quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Al Shabab, o primeiro clube de futebol muçulmano do Brasil


Um time para o Islã 
Primeiro clube de futebol muçulmano do Brasil, o Al Shabab foi criado para unir esporte e religião. Os jogadores não comem carne de porco e trabalham conciliando os horários dos treinos e das orações.
São Paulo – No país do futebol, a religião costuma ficar de fora dos gramados. Os times se enfrentam em suas cores e torcidas, mas o sagrado raramente entra em campo, a não ser na hora de agradecer pela vitória alcançada. No Al Shabab, entretanto, as coisas funcionam de maneira diferente e a religião, no caso o Islã, ocupa um espaço importante na vida dos jogadores do clube, que é o primeiro time de futebol muçulmano do Brasil.
O clube foi criado em maio deste ano pelo empresário Gaber Arraji. Filho de libaneses e seguidor do islamismo, Arraji diz que já vinha observando há alguns anos a ausência de jogadores muçulmanos no cenário nacional. Teve, então, a ideia de montar um time cuja base fosse formada por adeptos da religião. Com o apoio do ex-jogador do Atlético do Paraná Gustavo Caiche, o projeto tomou forma e começou a ser divulgado nas escolas islâmicas, até aparecerem os primeiros jogadores.
Hoje, o Al Shabab, que em árabe quer dizer “Os Jovens”, conta com 78 atletas, todos abaixo dos 20 anos. No grupo, apenas 12 são muçulmanos, mas as regras dos treinos e da convivência entre os atletas seguem os princípios da religião islâmica, que incluem orações, controle na alimentação e respeito aos colegas.
“As pessoas que não são muçulmanas respeitam os horários de reza que os jogadores fazem. A parte de alimentação hoje é bem controlada, porque o muçulmano não come carne de porco. A mistura entre muçulmanos e não muçulmanos é muito harmônica, até cria curiosidade entre eles de saber mais sobre a religião”, revela Arraji, que agora é o presidente do clube.
O grupo conta ainda com um xeque, responsável por fazer as orações antes dos treinamentos. “Alguns chegam até a querer saber um pouquinho mais para se reverter ao Islã”, diz Arraji sobre os jogadores não muçulmanos. Os muçulmanos chamam a conversão de seguidores de outras religiões de “reversão”, pois eles acreditam que a adoção do Islã significa o retorno a um estado natural do ser humano. “A gente encaminha material de divulgação, não impomos nada a ninguém. Indicamos algum livro, algum site”, explica.
À parte das orações e da alimentação, a religião influi ainda no comportamento dos jogadores. “A doutrina islâmica passa a ser atuante dentro e fora do campo. A relação de respeito, amor ao próximo. Logicamente que o futebol é um esporte de contato, é violento em algumas situações, mas não faz com que você denigra a imagem do outro, o chamar de burro, esse tipo de ofensa entre os jogadores não tem, e se tiver, eles são punidos, com flexão, agachamento”, revela o presidente.
Copa São Paulo
Atualmente o clube se prepara para disputar a Copa São Paulo de Juniores, que ocorrer em janeiro de 2013. Como ainda não é filiado à Federação Paulista de Futebol (FPA), o time fez uma parceria com o São José, do interior do estado, para ter direito a uma vaga na disputa. O Al Shabab vai ocupar a vaga do clube do Vale do Paraíba no torneio.
Até o início da disputa, os 30 jogadores inscritos estão treinando no estádio municipal do Guarujá, no litoral paulista. “Nossa pretensão é ser um clube federado e entrar na disputa de alguns campeonatos. Se a parceria com o São José der certo, nós participamos com eles do campeonato paulista da série A2. Nós temos essa intenção, mas vai depender muito do ajuste entre o Al Shabab e o São José e da ajuda da comunidade islâmica, porque futebol sem dinheiro não anda. Nós precisamos despontar dentro da comunidade para que lá fora a gente possa fazer bonito também”, avalia Arraji.
Sem sede própria, o Al Shabab busca por patrocínios para começar a crescer. O presidente do clube diz que já iniciou conversações com algumas empresas. “Uma é do ramo têxtil e as outras são entidades islâmicas que estão querendo ajudar de alguma forma. A gente dá preferência para empresas muçulmanas ou árabes que queiram apoiar e patrocinar o time”, afirma.
“Acho que o Al Shabab tem que andar com suas próprias pernas daqui por diante. Estamos tentando atingir um nível bom de competição para que a gente possa oferecer isso lá pra fora, para ver se algum time islâmico ou árabe do exterior passe a adotar a gente como um time irmão aqui. Daí a gente passa a correr atrás de um centro de treinamento próprio. O maior interesse do Al Shabab hoje é fazer intercâmbio de jogadores, mandar jogadores daqui do Brasil para os países árabes e trazer também”, revela o empresário.
Aos poucos, o clube vem conquistando um apoio fundamental para qualquer time de futebol: a torcida. “O Facebook hoje é uma arma muito boa, o pessoal já está pedindo camisa do time, pedindo pra saber quando serão os jogos. A gente consegue mandar para eles o cronograma de ações dos nossos jogos, as camisas estão sendo confeccionadas agora, justamente pelo acerto dos patrocínios, e acredito que num futuro bem próximo as mesquitas vão poder comercializar os produtos do Al Shabab para a comunidade” diz Arraji.
Os jogadores
De família evangélica, Eduardo Carrilho, 18 anos, já treinou no Botafogo de Ribeirão Preto e chegou ao Al Shabab indicado por um amigo. “A gente aprende um pouco da cultura deles, mesmo não sendo muçulmano”, afirma. Ele diz não se incomodar com os hábitos religiosos do clube. “São os costumes deles e temos que respeitar.”
Carrilho espera que a disputa em janeiro possa trazer novas oportunidades à sua carreira. “Espero ter uma boa atuação na Copa São Paulo e conseguir um clube maior. A Copa São Paulo é uma vitrine”, aponta.
Depois de treinar em três clubes tradicionais, Jabaquara, São Caetano e Santos, Mohammed Orra, 17 anos, está há sete meses no Al Shabab. Muçulmano, ele destaca as diferenças entre o clube atual e os anteriores.
“A programação é diferente. No Ramadã ( mês sagrado nos quais os muçulmanos jejuam durante o dia ), teve treino à noite para não jogarmos de barriga vazia”, revela. “A alimentação é diferenciada, carne de porco não tem. E os treinos nunca batem com a reza para dar tempo de fazer os dois”, diz.
Dentro de campo, porém, futebol é sempre futebol. “A atuação é a mesma aqui ou em qualquer clube. É igual a todos”, completa.
( ANBA )

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