quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Pérolas paulistanas: paulistano ensinando ao filho o valor da coisa pública

Essa eu escutei hoje, infelizmente, enquanto filava as capas dos jornais, expostas no jornaleiro.
Dois cidadãos paulistanos se aproximam, e um deles começa a olhar a capa de um desses jornais sobre concursos públicos. Falaram algo sobre futebol, INSS, futebol, assaltos, aí o sujeito que se deteve no jornal de concursos abordou o assunto "concursos".
Tentei não prestar muita atenção, mas, de repente, ele tascou esse horror, o velho primor de lenda urbana neoliberal, muito em voga nos anos 90:
- Já falei pro Betinho ( filho dele ): pega e faz esse negócio ( concurso público ), pega esse jornal, estuda e faz a prova...Você entra lá ( citou uma estatal, ou um cargo qualquer de escritório, escriturário, sei lá o que em autarquia )e tira uns 2 mil por mês...
Olha, juroporDeus, eu estava diante de um anacrônico e caricato personagem, parecia saído da Praça é Nossa. Ele arrematou dessa forma, com sua visão esclarecida e bastante comum sobre os funcionários públicos:
- ... funcionário público não faz nada. Blablabla...
Quando ele vomitou seu lugar-comum eu parei de escutar. Em primeiro lugar, ele não sabe que até mesmo a própria bíblia anti-servidor público do Brasil, o Semanário dos Homens Bons, ou seja, a Revista Veja liberou, há anos, seus leitores de classe-média para que entrassem no serviço público via Concursos Públicos, dizendo que é uma boa?
E, em segundo lugar, é assim que ele ensina o filho sobre como se deve lidar com a chamada "coisa pública"? Que exemplo o senhor dá a ele? "Vai lá meu filho, e rouba também!" Esse país tá perdido mesmo!
Só podia ser em São Paulo, escutar um descalabro desses!

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