sábado, 19 de maio de 2012

Israel: 45 anos após «reunificação» de Jerusalém diferenças entre judeus e árabes são gritantes

Israel deve celebrar, no domingo, o "Dia de Jerusalém" para assinalar a "reunificação" da cidade santa, mas 45 anos após a conquista da parte oriental, as diferenças entre setores judeus e árabes são gritantes.
Israel conquistou Jerusalém Oriental durante a Guerra israelo-árabe dos Seis Dias, em junho de 1967, seguidamente anexou-a, afirmando considerar toda a cidade como "capital eterno e indivisível", uma decisão nunca reconhecida pela comunidade internacional.
Nenhuma parede separa as duas partes da cidade, mas os palestinianos desejam criar no leste da capital o seu futuro Estado, queixando-se que as condições de vida são inferiores às dos seus vizinhos israelitas.
No Ocidente, os autocarros são novos, circulam em estradas bem mantidas, cercadas de espaços verdes. O lixo é classificado e regularmente removido.
No Oriente, o lixo é incinerado em aterros sanitários, muitas vezes pestilentos. As escolas estão superlotadas.
"Basta passear 10 minutos a Oriente e 10 minutos em bairros (judeus) colonizados para constatar a diferença", disse Ziad Hammouri, um advogado que dirige o Centro Social e de Direitos Económicos de Jerusalém.
Mahmoud Khweis, 39 anos, que vive no Monte das Oliveiras, disse que nunca viu um veículo de vias urbanas no seu bairro até os colonos judeus se instalarem nas redondezas. "Comparadas com as dos campos de refugiados, as estradas são correctas, mas não têm nada ver com Rehavia", um bairro de classe alta de Jerusalém Ocidental, apesar das taxas de imposto municipais serem iguais, disse.
Segundo a Associação pelos Direitos Civis em Israel (ACRI), os palestinianos só podem construir em 17% das parcelas localizadas no Oriente, onde grandes espaços são reservados para parques ou futuras colonatos judaicos. Além disso, apenas 13% das licenças de construção emitidas entre 2005 a 2009 foram concedidos a palestinianos.
A ACRI adiantou ainda que cerca de 20.000 casas foram construídas sem autorização no Oriente, criando graves problemas em termos de infraestruturas e serviços.
Questionado pela Agência France Press (AFP), Naomi Tsur, adjunto do presidente da Câmara de Jerusalém, Nir Barkat, justificou que foi desbloqueado um orçamento 103 milhões de euros para a construção de estradas no leste da cidade e uma linha de transporte para servir bairros árabes e judeus. "Tentamos considerar a cidade unicamente pelo prisma da responsabilidade municipal (...) O que importa é que as pessoas querem viver aqui e podem enviar os filhos à escola", disse Naomi Tsur.

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