terça-feira, 30 de julho de 2013

Bohemian Club: polémico acampamento secreto reúne poderosos nos EUA


Como em todos os meses de Julho há mais de um século, alguns dos homens mais ricos e influentes dos Estados Unidos estão reunidos no acampamento Bohemian Grove, perto da cidade de Monte Rio, no norte da Califórnia.

O encontro, que é fechado à imprensa, dura duas semanas e é o ponto alto do ano para os membros do Bohemian Club, uma instituição privada para homens fundada em São Francisco, em 1872.

Entre os elementos há intelectuais, vários ex-presidentes dos Estados Unidos e influentes senadores, deputados, académicos e altos executivos das maiores empresas e instituições financeiras do país.

Acredita-se que o Projecto Manhattan, que levou à criação da bomba atómica, tomou forma no Bohemian Grove, durante uma reunião em 1942.

De acordo com o porta-voz do clube, Alex Singer, o evento é apenas uma reunião em que os sócios e os seus convidados - entre os quais, como em todos os anos, figuras de destaque internacional - desfrutam da natureza e de uma série de actividades culturais que incluem concertos, peças de teatro, recitais e palestras sobre assuntos da actualidade.

Mas o forte esquema de segurança e sigilo têm tornado o encontro alvo de protestos de muitos grupos de activistas, que questionam a legitimidade do Bohemian Grove por reunir funcionários do governo e representantes do mundo corporativo a portas fechadas.

O acampamento também tem gerado uma série de teorias da conspiração (algumas mais prováveis do que as outras) que asseguram que os «bohos», como são chamados os sócios do clube, trabalham para estabelecer uma nova ordem mundial e celebram rituais pagãos com conotações satânicas.

Peter Phillips, professor de sociologia política da Universidade de Sonoma, na Califórnia, pesquisa as actividades do Bohemian Club há mais de 20 anos. Para a sua tese de doutoramento entrevistou muitos dos seus membros, e acabou por ser convidado a a passar vários dias no acampamento de Verão do grupo.

Ele explica que a confraria tem entre 2.500 e 3 mil sócios (embora o número exacto e os nomes dos integrantes do clube nunca tenham sido divulgados). A lista de espera pode durar entre 15 e 20 anos, e não é de surpreender que tornar-se um «boho» tenha o seu preço: entrar no selecto grupo custa nada mais nada menos do que 25 mil dólares.

Fundado por um grupo de jornalistas, artistas e músicos, o Bohemian Club começou a aceitar empresários e homens de negócios com o passar do tempo para financiar as suas actividades culturais.

O especialista diz que actualmente o clube conta com os 200 maiores doadores do Partido Republicano e directores das 100 maiores empresas americanas.

Figuras de destaque já passaram pela confraria, entre eles os escritores Mark Twain e Jack London, os multimilionários William Randolph Hearst e David Rockefeller e políticos conservadores de reputação nacional, como Dwight Eisenhower, Ronald Reagan, Henry Kissinger, George Bush e seu filho George W. Bush, Dick Cheney e Donald Rumsfeld.

Este ano, a lista inclui nomes como o ex-general do Exército americano Stanley McChristal, o famoso comediante Conan O'Brien, o presidente da Universidade de Stanford, John Hennessey, o ex-presidente da Intel, Paul Otellini, e o ex-presidente boliviano Jorge Quiroga.

Phillips diz que os participantes dividem-se em cerca de 120 acampamentos, que vão desde chalés com bastante conforto até alojamentos mais simples, com casas de banho e chuveiros partilhados.

Na floresta, as instalações contam ainda com três teatros ao ar livre, um restaurante, um pequeno museu de história natural e mais de 100 pianos.

O clima é de festa e há muita bebida, conta o estudioso, relembrando outro aspecto essencial do evento: a preferência dos seus sócios por urinar ao ar livre, nas árvores, constantemente. 

E MAIS:

Assista >>  Episódio do programa DECIFRANDO CÓDIGOS, do History Channel, dedicado ao Bohemian Grove





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