sexta-feira, 21 de junho de 2013

Oliver Stone critica glorificação da guerra pelo cinema hollywoodiano


“Alguns filmes contribuem para tornar a situação do mundo mais desastrosa, sobretudo, os dos Estados Unidos”, afirmou o cineasta norte-americano Oliver Stone no último final de semana na China, durante o Festival de Cinema de Shanghai.


Stone, que foi interrompido em várias ocasiões por aplausos em um debate no Museu de Cinema da cidade, condenou a forma com que Hollywood glorifica a guerra e a participação dos Estados Unidos em conflitos bélicos.

O diretor de Platoon, JFK - A Pergunta Que Não Quer Calar, Nascido em Quatro de Julho e Wall Street - Poder e Cobiça, entre outros filmes, apresentou como exemplo o longa de Steven Spielberg “Buscando o soldado Ryan”, sobre o qual, disse: “Reflete esse espírito americano: ‘Vamos, chegamos, chutamos bundas, fazemos o que há que fazer. Tudo mentiras’”.

Sobre “A queda do falcão negro”, de Ridley Scott, afirmou: “É um dos filmes mais obscenos que se fizeram, e é um bom filme e funciona. Tecnicamente é bonito, mas é obsceno, porque sua mensagem é que os Estados Unidos vão à Somália, toda essa gente é assassinada por negros que disparam indiscriminadamente e os americanos mostram sua nobreza”. “Dizem-nos que está bem morrer ou ir a outro país matar gente”, acrescentou.

O cineasta observou que “enquanto isso, continuamos atuando em centenas de filmes de Hollywood, com todo o nosso poder, como se fôssemos os que levam todas. Por isso, pensem no que estou dizendo, há um monte de pessoas da minha idade que até os anos 90 acreditavam, de verdade, que os EUA ganharam a Segunda Guerra Mundial”.

Stone lembrou que quando os Estados Unidos entraram na França, em 1944, a União Soviética já estava caminho da Alemanha: “A invasão (na Normandia) não foi importante para o resultado final da guerra e digo isso porque não conhecemos nossa própria história, e estamos fazendo filmes sobre isso”.


Enfatizou que “há milhares de pessoas como eu que deveras não acreditamos no império americano, que pensamos que devemos detê-lo, porque leva a um mundo de loucura, um mundo desequilibrado, supostamente apoiado no domínio do ar, terra, mar, espaço e o ciberespaço”. ( HORA DO POVO )

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