domingo, 30 de junho de 2013

Não importa os que os outros pensam



Como naquela música, eram dois amigos inseparáveis, desde muito jovens, até a presente idade média, ou seja, os quarenta anos. Gerson e Carlão. Carlão era o piadista. Gerson, quase sempre, a vítima. Ou era vítima das piadas - quasi sempre sem-graça - noutras tantas vítima de piadas, de trotes e gozações. Mas estas eram, na maioria das vezes, leves e pouco ofensivas.
Mas Carlão foi pegando um hábito meio chato que foi, ao longo do tempo, começando a incomodar Gérson. Bastava se encontrarem em locais públicos ou onde houvesse mais que 5 ou 6 pessoas presentes - um elevador, por exemplo - e Carlão tascava em alto e bom som:
- FALA, VIADO!
- Er... oi!, respondia clara e evidentemente sem-graça o Gérson.
Na padaria:
- FAAALA, VIADO! BELÊ?
- Fala, Carlão...
No ponto de ônibus:
- FAAAALAA, VIADO! VAI PRA ONDE?
- Ahn, er, pro Itaim...
- FALOU, VIADO, ATÉ MAIS!

Um dia, os amigos se encontram num bar de balada, aquele lance de caçada às fêmeas da espécie. Gérson já estava lá, bebendo algo. Carlão chegou depois. Ninguém tinha marcado nada. Se encontraram meio que por acaso. E, como sempre:
- FALAÊ, VIADO!!
- Heim, hãn, o quê?! Ah, você taí é?
- Acabei de chegar! E o que rola aí?
- Por enquanto nada...mas...Vem cá, é o seguinte...
- Que que foi?
- Olha, faz anos que a gente se conhece, né?
- "Anos"? Décadas, meu!
- Então. A gente é amigo há um tempão...
- Podescrê, passamo um monte de barra!
- Então acho que posso falar um troço que tá me incomodando.
- "Incomodando"? O quê? Tem a ver comigo?
- Não "tem a ver com você"! É "sobre você"!
- Euuu? Mas que que eu fiz!??
- Bom...( putz, que chato falar isso ) é...
- "É" o quê? Desembucha logo, meu!
- É esse lance de "viado" aqui, "viado" ali. "Fala viado!", porra isso me incomoda!!
- Ahhhmasporquê, meu? É só uma brincadeira, meu!
- Ah, mas já tá chateando!
- Mas é só uma brincadeira!
- É porque não é com você!
- Porra, não aguenta uma brincadeira? Que amigo eu fui arrumar, viu!
- "Que amigo" digo eu! A gente pede pra parar de fazer uma brincadeira sem-graça e o "amigo" fica estrilando!
- Ora, mas não tem mal nenhum!
- "Não tem mal nenhum"? Olha, não é de hoje que eu percebo olhares enviezados para mim. A mulherada deve estar acreditando que eu sou viado, de tanto que você fala isso!
- Mas como? Eu sei que você não é viado, catzo. Tá certo que você não é de ficar galinhando, xavecando, coçando o saco e falando bobagem pra mulher quando elas passam, mas até aí normal. Não tem nada de viado.
- Eu sei. Você sabe. Mas nunca se sabe. Mas de tanto ficar falando, vai que cola. Não é legal. Aí o povo pode começar a pensar coisas. De repente até aquele meio embonecado que trabalha na firma vai achar de ficar arrastando asa pra cima de mim...
- Ah, então é esse o problema? Você tem preconceito? 
- Não é questão de "preconceito". Trata-se das coisas como elas são. Certo é certo. Sem entrar no mérito. Se "ser gay" é certo ou não, isso é outra conversa. Se um quadrado é quadrado e um círculo é um círculo. Isso é que está em questão. Ocorre que os outros...
- Ah, o problema é o pensamento dos outros? Que que importa o que os outros pensam ou achem? "Paus e pedras quebram meus ossos, mas palavras não me atingem"...
- Ai, caramba!! Cabeça dura da porra! Olha, faz o seguinte: tô indo nessa! Pensa melhor nisso tudo, no que eu pedi, e outra hora a gente conversa. 
- Não, Gérson. Você é o que é, meu amigo. E eu sou o que sou. Espontâneo. Casca grossa. 
- Eu sei, Carlão. Nós somos amigos, isso não vai mudar. Mas tem que acatar esse simples pedido, cara!
- Sei não!
- Olha, eu tô indo. Depois a gente conversa! Falô, cara!
- Falou, viado!
- Hmmmpfff!

Num dia seguinte qualquer, os amigos irão se trombar na rua, em calçadas opostas, cada um indo na direção contrária do outro. Dito e feito. Carlão vê o amigo e berra:
 - E AÍ, VIADO?
Gérson fica puto e responde:
- Porra, cê é foda heim?
- HAHAHAHAHA! Falei pra você, meu. Desencana. O que os outros pensam a nosso respeito não nos atinge!

E cada um toma seu rumo.
Gérson olha para trás e vê que cerca de 20 torcedores de futebol dobraram a esquina, na calçada oposta a Carlão, que se dirige diretamente naquela direção. 
Gérson pára, olha pra multidão de torcedores e analisa o uniforme deles. São os fanáticos do Preto-E-Branco FC. Lembra dos inimigos fidagais destes, os torcedores igualmente fanáticos do Periquitos EC.

E grita pro amigo Carlão, que não gosta de futebol:
- CARLÃO!!!
Carlão pára, olha para trás e devolve o berro:
- O QUE FOI?
- VOCÊ VAI NO JOGO DO PERIQUITOS?




