quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Jaz São Paulo ( cof! cof! ) em: Notícias de um Inferno público

Ainda que o texto inteiro de "São Paulo está doente", publicado no site "Pública" [ leia matéria completa aqui ] seja de total importância e interesse, destaco apenas as partes que mostram como os carros dos paulistanos estão matando a todos, proprietários ou não de veículos. São suas escolhas, belos, e não a RECENTE redução do IPI que estão fazendo isso. O governo não enfia um revolver na cabeça das pessoas para obrigá-las a comprarem carros. Eu mesmo, morador a vida toda em São Paulo Capital, já com 40 anos de idade, jamais aprendi a dirigir e nunca quis ter um carro. Olha que a pressão social sempre foi forte. Nós sabemos que ter um automóvel sempre foi uma questão muito maior que apenas o simples transporte de pessoas. Mas vamos à matéria:
 
São Paulo está doente
Segundo pesquisa, 77% de consultas de emergência no Hospital São Paulo foram por doenças respiratórias; número de veículos aumentou cinco vezes mais do que o de gente
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O atendimento precário do sistema de saúde paulistano fica ainda mais evidente no inverno, quando a poluição atinge os índices mais altos. Na região metropolitana de São Paulo, são 47 mil indústrias e cerca de 100 mil estabelecimentos comerciais. Na última década, a população da capital paulista cresceu 12%, enquanto que a frota de veículos teve aumento de 65%, chegando a 7 milhões em março do ano passado – ou seja, um carro para cada 1,5 pessoas. Essa avalanche de carros nas ruas está causando congestionamentos diários de mais de cem quilômetros nos horários de pico. Os carros emitem gases poluentes que podem causar doenças respiratórias, de rinite, sinusite à pneumonia.( ...)
O médico Paulo Saldiva, professor titular do Departamento de Patologia da USP e pesquisador do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental, diz que apesar de haver um maior controle na última década sobre a emissão de gases dos veículos, com o aprimoramento da tecnologia e o uso de novos combustíveis, hoje, os paulistanos estão mais expostos aos poluentes, porque permanecem mais tempo nos engarrafamentos. “Se uma pessoa passa duas horas ingerindo partículas poluidoras em um congestionamento, isso equivale a fumar ao menos um cigarro por dia”, explica.
No ano passado, foram quatro mil mortes em São Paulo decorrentes dos malefícios da poluição. “Já sabemos que a relação entre poluição e danos à saúde é direta e proporcional. No Instituto do Coração do Hospital das Clínicas (Incor), as internações por problemas cardíacos aumentam 4% quando o ambiente tem maior concentração de poluentes”, diz o médico epidemiologista Luiz Alberto Amador.
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Dos atendimentos de emergência, 77% são por doença respiratória
Um estudo publicado em 2011, pela pesquisadora Silvia Letícia de Santiago, da Unifesp, provou essa relação entre os poluentes emitidos pela frota automotiva e uma maior incidência de casos de doenças respiratórias nos paulistanos de diversas faixas etárias.
“Durante três anos, estudamos 177 mil casos. Cruzamos os dados das consultas no serviço de emergência do Hospital São Paulo com os índices de poluição da CETESB. Do total, 77,5% foram atendimentos por doenças respiratórias“, diz Silvia.
No caos de São Paulo, o trânsito também é responsável pela elevação do estresse e do sedentarismo. Passar muito tempo dentro de um carro, um ônibus ou um metrô significa ter menos tempo para fazer exercícios físicos e lazer, o que torna o cotidiano do paulistano ainda mais cansativo. “As dificuldades de vida em São Paulo aumentam os transtornos mentais, como depressão, ansiedade, pânico, além de um maior uso de álcool e outras drogas”, diz o médico Paulo Rossi da Medicina Preventiva da Universidade de São Paulo (USP). Rossi afirma que as populações mais pobres estão ainda mais sujeitas às doenças mentais decorrentes das preocupações cotidianas. Um levantamento feito pela médica psiquiatra Laura Andrade do Hospital das Clínicas de São Paulo, divulgado em março deste ano, afirma que três em cada dez paulistanos sofrem de algum tipo de transtorno mental. Outro fenômeno contemporâneo apontado por Rossi em centros urbanos é a fadiga crônica, um forte cansaço que pode perdurar por seis meses. Para este tipo de diagnóstico e tratamento, ele diz que os serviços públicos ainda têm pouco a oferecer.
O trânsito não só adoece, mas também mata os moradores da capital. Em uma década, o número de motos passou de três milhões para mais de 11 milhões. Apenas no ano passado, a mortalidade de motociclistas envolvidos em acidentes de trânsito na capital paulista cresceu em 7% em relação a 2010, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). E não seria para menos: a quantidade de viagens diárias de motos na cidade pode chegar a 25 milhões.

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