quarta-feira, 23 de maio de 2012

Hospital grego ameaçou ficar com bebê para mãe pagar a conta da cesariana

Um hospital de Atenas, na Grécia, terá ameaçado ficar com um bebé, quando a mãe disse que não tinha possibilidade de pagar os 1200 euros de custo da cesariana. Segundo as recentes políticas de austeridade, o Estado só paga despesas médicas de pessoas com emprego e contribuintes regulares.
No caso dos desempregados, como é caso desta mãe, o Estado com assegura as despesas de saúde se todos os impostos estiverem em dia. Além disso, todos os casos considerados não urgentes não têm direito a serviços de saúde gratuitos.
Segundo a BBC, a mulher que acusou o hospital (e que pediu para não ser identificada), vive numa barraca degradada em Loutsa, cidade litoral, a cerca de uma hora de distância da capital grega.
Nessa barraca também vivem o marido, mais um filho, o pai, a mãe e o irmão. O único rendimento desta família provém dos trabalhos de limpezas domésticas que a mãe faz.
Antes da crise, todos tinham emprego. Depois da crise, todos o perderam. Agora, devem várias mensalidades de renda e já sofreram ameaça de despejo. A jovem mãe diz que nem dinheiro tem para as vacinas do bebé.
Os 1200 euros da cesariana foram, entretanto, "perdoados", graças à intervenção de uma médica que apelou à direção do hospital, considerando a grave situação económica da paciente.
Contudo, Nikos Faldamis, diretor do hospital negou, segundo a BBC, ter ameaçado reter o bebé da paciente, tendo, em vez disso, proposto o pagamento fracionado da despesa.
Cerca de 25% dos gregos sem cobertura médica
Segundo a organização não governamental Médicos do Mundo, 25% da população grega não tem direito a qualquer tipo de assistência médica paga pelo Estado.
Nikitas Kanakis, diretor da missão dos Médicos do Mundo na Grécia, justifica, citado pela BBC, este valor com base em "todas as pessoas que passaram para baixo da linha de pobreza, todos os que devem algum imposto para às Finanças, mesmo que seja uma multa de trânsito, todos aqueles desempregados por mais de um ano e todos os que deixaram de pagar os seus seguros de saúde recentemente". ( JN )



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