quinta-feira, 27 de junho de 2013

Japão: idoso processa televisão por excesso de americanismos


Ancião processa televisão por usar estrangeirismos
Um pensionista japonês quer ser indemnizado pela televisão pública NHK em 1,41 milhões de ienes (10.100 euros), alegando que o uso excessivo de estrangeirismos tornou muitos dos seus programas ininteligíveis.
"A base da sua queixa é que o Japão está a ser demasiado americanizado", disse hoje o advogado de Hoji Rakashi, de 71 anos.
O indivíduo alegou que o uso excessivo de palavras estrangeiras nos programas da NHK lhe causa "angústia emocional", impedindo-o de entender os conteúdos.
"Há um sentimento de crise de que este país está a tornar-se uma província da América", continuou o advogado Mutsuo Miyata.
A língua japonesa tem um vocabulário rico, mas tem uma tradição de importar palavras de outros idiomas, por vezes de forma bastante inventiva e, em algumas ocasiões, alterando o significado no processo, escreve a AFP.
A maioria dos falantes de japonês não pensaria duas vezes em incluir as palavras "trouble", "risk", "drive" ou "parking", entre muitas outras.
Embora o inglês forneça a maioria dos estrangeirismos na língua japonesa - em consequência da ocupação norte-americana do pós II Guerra Mundial e subsequente fascínio da cultura norte-americana - as palavras importadas de outras línguas também estão em uso.
Assim, a palavra para trabalho a tempo parcial é uma versão adaptada para japonês do termo alemã "arbeit", enquanto "concierge" deriva do francês e o termo espanhol "pan" é comummente entendido como pão.
Contudo, com a estrutura fonética japonesa, a palavra inglesa "trouble" torna-se "toraburu", por exemplo, enquanto o francês "concierge" é pronunciado "konsheruju".
"Ele decidiu avançar com um processo porque a estação de televisão não lhe respondeu", disse o advogado e antigo colega de escola do queixoso.
Para Miyata, "esta é uma questão da cultura japonesa, do próprio país, incluindo a sua política e economia".
A NHK disse que se escusa a comentar o caso enquanto não receber qualquer notificação do tribunal.
Tradicionalistas em França e na parte francesa do Canadá também estão preocupados com a erosão da língua nativa à medida que aumenta a influência de Hollywood.
Em 1994, os deputados franceses passaram a "Lei Toubon", que estipula que a a língua e educação em França devem ser franceses, salvo algumas exceções.
O Quebec tem uma agência de governo que impõe normas, segundo as quais um certo número de materiais deve estar escrito em francês. ( DN )

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Aumenta o número de pessoas que se estropiam por causa dos celulares




Cuidado, o celular pode derrubar você 
Segundo um estudo da Universidade de Ohio, nos EUA, no período de 2005 a 2010, dobrou o número de pessoas que visitam as unidades de pronto-atendimento do país, por causa de quedas, por tropeçarem, ou acidentes mais graves enquanto caminham distraídos falando ao celular. Foram 1,5 mil atendimentos em 2010. 
Para os pesquisadores Jack Nasar e Derek Troyer, o número pode dobrar até 2015, pois a tendência de uso do aparelhinho ainda é crescente. O estudo, a ser publicado na revista Accident Analysis and Prevention de agosto, mostra que os jovens com idade entre 16 e 25 anos são os mais suscetíveis a traumas por distração causada pelo celular, e que a gravidade dos traumas variou desde a queda de uma ponte [ grifo nosso ] até atropelamento. 
Mais interessante: no mesmo período, o número de pedestres com trauma atendidos nessas unidades de urgência reduziu-se pela metade. Não precisa muito para se distrair com o aparelho. Falar ao celular estava relacionado em 69% dos casos, enquanto digitar texto implicou 10% das ocorrências de acidentes. O número de acidentes com carros é ainda mais alarmante e, segundo os autores, é subestimado em centenas de vezes. Portanto, se estiver falando ao celular, não dirija ou se movimente.

Dr. ROGÉRIO TUMA | Carta Capital / Legrand 

LEIA TAMBÉM:

Inimigo secreto
Enviar mensagens pelo celular ao dirigir quadruplica o risco de acidentes no trânsito
Folha de São Paulo, 10/01/2010

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sábado, 22 de junho de 2013

Sem eira nem beira, cinco mil famílias desalojadas pelo Rodoanel ligeiramente superfaturado contam suas histórias



SE ESSA RUA FOSSE MINHA...


A história dos Santos e de outras 5 mil famílias desalojadas pelo Rodoanel

Por Marivaldo Carvalho

CARTA CAPITAL | Edição 752


Na travessa 2 do Parque Taipas, na zona na zona norte de São Paulo, as casas têm na parede externa um selo do Departamento de Estradas e Rodagem. Não demorará muito e todas virão abaixo para dar lugar a um túnel do Rodoanel, uma das obras mais complexas e contestadas a cargo do governo estadual.

Paulo Vieira dos Santos, o Paulão, não se conforma, Há 27 anos ele ocupa o número 18 da Travessa 2. Aposentado, natural de Alagoas, divide a pequena casa com a mulher, Ivete Nogueira Vieira dos Santos, costureira, nascida na capital paulista, a filha, Bárbara, e a neta, Kauany, de 3 anos. Ao lado, no 18A, moram o filho, Paulo Jr., a nora, Suellen, e o neto, Pedro Henrique, além de Belinha e Safira, duas cachorras. Todos com futuro incerto.

Os Santos enfrentam drama semelhante ao de outras 5 mil famílias obrigadas a deixar o passado para trás e procurar um novo endereço em decorrência das obras. O trecho norte do Rodoanel começou a ser construído em março último e, caso passe incólume pelos habituais atrasos das obras públicas no Brasil, estará pronto daqui a 33 meses. Os 44 quilômetros foram orçados em 5,6 bilhões de reais. Do total, 2 bilhões, afirma o governo, serão usados para indenizar quem for desalojado. O complexo viário atravessa uma parte da Serra da Cantareira, uma das últimas áreas verdes na região metropolitana.

A mulher de Paulão, afetada pelo lúpus, doença auto imune sem cura, recebeu por telefone a notícia da desapropriação. Estava em tratamento de rotina no hospital quando o filho ligou para comunicá-la da decisão da Dersa. “Foi um baque. Comecei a chorar. É uma coisa que não passa pela sua cabeça. Lutamos tanto para construir aqui. Agora que a gente conseguiu nossa casa própria, o governo bate na porta e fala: ‘Vocês vão ter de sair’. Eu disse: ‘Como sair? Onde está o respeito”‘?

No terreno próprio, o casal primeiro construiu um barraco de um cômodo. Quase três décadas atrás, a Travessa 2 mal existia. Apenas quatro casebres emergiam acabrunhados no meio do mato. Não havia asfalto, água encanada, iluminação pública ou rede de esgoto. “Me lembro como se fosse hoje, pisei aqui pela primeira vez no dia 31de dezembro de 1988.” Ano de realização. Além da casa nova, o Corinthians, time do coração, havia conquistado o Campeonato Paulista com um gol de Viola, nascido Paulo como o nosso desiludido personagem.

