quinta-feira, 11 de abril de 2013

"A Indústria da Multa não existe", em: Era uma casa muito engraçada...


A essa altura dos acontecimentos, creio que minha seleta audiência já tomou conhecimento da alegada situação de sucateamento da gloriosa CET-SP. Se não, clique aqui. Informa-se que nem de cadeira pro povo sentar eles dispõem. Evidentemente, a matéria informa também uma cifra mirabolante que, supostamente, seria a "receita" da Companhia no período entre 2009 e 2012. Seja lá o que signifique "receita", mas dá para captar a mensagem subliminar: tal valor seria monstruoso. E, prosseguindo com a mensagem subliminar, "tais valores são provenientes da quantidade escorchante de multas que esses marronzinhos nos aplicam, nós, povo que não faz nada de errado". Não existe outro motivo para apresentarem tais cifras. Não se pergunta, por exemplo, porquê não se contrata mais agentes de trânsito. Claro que não farão tal pergunta, pois seria admitir que há falta destes agentes. E que, portanto, não tem tanta multa assim.
Pois bem, vou contar o que aconteceu comigo uns dois dias atrás: retornava do trabalho, umas 3 e meia da tarde, de busão. A certa altura, sempre com o propósito masoquista de me auto-torturar, olho na direção de uma "ilha" que ficou famosa, um dia, quando o jornal do bairro fez reportagem sobre estacionamento proibido e usou este local como exemplo. Até então eu não sabia que é proibido estacionar em ilhas. Não conheço lei de trânsito, já que nem sei dirigir. Depois desse dia, nunca mais consegui desviar o olhar quando passava perto do local. Também digno de menção o fato de que várias das pedras que delimitam o local ( acho que se chamam "prismas", não sei ao certo ) foram arrancadas. O que facilitou o acesso dos veículos ao seu interior. Coincidência pura.
Pois então: dois dias atrás, passei no local e tinha cerca de meia dúzia de carros parados ali. Mais do que eu já havia visto antes. Sabe o que é interessante? O local fica numa avenida de grande circulação, à vista de todos, inclusive dos carros de polícia que passam ao longo do dia. 
Uns 100m adiante, numa esquina onde se vê a placa "PROIBIDO ESTACIONAR" havia mais três veículos. Ah, lembrei: ali tem um hidrante.
À minha direita, a uns vinte metros desta esquina, outra esquina também adornada com a placa de proibição. E mais seis veículos parados.
Estes três locais que mencionei são algo que chamo "pontos viciados" ( aludindo aos locais "manjados" onde as pessoas despejam lixo, sucata, etc ), pois sempre apresentam a situação que descrevi acima. Mas, diferentemente dos pontos onde se despeja lixo,  estes veículos ficam ali às vistas de todos, enquanto os pontos de lixo costumam ser escondidos, ermos.
Dois minutos depois, desci no meu ponto e corri pro orelhão, para cumprir meu dever de cidadão de bem. O atendente da CET me deu dois números de protocolo referentes aos locais que indiquei ( o do hidrante eu deixei quieto ). Eu ainda fui bastante incisivo:
- Você percebe que são DOZE CARROS estacionados em locais proibidos, certo? Que é só chegar e fazer a colheita...

( ***** )

Mas não fiquei satisfeito com essa mixórdia. Corri pra casa, liguei o computador, entrei no Twitter e informei ao mundo:

"Tornando publico: solicitei fiscalização à @CETSP_ há 10 min, p/ apanhar cerca de 12 motoristas meliantes estacionados em locais proibidos"

E, como as história precisam de um fim...:

"Amanhã o distinto público saberá se a @CETSP_ cumpriu com sua obrigação, tenho aqui os 2 protocolos que serão consultados mais tarde"

O "amanhã" chegou e, à tarde, passo pelos mesmos locais e vejo a mesma meliância criminosa. Algo deu errado, imaginei.
Telefono à CET, e informo os números dos protocolos. A resposta foi mais ou menos o que eu esperava, mas mesmo assim fiquei decepcionado:
- As solicitações não foram atendidas por falta de efetivo na região...
"Falta de efetivo geral", devia ter dito o atendente.
Como sou um cara de palavra, informei o desfecho do caso pelo Twitter:

"Conforme prometido ontem, trago o desfecho dos pedidos feitos à @CETSP_ : Por falta de efetivo, não foi atendido"

Essa é a tal "Indústria da Multa". A implacável "Indústria da Multa". A onipresente e onipotente "Indústria da Multa", a carniceira "Indústria da Multa".
Que sequer tem efetivo para apanhar uma dúzia ( não é pouca coisa, correto? ) de carros estacionados em locais proibidos.
As pessoas sabem disso, sabem que não existe "Indústria da Multa" mas não lhes convém admitir. E seguem reclamando. Coisa de caráter.




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