domingo, 16 de dezembro de 2012

"A Indústria da Multa Não Existe", em: "Falei ao calular, bati meu carro, mas não mudo meu hábitos. Afinal, a CET não existe e tudo é permitido!!"

Multas por uso de celular ao volante caem na capital
Redução foi de 20% entre 2010 e 2012; para especialistas, fiscalização é ruim e tecnologia atrapalha
O número de multas aplicadas a motoristas que usam o celular ao volante sofreu uma queda de 20,1% em dois anos na capital. Em 2010, a média mensal foi de 39.429, contra 31.488 neste ano. Os dados são da CET ( Companhia de Engenharia de Tráfego ).
Para especialistas em trânsito e transporte, a redução se deve à dificuldade em aplicar as multas por conta das estratégias usadas pelos motoristas e também pela falta de fiscalização. A CET diz manter o rigor na fiscalização ( leia texto nesta página ).
Para Dirceu Rodrigues Alves Junior, diretor da Abramet ( Associação Brasileira de Medicina de Tráfego ), a redução de multas é reflexo da fiscalização. "Além disso, seria necessária uma punição severa. O motorista precisa lembrar da multa antes de usar o celular outra vez."
Pela lei atual, a infração é média: multa de R$ 85,13 e quatro pontos na carteira.
Para Sergio Ejzenberg, engenheiro e mestre em transportes pela Escola Politécnica da USP, vidro escurecido, fone de ouvido e viva-voz tem dificultado a vida dos marronzinhos ( * ), mas são estratégias perigosas para driblar a fiscalização. "O motorista liga o 'piloto automático' para o trânsito e fica com a atenção na conversa", afirma.
ESCRITÓRIO NO CARRO
Especialistas alertam de que, por mais que o motorista queira otimizar seu tempo, o carro não pode ser transformado em um escritório ( ** ), já que a pressa causa acidentes - e mortes.
"Infelizmente, a cultura para a tecnologia introduzida no veículo tem um objetivo maior de transformá-lo em escritório", diz Alves Júnior.
"A coisa mais valiosa que existe para uma pessoa é o tempo ( sic ). Ao otimizá-lo, usa o celular ao volante", diz Ejzenberg.
"IH! BATI O CARRO! EU JÁ TE LIGO!"
Foi dessa forma que a promotora de eventos Telma Cascello, 31 anos, reagiu ao beter seu carro em uma noite de Páscoa, na Radial Leste, enquanto falava ao celular.
"Achei ( sic ) que o carro da frente estivesse andando e só percebi que todo mundo estava parado após bater ( sic, sic )." Teve prejuízo de R$ 2.000. "Foi culpa minha. Mas a motorista em que bati não percebeu que eu estava ao celular."
Ela mora no Tatuapé ( zona leste ) e trabalha na Vila Olímpia ( zona oeste ). "Perco três horas por dia no trânsito ( *** ), preciso fechar eventos e acabo usando o celular", diz ela, que tem dois aparelhos.
A fisioterapeuta Priscilla Gomes dos Santos ( **** ) , 29 anos, levou uma batida neste ano ao furar o semáforo vermelho na av. Paulista - ela mandava mensagem pelo celular. "Achei ( sic!!! ) que o semáforo estava verde para mim, mas estava para o pedestre ( !!!!! ). Por sorte ( sic, etc... ) não atropelei ninguém."
Resposta
FISCALIZAÇÃO PERMANECE RÍGIDA, DIZ CET
A CET informou que mantém o rigor na fiscalização do uso de telefones celulares por motoristas. Segundo a companhia, a menor quantidade de infrações em 2012 "pode estar relacionada às novas tecnologias disponíveis", como rádios, viva-voz e os fones de ouvido.
Ainda segundo o órgão, são "fatores que dificultam a visualização dessa infração" por parte dos marronzinhos.
A CET afirma que que a recomendação ( SIC!! )  de não falar ao celular na direção é sempre reforçada em cursos e palestras oferecidos pelo Departamento de Educação de Condutores da companhia. O setor é ligado ao Cetet ( Centro de Treinamento e Educação no Trânsito ).
Segundo a companhia, entre os fatores que levam a acidentes de trânsito pela falta de concentração dos motoristas estão: usar o celular ao volante, ter sono, fumar ou comer dirigindo, ouvir música alta dentro do carro, distrair-se com filmes em DVD e consumir bebidas alcoólicas.
 
