto reagrupou forças e acelerou na direção do oásis.
Chegando lá, viu uma espécie de mina d'água e correu em sua direção. Aproxiumou-se e jogou-se ao chão, quase deslizando, e estendendo os braços na direção da água. 
Mas...
Quase trombou com algo. O que seria?
- Opa!
- Opa! Opa!
( A partir daqui, as falas serão traduzidas para facilitar o entendimento )

Grunto, e outro homem das cavernas - ou pré-histórico, sei lá eu - chegaram à fonte de água ao mesmo tempo. Os dois, sedentos e em pandarecos. Os dois nas mesmas condições horríveis. Nasceria ali uma empatia imediata entre os homens em situação tão desesperadora.

Ambos se assustaram um com a presença do outro, mas não era hora disso. Os dois ajoelharam-se e passaram a beber da água gelada e pura. Silenciosamente. Mas um olho na frigideira outro no gato, como se diz.
Beberam, arrotaram, e despejaram seu peso no solo. Descansaram sob a sombra. O cansaço os tornava inofensivos, essa é que é a verdade.

Horas depois, já noite, despertaram. Bromunus ( o nome do outro sujeito ) abriu os olhos, para ver que Grunto estava de pé diante dele, estudando-o. Grunto apresentava uma fiosionomia melhor, mais descansada. Bromunus também já se sentia bem melhor. Sem se levantar, Bromunus olhou para Grunto e disse, simpaticamente:
- Bem, meu velho, acho que nos salvamos de boa, heim?
Grunto nem piscou. Na verdade, estava encarando Bromunus. Este prosseguiu:
- Eu sou Bromunus, e venho viajando desde lá das terras do Norte, das terras do grande vulcão. E você?
- Sou Grunto, resmungou Grunto, monossilábico. E me dirijo pras terras do Norte.
- Sabe, Grunto... Nas minhas viagens não achei lugar melhor que este aqui. Não tem nada lá no Norte, por isso minha gente saiu de lá, cada um numa direção. Espero que não tenham passado o mesmo que eu.
- Hm, sei. - respondeu Grunto cuja  fisionomia não estava  nada amistosa - Então não tem nada lá?
- Nadica. Não perca seu tempo. Aliás, nossos sábios previram que toda a região desaparecerá em brave, devido a uma erupção devastadora do grande vulcão. Por isso minha gente deixou o local. 
- Hmmm, isso é mau, pensou Grunto.
- Bom, Grunto, eu não sei quanto a você, mas decidi que vou ficar por aqui. Notei que a terra pode ser cultivada. Já existem árvores como frutas, como aquela ali. E esse excelente estoque de água. 
- Roar, quanto a mim..., respondeu Grunto, cujos olhos passaram a brilhar um brilho estranho, eu vou ficar aqui também...
- Puxa, mas isso é muito bom!, exultou Bromunus. Juntos, levantaremos a moradia, cultivaremos o solo, caçaremos e nos protegeremos mutuamente das ameaças dessa maldita terra pré-histórica!
 Lembram que escrevi acima que "nasceria ali uma empatia imediata entre os homens em situação tão desesperadora"? Então: EU MENTI!