Para Paulão, é revoltante ver-se obrigado a abandonar a casa onde criou sua família, viveu alegrias indescritíveis, tristezas idem e à qual dedicou o próprio suor e parte considerável de seus rendimentos. “Meus filhos jogavam bola nessa rua, a minha filha pulava amarelinha, brincavam, cresceram aqui. E agora? O que eles não entendem é o valor que isso tem para a gente. Temos uma história aqui.”

A comunidade, diz o aposentado, é sua segunda família. “Se alguém estiver precisando de gás, de um vizinho para te levar de madrugada ao hospital, seja o que for, todo mundo ta junto.”

O governo estadual ainda não informou quando os moradores serão despejados. “Vieram aqui, selaram a casa, mediram e tem um mês que não aparece ninguém, sumiram”, afirma a mulher de Paulão. A “rádio peão”, diz ela, informa que em outras ruas do bairro em que os moradores receberam o laudo da Dersa, última etapa do processo, o poder público deu 15 dias para a desocupação. “Como num tempo desse alguém consegue arrumar outra casa? Como vamos à imobiliária se nem sabemos quanto vamos receber? Olha, isso é um desaforo”, queixa-se a costureira.

O auxiliar de laboratório Alessandro Donizete Silva, 32 anos, morador de um sobrado na mesma rua desde os 5, recebeu a notícia de sua mulher, Regiane, também por telefone. “No mínimo, foi uma situação desagradável. Mas vou fazer o quê? Tem de aceitar, né? Paciência!”

O casal tem dois filhos: Maurício, de 16 anos, e Murilo, de 9. Silva ainda não correu atrás de um novo lar. “Não estou procurando casa porque não seio que vai acontecer. Se vão me dar um apartamento ou algum valor. Não adianta ir atrás agora. Vou esperar porque não adianta você ir atrás de uma casa no valor xis se não chega nem na metade o que vou receber pela minha. Aí é complicado, né meu? Tô aguardando.”

Silva divide o terreno com outros 11 moradores espalhados por três casas. São todos da mesma família e igualmente vivem a expectativa da desapropriação.

“Já perdi noites de sono, já chorei, minha pressão subiu. Não entrei em depressão sei lá por quê. Quem disse que eu quero sair daqui? Para onde vou? Não paro de pensar. Acabaram com agente. Estão separando nossa família”, afirma, indignada, Ivete Santos, sem conseguir imaginar um futuro longe dos filhos.


LEITURA COMPLEMENTAR: 

“Rodoanel financiava a campanha do Serra”, diz ex-diretor do DNIT

"Michael Zeitlin - secretário de Transportes de São Paulo de 1997 até julho de 2002 – Foi acusado de inúmeras irregularidades, incluindo nas licitações do Rodoanel que foram condenadas pelo TCU e TCE. Zeitlin é sócio fundador da Ductor, empresa que foi contratada para fiscalizar o andamento das obras do Rodoanel licitadas por ele. Prevista para custar R$ 339 milhões, a obra consumiu mais de R$ 1 bilhão aos cofres públicos. A execução do trecho Oeste, por exemplo, foi orçada em R$ 339 milhões. A obra foi aditada em R$ 237 milhões, ou seja, quase 70% a mais e muito acima dos 25% permitidos por lei. O TCU proibiu o governo federal de passar recursos para o Rodoanel em virtude das ilegalidades. Professor aposentado da FGV."

Rodoanel – Atraso, superfaturamento e mais R$ 500 milhões


sexta-feira, 21 de junho de 2013

Oliver Stone critica glorificação da guerra pelo cinema hollywoodiano


“Alguns filmes contribuem para tornar a situação do mundo mais desastrosa, sobretudo, os dos Estados Unidos”, afirmou o cineasta norte-americano Oliver Stone no último final de semana na China, durante o Festival de Cinema de Shanghai.


Stone, que foi interrompido em várias ocasiões por aplausos em um debate no Museu de Cinema da cidade, condenou a forma com que Hollywood glorifica a guerra e a participação dos Estados Unidos em conflitos bélicos.

O diretor de Platoon, JFK - A Pergunta Que Não Quer Calar, Nascido em Quatro de Julho e Wall Street - Poder e Cobiça, entre outros filmes, apresentou como exemplo o longa de Steven Spielberg “Buscando o soldado Ryan”, sobre o qual, disse: “Reflete esse espírito americano: ‘Vamos, chegamos, chutamos bundas, fazemos o que há que fazer. Tudo mentiras’”.

Sobre “A queda do falcão negro”, de Ridley Scott, afirmou: “É um dos filmes mais obscenos que se fizeram, e é um bom filme e funciona. Tecnicamente é bonito, mas é obsceno, porque sua mensagem é que os Estados Unidos vão à Somália, toda essa gente é assassinada por negros que disparam indiscriminadamente e os americanos mostram sua nobreza”. “Dizem-nos que está bem morrer ou ir a outro país matar gente”, acrescentou.

O cineasta observou que “enquanto isso, continuamos atuando em centenas de filmes de Hollywood, com todo o nosso poder, como se fôssemos os que levam todas. Por isso, pensem no que estou dizendo, há um monte de pessoas da minha idade que até os anos 90 acreditavam, de verdade, que os EUA ganharam a Segunda Guerra Mundial”.

Stone lembrou que quando os Estados Unidos entraram na França, em 1944, a União Soviética já estava caminho da Alemanha: “A invasão (na Normandia) não foi importante para o resultado final da guerra e digo isso porque não conhecemos nossa própria história, e estamos fazendo filmes sobre isso”.