Notas e comentários do blog:
 
(  *  ) "Dificultado a vida" dos escassos amarelinhos e marronzinhos, eles deveriam dizer. Tem essa aqui também, de 2010, que é bem taxativa: número irrisório de amarelinhos. Notem a comparação entre Sampa e Cidade do México ( apesar do texto falar em "menos de 5000" o nosso efetivo, a verdade é que não devemos chegar nem aos 3000. Li isso em algum lugar, outro dia. );
 
( ** ) Esqueço de levar em conta a exploração profissional que sofremos hoje em dia, levando-nos a trabalhar fora do expediente;
 
(***) Essa conversa de perder tempo no trânsito, bom, será conveniente também considerar que muitos dos acidentes são causados por atitudes como essa tratada na reportagem, que causam mais trânsito, que leva mais pessoas a guiar e falar ao celular, o que leva a acidentes, o que prejudica mais e mais o trânsito, levando mais e mais pessoas a falar ao celular e guiar... Entendeu a bola de neve se formando?;
 
(****) Longe de mim sugerir o boicote aos serviços das profissionais citadas na matéria, certo? Que a consciência de vocês, leitores, lhes diga qual direção tomar... 
 
 
BÔNUS:
 
E o que tanto falam? O quê, de tão urgente, que seja obrigatório atender naquele momento?
Não repondam: eu achei as respostas!!! Como não pensei nisso antes?

FLAGRAS:
Caso 1
Cidadão transitando numa avenida de bairro de classe-média paulistana. Ouve-se o seguinte:
- Não… Olha, viu…!? Eu estou dirigindo e não posso falar agora!! Viu, ô!! Tchau! NÃO, NÃO, NÃO… Eu NÃO estou fazendo pouco caso de você! Por favor, solte os reféns agora! Eu ficarei no lugar deles, vai… NÃO!! NÃO atire nela, eu estou chegando!!!
Obviamente, é o tipo de situação que estamos cansados de ver por aí, e sua gravidade e urgência justificam falar ao celular enquanto se guia.
Caso 2
Outro cidadão, de São Paulo, trava o seguinte diálogo ( do qual só conhecemos sua parte, mas não a do seu interlocutor ):
- Não… Olha, viu!? Eu estou dirigindo e não posso falar agora!! Viu, ô!! Tchau! NÃO, NÃO, NÃO… OLHA, eu já estou chegando ao hospital, vão fazendo o seguinte: pega a cabeça da criança, com calma, põe a tala no pescoço e imobiliza do peito para baixo… É… e tira prego que pode infeccionar… ISSO!! Já estou chegando!!!
Um óbvio caso de “vida ou morte”, e as decisões têm de ser tomadas ali, no calor do momento. Não se pode criticar esse motorista.
Caso 3
Também em São Paulo, onde coisas muito esquisitas acontecem, prá Jack Bauer nenhum botar defeito:
- Não… Olha, viu!? Eu estou dirigindo e não posso falar agora!! Viu, ô!! Tchau! NÃO, NÃO, NÃO… OLHA, eu já estou chegando ao local, vão fazendo o seguinte: pega o alicate… ISSO!! O de bico!! É…! Pega e localiza o fio verde… Já? ÓTIMO! Do lado do fio verde, tem o azul, não tem? ALÔ!! “Não tem”?!! Como assim? Aimeudeus!! Então o fio vermelho??! AH, tá! É… esqueci que os albaneses é que usavam esse tipo de detonador! Os fios verde e vermelho, é mesmo… Os nigerianos são meio antiquados, mesmo!! ISSO, corta o fio vermelho, que eu já estou chegando… Mantenham as barreiras e não deixem nenhum civil chegar perto…”
Não se pode obrigar alguém, dedicado a salvar o mundo de ameaças horrendas, que acate leis que impeçam seu ofício, não é?
 

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