- Sim, huahuahua! Faremos isso...
- Então...
- Na verdade, "amigo", VOCÊ FARÁ!
- Er, como assim? E você fará o quê?
- HEHEHE! Eu mandarei e você obedecerá!
- Oras, mas como?
- Simples, "amigo". Eu sou maior, mais forte, e tenho esta clava aqui. Enquanto você é mirrado, fracote e tem só esse pedacinho de pau que só serve para eu palitar meus dentes.
- Não! Você não pode! Temos que nos ajudar! Você não pode me escravizar!
- Não tem nada me proibindo de fazer isso hahaha!
- Estou avisando! Você não vai querer fazer isso!
- HUA HUA HUA! Está "me avisando", seu inseto insolente? Pois bem! Você não apenas vai me servir e trabalhar para mim, como acabo de decidir que também servirá de diversão e relaxamento na minha rotina diária! A começar de agora!
Terminou de dizer isso com a mão nos bagos, e avançou na direção de Bromunus, que tentou uma última vez:
- Tem certeza? É meu último aviso!
- HAR HAR HAR! Baixa a tanga aí que eu vou mostrar o aviso!
- FIUÍÍÍÍÍÍÍÍ
Era Bromunus assobiando.
- FÍÍÍÍÍUUÍÍÍÍÍÍ!
- Ui, olha o biquinho dele, zombou Grunto. Vem fazer biquinho aqui, ó. E...
Nem terminou de falar. Sentiu um golpe que o jogou uns três metros de distância.
- Mm...mmas o q-q-quêê...? Uh!
Um gigantesco e colossal homem - parecido com o Java, amigo de Martin Mystère -, mais pré-histórico que Grunto e Bromunus, estava diante de Grunto. O monstrão já se preparava para dar outro ataque contra Grunto, mas foi detido por Bromunus:
- NÃO, BELZAR! CHEGA!
Ainda tonto com a pancada, Grunto pergunta a Bromunus:
- Belzar? Quem? Onde?
- É, meu velho "amigo", eu esqueci de dizer que tinha um acompanhante e protetor comigo.
- E-ele?
- Sim. Sabe como eu o conheci? Eu vinha caminhando e ouvi um urro lamentoso. Era Belzar - eu o batizei assim - que tinha espetado o pé num espinho e não conseguia tirá-lo. Eu o ajudei. Belzar não fala nossa língua direito, mas sabe se comunicar muito bem por meio de gestos e alguns urros. Sua tribo foi devastada por uma manada de tricerátops ensandecidos e, desde então, ele vaga por aí. Após eu tê-lo ajudado, ele decidiu me acompanhar em minha jornada. Ele é um grande contador de piadas, inclusive. 
- M-m-mas...
- Vínhamos juntos. Ao chegarmos ao alto daquele morro avistamos o oásis e decidimos que eu desceria e ele ficaria por perto, de campana, só se apresentando no momento que fosse certo. Aí você decidiu me atacar...
Grunto percebeu que estava encrencado. Tentou uma manobra diversionista:
- "Atacar"? Oras, velho amigo...eu estava só brincando... HáHáHá? Não viu? Brincadeirinha...
Mas Bromunus não estava sorrindo. Nem Belzar.

Bem. Hoje o oásis é um importante entreposto comercial e ponto de descanso para viajantes, chefiado por Bromunus. Grunto trabalha ali de forma quase escrava mas, apesar de ter tentado fazer o mesmo com Bromunus, é tratado de forma até bastante digna. Além do trabalho diário, Grunto também serve de diversão e relaxamento para Belzar, um sujeito realmente forte.


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sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Alô, Carlinhos de Tocqueville: 80% dos adultos nos EUA estão à beira da pobreza e do desemprego



O artigo abaixo, da jornalista Hope Yen, foi publicado no último dia 28 pela revista "Salon" e por "The Huffington Post". A tradução que apresentamos hoje é inteiramente de nossa responsabilidade.

Há, nos países periféricos – nos países espoliados pelo imperialismo – um frequente endeusamento da metrópole. Howard Fast, nas páginas iniciais de Spartacus, satirizou implacavelmente essa espécie de estupidez, na figura de um ridículo capacho, um não-romano que louva muito mais as supostas virtudes de Roma do que os romanos com quem conversa. Essas virtudes romanas, essencialmente, se resumem a uma: a força.

Não elencaremos aqui as coisas ridículas que alguns propalam sobre os EUA. Mas o artigo de Hope Yen, ao comentar uma pesquisa realizada pelo instituto alemão GfK (Gesellschaft für Konsumforschung ou Growth from Knowledge – "Crescimento pelo Conhecimento") para a Associated Press, assim como dados de trabalhos acadêmicos e do último Censo dos EUA, tem o mérito de enfatizar a aflição constante dos que vivem nesse país. Se ainda existe quem acha que o modelo a seguir é esse, não é porque a realidade seja gloriosa – mas porque o cérebro dessas pessoas atingiu tal nível de esmagamento, que é difícil, embora não impossível, que voltem a pensar.

Talvez a autora não seja inteiramente precisa na relação entre classe e raça – duas categorias que muitas vezes se superpõem nos EUA. Mas seu principal interesse é expor como, nos últimos anos, os próprios brancos norte-americanos caíram em direção ao fundo da vala comum da miséria. O foco, bem entendido, não é o aumento da pobreza entre os brancos, mas o aumento do risco de pobreza – ou da "insegurança econômica" - no conjunto da população dos EUA, sobretudo entre os brancos. Essa aflição permanente é o estado normal das pessoas sob o regime dos monopólios financeiros, sobretudo quando há uma crise.

Hope Yen não é uma autora "de esquerda" - apesar do artigo que reproduzimos ter provocado alguns vagidos furiosos na direita financista norte-americana -, mas uma integrante do staff da Associated Press. Certamente, há vida inteligente nos mais surpreendentes lugares.

