sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

PQP ( Paulistano que é paulistano )

ASSIM É O PAULISTANO (*)
- PAULISTANO pega nota de cem reais no caixa bancário e vai correndo fazer compra ridícula em micro-comércio, como quitanda ou banca de jornal. Na maioria das vezes compra apenas um maço de cigarro - produto que dá um lucro ridículo ao comerciante - só para trocar o dinheiro sem ter esforço. Se o microcomerciante se recusa a trocar, seja pela falta de troco ou para que este não falte, o PAULISTANO faz o maior escândalo, berrando que é o "direito do consumidor" ( qual direito, especificamente, ele não diz ), que é obrigação do comércio ter trôco e outras baboseiras. Se o comerciante engole essa bobagem, estará ajudando a perpetuar a atitude torpe do PAULISTANO. Se bem que, é forçôso reconhecer, tem muito microcomerciante zoiúdo e unha de fome. De qualquer maneira, o escândalo que o PAULISTANO faz em microcomércios ele jamais faria no banco ou no Pão de Açúcar, locais que, OBVIAMENTE, teriam troco. O banco, mais ainda.
- PAULISTANO estaciona o carro ( um deles ) sobre calçadas, passa no vermelho, pára na faixa de pedestres, fala ao celular enquanto dirige, passa do limite de velocidade, dirige bêbedo e JAMAIS é pego pelos fiscais de trânsito mas, mesmo assim, PAULISTANO sempre reclama de uma certa Indústria da Multa, cuja existência jamais será comprovada por razões óbvias. E tem PAULISTANO mais cara-de-pau que ( talvez seja só pra ver seu nomitcho publicado ) ainda manda carta para jornal "denunciando" a tal Indústria da Multa. Só uma cela acolchoada nesses casos resolve.
- PAULISTANO ama a truculência policial. Isso ficou provado pela pesquisa Datafolha sobre a atuação da PM na Cracolândia. Mas PAULISTANO QUE É PAULISTANO odeia receber multas de trânsito emitidas pela PM, mesmo que tenha sido apanhado nas mais escalabrosas barbeiragens. PAULISTANO adora policial corrupto, mas gosta mesmo é de leis duras pros outros, não para ele, PAULISTANO.
- PAULISTANO ama sacolas de plástico. Carregar uma infinidade de pacotes simboliza status social, na medida em que define sua capacidade de consumo. Isso ocorre em todas as classes sociais, não importa que essas sacolas irão parar na goela de algum peixe ou ave marinha.
- PAULISTANO ama mais seu o carro do que a Educação de seus filhos. Ama mais seu carro do que seu próprio pulmão. PAULISTANO ama mais seu EGO que seu carro, já que este é um instrumento daquele. Ou você acha que PAULISTANO liga para transporte? O negócio é outro.
- PAULISTANO diz que detesta políticos, mas é porque estes estão onde o PAULISTANO gostaria de estar. PAULISTANO odeia político, mas adora ter amigo assessor de vereador. PAULISTANO quer, um dia, "chegar lá".
- PAULISTANO ama mencionar suas raízes européias ou origem bandeirante, do tipo, "Isso que está aí é coisa da baianada".
- PAULISTANO ( que é paulista ) diz que odeia feriado ( "Dia da baianada ir prá praia..."; "Pára a Economia do País..." ) mas gosta do 9 de Julho e, principalmente, dos feriados prolongados, quando dá para enforcar o trabalho e encher a praia de lixo.
- PAULISTANO pragueja contra a chuva, porque "prejudica o trânsito", mesmo que sem ela o ar fique seco, poluído e isso leve crianças e idosos com problemas respiratórios aos hospitais de emergência e postos de saúde.

( * ) Em breve lançaremos uma edição em inglês desse manual para os turistas que aportarão na cidade por ocasião da Copa do Mundo. Gringo, se estiver em São Paulo, NÃO FAÇA COMO OS PAULISTANOS!

4 comentários :

Odete disse...

Mais uma vez na mosca, Humberto. Só que este artigo também cai como uma luva para os boçais preconceituosos, que se consideram elite (sem o ser) aqui no sul do país. Assino embaixo. Com relação às sacolas plásticas, me causa estranheza, inclusive, comentários raivosos contra medidas que visam diminuir o seu uso. A minha opinião é que se for necessário cobrar pelo uso das sacolas para inibir seu uso indiscriminado, que seja. Há anos que faço minhas compras levando comigo diversas sacolas de pano (não paguei por nenhuma - ganhei em seminários , palestras, etc.) Mesmo assim, de alguma forma chegam a mim sacolas plásticas suficientes para embalar o lixo. Portanto, é uma falácia dizer que as pessoas não terão mais como embalar seu lixo a não ser pagando para isso. E, se tiver que pagar, que seja. Devemos cobrar do setor público e das empresas que façam sua parte na preservação do meio ambiente, mas, temos que fazer nossa parte também. Não adianta vociferar que não faço minha parte porque governo e empresas também nada fazem. Com relação à questão do transporte, é desesperador. Aqui também os motoristas se acham acima da lei e do bom senso. Só que quem faz besteira no trânsito é sempre o outro.

Servílio Gentil Lavapés disse...

Ai, Odete, muito obrigado por suas amáveis palavras. Fico feliz de saber que existem pessoas de abrir mão de um conforto imediato em troca de um objetivo maior. Claro que spenas banir as sacoinhas não é tudo, mas é um começo. Pra você ter uma idéia, uma semana após a data "fatídica", eu ainda achei sacolas vazias jogadas na rua. Quer dizer, se houvesse um uso racional, talvez não precisassem ser banidas de uma vez. E nego é assim: mesmo sabendo que a medida ia ser adotada, ficaram como cachorro que caiu d mudança. Não abrem mão de nada, mesquinhez demais.
Sobre o paulistano em si, eu moro aqui desde que nasci e sou da gema. Então posso falar de cátedra. Cada dia pior hahaha.
Abraços e obrigado, Odete.

Anônimo disse...

Xenofobia contra nordestino não pode, mas contra paulista pode né?

Este blog aqui está com os dias contados, queridão!

Servílio Gentil Lavapés disse...

Bueno, "queridão" e anônimo ainda por cima: eu nem comecei ainda, só estou me esquentando.
Além disso, EU SOU PAULISTANO ( E BRANCO, ACASO ISSO SIGNIFIQUE ALGO PARA VOCÊ ). E xenofobia não é bem a palavra adequada, penso, já que estou mirando no comportamento e modo de vida.
E nem comecei ainda. Passe bem.

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