terça-feira, 14 de agosto de 2012

Política: candidatos não podem dizer a verdade sempre

É uma verdade brutal, concordo. Mas é assim que tem que ser.
Vamos pensar o seguinte: imagine o senhor ou a senhora que, durante o horário eleitoral, um sujeito, candidato a vereador por São Paulo, por exemplo, dizendo com todas as letras que não existe nenhuma "Indústria da Multa" e os meliantes, que são na verdade os próprios eleitores paulistanos, não são devidamente multados pelo que fazem, apesar de fazerem tudo o que querem, e sempre às claras. É carro na calçada, é gente guiando e falando ao celular enquanto dirige nas mais movimentadas avenidas da Capital. Todo tipo de horror que um motorista pode fazer.
Obviamente, os senhores serão tomados por uma imensa fúria, apesar de saberem que é a mais pura verdade.
A despeito de existirem alguns eleitores/cidadãos ingênuos, o que prolifera, mesmo é o "crente cínico". O crente cínico é aquele que "acha" que existe, sim, a famigerada Indústria da Multa, por que lhe convém. Eu explico: o crente cínico ssabe o que apronta, mas faz questão de reclamar entre os amigos, conhecidos, vizinhos ( alguns chegam até a mandar carta para jornais, blogs, rádios e revistas ), ele gosta de fazer todo tipo de alarde. Seu objetivo é convencer as pessoas de seu ponto de vista, com o intuito de fabricar uma espécie de opinião pública que poderá, consequentemente, tornar-se um agente de pressão popular. Se o poder público tomar conhecimento da existência de uma "revolução silenciosa" que não gosta de ser multada no trânsito, o gestor fará o que tem sido feito em São Paulo: multa-se, sim, mas menos do que deveria. Ambos, poder público e população, aham, esclarecida, ficam meio satisfeitos, os dois cedendo um pouco: poder multando menos do que pode e deve e população sendo apanhada pela CET menos do que faz por merecer. O crente cínico fez a diferença e pode continuar cometendo seus pequenos crimezinhos no trânsito, pois assustou e acuou os responsáveis por botar ordem nessa zona toda, que se recolheram covardemente.
De volta à verdade eleitoral.
Se o mencionado candidato hipotético dizer o que todos sabem ( "Não existe blablabla..." ) e propor, por exemplo, o aumento - que se faz necessário, sabem os especialistas - do efetivo da CET ou a também necessa´ria reduçaõ dos limites de velocidade para proteção do pedestre,  o povo vai caçar esse cara como uma ratazanha prenhe. Ou, simplesmente, o cara jamais será eleito. Nem a esposa e os filhos votarão nele. O padeiro vai vender pão mofado a ele. O pasteleiro vai botar somente vento no pastel. Vai tomar bolada na rua. O taxista vai tascar uma bandeira três.
Digam, então: o político tem MESMO que falar sempre a verdade?

Nenhum comentário :

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails

Golpe