Enfatizou que “há milhares de pessoas como eu que deveras não acreditamos no império americano, que pensamos que devemos detê-lo, porque leva a um mundo de loucura, um mundo desequilibrado, supostamente apoiado no domínio do ar, terra, mar, espaço e o ciberespaço”. ( HORA DO POVO )

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Promessas de campanha



O vereador se encontra em visita a um determinado bairro da cidade. Acompanhado do habitual séquito, da mídia, até do jornal de bairro, que arruma assim um assunto da semana. Apertos de mão, carinhos em crianças, pose para fotos, cafezinho na padaria, a comunhão com o povo.
Certa altura, uma voz chama:
- Vereador! Vereador! Aqui!
O vereador procura o autor do chamado. E encontra. Um homem acena, como se fosse uma criança se oferecendo para responder a uma pergunta feita pela professora.
- Ah, sim! Pois não?
- Sabe o que é, vereador, diz o homem. É que eu votei no senhor.
- Puxa, muito obrigado, responde o edil.
- Não só isso: eu e toda minha família votamos no senhor!
- Oras, fico muito agradecido por essa confiança!
- Mas não ficou só nisso: fiz diretamente campanha para o senhor. Entreguei santinhos, falei com vizinhos, amigos, fui convencendo todo mundo.
Muito impressionado, até meio encabulado, o vereador agradece, do fundo do coração:
- E é por causa da dedicação de pessoas abnegadas como o senhor é que chegamos lá, para podermos servir ao povo. Gente como o senhor que entendeu e levou adiante nossa mensagem e nossas propostas e...
- Então..., interrompe o eleitor. É aí que eu quis chegar. Suas propostas...
- Ah, sim! Estamos fazendo o possível para fazer chegar ao Prefeito nossas reivindicações, nossas propostas, fazermos votações de nossos projetos, junto com os companheiros da bancada e...
- Tá, entendi! Mas, o que aconteceu com AQUELAS propostas que o senhor apresentou no Horário Eleitoral?
- Como assim?
- Foram aquelas idéias e propostas que me encantaram e que me fizeram entrar de corpo e alma na campanha por sua eleição!! Estou muito chateado, essa é que é a verdade!
- Mas de quais propostas o senhor está falando?
- Por exemplo: lembra daquela proposta de mandarem de volta para seus Estados todos aqueles que não nasceram aqui na Cidade? Aquela gente lá...
- Ah, sim! Mas o senhor deve ter sido informado de que desisti. Uma burrice da minha parte aquela idéia. Todos são livres para morarem onde quiserem. Esse país é de todos!
- Tudo bem. Mas... e aquela outra ideía, a de construir campos de concentração para mendigos e moradores de rua?
- Ah, essa... Bom, eu me dei conta, acho até que foi um aviso de Deus ou dos anjos que me fez desistir a tempo. Tive exata noção da crueldade e da ilegalidade de tal proposta. Não consigo imaginar o que poderia ocorrer se tal proposta tivesse sido apresentada e aprovada.
- E ele vem falar de "Deus", minha nossa... Mas vem cá: e aquele lance de acabar com as calçadas da cidade, banir os pedestres e obrigar todos a usarem automóvel desde o momento que sairem de casa?
- Puxa, nem lembrava dessa! Que besteira! E pensar que defendi umas bobagens dessas?
- "Bobagens"?! "Besteiras"??! Saiba o senhor que tais propostas o levaram a ser o terceiro vereador mais votado nas eleições passadas e um dos dez mais votados na história da cidade!!!!
- Ahnn, tudo bem, amigo, senhor! Mas minha consciência falou mais alto. Eu realmente acreditava nisso e me empenhei para vencer e levar estas idéias adiante. Mas mudei de idéia. Revi meus conceitos. Não me arrependo! Não podia seguir adiante com aquela maluquice toda! Deus me ajudou nisso!
As câmeras da TV acompanhavam a conversa. O ânimo do eleitor se exalta. Ele solta uns impropérios. Fala dos impostos que paga. Repórteres fazem anotações. Microfones em polvorosa! Curiosos e passantes se interessam por aquela confusão toda.
Por fim, olhando para uma câmera de TV, o eleitor desabafa pesadamente sua revolta com a situação:
- É por isso que ninguém acredita nesses políticos! Mudam de opinião como eu troco de cueca. Prometem as coisas, enganam o povo e nunca cumprem nada do que prometem! Da próxima vez eu vou votar nulo! Ninguém presta! Acorda, Brasil!


Vilões de HQ verossímeis e invencíveis ( IV )


- O PRESSÃO
Puta loroteiro e contador de vantagens. Quando ajuda sua equipe nalguma vitória em batalha contra as forças do Estado ou contra a equipe de heróis, PRESSÃO sempre aumenta um ponto a importância de sua participação na coisa toda. Vejam sua declaração à TV, dia desses:
- Entramos focados  e bem treinados pelo professor, os companheiros todos contribuiram para a vitória, mas eu gostaria de destacar, humildemente, que se não fosse eu, como sempre, o resultado poderia ter sido outro.
Quem lê gibi da Disney perceberá a clara influência dos personagens Ranulfo e Zé Galo na composição de PRESSÃO.

- O HOMEM SEM SUBSTÂNCIA
Quem vê o nome, pensa logo que a capacidade do HSS é algo do tipo desmaterialização da matéria, ou coisa parecida. Nada disso.
O HOMEM SEM SUBSTÂNCIA tem esse nome por não ter uma personalidade forte. Facilmente engambelável, acredita em tudo, principalmente em propaganda de TV.
O  HSS gosta de carro como todo brasileiro. Gasta todos os ganhos no crime na compra de celulares novos.
O HSS não usa um uniforme propriamente dito. Usa o que tá na moda. O figurino varia o tempo todo. Às vezes quando chega, por algum motivo, sem avisar nas missões, seus parceiros do Mal não o reconhecem e tratam de atacá-lo, pensando se tratar de algum novo aliado dos heróis:
- Putz, desculpe, não te reconheci!!!, diz um.
- É por causa do cabelo!
- Mas o que aconteceu com as trancinha que você pôs na semana passada?!
- Ah, agora o lance é tipo o cabelo do Neymar
( suspiro! )
Como falei, o HSS substância não usa uniforme, usa o que tá na moda. Ontem ele foi ao shopping comprar umas roupas da Abercrombie, abandonando o figurino da Okley. Aproveitou também para comprar um tênis de 900 cruzeiros:
- Dá mais moral!
O HSS perdeu várias missões do Mal por estar acampado em frente a alguma loja onde se iniciarão, no País, as vendas de algum aparelho eletrônico:
- Aê, esse aqui é meu iH-Phony. Fui um dos primeiros a pegar. Só tem 100 no País.
- É, filhodaputa, e por sua ausência a gente tomou o maior pau dos caras! Burro!
Não percebem que ele faz isso para ser aceito no grupo.

