segunda-feira, 29 de abril de 2013

UE vai proibir três inseticidas prejudiciais às abelhas


Três inseticidas mortais para as abelhas estarão proibidos na União Europeia (UE) durante dois anos a partir de dezembro, anunciou nesta segunda-feira a Comissão Europeia após uma votação que demonstrou as fortes pressões da indústria e dos "lobbies" agrícolas.

No total, 15 países, inclusive França e Alemanha, votaram a favor da proposta de proibição apresentada pela Comissão Europeia. Oito países, entre eles Reino Unido, Itália e Hungria, votaram contra, e quatro, entre eles a Irlanda, se abstiveram. Apesar de apertada, a votação de 187 países a favor da proposta, 125 contrários e 33 abstenções foi suficiente para aprovar o texto.

Nas próximas semanas, a decisão de suspensão por dois anos de três neonicotinoides - clotianidina, imidacloprid e tiametoxam -, presentes em pesticidas fabricados para quatro tipos de cultivos: milho, colza, girassol e algodão. A medida será válida apenas para alguns cultivos e durante certos períodos do ano, nos quais as abelhas estão em atividade.

"As abelhas são vitais para nosso ecossistema e é preciso protegê-las, sobretudo porque fornecem uma contribuição anual de 22 bilhões de euros à agricultura europeia", declarou o comissário europeu encarregado do texto, Tonio Borg. Para que o projeto fosse aprovado, ele teve de adaptar a versão original, adiando a aplicação de 1º de julho para 1º de dezembro e aceitando prolongar os testes científicos sobre o tema. A Comissão Europeia rejeitou, entretanto, a proposta húngara de autorizar decisões nacionais a respeito destes produtos.

As organizações de defesa do meio ambiente parabenizaram a decisão. A Avaaz declarou que a aprovação do texto “responde a uma campanha apoiada por 2,6 milhões de pessoas”, enquanto a Greenpeace se contentou com o fato de “os países opostos a essa proibição terem fracassado”. Para apresentar sua proposta, a Comissão Europeia se baseou em um relatório negativo da Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA).

Já os grandes produtores agrícolas e as multinacionais químicas e agroalimentícias lamentaram e tentaram bloquear a decisão. “A comissão deveria voltar à mesa de negociaçoes ao invés de forçar uma proibição”, afirmou o grupo Syngenta, uma das fabricantes dos pesticidas, segundo a qual o produto não prejudica a saúde das abelhas. “É um retrocesso para a tecnologia e a inovação”, destacou a alemã Bayer, por comunicado. ( RFI )

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