quarta-feira, 21 de março de 2012

O corcunda arrogante

Aconteceu há muito tempo atrás, num local muito distante. Ou seja, não adianta tentar comprovar pessoalmente a história que vem a seguir.
O sujeito era um conhecido arrogante. Não que ele fosse arrogante, mas as pessoas lhe reputaram como sendo "um cara arrogante", por um motivo qualquer. Sabe como é o povo, né? Se você não se mostra sorridente, se não conversa com todo mundo, não ri das piadas óbvias e sem-graça dos vizinhos, pronto: você é "arrogante", "nariz empinado", com o "rei na barriga". Coisas desse gênero. Basta ser um sujeito "na sua".
Pois bem. O arrogante andava por aí, na dele, ia na padaria, fazia as coisas cotidianas, levando a vida. E o povo lá: "Ó o arrogante..."
Desejavam:
"Um dia ele vai perder essa arrogância. Vai acabar se curvando. Vai ver só..."
(***)
Passou o tempo, e o sujeito ( perdão, ele tinha nome: Álvaro ) começou a sofrer de seguidas dores nas costas, bem na corcunda. E não passavam de jeito nenhum. Quando ficaram mais graves, Álvaro foi ao médico, que solicitou-lhe uma batelada de exames bastante invasivos.
- Vamos ver se esse arrogante vai fazer esses exames, pensou o doutor.
E Álvaro fez os exames. E entregou-os ao médico. Que deu a notícia a Álvaro:
- Mas aqui não consta nada. Nenhum problema. Que estranho.
Receitou-lhe uns fármacos. Que não fizeram efeito algum.
(***)
Passou o tempo, e Álvaro ia se acostumando com as dores. E sua postura corporal foi se adequando às dores. Aos poucos Álvaro ia se encurvando, encurvando, encurvando... e encorcundando.
Até se tornar um corcunda.
Álvaro se viu corcunda, e desabafou:
- Essas pessoas queriam que eu me curvasse, e olha no que deu. Parece castigo!
O povo, que tanto praguejou contra a "arrogância" de Álvaro e que tanto quis que ele se "curvasse", teve seu desejo satisfeito. Se ferrou, o sujeitinho arrogante!!
(***)

Mas não tiveram o que comemorar. À medida que Álvaro encorcundava, as pessoas iam encorcundando mais que ele. Assim, ele ficou corcunda, mas menos que todos. De modo que, comparando com o que ficou reservado aos outros, ele parecia o mais ereto da cidade inteira. Ninguém tinha motivos para comemorar a "curvatura" de Álvaro. Quem acompanhou esta história, achando que Álvaro se danaria sozinho, como resultado de algum castigo cósmico, se lascou.

MORAL DA HISTÓRIA: Ao ler uma história, espere pelo fim.




Nenhum comentário :

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails

Golpe