quarta-feira, 21 de março de 2012

Igreja Católica holandesa: a cura da homossexualidade pelo processo de castração do vivente

Igreja acusada de castrar jovens para curar «homossexualidade»
Investigação de jornal holandês revela que haverá pelo menos dez vítimas. Escândalo remonta à década de 1950
Uma investigação de abusos sexuais a menores por parte de membros da Igreja Católica na Holanda, iniciada no ano passado, levantou o véu que cobria o que poderá ser um escândalo ainda mais escabroso. Segundo o jornal «NRC Handelsblad» há indícios de que pelo menos dez jovens, ao cuidado da instituição, terão sido castrados na década de 1950 para serem curados da «homossexualidade» e como um castigo por denunciarem abusos sexuais.
A ponta deste novelo, que está agora a ser revelado, foi o caso de Henk Heithuis e foi puxada pelo jornalista de investigação Joep Dohmen, que encontrou indícios de pelo menos outros nove casos semelhantes.
Dohmen descobriu que Heithuis foi castrado em 1956, depois de ter denunciado à polícia ter sido vítima de abusos por parte de padres na casa de acolhimento em que vivia. Na altura, com 20 anos, a vítima era ainda menor, uma vez que a idade adulta na década na época começava legalmente aos 21.
A história de Heithuis poderia ter morrido com ele, no acidente de viação em que perdeu a vida, em 1958. Mas Joep Dohmen seguiu-lhe o rasto e descobriu que, apesar de dois padres terem sido condenados pelos abusos cometidos, o jovem foi transferido pela polícia para um hospital psiquiátrico da Igreja, antes de ter sido levado para o Hospital de St. Joseph, em Veghel.
Nesta instituição, segundo confirmam documentos judiciais, Heithuis foi castrado, «a seu pedido». Contudo, não existem quaisquer documentos com a assinatura deste consentimento e algumas fontes disseram ao jornalista do «NRC Handelsblad» que este procedimento cirúrgico era usado com um tratamento para a homossexualidade. Mas também como um castigo pelas denúncias.
A castração do jovem foi também confirmada por um conhecido seu, o pintor holandês Cornelius Rogge, que nos anos 50 disse ter-lhe sido mostrada a mutilação, o que o levou a denunciar o caso, mas sem quaisquer consequências.
O caso das castrações acabou também por não ter seguimento na sequência da investigação oficial que se iniciou em Dezembro sobre abusos por parte de elementos ligados à Igreja Católica, por se considerar que havia «poucas pistas».
Mas esta segunda-feira o caso ganhou uma nova dimensão, com a revelação de minutas de reuniões da década de 1950 que dão conta que inspetores governamentais não só tinham conhecimento das castrações, como estavam presentes quando estas eram discutidas.
Estes documentos indiciam ainda que os membros da Igreja Católica não consideravam relevante informar os familiares das pessoas que eram sujeitas a este tipo de «tratamento».
Num caso em que o escândalo parece ser cada vez mais profundo, à medida que se investiga, foi descoberto também que poderá estar implicado o antigo primeiro-ministro holandês Vic Marijnen.
Marijnen morreu em 1975, mas no ano em que Heithuis foi castrado era o presidente da casa de acolhimento em que ele se encontrava e terá usado a sua influencia para evitar penas de prisão a vários padres condenados por pedofilia.( TVI24 )

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