C.L.

HOPE YEN

WASHINGTON — Quatro de cada 5 adultos dos Estados Unidos lutam contra o desemprego, estão à beira da pobreza ou da dependência da assistência social em, pelo menos, parte das suas vidas - um sinal da deterioração da segurança econômica e de um sonho americano impossível de descrever.

Os dados de uma pesquisa exclusiva realizada para a Associated Press (AP) apontam, como causas dessa tendência, uma economia norte-americana cada vez mais globalizada, um abismo cada vez maior entre ricos e pobres e a perda de bem remunerados empregos industriais.

Os resultados aparecem no momento em que o presidente Barack Obama tenta renovar a ênfase de seu governo na economia, dizendo, em discursos recentes, que a sua prioridade mais alta é "reconstruir escadas de oportunidade" e reverter a desigualdade de renda.

Como os não-brancos aproximam-se de ser a maioria numérica da população dos Estados Unidos, uma pergunta é: qual o melhor foco para os programas públicos com o objetivo de promover os menos favorecidos? Se este foco deve estar na ação afirmativa que historicamente tem tentado eliminar as barreiras raciais, vistas como o impedimento principal à igualdade econômica, ou, simplesmente, se o foco deve ser a melhoria da posição socioeconômica de todos, sem considerar a raça.

A miséria vem crescendo especialmente entre os brancos, como se pode ver com base em várias mensurações. O pessimismo entre aquele grupo racial sobre o futuro econômico de suas famílias subiu ao mais alto ponto desde, pelo menos, 1987. Na mais recente pesquisa AP-GfK, 63% dos brancos classificaram como "pobre" a economia.

"Eu acho que está ficando pior", disse Irene Salyers, de 52 anos, moradora no Condado de Buchanan, no Estado da Virgínia, uma decadente região carvoeira nos Apalaches. Casada e divorciada três vezes, Salyers, no momento, ajuda seu namorado a dirigir uma barraca de frutas e outros vegetais, mas isso não gera muita renda. A maior parte do que eles ganham vem dos cheques para incapacitados do governo.

"Se você insistir em conseguir um emprego, não estão contratando pessoas, não pagam o bastante para ir nem mesmo até o trabalho", disse ela. Os filhos, ela disse, não têm "nada melhor para fazer do que ir atrás de drogas".

Enquanto as minorias raciais e étnicas têm mais probabilidade de viver na pobreza, as disparidades de raça na taxa de pobreza estreitaram-se substancialmente desde os anos 70, demonstram os dados do Censo. A insegurança econômica entre os brancos também é mais penetrante do que mostram os dados de pobreza do governo, engolfando mais de 76% dos adultos brancos quando estão por volta dos 60 anos, segundo uma nova mensuração econômica, que será publicada no próximo ano pela Oxford University Press.

A mensuração define "insegurança econômica" como a experiência de desemprego em algum momento da vida profissional ou um ano e acima vivendo da ajuda do governo, como ‘food stamps’ [ajuda alimentar], ou como rendimento abaixo de 150% da linha de pobreza. Medida em todas as raças, o risco de insegurança econômica aumenta para 79%.

As taxas de casamento são declinantes em todas as raças, e o número de casas encabeçadas por mães brancas que vivem na pobreza aumentou para o mesmo nível das [de mães] negras [que vivem na pobreza].

"É tempo dos Estados Unidos começarem a entender que muitas das maiores disparidades nacionais, da educação e expectativa de vida até a pobreza, são cada vez mais devido à posição de classe econômica", disse William Julius Wilson, um professor de Harvard que se especializou em raça e pobreza. Ele observou que, apesar da continuação das dificuldades econômicas, as minorias têm mais otimismo sobre o futuro depois da eleição de Obama, ao contrário dos brancos que lutam contra as mesmas dificuldades.

"Existe a real possibilidade de que a alienação branca aumentará, se medidas não forem tomadas para colocar na berlinda e enfrentar a desigualdade em uma ampla frente", diz Wilson.

No conjunto do país, o número de pobres dos EUA permanece um recorde: 46,2 milhões, ou 15% da população, devido em parte à taxa de desemprego elevada que se seguiu à recessão. Enquanto as taxas de pobreza dos negros e hispânicos são cerca de três vezes mais altas, em números absolutos a face predominante do pobre é branca.

Mais de 19 milhões de brancos caíram abaixo da linha de pobreza de US$ 23.021 para uma família de quatro pessoas, atingindo mais de 41% dos despossuídos do país, quase o dobro do número de negros que caíram abaixo da linha de pobreza.

