domingo, 3 de junho de 2012

Galeria de tipos genuinamente paulistanos: Passos Dias A.Chiar

Com certeza todos conhecem alguém que lembre mais ou menos o sr. Passos ( que, ao contrário do que seu nome - "Passos" - sugere, só anda de carro prá todo lado ).
O sr. Passos mereceu figurar em nossa galeria a artir de um singelo evento: certo dia, o sr. Passos estacionou seu carro sobre a calçada, perto do seu trabalho, como fazia todos os dias há 5 anos. Mas, diferentemente da rotina, um dia, pro azar do seu Passos ( e olha que é azar brabo, jáque ninguém é multado em São Paulo por estacionar sobre calçada ) , passou ali um amarelinho ( fiscal da CET ) e autuou o carro do senhor Passos. Estacionar sobre a calçada é pena dura.
No exato momento da autuação, o sr. Passos apareceu e, estupefacto, tentou argumentar, dizendo que fazia aquilo há anos, que nunca ninguém reclamara, que todo mundo fazia isso, etc.
Não teve jeito. Além dos pontos na carteira, o sr. Passos teve que morrer com uma grana. Isso não ia ficar assim.
( *** )
Tempos depois, ainda digerindo aquele episódio, seu Passos escreveu um email prá seção de cartas de leitores de diversos jornais, denunciando a ação autoritária dos fiscais de trânsito de São Paulo, a existência de uma sinistra Indústria da Multa , e exortando os cidadãos paulistanos a resisitr àquele abuso de autoridade.
De todos os jornais, revistas e sites para onde o sr. Passos  escreveu a carta-denúncia, somente o Estadão publicou-a quase integralmente, sem cortes, ligeiramente fiel ao original. Foi um sucesso.
Quando soube que sua epístola fora publicada pelo Estadão, o sr. Passos ficou todo orgulhoso, e comprou vários exemplares do jornal. A padaria do bairro chegou a emoldurar uma cópia da carta publicada no jornal.
Um cliente da padaria virara uma celebridade. Um formador de opinião. Alguém que empresta o nome a uma denúncia séria, falando a verdade que deve ser dita.
E o sr. Passos carregava, num álbum, prá lá e prá cá, a sua cópia. E mostrava prá todo mundo. Chegava na padaria, e logo alguém falava: "Olha o Passos aí. Não vão pisar na bola que o cara mete bronca". A sério.
Uma voz se levantava: "É de gente assim que o Brasil precisa!"
E os outros: Ééé!
E outro: "Se candidata, Passos! Eu voto em você!"
Mais alguém: "Você ganha fácil, Passos!"
E o coro: "Ééé"
(***)
O sr. Passos considerou sériamente se candidatar. Mas deixou prá lá. Sua explicação:
- Política é só gente desonesta. Não é prá mim.

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