Vilões de HQ verossímeis e invencíveis ( III )


- A LIGA DOS MAUS
Toda HQ que se preza tem que ter um grupo ou equipe de supervilões. Nós temos a Liga dos Maus. A equipe de superheróis chama-se Liga dos Bons. Eu ia batizá-la de Liga dos Cidadãos de Bem, ou Liga dos Direitos, mas resolvi que não. De qualquer modo, mencionar os nomes recusados tem o mesmo efeito sacana.
Um dos maiores clichês é aquele em que um vilão arregimenta os demais, bola planos, lidera, faz acordos, mas sempre com o intuito de cometer traição. Confia, claro, em seus poderes e que eles serão suficientes para sobrepujar os ( ex- ) parceiros. Primeiro, com a ajuda de todos, vence os heróis para, em seguida, mostrar seus verdadeiros intuitos. Escraviza heróis, população e ex-colegas de maldades. Assim, e não raro, heróis e vilões vencidos unem-se e dão uma lição no crápula para, depois, voltarem à velha porém transapente e honesta inimizade.
No caso de nossa superequipe de supervilões, a descrição acima jamais ocorre. Como falei, o vilão-mor confia demais em si e menospreza os parceiros, por isso bola esses planos. 
Na Liga dos Maus, todos sabem que são diferentes e complementares, algo como as 8 fatias de uma pizza. Ninguém se acha mais forte que o conjunto dos demais e, acima de tudo, cada um reconhece e teme o poder do outro.

- A LIGA DOS BONS
Na sede da Liga dos Bons, tudo é impecável, limpo e de bom gosto. 
Só que, de um mês prá cá, as coisas deram uma reviravolta jamais vista num gibi de herói. Nenhuma saga publicada trouxe tanta emoção.
Atualmente as heroínas - por serem mulheres - são as responsáveis pela faxina, arrumação, compras, pagamento de contas e demais tarefas domésticas. Tarefas antes confiadas às MUCAMAS, uma casta menor de heroínas especialmente treinadas para estes afazeres domésticos. Só que estas se demitiram após uma portaria governamental, que introduziu garantias trabalhistas que as botou mais ou menos em pé de igualdade com os demais heróis. A Liga dos Bons recusou-se a acatar estas novas regras e as MUCAMAS se demitiram em massa.
Isso trouxe uma série de problemas para a equipe. Um dos membros do grupo, o CAPITÃO GAGAU, não se cansa de reclamar. Isto porque uma das MUCAMAS ( a número 8 ), levou consigo a receita supersecreta do GAGAU ESTELAR, fonte dos poderes de CAPITÃO GAGAU.
Assim, o dia inteiro, quando não está em missão devido aos poderes reduzidos devido ao não-consumo de seu alimento, CAPITÃO GAGAU fica numa espécie de síndrome de abstinência de irritar até um monge do Tibete:
- Gagaaaauuuuu! Cadê meu Gagaaauuuuuu?
- Calma, Capitão, tenha calma!, diz alguém.
- Gagaaaaaauuuu! Faça meu gagaaauuuuu!
- Eu não se fazer, Capitão!!!! Por favor!!! A gente está tentando convencer a número 8 a voltar a trabalhar conosco!
- Gaggaaaaaauuuuu!

Que tristeza.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Vilões de HQ verossímeis e invencíveis ( II )


Falei ontem de LAMÚRIA e RESMUNGO. Continuarei falando.
Hoje, ambos iam num dos veículos da frota da superequipe de supervilões ( ufa!! ) rumo a mais uma missão. Iam, como sempre, se lamuriando e resmungando. O motorista, coitado, já pensando em pedir as contas. Disse LAMÚRIA:

- Nooossa ( voz Hardy Har-Har; a dublagem do Magro, da dupla O Gordo e o Magro também cairia bem  ) como tem buraaaco essa rua! Não agüento mais! A gente nem pode sair em missão direito, que isso atrapalha tudo, a gente fica com a cabeça tudo bagunçada, não dá pra fazer nada...

- Tamparam, diz RESMUNGO, ontem essa buracaida toda ( na verdade faz 3 anos que fizeram isso ) e já voltou tudo. Claro, como sempre, é tudo malfeito nesse país. Também, um ficava trabalhando e os outros dez ( eram 3 no total ) peão ficava lá tudo olhando e não faziam nada para ajudar, ficavam lá só enrolando. Não tem jeito, é sempre assim, e vai piorar...

De manhã cedo, quando vai tomar o café, LAMÚRIA senta-se à mesa com a esposa. A rotina de RESMUNGO é a mesma. LAMÚRIA choraminga à patroa algo a respeito de uma insignificância qualquer de lhe dói na alma, mas a patroa finge que não é com ela. Por sua vez, RESMUNGO pega o jornal, dá uma passada de olhos nele, baixa a sobrancelha, fecha a cara e dá uma bufada. A patroa pensa "Ih, lá vem...". E vem mesmo:
- Aí, ó! É só desgraça. Depois EU é que sou vilão! Flanelinha cobrando 100 paus no show de ( diz o nome de alguma celebridade musical - da qual não gosta - cujo show a entrada custa 1000 reais ) fulano... Invadiram outra vez os baixos dum viaduto e vão fazer favela ali. A Prefeitura enchendo as burras de dinheiro de multa de trânsito, putaquepariu!! Lá na Zamíbia Central ( país com 50 habitantes que se localiza, com muito esforço, na Micropolinésia Menor ) aconteceu assim, na Baixa Burgóvia aconteceu assado! É só bagunça, não tem jeito mesmo! E vai piorar!
Mas como tudo tem limite, as esposas de LAMÚRIA e RESMUNGO, mulheres que merecem o Prêmio Nobel da Paz, se cansam da conversa mole dos maridos e intimam:
- Vem cá, você não tem um mundo para dominar, maldades a fazer? Então, chispa logo!

O CAMPANA:
Nas reuniões da superequipe de supermalfeitores, nas quais são definidas as diretrizes e estratégias de conquista do mundo livre, o CAMPANA é aquele que não abre a boca. Extremamente silencioso e discreto, só escuta as sugestões dos outros; enquanto os capangas vão falando, CAMPANA ( também conhecido como o "OBSERVADOR" ) fica só olhando, direto na cara do sujeito, sem piscar nem esboçar nenhuma expressão facial. Fica só ali, fitando os lábios do falante, com uma frieza insuperável e insuportável, como um animal que acompanha silenciosamente sua presa. Vários colegas de equipe do mal já confessaram terem certo receio de CAMPANA. A equipe já sofreu baixas por isso. A diretoria acha um exagero, pois pensa que CAMPANA deve estar apenas esperando o momento certo para dar sua sugestão certeira, mas senta longe de CAMPANA. Ele dá um medão. 