Às vezes chamado "o pobre invisível" pelos demógrafos, os brancos de baixa renda geralmente estão dispersos em subúrbios, bem como em pequenas cidades rurais, onde mais de 60% dos pobres são brancos. Concentrados, no Leste, nos Apalaches, eles são numerosos no Meio-Oeste industrial e espalham-se através do coração dos Estados Unidos, do Missouri, Arkansas e até acima de Oklahoma, pelas Grandes Planícies.

O Condado de Buchanan, no sudoeste da Virgínia, está entre os mais destituídos do país em média de renda, com a pobreza pairando em 24% da população. O condado é, na maior parte, branco, como são 99% dos seus pobres.

Mais de 90% dos habitantes do Condado de Buchanan são brancos da classe operária, a quem falta um diploma universitário. Lá, a educação superior, por muito tempo, foi vista como dispensável para arranjar um emprego, porque a mineração, que era bem remunerada, assim como os empregos correlacionados, estiveram uma vez em abundante oferta. Nos dias atuais, muitos moradores viram-se com biscates e cheques do governo.

A filha de Salyers, Renee Adams, de 28 anos, que cresceu na região, tem dois filhos. Uma desempregada mãe solteira, ela é sustentada pelos cheques por incapacidade do namorado. Salyers diz que foi difícil criar os próprios filhos, como está sendo para a sua filha agora, e tenta nem mesmo especular sobre o que espera os seus netos, de 4 e 5 anos.

Fumando um cigarro em frente da barraca, Adams mais tarde expressa o desejo de que os patrões olharão para além da sua condenação, há alguns anos, por traficar analgésicos de prescrição obrigatória, logo, ela poderá conseguir um emprego e ter dinheiro para "comprar para as crianças tudo que elas precisam".

"É bastante difícil", diz ela. "Depois que as contas são pagas, podemos ter uns 10 dólares para nós".

Os números do Censo fornecem uma medida oficial da pobreza, mas são apenas um instantâneo temporário, que não captura o movimento daqueles que ciclicamente entram e saem da pobreza em diferentes pontos de suas vidas. Eles podem ser moradores de subúrbio, por exemplo, ou o trabalhador pobre ou o demitido.

Em 2011, esse instantâneo mostrou que 12,6% dos adultos, em seus principais anos de trabalho, de 25 a 60 anos, viviam na pobreza. Mas, medido quanto ao risco no tempo de vida de uma pessoa, um número muito mais alto – 4 em 10 adultos – caiu na pobreza por, pelo menos, um ano das suas vidas.

Os riscos de pobreza também estiveram aumentando nas últimas décadas, particularmente entre pessoas com idade entre 35 a 55 anos, coincidindo com a ampliação da desigualdade de renda. Por exemplo, pessoas com idade entre 35 e 45 anos tiveram um risco de 17% de enfrentar a pobreza no período que vai de 1969 a 1989; esse risco aumentou para 23% no período 1989-2009. Para as idades de 45 a 55 anos, o risco de pobreza saltou de 11,8% para 17,7%.

As recentes taxas mais altas de desemprego significam que o risco de experimentar insegurança econômica na vida é, agora, mesmo mais alto: 79%, ou 4 em 5 adultos, quando estão por volta dos 60 anos.

Por raça, os não-brancos ainda têm um mais alto risco de serem economicamente inseguros, em 90%. Mas, comparado com a taxa oficial de pobreza, alguns dos maiores saltos sob a mais nova mensuração estão entre os brancos, com mais de 76% alternando períodos de desemprego, vida em prosperidade ou perto da pobreza.

Até 2030, se a tendência atual de ampliação da desigualdade de renda continuar, cerca de 85% de todos os adultos em idade de trabalho nos Estados Unidos experimentará as aflições da insegurança econômica.

"A pobreza não é mais uma questão ‘deles’, é uma questão de ‘nós’", diz Mark Rank, um professor na Universidade de Washington em St. Louis que calculou os números. "Só quando a pobreza é pensada como um evento dominante, e não como uma experiência marginal que somente afeta negros e hispânicos, podemos realmente começar a construir o mais amplo apoio para programas que socorram as pessoas em necessidade".

Os números vêm da análise de Rank que está sendo publicada pela Oxford University Press. Eles são complementados com entrevistas e cifras fornecidas à AP por Tom Hirschl, um professor da Universidade de Cornell; John Iceland, um professor de sociologia na Penn State University; o Carsey Institute da University of New Hampshire; o Census Bureau; e pelo Population Reference Bureau.

