terça-feira, 7 de maio de 2013

Rogério Ceni, os velhinhos do Rio e a "Indústria da Multa"


Acompanho futebol, mas mantendo certa distância dele. Não conheço direito a escalação do meu time, mas sei quem é Rogério Ceni. Chato e apitador de jogo pra uns, arrogante e coxinha pra outro tanto e são-paulino fanático pra outro punhado. E um bom - quiçá excelente - goleiro, no meu modo de ver.
Nesta semana, e todos que acompanham futebol sabem, Ceni tornou-se "chacota" nacional por uma atitude tomada na partida entre SPFC e SCCP ( não falo os nomes para não dar azar ) pelo Campeonato paulista.
O prélio terminou em zero a zero e a disputa foi pros penais, por se tratar de um mata-mata. O próprio Ceni bateu - muito bem - um penalti e converteu-o, ao contrario dos badalados companheiros de equipe Luiz Fabiano e Paulo Henrique Ganso.
Quando chegou a vez do jogador Pato, do SCCP, Rogério Ceni fez aquilo que tornou-o nacionalmente famoso e que muitas vezes garantiu-lhe sucesso em cobranças de pênaltis: adiantou-se.
Mas não foi uma adiantadinha não, como fez o goleiro adversário ( admitido pelo próprio ): Ceni adiantou-se demais, e defendeu a cobrança do oponente. Mas foi uma adiantada tão grosseiramente evidente, que a arbitragem não teve outra coisa a fazer a não ser mandar repetir a cobrança. Desta vez, Pato converteu-a. A chiação são-paulina foi total.
Mas, além da adiantada grotesca de Ceni ter virado motivo de troça, a recusa de Ceni em aceitar que adiantou demais apenas tornou o malfadado "passo à frente" algo muito mais apetitoso, na medida pro escárnio dos rivais.

Nessa parte, eu passo a lidar com o "ouvi falar". Como realmente não acompanho tanto o noticiário futebolístico, não tenho como dizer ao certo que o seguinte aconteceu, e que me foi contado por colegas de trabalho: Rogério Ceni não apenas não admite ter se adiantado, como faz isso meso sendo CONFRONTADO COM AS IMAGENS! Desconheço se ele foi em algum programa esportivo, alguma mesa-redonda , e tenham mostrado a ele cenas da cobrança, tipo "tira-teima", coisas assim. Do jeito que me contaram, ele teria visto as imagens e batido o pé: "Não, de jeito nenhum, pode ver que não adiantei".

( *** )

As mesmas pessoas que me falaram do Ceni também me contaram - e não sei se é verdade, mas também não vou me informar... - que a Prefeitura do Rio teria contratado idosos para ficarem em pontos de ônibus da cidade. Eles dariam o sinal para o veículo e ai do motorista que não parar, pois tratava-se de uma pequena "armadilha", preparada pela fiscalização do serviço de ônibus da cidade.
O colega de trabalho que me contou esse - suposto - caso teria visto isso em alguma reportagem de televisão. Como o conheço razoavelmente bem, imagino que tenha sido no Jornal Nacional, mas não perguntei. Segundo ele, parece que alguma equipe de tv teria acompanhado a missão dos velhinhos e gravado quando a fiscalização dos ônibus entrava em ação. Um dos casos que parece ter sido transmitido teria ocorrido desta maneira, ainda de acordo com meu colega:

( O fiscal ) : - Moço, o senhor está sendo multado por não ter parado no ponto anterior, ignorado o passageiro que deu o sinal de parada...
( O pusilânime ) : - Mas como?? Não tinha, er..., ninguém lá!
( O fiscal ) : - Queira, por favor, me dar o número de sua habilitação, que o senhor será penalizado em xxxx pontos na carteira e...
( O morfético ) : - MAS NÃO TINHA NINGUÉM ( sic! ) LÁÁÁ...!!!!

( *** )

Como se vê, são manifestações patéticas de pessoas se recusando a admitir algo patente e cristalino. Batom na cueca. Evidências esfregadas na fuça do malfeitor, e o sujeito se recusando a admitir. Negue tudo. Parece mote do "Arquivo X".
Chegam a ser motivo de risos, não chegam?

Acima mostrei casos em que os personagens não admitiram a existência de algo ou alguém ( "não existiu a adiantada", "não havia alguém no ponto" ) mesmo diante de provas ululantes.
Por outro lado, também há os que acreditam - ou dizem crer -, até a morte, na existência de algo que comprovadamente não existe.
Num post anterior, ofereci ( inutilmente ) para jornais um testemunho. Em seguida, registrei esse testemunho em meu blog. Testemunhei publicamente fatos e eventos que comprovam a não-existência de uma suposta "Indústria da Multa" paulistana. Ofereci provas palpáveis e evidências disso. Especulo que, se fatos como estes narrados ocorrem no bairro onde moro, também não ocorreriam nos demais bairros da cidade isoladamente e, portanto, no conjunto deles ( a saber: na cidade inteira )? Ou será possível que só ocorrem aqui? Se bem que, no que depender da opinião dos moradores deste bairro, nem aqui ocorrem estas coisas. Questão de interesses pessoais, conveniências. O de sempre.

E então, agora o distinto leitor desse blog tome estes milhões de pessoas que ficam batendo o pé feito criança e se recusando a admitir que não existe nenhuma "Indústria da Multa" em São Paulo. Os casos que essas pessoas contam são aterradores, como se estivessemos num imenso "1984" de Orwell, com pitadas de "Minority Report": dezenas de milhares de agentes de trânsito onipotentes e onipresentes multariam os paulistanos antes mesmo que os anjinhos cometessem o crime. Aliás, esses anjinhos nem cometem os crimes e mesmo assim sofrem os castigos excruciantes, as punições cruéis, as penas inenarravelmente desumanas.
Mas...
A triste verdade é que mesmo você chamando a CET - em vez de esperar passivamente pela remota visita voluntária de algum agente de trânsito - e lhes mostrando o caminho das pedras ( endereços, tipos de delitos - estacionamentos em calçadas, locais proibildos -, quantidade de veículos envolvidos, horários ), ainda assim você não verá resultado algum. Isso lá é comportamento de alguma "Indústria da Multa" que se preze, me responda? Pra cada caso de lamúria não possível de averiguação ( ou seja, apenas um conveniente testemunho oral de um indivíduo ), sobre uma suposta multa supostamente injusta recebida, eu enumero o triplo, o quadruplo ( até mais ) de casos em que a autuação não ocorre mesmo que as infrações sejam recorrentes e de facílima averiguação por parte dos descrentes e céticos.

Assim sendo, até que compreendo a postura de Rogério Ceni, que em nada difere da postura apresentada por milhões de "cidadãos de bem" paulistanos que teimam em "não enxergar" o óbvio.


Nenhum comentário :

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails

Golpe