O PIPOCA:
É o que mais fica botando pilha nas missões. Mas, na hora H, não rende o esperado. Ou salta fora mesmo.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Vilões de HQ verossímeis e invencíveis ( I )


Não conheço muito desses heróis e vilões de HQ, tipo Hulk e Batman. Sei o básico. Logo, também sei quase nada sobre os supervilões. Sei também que estes vilões costumam ser maus e querem tomar o mundo para si, por qualquer motivo: uns buscam poder, outros vingança; outros querem apenas praticar seu sadismo em vítimas indefesas. Alguns são malucos de correr atrás de sombra de avião, querem dar vazão à sua maluquice. Tem pra todos os gostos. Tanto heróis como vilões costumam ter poderes inimagináveis a um cidadão comum. Raios que saem dos olhos, força de um tanque de guerra, choques e descargas elétricas, supervelocidade, capacidade de voar ou levitar, telecinésia, destruição de mundos.

Ficção pura, portanto.

Como entretenimento escapista serve. Mas chega uma hora que toda essa ficção enche o saco. Quem se reconhece ali no meio de toda aquela gente poderosa? Por mais que dêem ao Peter Parker uns probleminhas de gente como eu e você, o fato é que a impressão que ficou gravada é a de um sujeito que escala paredes, não importa se ele está com o aluguel atrasado ou se segue desempregado. Simplesmente não convence ninguém. E quantos gênios como Reed Richards você conhece, ou convive com?

No dia-a-dia a coisa é outra. Não que um pouco de escapismo não possa, de vez em quando, ter seu charme - vide a Discoteca - mas, quando você sai dali e volta pra sua rotina, não adianta, é muito frustrante.

De modo que heróis e vilões poderiam realmente ser retratados como pessoas, digamos, comuns, mas com alguma capacidade, algum dom, apenas um pouco maior que o que dispomos.

Diante dessa questão, passei a imaginar um supergrupo de supervilões bastante realista, cujos poderes poderiam te causar tanto dano quanto um raio saído dos olhos de alguém. A diferença é que seriam poderes reais, e não fantasias imaginárias de gibi.
De tanto observar hábitos e comportamentos em pessoas do cotidiano, bolei alguns malévolos personagens que não deixam nada a dever aos medalhões de Marvel e DC. Acompanhem:

O LAMÚRIA - Esse é meu xodó. Se títulos e editoras nascem a partir da criação de um herói, comigo é diferente. O futuro é um supervilão. O futuro é o LAMÚRIA!

Este supervilão, com seus super-choros e ultra-lamentos tem a capacidade de enervar até o Dalai Lama ( acho que o herói / antípoda de LAMÚRIA deverá ser inspirado nele ). Onde quer que haja uma dificuldade, mesmo que insignificante, LAMÚRIA desfiará um rosário de pesares contra mais este infortúnio.
LAMÚRIA se queixa o tempo todo. Como dispõe - assim como um colega de bando, o RESMUNGO, do qual falarei mais adiante - de Visão Além do Alcance, LAMÚRIA enxerga, mais que todos uma oportunidade para se queixar de algo. Quando se encontra em missão, num dos carros do grupo de vilões ao qual pertence, LAMÚRIA fica importunando o motorista - um vilão qualquer - com reclamações lamurientas acerca de ninharias com as quais só LAMÚRIA se importa:
- Pôxa, hoje a escada rolante do shopping quebrou por uns 10 minutos, foi "uma bagunça só", TODO MUNDO se ferrou por causa daquilo, TODO DIA quebra aquela escada rolante...

Uma das características que unem LAMÚRIA e o supracitado RESMUNGO, é o arsenal de vocabulários totalizantes e englobadores. Isso significa que ambos repetem, à exaustão, termos como sempre, nunca, todo mundo, o tempo todo, toda hora, é sempre assim e outros do mesmo sentido e, claro, sempre no sentido de alguma queixa ou reclamação. E é aí que entra ...

O RESMUNGO - Esse é chato. Esse é um vilão nato, um torturador. É bastante parecido com o LAMÚRIA. Ambos estão sempre cheios de problemas, não bastasse ter que enfrentar super-heróis poderosíssimos e populares. Vejam  RESMUNGO em ação:
- Eu NUNCA consigo falar com o plano de saúde porque TODOS OS DIAS as linhas ficam ocupadas O TEMPO TODO.

Sim, LAMÚRIA e RESMUNGO já entram derrotados por revéses que, na maior parte das vezes, são criados por eles mesmos, e não pelos inimigos heróis. Não fosse pelo fato de ambos serem vistos juntos, ao contrário de Batman e Bruce Wayne, muitos pensariam que LAMÚRIA e RESMUNGO são a mesma pessoa. Mas não são.
Enquanto LAMÚRIA se dedica a queixar-se de sua situação, como se fosse uma vítima constante do Universo, RESMUNGO prefere vestir um figurino de "crítico" das coisas. Mas não passa de um reclamão que nunca estará satisfeito com nada. Vejam, por exemplo, a reação de ambos quando descobriram, cada um em sua vez, que seu uniforme estava desfiando levemente. Ninguém do supergrupo de supervilões havia percebido o desfiar dos uniformes de LAMÚRIA e RESMUNGO, a não ser os próprios :

LAMÚRIA: - Mas eu acabeeei de comprar, como é que pode, minha gente, essa gente não vê que tá vendendo uniformes que ficam desfiando o tempo todo e você vai ligar pro SAC pra fazer uma reclamação e fica o dia inteiro ( 10 minutos no máximo ) pendurado no telefone?

RESMUNGO: - Essa gente não quer trabalhar, quer dar uma de esperto vendendo uniforme que não serve pra nada, é sempre assim nesse país, ninguém trabalha direito. Veja o caso da cobertura daquele estádio de futebol, todo mundo um empurrando com a barriga pro outro, todo mundo fica discutindo, é a maior bagunça e ninguém faz nada. Você vai ver na Copa, nada vai dar certo.

Alguém diz pro RESMUNGO que é só trocar o uniforme danificado, o convênio permite, não vai demorar nem dois dias. Assim reage o RESMUNGO:

- "Nem dois dias"? Até parece!!! Ahahaha! Vai ser, NO MÍNIMO, uns trinta dias. Aí vão mandar errado, número errado, cor errada. Vão trocar e entregar um uniforme feminino ou uma camisa do Bangu no lugar. Aí, vai ser mais 30 dias pra desfazer a troca.