Entre os resultados:

Pela primeira vez desde 1975, o número de lares de mães solteiras brancas que vivem na pobreza com crianças, sobrepujou ou igualou as famílias de mães solteiras negras, esporeado pelas perdas de emprego e taxas mais rápidas de nascimentos fora-do-casamento entre os brancos. As famílias de mães solteiras brancas na pobreza chegaram a quase 1,5 milhões em 2011, comparável com o número de famílias de mães solteiras negras. As famílias de mães solteiras hispânicas na pobreza caminharam para 1,2 milhões.

Desde 2000, a taxa de pobreza entre os brancos da classe operária tem crescido mais rapidamente do que entre os não-brancos da classe operária, aumentando 3 pontos percentuais, para 11%. A recessão cobrou um preço maior entre os trabalhadores de salário mais baixo. Ainda, a pobreza entre os não-brancos da classe operária permanece mais alta, em 23%.

A percentagem de crianças que vivem em bairros muito pobres, aqueles com taxas de pobreza de 30% ou mais, aumentou para uma em cada 10, colocando-as em maior risco de gravidez na adolescência e abandono da escola. Os brancos não-hispânicos foram responsáveis por 17% da população infantil em tais bairros, comparada com 13% em 2000, apesar da percentagem global de crianças brancas nos Estados Unidos ter diminuído.

A percentagem de crianças negras em bairros muito pobres caiu de 43% para 37%, enquanto a parcela de crianças latinas foi de 38% para 39%.

As disparidades de raça na saúde e na educação foram geralmente estreitadas desde a década de 60. Apesar da segregação residencial continuar elevada, pela primeira vez, agora, uma típica pessoa negra pode viver em um bairro com não-maioria de negros. Estudos anteriores mostraram que a riqueza é um melhor prognosticador de resultados nos testes padronizados que a raça; a lacuna, nos testes padronizados, entre estudantes de baixa renda e estudantes ricos é agora quase o dobro do fosso entre negros e brancos.

Voltando à década de 80, nunca os brancos foram tão pessimistas sobre seu futuro, de acordo com o General Social Survey, uma pesquisa semestral realizada pela NORC [National Opinion Research Center] da Universidade de Chicago. Apenas 45% dizem que sua família terá uma boa chance de melhorar sua posição econômica com base na maneira como as coisas são nos Estados Unidos.

A divisão é especialmente evidente entre os brancos que se auto-identificam como classe trabalhadora. 49% dizem que pensam que seus filhos vão ter uma vida melhor que a sua, em comparação com 67% dos não-brancos que se consideram classe trabalhadora, mesmo que a situação econômica das minorias seja tendente a piorar.

Apesar de ser um grupo cada vez menor, os brancos da classe trabalhadora – definidos como aqueles a quem falta um diploma universitário – permanecem o maior bloco demográfico da população em idade ativa. Em 2012, no dia das eleições, as sondagens realizadas para a AP e as redes de televisão mostraram que os brancos da classe trabalhadora compunham 36% do eleitorado, mesmo com uma queda notável na participação dos eleitores brancos.

Em novembro passado, Obama ganhou os votos de apenas 36% dos brancos sem educação universitária, o pior desempenho de qualquer candidato democrata entre esse grupo, desde a esmagadora vitória de Reagan, em 1984, sobre Walter Mondale.

Alguns analistas democratas pediram esforços renovados para trazer os brancos da classe trabalhadora, chamando-os de um potencial "grupo de eleitores com peso decisivo na balança eleitoral" se a minoria e a participação da juventude nivelarem as eleições no futuro. "Em 2016, a mensagem do Partido Republicano será muito mais focada em expressar preocupação pela ‘classe média’ e pela ‘média dos americanos’", escreveram recentemente Andrew Levison e Ruy Teixeira em The New Republic.

"Eles não confiam num governo grande, mas isso não significa que eles querem nenhum governo", diz o pesquisador republicano Ed Goeas, que concorda que os brancos da classe trabalhadora continuarão a ser um importante grupo eleitoral. Sua pesquisa descobriu que muitos deles iriam apoiar programas de combate à pobreza, se amplamente focados em treinamento de trabalho e investimentos na infraestrutura. Na semana passada, Obama prometeu novamente ajudar os industriais a trazerem empregos para os Estados Unidos e criar postos de trabalho nos setores de energia eólica, solar e gás natural.

"Eles sentem que os políticos estão dando atenção a outras pessoas e não a eles", disse Goeas.

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