segunda-feira, 29 de julho de 2013

GALERIA DE HERÓIS DO BLOG: Jornaleiro cobra R$ 8 para dar informações sobre ruas de SP




Está todo mundo comentando na Água Branca. O seu Palmeirense resolveu, no mês passado, aumentar o preço da informação. Agora, quem quiser arrancar do jornaleiro um endereço ou a localização de um prédio no bairro da zona oeste de São Paulo precisa pagar R$ 8.

"Onde fica o posto da previdência social?", pergunta a advogada Patrícia Rocha, 23, colocando um papel com o nome da rua em cima do balcão do seu Palmeirense. "Custa R$ 8 a informação", diz ele, mostrando um cartaz colado num vidro da banca

"Como assim? Não vou pagar", reclama Patrícia."Então não sei", responde o jornaleiro, que tem a banca no bairro há 16 anos -três deles na avenida Francisco Matarazzo, em frente ao parque da Água Branca.

A advogada, então, vira, olha para cima e vê uma placa indicando o edifício que procurava. "Ah, é ali!"

O seu Palmeirense não quis revelar o nome. Nos últimos três meses, ele tem provocado revolta e risos em quem passa pela banca. Comerciantes da região até pensam em imitar a cobrança.

Cansados de serem interrompidos com perguntas, o jornaleiro e a sua mulher decidiram começar a cobrar R$ 2 por resposta. Há um mês, aumentaram para R$ 8. "Não trabalho de graça", diz ele.

"O senhor sabe onde fica a avenida Adolfo Pinto?", pergunta a dona de casa Mércia da Silva, 55. "Não sei", responde seu Palmeirense. "É claro que sabe, onde já se viu? O senhor vai morrer sozinho" [ grifo nosso ], diz Mércia, nervosa.

Em cerca de 20 minutos, enquanto a reportagem conversava com o casal, cinco pessoas pediram informação. Ninguém comprou nada nem pagou os R$ 8.

"É um vício das pessoas pedir informação a jornaleiro", disse a dona da banca, que também não revelou o nome. A banca fica a cinco metros de uma viela que liga a avenida Francisco Matarazzo à rua Tagipuru, próxima à estação Barra Funda do metrô.

Quem sobe a viela não encontra nenhuma placa informando que, ali na esquina, já é a avenida. Não dá para saber, por exemplo, para que lado fica o número 1.000.
A primeira coisa que se vê é a banca de jornal.

Em março de 2011, o casal pediu à Subprefeitura da Lapa que uma placa fosse colocada na esquina. Ligou outras cinco vezes, mas o pedido foi indeferido porque a viela não tem nome. A subprefeitura diz que só pode colocar a placa se um vereador sugerir um nome e o pedido for aprovado na Câmara.

Além da estação do metrô e do parque, a região abriga um posto da previdência, hospitais, shoppings e o Palmeiras. A banca do seu Palmeirense é a única num raio de mais de um quilômetro.

Ao lado, funcionários de um estacionamento também sofrem com as perguntas. "Trabalho mais falando onde fica a previdência do que cobrando os motoristas", diz Diego Bino, 25.
"Ninguém nunca pagou nem vai pagar, a gente sabe disso. A cobrança é uma ironia", diz a dona da banca.

"A senhora sabe onde tem um ponto de ônibus aqui?", pergunta uma mulher. "Não sei", diz a jornaleira. O ponto fica bem em frente, no canteiro central da avenida. "Ah, é ali", diz a mulher, atravessando a rua. 
( FSP )

COMENTÁRIO DO BLOG: Eu ia fazer uma longa série de considerações a respeito, mas deixa quieto. Mas não podem ficar de fora duas ou três coisas:

1 - Só quem é - ou foi - jornaleiro sabe como é [ se bem que eu conheço alguns que ficam felizes em ajudar ]. Com a agravante de que, de uns 10 anos para cá, as pessoas passaram não mais a pedir informações, mas A EXIGIR. Sim, você está lendo certo. As pessoas exigem a informação e exigem que você saiba. Dependendo do lugar, se existir possibilidade de alguém parar de carro em frente a sua banca para pedir informação, pode contar que boa parte - uma grande parte, certamente - das pessoas estacionará e ficará buzinando, querendo que VOCÊ se desloque de onde está para ir até Sua Majestade. E palavras e expressões como "por favor" e "obrigado" se tornaram arcadismos ou línguas mortas. Algumas só agradecem quando recebem a informação que desejam. Isto é, quando você dá uma informação ou não, o que você está concedendo, na verdade, é sua atenção. Mas deixa estar: nos dias de hoje as pessoas não agradecem nem a atenção dispensada e muito menos a informação conseguida. Essa cidade tá um lixo mesmo;

2 - Uma vez me disseram, brincando: "Poxa, se você colocar uma placa cobrando cinquenta centavos por informação, ficará rico!!!". No que eu retrucava: "Eu vou botar uma placa cobrando dez reais, isso sim!". Aí me respondiam: "Mas aí ninguém vai perguntar nada...". E eu: "É exatamente ESSE o objetivo!"

3 - Não sei de onde se criou essa cultura de se perguntar coisas a jornaleiros. Banca de jornal é um comércio igual a qualquer outro, como açougues e lojas de bijuterias. Mas tenho uma impressão: certa vez um sujeito foi querer saber onde ficava determinada rua e, como eu desconhecia - sim, obviamente eu já dei informações às pessoas mas, graças a Deus, custou mas deixei esse hábito nocivo pra trás - ele simplesmente tascou: "Não tem um guia aberto pra gente [ sic ] dar uma olhada?" 
De onde ele teria inventado a idéia de que talvez, por via das dúvidas, pela graça do Espírito Santo, casualmente existiria ali um guia de ruas aberto à disposição gratuita para consulta? Talvez - eu disse "talvez" - tenha havido um tempo em que jornaleiros abnegados disponibilizavam guias de ruas pros nobres concidadãos, graciosamente.


4 - Até hoje eu não dou informação a quem me pede [ sic ] na rua. Quando era jornaleiro - até 2010 - a partir de 2008 eu parei de dar informação. Agradeçam aos vermes que escutavam a dita música popular num celular dentro do busão. Depois desse episódio - no qual até briga saiu - eu passei a me recusar a fazer favores, já que nem o obrigatório se faz mais. Também levei em conta a irritação que comecei a ter com carros sobre calçadas e estas merdas de calçadas ilegais que a maioria dos paulistanos mantém. Pensem o que quiserem, tanto faz. Parabéns ao jornaleiro mostrado na reportagem.

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