sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Israel injeta anticoncepcionais em judias etíopes desde 2002



As judias etíopes foram submetidas a injeções de Depo-Povera pelo Ministério da Saúde de Israel durante mais de dez anos.
A medida que derrubou em cerca de 53% a natalidade entre os judeus emigrados da Etiópia foi descoberta pela jornalista Gal Gabay, intrigada com o fato dessa natalidade haver caído drasticamente na última década. Ela entrevistou 33 mulheres etíopes na tentativa de compreender o fenômeno.
Uma das entrevistadas afirmou que os médicos "nos diziam que eram vacinas. Nós as tomávamos a cada três meses". As injeções eram ministradas mesmo nas mulheres contrárias à aplicação. Eram coagidas a tomar as drogas enquanto estavam em acampamentos para trâmites de transferência a Israel, mas ainda na Etiópia. As aplicações continuaram acontecendo depois da chegada a Israel.
O primeiro ministro Benjamin Netanyahu, que acumula a função de ministro da Saúde desde março de 2009, já havia dito, há pouco, que os imigrantes da África "ameaçam" Israel em sua "existência como um estado judeu e democrático".
Após tentar desmentir a denúncia, o Ministério da Saúde ordenou, através de seu diretor-geral, Ron Gamzu, que os ginecologistas funcionários do Ministério "não renovassem as prescrições do Depo-Provera para mulheres, se por qualquer razão houver receio de que elas possam não compreender as implicações do tratamento".
Para a advogada da Associação dos Direitos Civis em Israel, Sharona Eliahu Chai, as "descobertas através das investigações do uso do Depo-Provera são extremamente inquietantes, trazem preocupações sobre as nocivas políticas de saúde, com implicações racistas".
Os etíopes em Israel possuem as maiores taxas de pobreza e desemprego, segundo pesquisa realizada em novembro do ano passado, 53% dos empregadores preferem não contratar etíopes. As crianças também são obrigadas a freqüentar escolas onde estudam apenas etíopes ou salas separadas das demais.
Durante as primeiras denúncias, em 2008, o então ministro da saúde, Yaacov Ben Yezri, afirmou que o uso do Depo-Provera nas mulheres etíopes é resultado de "preferência cultural". Segundo ele, elas teriam preferência por injeções à ingestão de comprimidos.
A jornalista israelense, Ruth Sinai, destaca que além do preconceito enfrentado pelos cerca de 120 mil etíopes em Israel, há ainda grande parcela dos rabinos que lhes negam a condição de judeus por conta de diferenças litúrgicas. Seus líderes religiosos, os kessim, não são reconhecidos pelos rabinos.
Para Yali Hashash, da universidade de Haifa, os atentados contra a fertilidade praticados contra essas mulheres repetem os realizados contra mulheres de países árabes, como Iraque, Iemen e Marrocos, nos primeiros anos de Israel, 1950 e 1960.
São práticas de limpeza que lembram o nazismo. Que diria o regime israelense se medidas deste tipo fossem tomadas contra judeus ashquenazim (brancos) em qualquer país do continente europeu?
Depo-Provera é considerada um contraceptivo de longa duração altamente eficaz, mas com efeitos colaterais graves a exemplo do aumento da propensão à osteoporose.
À época do início da aplicação das medidas, era Ariel Sharon, carniceiro de Sabra e Shatila, quem acumulava as pastas de primeiro-ministro e da Saúde.
GABRIEL CRUZ


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