sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Ciência humanística na marra: governo mexicano e multinacionais querem inundar país com milho transgênico

Via Campesina denuncia atentado de transnacionais e governo contra milho mexicano
O país considerado o centro da diversidade do milho está ameaçado. México pode sofrer o golpe de ter, em breve, plantado em suas terras cerca de 2,4 milhões de hectares de milho transgênico, segundo denunciou ontem a Via Campesina. As transnacionais Monsanto, DuPont e Dow esperam apenas uma resposta do governo.
A organização internacional insiste que uma resposta positiva seria ‘um crime contra a humanidade’, pois a área a ser plantada é do tamanho de El Salvador, além disso, existem milhares de variedades nos campos das comunidades campesinas e indígenas que poderão ser afetadas. Via Campesina acrescenta que hoje o milho é um dos três principais alimentos no mundo, sendo assim a contaminação dos milhos no México por transgênicos representa uma ameaça para todo o planeta.
"Há vinte anos, o governo do México põe em perigo nossa soberania alimentar ao abrir a agricultura ao comércio livre, nos inundado de milho barato de má qualidade, e deixando milhares de campesinos na pobreza. Agora, buscam envenenar-nos com milho transgênico. Não vamos permitir”, assegurou Alberto Gómez, da Via Campesina mexicana.
Os riscos dos transgênicos ainda não foram avaliados de forma apropriada, mas um estudo publicado recentemente na França assegura que o milho transgênico pode causar graves danos à saúde. Ratos foram alimentados com milho transgênico e demonstraram altas incidências de câncer e danos a seus órgãos vitais. No México, a variedade de milho que as transnacionais querem semear, conhecida como "NK 603”, é a mesma do estudo.
"Todas as plantas transgênicas contaminam os cultivos campesinos através de genes patenteados pelas multinacionais e desta forma impedem que os campesinos utilizem suas próprias sementes. É por isso que na Europa temos pressionado para ter leis que hoje em dia proíbam os transgênicos em nossos campos e em nossos alimentos. Desde Europa e todo o mundo necessitamos apoiar o povo do México para resistir contra as transnacionais”, disse Guy Kastler, da Via Campesina na França.
A Via Campesina convoca suas organizações, a sociedade civil, campesinos e campesinas à ação, a fazer um rechaço às demandas da Monsanto e a realizarem, em seus países, mobilizações para demonstrar a grave irresponsabilidade do governo mexicano e denunciar o atentado contra o milho do país.
A organização sugere denuncias nas sedes das transnacionais Monsanto, DuPont, Dow e dos governos que apoiam; denúncias ante instâncias como a FAO e o Convênio da Biodiversidade (CBD) das Nações Unidas; pressão nas embaixadas do governo mexicano em todo o mundo e difusão de informação em todos os meios possíveis.

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