Sabe a capacidade de prever o futuro próximo? Pois bem. RESMUNGO não tem este. Ele costuma prever tragédias que geralmente não ocorrem. Mas ele não desiste e segue fazendo suas predições catastróficas, que não se realizam.

O grupo de supervilões decidiu cortar a assinatura de jornais e revistas, porque o RESMUNGO tá chato demais.

NA PRÓXIMA EDIÇÃO...

- MAIS LAMÚRIA E RESMUNGO!

O BANDO DE SUPERVILÕES!

- COMO OS HERÓIS LIDAM COM ESTES INIMIGOS PERIGOSÍSSIMOS!


quinta-feira, 6 de junho de 2013

NSA está gravar milhões de telefonemas de americanos



Pela primeira vez, a Agência de Segurança Nacional (NSA) está a gravar indiscriminadamente milhões de telefonemas de cidadãos norte-americanos, sejam ou não suspeitos de alguma coisa.

A Agência de Segurança Nacional (NSA) está a gravar milhões de telefonemas de clientes da Verizon, uma das maiores operadoras de telecomunicações dos Estados Unidos, devido a uma decisão secreta dos tribunais tomada em abril.

Segundo o jornal britânico "The Guardian", a ordem foi dada para os serviços secretos norte-americanos acederem à base de dados da Verizon, de forma a que a NSA possa recolher informações sobre todos os telefonemas que se fazem dentro dos Estados Unidos, bem como para países estrangeiros. O documento, ao qual o jornal teve acesso, revela pela primeira vez, durante a administração Obama, que milhões de telefonemas efetuados pelos norte-americanos estão a ser gravados e recolhidos de forma indiscriminada, independentemente de os visados serem ou não suspeitos de algo.

A ordem, assinada pelo juíz Roger Vinson, concede ao governo dos Estados Unidos uma "autoridade ilimitada" para aceder aos dados que considerar necessários durante um período de três meses, que termina a 19 de julho deste ano.

Conforme os termos da decisão, serão registados os números de telefone, tanto de quem fez a chamada como do destinatário, as suas localizações, a duração da chamada, a identificação dos intervenientes e os dias e horas em que as chamadas foram efetuadas. O conteúdo privado das conversas telefónicas também não estará protegido.


A medida não é comum nos Estados Unidos, uma vez que a NSA só costuma ter autorizações do género quando existe um suspeito específico ou a probabilidade de alguma ameaça para a segurança do país.


O "Guardian" contactou a NSA, a Casa Branca e o Departamento da Justiça para tentar perceber a razão da medida mas todos recusaram comentar. Um porta-voz da sede da Verizon em Washington também recusou fazer qualquer comentário para o jornal britânico. 
( DN )

quarta-feira, 5 de junho de 2013

( "Give me your tired, your poor..." ) A outra história dos Estados Unidos



Havana ( Prensa Latina ) Ainda que tenha sido construída uma auréola de prosperidade e bonança em torno dos Estados Unidos, existe um lado escuro, às vezes ignorado pelos grandes meios de imprensa, que revela a marginalidade e a pobreza que padecem milhões de seus cidadãos.

Sites e meios alternativos fizeram eco de um fato insólito: centenas de pessoas pobres esperavam adquirir comida em bom estado de um supermercado que seria fechado em Laney Walker, Augusta, sede do condado de Richmond, no estado da Georgia, mas os donos preferiram jogá-la fora a entregar aos necessitados.
Os residentes do local encheram o estacionamento com carteiras e cestas com a esperança de conseguir alguns dos alimentos para bebês, produtos enlatados e não perecíveis, e que o banco SunTrust, dono da propriedade, ordenou carregar em contêineres para atirar em um desaguadouro em vez de distribuí-los.
O incidente situa-se distante da edulcorada imagem do chamado sonho americano.

"A gente tem crianças aqui com fome e sede", disse Robertstine Lambert, quem vive em Augusta. Por que atirar isto no lixo, se perguntou em tom de lamento, segundo se descreveu em uma reportagem divulgada no site Global Research.
Em Richmond há cerca de 20 desalojamentos por dia, e a zona que rodeia esse supermercado é uma das mais pobres do estado. Dados atualizados calculam a taxa de pobreza em 41 por cento nessa área.
Pelo que muitas pessoas que estavam no estacionamento do Laney Walker provavelmente tenham sofrido na própria carne um desalojamento e estavam em necessidade desesperada da ajuda alimentar.

Em uma sociedade capitalista, o motivo por trás da produção de alimentos não é satisfazer este direito, a moradia não é feita para dar abrigo nem a roupa para manter o calor e o cuidado com a saúde não é oferecido principalmente para que tenha pessoas sãs, destacou a reportagem.
"Todas estas coisas, que são e devem ser consideradas como direitos básicos, não são mais que produtos básicos -que se compram e se vendem, para obter um benefício. Se o benefício não for logrado, em geral devido à superprodução em relação com o mercado, o produto é considerado inútil pelo capitalista e o destrói", enfatizou Global Research.
Para estas instituições, as quais têm feito seus ganhos através dos desalojamentos e as execuções hipotecarias, não é surpreendente deixar à gente olhando com incredulidade com as carteiras vazias, enquanto a comida que poderia alimentar a múltiplas famílias era jogada em um desaguadouro.

E esta história não é uma exceção. A vida nos bairros mais pobres dos Estados Unidos é sumamente difícil e tende a piorar, expressam defensores dos direitos humanos.
Abaixo de Kansas City, a Polícia descobriu em abril túneis profundos onde vivia em cabanas um grupo de pessoas sem teto, a quem se desalojou devido ao "meio inseguro". Em 2010 saiu à luz que mil pessoas sobreviviam ao longo de 321 quilômetros de túneis, localizados embaixo das ruas de Las Vegas.

Por sua vez, as autoridades de Nova York tentam expulsar de maneira periódica às pessoas (conhecidas como a gente topo) que procuram abrigo nos passeios embaixo da cidade.

Apesar de exemplos como esses, o governo dos Estados Unidos sustenta que a recessão no país terminou e as coisas melhoram, ainda que não com a celeridade esperada.

O site Imprensa Internacional Alternativa sublinhou que os novos índices de pobreza na nação setentrional se elevaram de forma abrupta nos últimos cinco anos.

