segunda-feira, 18 de junho de 2012

O triste cotidiano do pior time de futebol de SP

OU: DEVE SER POR AMOR AO FUTEBOL. SÓ PODE SER ISSO.

Taquaritinga é pior time do estado de São Paulo
Equipe tem seis derrotas em seis partidas pela Quarta Divisão e foi abandonada por seus torcedores
( Diário de São Paulo )
O estádio Taquarão é lembrança dos anos de glória. Atualmente é a casa de Boneca, a vira-lata que acompanha todos os treinos do Taquaritinga, o pior time de São Paulo. Seis derrotas em seis rodadas na quarta e última divisão do estado. Pior ataque (dois gols) e pior defesa (16), o clube enfrenta hoje [ ontem , Domingo ], às 10h, o Jaboticabal. “Boneca é uma das poucas alegrias que temos aqui”, diz, resignado, o roupeiro André Chiquito.
Nem sempre foi assim. Em 1983, a equipe da cidade de 53 mil habitantes estava na elite. Ganhou do Corinthians. Os cada vez mais escassos torcedores ainda se orgulham de que o estádio, com capacidade para 20 mil pessoas, foi erguido em 89 dias para receber os grandes. Na derrota da semana passada, contra o Olímpia, o público foi de 15 pagantes. Somados os três jogos em casa, 173 testemunhas foram ao Taquarão.
Nas ondas do rádio
“O pessoal do elenco está bravo comigo. Narro partidas do Taquaritinga há 20 anos e não me lembro de um time tão ruim. Outro dia, no meu programa, disse que os jogadores são jovens. Ainda têm tempo para fazer um curso profissionalizante. Jogar bola, eles não sabem”, afirma, sério, o locutor Marcelo Pachello, a voz do futebol na Rádio Imperial.
Pelas regras da Quarta Divisão, cada clube pode colocar em campo três atletas com mais de 23 anos. Para o Taquaritinga, não faz diferença. O grupo tem apenas o volante Alexandre Pitbull, 30, acima dessa faixa etária. A média salarial do elenco é de R$ 400. Alguns não ganham nem isso. Na cidade, o comentário é de que há garotos pagando para vestir a camisa do time, o que ninguém confirma. O presidente Jair Fontenelli é interino. Não há Conselho Deliberativo. Basicamente, o patrimônio do CAT são bolas e camisas. Estádio e alojamento são da prefeitura.
Nesta terra de ninguém está o sonho de Donizete Gil, 47 anos. Assumiu a equipe na terceira rodada, depois de o ex-goleiro Solito (não é o que foi campeão pelo Corinthians) abandonar o barco. Apesar da falta de estrutura, torcedores e talento, ele acredita. Não há outro jeito. A experiência na profissão antes de chegar ao clube era... nenhuma. Ou quase isso. “Trabalhei na Copa Sesi [torneio industriário] e fui campeão, como técnico, de São Paulo e da região Sudeste. Minha carreira de jogador acabou porque fraturei a perna no Votuporanguense aos 20 anos”, diz.
Faculdade para pagar
É bom não zombar de Gil. Neste conto de terror que se tornou a temporada do CAT, ele é o herói. Talvez o único. Dono de uma escolinha de futebol society em Santa Bárbara do Oeste (interior do estado), não recebe salário do Taquaritinga. Pelo contrário, paga. Não falta alimentação aos jogadores porque o técnico põe a mão no bolso. “Já vendi um carro. Mas não sei até onde esta situação pode continuar. São R$ 4 mil por mês. Faço isso porque sou honesto. Disse aos garotos que o prometido seria cumprido. Mas não posso ficar pagando tudo. Tenho a faculdade da minha filha para quitar”, completa. Gil confessa rezar todos os dias para aparecer um patrocinador. Alguém que possa financiar não apenas os seu sonho, mas o dos jovens jogadores do pior time do estado. “Mas, para isso, temos de melhorar os resultados”, admite. É melhor rezar mesmo.
20 jogos ficou sem perder em 1957.
Ganhou a Taça dos Invictos. 6 derrotas o time tem, até agora, na Quarta Divisão do estado, em seis jogos.
3 participações tem o Taquaritinga na Primeira Divisão: 1983, 1984 e 1992.

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