sábado, 17 de novembro de 2012

A lógica econômica da bicicleta

Meses atrás, o jornalista econômico John Cassidy, colunista do The New Yoker, publicou um artigo em que critica a política de ampliação da malha cicloviária de Manhattan-EUA. Ele argumentou que o espaço destinado às bicicletas torna-se, inerte e os benefícios das ciclovias custam muito caro para quem usa veículo automotor. Segundo John, o espaço deveria continuar sendo estacionamento para carros, já que o número de ciclistas é relativamente pequeno.
O que deve ficar esclarecido são as diferenças entre a construção da malha cicloviária, em contrapartida à manutenção de estacionamentos. Começando pelo básico, uma social atrelada às ciclovias é a mobilidade, ou seja, as ciclovias são caminhos seguros para cidadãos irem e virem de bicicleta. Os estacionamentos, por sua vez, são vagas individuais esperando automóveis. Note: na ciclovia, John, você e muitas outras  pessoas podem locomover-se, mas no estacionamento, se John ocupar uma vaga, ninguém mais poderá ocupá-la simultaneamente. O que representa maior inércia?
Outro ponto a ser analisado é que, quando não há infraestrutura apropriada para o tráfego de bicicletas, há uma demanda reprimida de ciclistas. Então, mesmo que o número de usuários de bike seja pequeno, com a implantação de redes cicloviárias, interligando a cidade, a porcentagem de viagens por bicicleta aumenta, conforme comprovado em casos como Amsterdã e Copenhagen.
Como acontece em muitos lugares do mundo, inclusive no Brasil, os carros desfrutam de prestigiosos subsídios e incentivos diretos e indiretos, públicos e privados. A dependência energética do mundo com relação a indústria petrolífera, os estacionamentos públicos, a construção de estradas e a redução de impostos para as empresas automobilísticas são exemplos desses incentivos. As receitas geradas pelo uso efetivo do automóvel não justificam esse alto investimento, principalmente ao se levar em conta os custos sociais atrelados ao uso excessivo do automóvel ( N do Blog: imagino que se refira desde aos problemas de saúde pública - física e mental, considerando a violência no trânsito e os efeitos da poluição e do stress sobre as populações, incluindo os não-proprietários de veículos -, passando pela questão da segurança pública - roubos de carros e o consequente destacamento de efetivos policiais dispendiosos para seu combate e a proteção da propriedade , etc ) 
Ao contrário do que afirmou, John, há muito mais lógica econômica por detrás do incentivo à bicicleta. A construção de ciclovias apresenta melhor custo X benefício na questão da mobilidade, até mesmo para quem continuará usando automóvel, já que com menos carros nas estradas ( OBS: "Ruas"? ), o congestionamento e a ocorrência por vagas de estacionamento diminui.
( REVISTA BICICLETA, ed. 22, página 08 )

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