Estatísticas publicadas no The Wall Street Journal mostram que a pobreza se estende a todo o território nacional; o número de pessoas que recebem cupons de alimentos se elevou a um recorde de quase 50 milhões de estadunidenses.

De outro lado, em setembro de 2011, o Escritório do Censo revelou em seu relatório anual da pobreza que 46,2 milhões de pessoas, ou o que é o mesmo, aproximadamente um da cada sete estadunidenses, era pobre em 2010.

Os números dispararam de forma brusca em comparação com o ano precedente, que era de 43,6 milhões.

Ainda que devido à recessão (de 2008 até hoje) aumentou o número de pobres, os altos índices deste sensível indicador são anteriores a essa conjuntura econômica.

Os especialistas asseguram que mais que alarmantes, estas são cifras esperadas pois a pobreza sempre aumenta em tempos de recessão, e esta foi a mais profunda e extensa desde a Grande Depressão de 1929.

Ao mesmo tempo, o número de habitantes sem seguro médico supera os 50 milhões de pessoas.

Enquanto isso, a taxa de desemprego está em 7,5, a qual não obstante ter descido 0,4 pontos percentuais desde o começo do ano, segue em níveis altos. Isso significa que ainda 11,7 milhões de cidadãos estão sem um posto trabalhista.

Sheldon Danziger, diretor do National Poverty Center (Centro Nacional da Pobreza) da Universidade de Michigan, disse a BBC Mundo que os índices de pobreza nos Estados Unidos são maiores que no Canadá e alguns países do norte da Europa.

Entre outras razões - apontou - porque as políticas sociais fazem muito pouco por aumentar os salários dos trabalhadores em épocas de bonança econômica ou para ajudar os desempregados durante as recessões.

Em março entraram em vigor os cortes no orçamento de 85 bilhões de dólares, o que obrigou à Casa Branca a cortar programas sociais de ajuda em especial a pessoas em situação de pobreza extrema, incluindo disposições relacionadas com a moradia, a educação pré-escolar e os benefícios nutricionais.

Por isso muitos opinam que o sistema é tão complexo e perverso que não há maneira de mudá-lo desde cima. As reformas da administração democrata de Barack Obama nem têm a intenção nem seriam capazes, se a tivessem, de reestruturar o sistema em suas bases.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Grudados no celular o dia inteiro, Por Xênia Bier



Toda descoberta científica ou tecnológica é muito bem-vinda. E todo início de descoberta é dedicado ao bem da humanidade, por mais simples que seja. Quem pesquisou e descobriu trabalhou muito em laboratório e tinha em mente aliviar a dor e facilitar a vida das pessoas. Mas, cara leitora, você já percebeu que tudo, ou quase tudo, que os humanos recebem, verdadeiras dádivas, é transformado em coisas negativas? Exemplo: a energia nuclear. No que homem transformou? Em bombas que desintegram cidades. Anestesia, que permite que o paciente seja operado sem dor, o ser humano transformou em vício e degradação que mata. Uma descoberta tecnológica que facilita muito a vida das pessoas está se transformando numa verdadeira praga, um vício: é o famigerado celular! Ando pelas ruas e, de dez pessoas que vejo, oito estão grudadas no aparelho. Espero minha neta na saída da escola e a garotada sai correndo, abrindo as mochilas e já ligando o aparelhinho. Devagar, depressa, parados, nos carros, juro que já vi um motorista de ônibus atendendo um celular!



Isso sem falar no incômodo que eles causam no cinema, no teatro, em hospitais. Eu queria saber o que esse povo tanto tem para conversar. Veja você a coincidência: é meia-noite e meia agora que escrevo e o vizinho do prédio saiu na janela berrando com alguém. Ele fala ao celular na janela, porque ali o sinal pega melhor. Não tenho essa coleira eletrônica, mas pelo jeito terei que comprar uma para falar com minha filha e minha neta, que, se não estão no celular, estão no computador! Valha-me Deus!


sábado, 1 de junho de 2013

First World News: adolescentes ingleses pensam que Shakespeare é um apresentador de televisão



Um inquérito mostrou muitas associações erradas: Rod Stewart primeiro-ministro na II Guerra, Anne Frank apresentadora de televisão americana.


Uma cadeia de hotéis do Reino Unido, a Premier Inn, realizou um inquérito a dois mil alunos do ensino secundário para testar conhecimento histórico e encontrou dados surpreendentes. A maioria dos alunos, entre os 11 e os 16 anos, baralhou as personagens históricas e contemporâneas e fez associações erradas.

Segundo o jornal The Independent, que divulgou os dados deste inquérito, a maior parte dos adolescentes colocou Delia Smith (apresentadora de programas de culinária), Jerry Hall (modelo) e Camila, duquesa da Cornualha e mulher do herdeiro da coroa britânica, Carlos, na lista de mulheres de Henrique VIII.

Os inquiridos não souberam dizer que países estiveram envolvidos na II Guerra Mundial e consideraram que Rod Stewart (cantor), Bruce Forsyth (actor) e Alan Sugar (empresário) foram primeiro-ministros durante esse conflito.

Quando foi pedido que identificassem William Shakespeare, uma grande percentagem de inquiridos disse tratar-se de um apresentador da BBC. Já Nick Knowles, apresentador, foi identificado pelo menos por um aluno como construtor das pirâmides.


Anne Frank, a adolescente judia que morreu no Holocausto, foi identificada como apresentadora de um talk-show americano e a Peste Negra "é" um grupo rock.


O inquérito também versou alguns temas de geografia e alguns alunos não souberam dizer em que parte da Inglaterra está Londres – 91%, porém, sabiam que os Jogos Olímpicos do ano passado se realizaram na cidade; os outros responderam Paris.

A iniciativa de realizar este inquérito deveu-se a uma chamada de atenção, por parte do hotel patrocinador, para a necessidade de os adolescentes aprofundarem alguns conhecimentos – de forma a não dizerem que a sufragista Emmeline Pankhurst é a dona dos armazéns Selfriges e que o estádio do Arsenal, que agora se chama Arsenal-Emirados, foi construído antes da Catedral de S. Paulo. 

"Ficámos um bocado surpreendidos com o desconhecimento deles, de não saberem quem foi Shakespeare e outros acontecimentos importantes que ocorreram no Reino Unido", disse ao Independent um porta-voz da cadeia de hotéis. 


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